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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Cervejaria Turatti em Recuperação Judicial

 

Do Topo Das Premiações à Reestruturação: Grupo Turatti entra em Recuperação Judicial no Ceará

Pioneira no mercado de cervejas artesanais desde 1999, gigante cearense culpa "Efeito Ozempic", juros asfixiantes e câmbio alto por crise financeira; atendimento e fábricas seguem operando normalmente.

O mercado de bebidas premium e gastronomia do Nordeste foi surpreendido com o acolhimento do pedido de recuperação judicial do Grupo Turatti, uma das marcas mais tradicionais e condecoradas do setor. O processo, aceito pela 1ª Vara Empresarial de Recuperação de Empresas e de Falências do Estado do Ceará, envolve uma dívida acumulada superior a R$ 12 milhões. A medida engloba oito empresas sob o guarda-chuva da holding e visa renegociar os débitos de forma coletiva, evitando a interrupção das atividades.

Uma História de Sucesso na Cultura Cervejeira do Nordeste

Fundada em 1999 pelo empresário Lissandro Turatti, a marca nasceu com o propósito de introduzir a cultura do malte e do lúpulo de alta qualidade em uma região até então dominada pelas cervejas comerciais de massa.

Ao longo de quase três décadas, a Cervejaria Turatti consolidou-se como a maior referência em rótulos artesanais do Ceará e uma das mais importantes de todo o Nordeste. Acumulando diversos prêmios nacionais e internacionais de degustação, o grupo expandiu seu portfólio nos últimos anos ao adquirir outras marcas locais consagradas, como a Capitosa, a 5 Elementos e a Hey Ho. Além das fábricas, a holding tornou-se um fenômeno gastronômico regional com seus restaurantes focados em Pit Smoker e American BBQ.

Na peça jurídica apresentada à Justiça, a defesa do grupo expôs argumentos inovadores sobre as transformações no comportamento do consumidor pós-pandemia. Segundo os relatórios, o mercado de alimentação fora do lar e de bebidas alcoólicas foi duramente golpeado por fatores biológicos e geracionais.

O avanço dos emagrecedores e o uso massivo global e nacional de medicamentos voltados à perda de peso (como o Ozempic) gerou, comprovadamente, uma diminuição acentuada no apetite e na ingestão de álcool por parte do público consumidor de maior poder aquisitivo. Adicionalmente, a sobriedade da Geração Z tem demonstrado um desinteresse estrutural pelas bebidas alcoólicas tradicionais, migrando o lazer para ambientes predominantemente digitais e hábitos voltados ao bem-estar e à saúde. Em um tempo mais distante, observou-se também um esvaziamento dos salões dos bares edas cervejarias. O hábito corporativo do happy hour presencial reduziu significativamente em Fortaleza, com o público optando pelo consumo caseiro ou por opções mais econômicas.


A estratégia agressiva de expansão e consolidação de mercado executada pela Turatti esbarrou diretamente na política monetária brasileira dos últimos anos. Com a Taxa Selic mantida em patamares elevados, o custo para a rolagem de dívidas e financiamento do capital de giro tornou-se proibitivo. Fontes ligadas à área financeira da empresa apontam que captar recursos no mercado bancário se tornou inviável para empresas de médio porte, forçando o grupo a buscar o amparo legal da recuperação antes que o fluxo de caixa travasse as operações cotidianas.

Além da retração de público e dos juros altos, a instabilidade do câmbio no Brasil agravou fortemente a produção das cervejas premium. Como a fabricação artesanal depende diretamente da importação de insumos essenciais (como maltes especiais da Europa e lúpulos selecionados dosEstados Unidos), a persistente desvalorização do Real frente ao Dólar inflacionou de maneira drástica o custo por litro produzido. "Em uma cadeia de nicho, o repasse integral de custos alfandegários para o cardápio ou para as gôndolas dos supermercados faria a cerveja sumir das mãos do cliente. Fomos obrigados a espremer nossas margens de lucro até o limite", revela um sommelier ligado à produção da marca.

As operações das casas na Varjota e no North Shopping Fortaleza, bem como a fábrica central localizada na Lagoa Redonda, seguem em pleno funcionamento. Os postos de trabalho de cerca de 240 colaboradores diretos foram preservados para assegurar o plano de reestruturação que será apresentado aos credores nos próximos meses.

A seguir, com a palavra, o cervejeiro da Turatti, Adriel Oliveira.

Foto por Mah Cavalcanti e Site Turatti.


segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Mills 10 anos

 

Uma Década de Identidade e Rigor Técnico na Grande BH

Fundada a partir do sonho dos cervejeiros caseiros Alexandre Pimenta e José Monteiro Jr., a Cervejaria Mills iniciou suas atividades comerciais em Belo Horizonte com o propósito ousado de criar "cervejas com identidade".

Sediada no bairro São Francisco, na Capital, a microcervejaria transformou o hobby de seus fundadores em um negócio altamente premiado e respeitado no mercado nacional. Entre as principais conquistas de sua história, destacam-se o seu registro na Top 50 do Brasil. A Mills foi eleita consecutivamente entre as 50 melhores cervejarias do país nos rankings setoriais.

A cervejaria mineira faturou a melhor IPA do País, por meio do seu rótulo Bedrock, uma American IPA potente, que conquistou medalha de ouro no Brasil Beer Cup. Há ainda o título no Campeonato Brasileiro de Cervejas. Adicionalmente, a fábrica de cervejas produz o seu toque de inovação cultural através da linha do estilo Sour. Esse portfólio homenageia o Cordel Mineiro, utilizando frutas e ingredientes tropicais como caju, goiaba e cajá. Todas essas cervejas podem ser experimentadas na loja da Cervejaria Mills, localizada no Mercado Novo, bem no centro da Capital mineira.

Para celebrar a primeira década de história, a marca preparou uma grande comemoração diretamente em sua fábrica, oferecendo gastronomia local, shows ao vivo e visitas guiadas ao seu complexo de produção. Detalhes sobre a trajetória e portfólio completo de produtos podem ser conferidos no Instagram Oficial da Mills Brewery ou pelo Sympla (https://www.sympla.com.br/evento/mills-10-anos/3532175)

Fotos: Instagram/IA.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Black Sheep Brasília

 


Cervejaria Black Sheep lança cervejas para bandas de rock

A cena do rock independente de Brasília ganhou um novo capítulo em 2026: a Cervejaria Black Sheep Breja Studio anunciou o lançamento de quatro rótulos especiais criados para homenagear bandas autorais da capital. O projeto, chamado “Meu Som na Lata”, celebra a fusão entre música e cerveja artesanal, destacando o impacto cultural e a identidade das bandas locais. O evento de lançamento ocorre em 6 de fevereiro de 2026, às 20h, no espaço Calabouço da Superquadra 102 Norte.

Idealizado por João Alberto Matos (Beto), a Black Sheep nasceu como hobby em 2010 e tornou-se uma cervejaria colaborativa focada em valorizar o rock autoral. A proposta vai além da produção de cerveja: cada rótulo é criado a partir do som da banda, buscando traduzir ritmo, estética e identidade musical em aroma, corpo e sabor.

Para os músicos, ter sua obra transformada em uma cerveja significa reconhecimento cultural. O guitarrista Adelson Siqueira, da banda Sonda Mãe, descreveu a homenagem como uma “felicidade indescritível” e um marco na história do rock local. Quatro bandas, serão contempladas nessa primeira rodada de produção. São essas: Sonda Mãe, Diffen, Arkana e Kazzulo.

A iniciativa assume um papel importante no cenário cultural da capital: não se trata apenas de lançar rótulos, mas de consolidar a identidade de bandas independentes e criar produtos que contam histórias por meio de sabores.

Combinando inovação, regionalidade e paixão pelo rock, a Black Sheep reafirma seu objetivo de ser uma “ovelha negra” no mercado — ousada, independente e movida por cultura.

Fonte e saiba mais em: Black Sheep lança cervejas artesanais em homenagem à bandas de rock da capital | Jornal de Brasília

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Backer 2026


Aos poucos, cervejaria mineira retorna ao mercado de cervejas artesanais

É sabido o episódio ocorrido, anos atrás, decorrente de uma série de falhas e infortúnios que chocou os mineiros e que colocou a Backer em cheque, enquanto entidade produtora de cervejas. A contaminação  em um de seus tanques, expôs, momentaneamente, o mercado de cervejas artesanais, pois o consumidor se viu acuado em adquirir produtos das pequenas cervejarias. Muitos passaram a questionar se essas possuíam a mesma acurácia qualitativa, como é percebida nas grandes fabricas de cervejas, produzidas em larga escala. No caso de dúvidas, parte do público voltou a consumir cervejas premium, das grandes corporações.

O caso da Backer pode ser entendido como uma exceção à regra, mas que merece a devida atenção. Foi, para a gestão de riscos corporativos, um case de seguradoras. Exatamente: seguradoras. Algumas lições foram aprendidas e, semelhantemente com o que se faz com as caixas pretas em aviões, coube ao mercado segurador abrir o caso e entender o que realmente aconteceu, as circunstâncias, os diversos cenários, para que riscos não venham ocorrer novamente. Nesse sentido, tornou-se inédito no setor cervejeiro, semelhantemente ao setor aeronáutico, estudar situações adversas que serviram de base para o desenvolvimento de um ambiente de controles mais robusto no setor de bebidas.

Sobre a ótica das seguradoras, três pontos mereceram destaque. Primeira lição: quando uma microcervejaria começa a tomar corpo rumo ao próximo patamar, é importante passar a comprar dos grandes fornecedores ou, ainda, daqueles de referência, por meio de diligências e práticas de compliance. As grandes empresas fornecedoras, apesar de cobrarem mais caro, essas possuem um sistema de controles de qualidade e procedimentos mais desenvolvidos, mitigador de riscos e geralmente munidos de seguro. Dessa forma, a empresa alimentícia ou cervejeira, ao se tornar um pouco maior, é importante se unir à líderes de mercado, como por exemplo, fornecedores de gases (e.g.: White Martins, Supergasbrás, Gasmig, etc.), de produtos químicos ou ainda de matérias-primas. Essas empresas, normalmente, possuem certificações de qualidade reconhecidos (e.g.: ISO, FSSC, APPCC, ANBT), time técnico profissional capaz de executar instalações e manutenções de equipamentos críticos, executar revisões tempestivas e substituir peças e acessórios quando julgam necessário. Em casos de sinistros, apresentam departamentos de compliance, jurídico e de seguros para assumir eventos, como parte de um processo de responsabilização.

O segundo item, refere-se à implantação de um sistema de controles internos de detecção e monitoramento, auditável, capazes de identificar anomalias, divergências e desvios fora do padrão. Esses devem ser questionados por aqueles que os gerenciam, informado, a contento, às lideranças e ao corpo diretivo da organização. Devem ser investigados, com minúcia, visando a correção, a prevenção e a melhor performance. Em casos de eventos, que haja planos ágeis de contingência e de gestão de crises efetivos.

O terceiro item é a contratação de seguros específicos. Empresas em transição de porte, se tornam cada vez mais complexas. Nessas circunstâncias, devem formalizar um mapa de riscos estratégico, tático e operacional, identificando e mensurando seus impactos e probabilidades, visando adquirir apólices de seguros correspondentes, em seguradoras de primeira linha, de forma a atingir os seus objetivos estratégicos, sem grandes percalços. Organizações devem buscar o compartilhamento de seus riscos mais críticos, de forma específica e compatível ao tamanho da operação, como riscos de responsabilidade civil, ambiental, fiscal, danos à propriedade, interrupção dos negócios, lucro cessantes, riscos de saúde e segurança, de terceiros, FLEXA, D&O, E&O, etc, de forma que os proteja de eventos de grande monta. São tipos de seguros que cujos prêmios tendem a ser um pouco mais caros, porém são capazes de abranger um leque maior de cobertura, correspondente à natureza das operações, do volume de atividades, processos e pessoas envolvidas. 

É importante ressaltar que, eventos dessa natureza, como no caso da Backer, raros de acontecer, são conhecidos no mercado, como “Black Swans” ou “Cisnes Negros”. Trata-se de um termo designado para eventos de baixíssima probabilidade, porém com altíssimo impacto, incluindo danos à imagem e a reputação. Rompimentos de barragens, quedas de grandes aeronaves, catástrofes, são classificados como Black Swans. E aqui está um elemento chave do negócio: a reputação. Algo difícil de construir e, quando fragilizado, torna-se difícil a sua reconquista. É na reputação que está credibilidade de toda organização. Nesse caso, a Backer, vem passando por esse processo, de forma lenta e gradual, buscando sair da uma recuperação judicial, iniciada em 2023. A empresa busca se manter de pé, para indenizar vítimas, corrigir os erros do passado e recuperar a saúde econômica e financeira e, sobretudo, a sua reputação.

Durante esse processo de ajuste de rota, observa-se que a cervejaria mineira mudou o design, a logo e os rótulos de seus produtos. Está revendo seu propósito, seus valores, no sentido de reaver a sustentabilidade do negócio, contribuindo econômica e socialmente para o estado e à população, gerando empregos e renda no mercado de cervejas artesanais.


Nas gôndolas dos supermercados, o que se vê é a presença dos estilos que marcaram a empresa, em seus tempos áureos: a famosa Capitão Senra, nos estilos Amber Lager e Session IPA; a Tommy Gun, uma Double IPA premiada; a Pele Vermelha, uma IPA com cascas de laranja da linha Exterminator; a famosa Medieval, uma Belgian Ale e as que fundaram a empresa, como Backer Pilsen e Backer Pale Ale e a novidade Backer sem Álcool. Na fábrica, mais precisamente no Templo Cervejeiro, o Valle Gastronômico tem sido gerenciado pelo jovem Lucas e seu time de frente, apresentando, com cordialidade, chopes bem servidos e petiscos, além de pratos saborosos e sobremesas feitas com muito esmero. Os fãs da marca e os adeptos à cerveja, buscam prestigiar a empresa visitando o Valle Gastronômico sempre que oportuno, em busca de um copo gelado e uma espuma cremosa, daquela que foi considerada, no ano de 2019, a melhor cervejaria das Américas, pela Copa de Cervezas de América, no Chile.

Vida que segue. Sucesso à Backer em suas atribuições, responsabilizações e projetos.

domingo, 30 de novembro de 2025

Mercado de Cervejas Artesanais 2025


Cervejas artesanais fora da geladeira: um reflexo da queda do poder aquisitivo e da mudança no consumo

Nos últimos anos, as cervejas artesanais conquistaram espaço nas prateleiras dos supermercados, atraindo consumidores em busca de qualidade, sabor diferenciado e experiência. No entanto, um fenômeno recente chama atenção: enquanto permanecem nas gôndolas, as geladeiras — espaço premium para bebidas prontas para consumo — são dominadas por marcas produzidas em larga escala. Esse cenário revela muito mais do que uma simples preferência: é um retrato da conjuntura econômica brasileira.

O espaço na geladeira: símbolo de consumo imediato

As geladeiras dos supermercados representam conveniência e desejo imediato. Estar ali significa maior visibilidade e maior chance de venda por impulso. Quando as cervejas artesanais não ocupam esse espaço, indica que o consumidor médio está priorizando preço e praticidade, deixando de lado produtos premium.

Fatores econômicos que explicam a mudança são a inflação persistente: o aumento contínuo dos preços dos alimentos e bebidas pressiona o orçamento familiar. Produtos considerados especiais, como cervejas artesanais, são os primeiros a sair da lista. A queda do poder aquisitivo é outro fator. Os salários não acompanham a inflação, e o consumidor busca otimizar gastos. Atualmente, há o agravante da inadimplência elevada. Com mais famílias endividadas, há menos margem para consumo aspiracional. O preço das bebidas também é outro fator: enquanto uma cerveja artesanal pode custar 3 a 5 vezes mais que uma cerveja industrial, a diferença pesa no bolso. A briga entre as marcas premium de larga escala, como Heineken, Spaten, para a manutenção do market share, cria uma luta por espaço nas geladeiras, deixando as artesanais sem lugar no freezer.

Mudança no comportamento do consumidor

O consumidor brasileiro, que antes buscava experiências diferenciadas, hoje tem priorizado o custo-benefício. As marcas tradicionais oferecem preços competitivos, promoções e embalagens econômicas, tornando-se a escolha dominante. Há ainda uma mudança no perfil do consumidor quanto ao uso de bebidas alcóolicas. Há uma procura para produtos não-alcóolicos, de baixa caloria, ou ainda substitutos das cerveja, como bebidas prontas, conhecidas por RTD - Ready to Drink.

Impacto para o mercado de cervejas artesanais

Há uma certa redução de vendas em supermercados, observada por um menor giro nas gôndolas e ausência nas geladeiras. O setor ainda sobrevive com a migração para nichos específicos, como lojas especializadas, bares temáticos e e-commerce podem se tornar os principais canais. Nesse sentido, o mercado vem apresentando uma demanda constante de adaptação, tendo como estratégias o uso de embalagens menores, preços e promoções que aumentem a acessibilidade e parcerias, como logística e compras conjuntas e serviços compartilhados entre parceiros cervejeiros, fusões e aquisições no setor. Uma séria ações visado manter a sustentabilidade do negócio, evitando riscos de falência ou concordata.

Para mitigar os riscos de mercado enfrentados pelos produtores de cervejas artesanais, diante da queda do poder aquisitivo e da concorrência com marcas industriais, é essencial adotar estratégias que combinem redução de custos, inovação e diversificação de canais.

 A seguir estão algumas soluções práticas:


Cheers!



sábado, 4 de outubro de 2025

Mercado de Cervejas Artesanais

 


Espólio da cervejaria Blondine vai a leilão após falência

Por Pedro Gil, da Veja Negócios

Estrutura industrial, em Itupeva, interior de SP, é avaliada em mais de R$ 3,2 milhões

Os equipamentos de fábrica da cervejaria Blondine, em Itupeva (SP), uma das maiores fabricantes de cervejas artesanais do Brasil, estão à venda em leilão judicial após decretação da sua falência, em fevereiro deste ano. A estrutura industrial da companhia, avaliada em mais de 3,2 milhões de reais, já atraiu o interesse de nove empresas e acumula sete propostas, com lance atual de 101 mil reais. O certame online é conduzido pela plataforma Positivo Leilões. A venda tem como objetivo arrecadar recursos para o pagamento de dívidas da empresa, estimadas em 5 milhões de reais.

A cervejaria foi criada pelo empresário Aloisio Farah Xerfan. Formado em administração de empresas, o paulistano viajava muito para a Alemanha. Ele frequentou festivais locais e começou a apreciar as potencialidades do produto. Depois de algumas experiências profissionais no setor cervejeiro, Xerfan decidiu abrir a sua própria indústria de bebidas artesanais. Em 2010, o empreendedor criou a Blondine. Em 2014 a fábrica foi transferida para a cidade de Itupeva.

Entretanto, face o cenário pós-pandemia, a empresa, mesmo cortando custos e buscando atingir novos mercados, essas ações não foram suficientes para manter a sua sustentabilidade. Em Itupeva, mantêm-se de pé a Cervejaria Rofer.

Meus comentários: o mercado está realmente turvo, difícil de enxergar. O poder aquisitivo tem mostrado queda no consumo de cervejas, além da mudança de hábitos do cidadão comum. Frente aos últimos eventos relacionados a manipulação e adulteração de bebidas alcóolicas, o cenário requer cautela por parte do consumidor, agravando ainda a performance do setor.

É lamentável ver essa mutação abrupta no segmento de cervejas. Até quando?

Leia mais em: https://veja.abril.com.br/coluna/radar-economico/espolio-da-cervejaria-blondine-vai-a-leilao-apos-falencia/

domingo, 10 de novembro de 2024

Dado Bier 2024

 


Dado Bier encerra produção própria de cerveja e cancela projeto de nova fábrica no RS

Por Carlos Felipe Freitas

Cervejaria pioneira do mercado de cervejas artesanal do Brasil muda seu foco para produção 100% terceirizado e desiste de construção de nova fábrica

A cervejaria artesanal gaúcha Dado Bier comunicou que irá realizar uma reformulação profunda em seu modelo de negócios encerrando sua produção própria de cervejas que passará a ser 100% terceirizada.

Uma das pioneiras do mercado de cerveja artesanal brasileiro, a Dado Bier através dessa mudança acaba por desistir de um grande projeto de expansão que contaria com construção de nova fábrica mirando em crescimento no grande varejo.

Com a grande mudança do seu modelo de negócios, a Dado Bier que conta com produção ao redor de 30 milhões de litros por ano vai encerrar seu braço de produção própria e vai passar a ter toda a sua produção tercerizada.

Parte da produção da Dado Bier já era terceirizada em Toledo (PR), Santa Maria (RS) e Leme (SP), principalmente para auxiliar em momentos de pico de demanda e otimizar a logística de distribuição da empresa, a produção própria da Dado Bier era localizada no interior do Rio Grande do Sul.

A Dado Bier desde de 2020 tinha um grande plano de expansão com a construção de uma nova cervejaria na cidade de Três Cachoeira (RS), um investimento de mais de R$ 100 milhões, que tinha o objetivo de dobrar a produção da cervejaria e reforçar suas vendas no segmento do grande varejo atacando a região sul e sudeste, o que fazia parte da grande estratégia da empresa.

Desde a pandemia a cervejaria havia atrasado o cronograma de construção da nova fábrica e agora com a mudança de seu modelo anunciou definitivamente a desistência, comunicando que irá vender o terreno adquirido.

A Dado Bier é uma das pioneiras do mercado de cerveja artesanal do Brasil tendo sido inaugurada em 1995, um momento onde o mercado de cerveja artesanal no Brasil era praticamente inexistente, e bebeu de muitas inspirações presentes no mercado norte-americano da época que estava em ebulição.

Diferente de cervejarias que iniciaram trajetória naquele período como Eisenbahn, Baden Baden ou Colorado, a Dado Bier se manteve independente, não sendo adquirida por nenhum dos gigantes grupos cervejeiros presentes no Brasil. Caso fosse uma cervejaria norte-americana a Dado Bier se enquadraria como uma cervejaria artesanal de acordo com a classificação da Brewers Association.

No início de sua trajetória a Dado Bier utilizava um modelo de negócios muito diferente para o período tendo uma espécie de rede de brewpubs em diferente locais do país como São Paulo e Rio de Janeiro, além do Rio Grande do Sul, que também funcionavam como casas noturnas gerando demanda para as suas cervejas.


A Dado Bier também está fechando o Food Hall no Shopping Boubon Country em Porto Alegre onde investiu R$ 10 milhões para abrigar uma nanocervejaria em 2020 onde fornecia cerveja fresca junto a um projeto gastrônomico com restaurantes. Para além do Food Hall, a Dado Bier contava com uma operação no shopping de mais de 20 anos.

Dado Bier migra para modelo de produção 100% terceirizado

A Dado Bier concentra vendas no varejo contando com 17 rótulos onde os carros chefe são as cervejas Lager, IPA e Weiss também disponíveis em lata, além de garrafa.

A cervejaria gaúcha negociou direitos de produção com a empresa do Uruguai (país onde a marca possui também vendas) Las Acacias, esta companhia foi adquirida pela empresa brasileira M. Dias Branco a cerca de dois anos.

Fonte: https://catalisi.com.br/dado-bier-encerra-producao-propria-de-cerveja-e-cancela-projeto-de-nova-fabrica-no-rs/ 

terça-feira, 30 de abril de 2024

Cerveja Chinesa Snow Beer

 

Snow Beer, a cerveja mais vendida da China, faz sua estreia nos mercados norte-americanos

A experiente e centenária cervejaria artesanal, a Snow Beer, traz a arte consagrada do domínio cervejeiro chinês para os entusiastas da cerveja em todos os continentes

A China Resources Snow Breweries (CR Snow), fabricante líder de cerveja na China, entrou oficialmente no mercado norte-americano. Eles lançaram pela primeira vez sua cerveja “Brave the World” mais vendida no final de 2023, marcando a primeira fase da entrada estratégica da empresa na região como parte de sua expansão global. O Ever Grand Group deverá liderar a fase operacional como distribuidor exclusivo da Snow Beer, orquestrando uma estratégia expansiva para garantir um lançamento de produto bem-sucedido nos Estados Unidos. Com seu portfólio de ofertas premium, o Ever Grand Group apresenta uma seleção diversificada de produtos Snow Beer, meticulosamente selecionados para as mais diversas ocasiões.

O lançamento da Snow Beer na América do Norte marca uma conquista significativa, reforçando a sua proeminência global e demonstrando a contribuição fundamental do Ever Grand Group para a expansão mundial da marca. O Ever Grand Group está comprometido em estabelecer uma referência de excelência, selecionando e introduzindo marcas internacionais de cerveja de primeira linha no mercado dos EUA. Este esforço envolve o cultivo de parcerias com distribuidores locais, fornecedores e outras partes interessadas importantes, todas apoiadas por pesquisas aprofundadas e uma análise das preferências e paladares dos consumidores norte-americanos.

Fundada em 1993, a China Resources Snow Breweries liderou o crescente setor cervejeiro da China, experimentando uma expansão notável e abrindo um caminho de inovação de produtos. O lançamento da cerveja “Brave the World” pela empresa foi um marco significativo, posicionando-a como uma das cervejas mais populares do país. Agora, a série "Brave the World" da Snow Beer está disponível em supermercados, lojas de bebidas e restaurantes na Califórnia, Nova York, estado de Washington e muito mais. Os próximos lançamentos incluem "Classic Snow Beer", agendada para o segundo trimestre de 2024, e a altamente aguardada série "Opera Mask", com estreia prevista para o final de 2024 ou início de 2025. O Ever Grand Group supervisionará o lançamento estratégico dessas cervejas excepcionais para os consumidores norte-americanos.

Saiba mais em: https://www.newswire.com/news/snow-beer-china-s-top-selling-brew-makes-its-debut-in-north-american-22237698

#snowbeer #pelosatelite #avecesarco

quinta-feira, 14 de março de 2024

Market Share em Cervejarias



Como ficou o Market Share das cervejarias no Brasil em 2023

Por Felipe Freitas*

Dados sobre market share de cerveja no Brasil para o ano de 2023 revelados pela Nielsen, mostram como se dividiu o mercado da bebida no país

O market share de cerveja no Brasil no ano de 2023 foi reportado pela empresa de inteligência de mercado Nielsen, revelando como se dividiram as vendas de cerveja no país em torno dos seu grandes fabricantes. Foram publicado dados referentes tanto ao acumulado do consumo de 2023, quanto também um comparativo do mês de dezembro de 2022 e 2023.

O Brasil é o terceiro maior mercado consumidor de cerveja do mundo e o volume de vendas teve um crescimento de 1,1% frente ao ano anterior, fechando 2023 com 112 milhões de hectolitros vendidos.

O mercado brasileiro é dominado por 3 gigantes do mercado cervejeiro mundial. A Ambev, a Heineken Brasil e o Grupo Petrópolis. Numa pequena parcela do volume restante estão milhares de cervejarias de menor porte que variam enormemente de escala entre si.

No acumulado do ano. Foi registrado, de acordo com os dados da Nielsen, uma queda de 0,4 ponto percentual da Ambev (de 59,7% para 59,3%), um crescimento de 0,5 ponto percentual do Grupo Heineken (de 23,9% para 24,4%) e uma queda do Grupo Petrópolis (de 11,7% para 11,3%).

Cada 0,1 ponto percentual do mercado brasileiro de cerveja equivale a cifra de R$ 140 milhões, mostrando como a disputa por mercado é crítico para o resultado das empresas.

Grupo Petrópolis cresceu seu market share ao longo de 2023.

Entre dezembro de 2022 e dezembro de 2023, numa avaliação que compare as fotografias dos 2 períodos, o Grupo Petrópolis foi o único grande grupo cervejeiro que cresceu sua fatia no mercado de cerveja.

A dona das marcas Itaipava, Petra e Cacildis passou de 11,2% para 12,1%, entre dezembro de 2022 e dezembro de 2023, respectivamente. Neste mesmo período a líder Ambev caiu de 59,1% para 58% e a Heineken de 24,8% para 24,6%.

Meus grifos: Ambev 59% + Heineken 25% + Petrópolis 11% = 95%. Onde estão os outros 5%? Importadas e Artesanais? Isso ai! As cervejarias artesanais estão crescendo no mercado!

(*) Felipe Freitas é engenheiro químico, mestre em Gestão da Inovação Tecnológica pela EQ/UFRJ e analista do mercado de cervejas.

Fonte: https://catalisi.com.br/como-ficou-o-market-share-de-vendas-de-cerveja-no-brasil-em-2023/

,#pelosatelite #avecesarco #djjonesco #marketshare

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

Mercado de Cervejas Artesanais

Ajuste de Contas em Cervejarias Artesanais: Fazer Menos é Mais?

por Henrique Oliveira*

O Blog “Bar do Celso”, de Luiz Celso Jr., publicou na sua página do Instagram, na semana que antecede o Carnaval, uma nota interessante sobre um fato que vem ocorrendo nos Estados Unidos. Lojas e bares especializados em cervejas estão reduzindo o número de rótulos em suas gondolas.

Essa informação, Celso extraiu da reportagem do New York Times, por meio do artigo de Joshua M. Bernstein, publicado em 26 de janeiro: “After a Boom, Craft Beer Considers a New Creed: Less Is More”, em português: “Após o Boom, Cervejarias Artesanais Consideram um Novo Credo: Menos é Mais”.

 Segundo o artigo, “em novembro passado (2023), as vendas de cerveja nas lojas americanas caíram 3,1% em volume em relação ao ano anterior, segundo a empresa de pesquisa de mercado NIQ. Nos bares e restaurantes, as vendas caíram quase 4,7%. (Só para cerveja artesanal, a queda foi ainda mais acentuada: 5,3% nas vendas nas lojas e 6,7% em bares e restaurantes.) Parte desse comportamento está associada a mudança de comportamento do consumidor, que está voltando à simplicidade. Depois de anos oferecendo uma sucessão constante, muitas vezes semanal, de novos produtos, muitas cervejarias, bares e supermercados reduziram o número que produzem, servem e vendem”. Em parte, isto é uma concessão à realidade econômica: os americanos estão comprando menos cerveja, optando por bebidas espirituosas e cocktails em lata ou abstendo-se totalmente de álcool.

Com base nesse cenário, o jovem Celso perguntou? Você concorda com o termo usado no artigo, sobre o mercado americano das artesanais que “Menos é Mais?”

Bart Watson, economista-chefe da Brewers Association cantou a pedra no primeiro semestre de 2023, que o crescimento de cervejas artesanais atingiu um patamar que é comum a outros segmentos presentes nos Estados Unidos, deixando de ser um foguete de crescimento isolado. Quanto a estratégia, comentei ao Celso, que o mesmo cenário citado no artigo do Times vem também ocorrendo no Brasil. Primeiro, cabe destacar que o setor de bebidas alcóolicas é muito dependente do comportamento do PIB. Quando a economia vai bem, muitos dizem: “garçom, desce uma gelada”! Quando a economia vai mal, aí a frase é outra: “garçom, encerra a conta”!

Tanto no Brasil quanto no exterior, observa-se um certo achatamento dos salários, sem citar os efeitos do desemprego pós-pandemia, sobretudo devido a uso de tecnologia e atos de inovação. Nessas circunstâncias, o consumidor passou a optar em buscar cervejas pelo melhor (ou menor) preço ou ainda pelo custo-benefício e optou a tomar boa parte de suas cervejas em casa. Consequentemente, bares e lojas especializadas voltaram-se para os rótulos de maior drinkability, e por aqueles que giram melhor os estoques, visando otimizar custos, manter o capital de giro sustentável, sem perder a rentabilidade. O mesmo cenário foi visto, por exemplo, no setor de serviços de alimentação, mais precisamente no cardápio dos restaurantes, com um a redução significativa do menu: houve uma menor oferta no número de pratos (ou até a sua redução em termos de quantidade), sobretudo em itens como peixes, crustáceos e carnes nobres, itens perecíveis, considerados de elevado custo. Em suma, quando o cinto aperta, às vezes o melhor é fazer o tradicional, o arroz com feijão, o básico, até que haja alguma recuperação econômica. Nessa hora menos, de fato, é mais.

Uma das soluções que cabe aos empresários é lidar com a gestão ideal dos estoques. É uma conta complexa, que carece de monitoramento, tomada de decisão com base em testes, criação de promoções por meio de combinados, (os famosos “combos”) para maior giro, ou ainda expandir as ofertas por SKU's, ou seja, ofertar uma maior diversidade, em termos de tamanho de embalagem, de um mesmo produto e, naturalmente, efetuar um ajustamento do mix aos olhos de cliente, seja pelo seu perfil, seja pela sua necessidade ou desejo de consumo. (Aliás, anote aí: mix será a bola da vez no ano de 2024, em vários setores.)

O momento é de reinventar-se, pois o cenário fica ainda mais complicado com a ação dos concorrentes de outros nichos, como o gin, o whisky, o rum e a cachaça. Todos esses estão buscando cada vez mais atrair clientes com uma política de preços mais aderente ao bolso e com a elaboração de coquetéis e drinks de encantar os olhos e o paladar.

Para encerrar, aqui vai uma notícia boa no fim do túnel. Ao contrário dos Estados Unidos, onde há um universo de mais de 9.500 cervejarias artesanais, (o que deixa qualquer consumidor confuso na hora de tomar a sua decisão de compra), a realidade do Brasil tem sido diversa. Apesar da mudança de comportamento do consumidor, o mercado de cervejas artesanais está expandido. Dados do Anuário da Cerveja do Ministério da Agricultura (MAPA) mostram que em 2022, o setor cervejeiro cresceu 11,6%, com a abertura de 180 novos estabelecimentos. Ao todo, foram registradas 1.729 cervejarias.

fonte: Mapa

Isso mostra que o Brasil não é um país e sim um continente e que há espaço para o surgimento de novos estabelecimentos, sobretudo em seu interior e em áreas em que há práticas de turismo, gerando emprego e renda. E para atrair e manter clientes, nada como promover uma boa visita guiada à fábrica, realizar degustações harmonizadas, criar eventos locais e novos modelos de negócios, produzir novas bebidas além da própria cerveja, realizar sinergias, fusões e aquisições e por aí vai.

Há muito o que fazer. Mãos à obra.

https://www.nytimes.com/2024/01/26/dining/drinks/america-craft-beer.html

https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/noticias/setor-cervejeiro-segue-crescendo-a-cada-ano-aponta-anuario#:~:text=Os%20dados%2C%20referentes%20ao%20ano,o%20Brasil%20registra%201.729%20cervejarias.

 (*) - Henrique Oliveira é Consultor Executivo de Governança, Riscos e Compliance.

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Brasil Brau e Livro Mineiro de Cervejas


Brasil Brau 2019 retrata salto qualitativo na profissionalização do Setor Cervejeiro
Data: 21/JUN/2019

O principal evento da indústria cervejeira na América Latina reuniu a cadeia produtiva de ponta a ponta e apresentou as novidades do mercado mundial, com expositores de 13 países diferentes; a edição comprovou o posicionamento definitivo e relevante do Brasil no mapa do setor cervejeiro internacional

A 15ªedição da Brasil Brau, feira bienal de tecnologia em cerveja que aconteceu de 28 a 30 de maio no São Paulo Expo, reuniu as últimas tendências mundiais em maquinário, tecnologia, insumos, produtos e serviços do mercado cervejeiro. Participaram 113 expositores vindos de diferentes regiões do Brasil e países como Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, China, Holanda, França, Taiwan, Canadá e México – 33% dos expositores eram estrangeiros. Ao longo dos três dias de evento, 6.500 visitantes circularam pelo espaço de 8.000 m².

A organização do evento comemora os resultados: “A Brasil Brau deste ano foi realmente um divisor de águas, mostrando-se atrativa e internacional. Tivemos mais de 100 expositores representando 13 países diferentes, o que comprova a abrangência e relevância da feira no cenário mundial para quem quer fazer negócios com o Brasil”, analisa Luana Cloper, diretora de negócios da Brasil Brau. Na parte de visitação, ela identificou uma qualificação ainda mais expressiva do que nas edições anteriores. “Tivemos visitantes que representam as indústrias de todos os portes, tanto grandes cervejarias quanto os novos negócios que se apresentam no Brasil, como é o caso dos brew pubs.”

Leandro Spaniol, coordenador de marketing da empresa de refrigeração Zero Grau, que expôs pela primeira vez no evento, concorda: “A feira reuniu desde o cervejeiro que está começando e o empreendedor de médio porte, que já precisa ampliar o negócio, até as cervejarias maiores, que estão pensando em franquias, por exemplo”. “A qualidade dos visitantes é ótima”, atestou Volmir Roberto Gava, diretor da fabricante de equipamentos Egisa. “São pessoas focadas no segmento - compradores, técnicos, cervejeiros, empreendedores – e para nós é muito bom que a feira seja focada e bem dirigida”.

Dentro deste cenário, a presença de expositores de toda a cadeia produtiva foi fundamental para atender à demanda de um público cada vez mais qualificado e profissionalizado. Além das ramificações tradicionais, como maquinários e equipamentos, insumos e embalagem, a Brasil Brau contou com um importante rol de serviços, consultoria e educação, higiene bioquímica e ambiental, biotecnologia e instrumentos de medição e análise.

Atrações de conteúdo

Uma das novidades de 2019 foi a estreia do Brewer Lounge, novo formato de divulgação e interatividade de expositores com seu público-alvo. No espaço, localizado no centro da feira, especialistas apresentaram conteúdo, unindo abordagem técnica com degustação orientada de cervejas em prol do debate de boas práticas, processos de produção, usabilidade de produtos e serviços. Entre os especialistas que participaram dos painéis, Rodrigo Baruffaldi, cervejeiro da Overhop que produz na cervejaria Antuérpia, falou sobre o futuro da cervejaria cigana no Brasil, debatendo modelos bem-sucedidos e novas estratégias para este tipo de negócio, e o sommelier Carlo Bressiani, da Escola Superior de Cerveja e Malte, conversou sobre gestão de custos para cervejarias, apresentando ferramentas que otimizam o desempenho da organização. O espaço contou também com uma palestra oferecida pela McPack, em que Juancho Tabangay, diretor de vendas globais da Chart Inc. para todos os modelos de dosadores, falou sobre nitrobeer – cervejas com nitrogênio líquido.
  
Outra atração foi o tradicional Congresso Brasileiro de Ciência e Tecnologia Cervejeira, já em sua 16ª edição, que teve curadoria de Cilene Saorin – uma das primeiras mestras-cervejeiras do Brasil, com mais de 20 anos de experiência – e da sommelière Rafa Brunetto. A programação incluiu palestras de mestres como o lendário Randy Mosher (EUA), autor da bíblia cervejeira “Radical Brewing”, e o alemão Tobias Fischborn, PhD em cerveja e um dos maiores especialistas do mundo em leveduras, além de uma mesa redonda com os especialistas Luís Celso Jr., do Bar do celso, Heloisa Lupinacci, do Estadão, Bob Fonseca, da revista Menu, e Raphael Rodrigues, do AllBeers, que discutiram tendências cervejeiras e destaques para a próxima temporada.

Prêmio consagrou os destaques

O III Prêmio Brasil Brau de Gestão de Negócios em Cerveja, contribuição da feira para incentivar a valorização e profissionalização das marcas, marcou o encerramento da feira homenageando os profissionais e empresas que se destacaram em diferentes categorias da produção. O primeiro lugar em Design de Embalagem foi para a Cervejaria Tarantino, com o trabalho “Fábrica de Ideias Brasileiras”. 

Na categoria Sustentabilidade, venceu a parceria entre Allegra e BLUE ITS, pelo projeto “O Dióxido de Cloro TwinOxide como Ferramenta de Redução do Índice de Consumo de Água em Microcervejarias”. A Revista da Cerveja recebeu o prêmio de Comunicação da Cultura das Cervejas pela terceira vez consecutiva graças a seu registro da evolução da cerveja brasileira (Henrique Oliveira, com seu livro mineiro de cervejas, levou a segunda colocação), enquanto a CIA de Brassagem do Brasil levou o primeiro lugar na categoria Responsabilidade Social.

Na premiação do júri popular, que teve participação do público com quase 2 mil votos, Roberto Leão foi eleito o melhor Mestre Cervejeiro Brasileiro entre os mais de 140 profissionais indicados, e Heitor Silva foi escolhido entre 80 nomes como Sommelier Brasileiro de Cervejas. A Dádiva, representada no palco pela sócia-fundadora Luiza Tolosa, ganhou o prêmio de Melhor Cervejaria. Nas categorias que premiam os fornecedores do setor, a Egisa foi eleita Melhor Fornecedora de Equipamentos e a Agraria levou o troféu de Melhor Fornecedora de Insumos. Abaixo o ranking completo da premiação:

DESIGN DE EMBALAGEM
  
1º lugar: Cervejaria Tarantino com o trabalho Fábrica de Ideias Brasileiras

2º lugar (empatadas): Cervejaria Pratinha com a embalagem da cerveja Birudô e Lohn Bier com a New Zealand Pilsner

3º lugar: WE Consultoria com a embalagem de lúpulo BWS Insumos

SUSTENTABILIDADE

1º lugar: Allegra e BLUE ITS com o trabalho “O Dióxido de Cloro TwinOxide como Ferramenta de Redução do Índice de Consumo de Água em Microcervejarias”

2º lugar (empatados): Cervejaria Tarantino com o trabalho “Sustentabilidade Cervejeira” e Lohn Bier com suas ações em prol do meio ambiente

COMUNICAÇÃO DA CULTURA DE CERVEJAS

1º lugar: Revista da Cerveja (“Registrando a evolução da cerveja brasileira”)

2º lugar: Editora Autêntica (“Cervejas Mineiras: da imigração ao copo”)

3º lugar: Farofa Magazine (site Farofa Magazine)

RESPONSABILIDADE SOCIAL

1º lugar: CIA de Brassagem Brasil (cerveja colaborativa com os vencedores da 2ª Edição do Prêmio Brasil Brau)

2º lugar: Lohn Bier (ações sociais ao longo do ano de 2018)

3º lugar: Cervejaria Tarantino (case Tarantino – ações sociais)

PREMIAÇÃO JÚRI POPULAR

 Mestre Cervejeiro Brasileiro: Roberto Leão
Sommelier Brasileiro de Cervejas: Heitor Silva
Melhor Cervejaria: Dádiva
Melhor Fornecedor de Equipamentos: Egisa
Melhor Fornecedor de Insumos: Agraria
  
Durante a feira, profissionais do setor que circularam pela Brasil Brau também foram convidados a votar no Melhor Lançamento e no Estande Mais Bonito. Para o público, o ambiente mais marcante foi o da Prozyn, especializada em tecnologia de enzimas, que montou um estande com clima de bar, enquanto a LNF teve seu lúpulo Sabro eleito o melhor lançamento.


Fonte: https://brasilbrau.com.br//releases/23

terça-feira, 22 de maio de 2018

Cerveja e saúde


Cerveja não faz bem à saúde, diz tribunal alemão ao contestar anúncio

A cerveja não pode ser vendida como algo que faz bem, determinou um tribunal alemão nesta quinta-feira (17) depois que um grupo de direitos do consumidor processou uma cervejaria por causa de um anúncio que sugere falsamente que a cerveja traz benefícios para a saúde.

A disputa com a Cervejaria Haerle, situada em Leutkirch, cidade do sul da Alemanha, começou quando um grupo de proteção do consumidor protestou contra o uso da palavra "bekömmlich", que tem conotações de saúde e de sabor.

O Tribunal Federal de Justiça alemão manteve um veredicto de uma corte inferior, segundo a qual a palavra não pode ser usada em anúncios de bebidas que contêm mais de 1,2% de álcool.

A corte afirmou que "bekömmlich", que não tem tradução exata, mas pode ser assemelhada a "salutar", descreve mais do que o sabor da cerveja. "O termo 'bekömmlich' é entendido pelo público relevante como 'saudável', 'benéfico' e 'digerível'", disse o tribunal.

Quando usado para descrever alimentos, significa que o produto é absorvido e tolerado facilmente pelo sistema digestivo mesmo se consumido por longo prazo, argumentou a corte, acrescentando que a cerveja às vezes causa problemas de saúde. (Veja o que a Pernod Ricard pensa sobre o tema).

A Alemanha, antes a maior consumidora do mundo deste tipo de bebida e famosa pelo festival anual de cerveja Oktoberfest, testemunhou uma queda de consumo de 17% desde 1993, mas as cervejarias esperam que a Copa do Mundo, que começa no mês que vem, provoque um crescimento nas vendas.

Fonte: https://g1.globo.com/economia/midia-e-marketing/noticia/cerveja-nao-faz-bem-a-saude-diz-tribunal-alemao-ao-contestar-anuncio.ghtml

Foto: Autor/Brauerei Clemens /https://www.google.com/maps/contrib/105764347636658957010

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Enquente do Bob - Repostas do Henrique Oliveira


Enquete do Bob 2017, por Henrique Oliveira

1) Melhor IPA produzida no Brasil (American, Imperial/Double, New England/Juicy, Black, White, Belgian, Red etc)
Cervejaria Uaimií – Carcará IPA
Justificativa
Tomar essa cerveja no Pub da Cervejaria Uaimií é uma experiência e tanto. Amargor no teor certo, sem exageros, boa cremosidade e sabor acentuado. Apresenta ótima drinkability.
1 a) Melhor cerveja de origem inglesa/irlandesa produzida no Brasil

Cervejaria Klein Bier – Brown Ale
Justificativa
Notas tostadas, cor acobreada dão um toque adicional à essa cerveja. Uma das minhas preferidas.
1 b) Melhor Ale produzida no Brasil (outros estilos, exceto os dos itens 1 e 1a
Cervejaria Krug Bier – Pretensão Wood-Aged Beer
Justificativa
Cerveja complexa, maturada em carvalho francês, deixa uma incógnita do que tem dentro do líquido. Sabor, aroma e cor fantásticos! Vale a pena cada centavo.
2) Melhor Pilsen/”tipo Pilsen” produzida no Brasil (German Pils, Bohemian Pils, American Lager, American Light Lager, Australasian, Latin American or Tropical Style Light Lager e International Style Pils)
Cervejaria Wals – Bohemian Pilsener
Justificativa
Um show de capricho à parte.
2 a) Melhor Lager produzida no Brasil (outros estilos, exceto o do item 1)
Cervejaria Backer – Tommy Gun Double IPA
Justificativa
Eita cerveja boa! Amargor, douçura residual, cor exuberante, enfim, um show!
3) Qual a melhor Sour/Wild Ale produzida no Brasil? (cervejas ácidas)
Não votou
Justificativa
Não tomo cervejas do estilo.
4) Qual a melhor Wood/Barrel Aged Beer produzida no Brasil? (cervejas maturadas em madeira)
Cervejaria Krug Bier – Pretensão Wood-Aged Beer
Justificativa
Cerveja complexa envelhecida em carvalho francês. Alcóolica, apresenta aromas e sabores dignos do estilo, bastante complexo. Um abraço aos cervejeiros Alfredo, Ronildo e equipe que fizeram dessa cerveja uma verdadeira jóia.
5) Melhor Ale estrangeira à venda no Brasil
Chimay – Chimay Blue Grand Reserve
Justificativa
Tomei uma Chimay que guardei desde 2013 em minha casa. A cerveja estava perfeita, digna de nota máxima.
6) Melhor Lager estrangeira à venda no Brasil
Cervejaria Samuel Adams – Boston Lager
Justificativa
Cerveja complexa, e com alta drinkability. Sempre voto nessa cerveja, que além de apresentar um bom gosto, o preço ainda é acessível.
7) Melhor Sour/Wild Ale estrangeira à venda no Brasil
Não votou
Justificativa
Não tomo cervejas do estilo.
8) Melhor Wood/Barrel Aged estrangeira à venda no Brasil
Tennet’s – Tennent’s Whisky Oak
Justificativa
Cerveja complexa, uma novidade trazida pela Beer Maniacs. Vale a pena experimentar.
9) Melhor cerveja caseira do Brasil (favor citar estilo, nome, sobrenome e cidade do cervejeiro; votos não identificáveis serão anulados)
Não votou
Justificativa
Não tive a oportunidade de tomar uma cerveja caseira esse ano. Me enviem exemplares, eu compro!
10) Em 2017, você consumiu:
b) Menos cervejas que em 2016
11) Do total consumido, a maioria era
a) Nacional
12) Qual foi sua principal forma de consumo de cerveja?
a) Garrafa
13) Em relação a growlers/crowlers, você
a) Usou menos que em 2016
14) Onde você consumiu mais cervejas em 2017?
c) Em casa
15) Melhor bar cervejeiro nacional
Templo Cervejeiro Backer – Belo Horizonte
Justificativa
Ao meu ver, disparadamente é o melhor bar-restaurante no Brasil. Vale a visita, vale tomar boas cervejas lá, ao lado dos proprietários, gerentes e garçons. O atendimento é cortês, há refeições e cervejas sensacionais. Vá e comprove.

15 a) Melhor brewpub/taproom nacional
Ateliê Wäls – Belo Horizonte
Justificativa
A Wäls tinha tudo para sair de BH e ir para o Rio, São Paulo, etc., mas resolveram ficar na capital mineira. Isso é um feito de seus criadores, Tiago e José Felipe Pedras que, com coragem, criaram um verdadeiro ateliê da cerveja, com arquitetura arrojada, modernista, desenhada pelo arquiteto renomado Gustavo Pena. Tomar um chope lá é especial.

16) Quando você acessa uma mídia cervejeira, qual seu objetivo principal?
e) Outros
17) Qual mídia cervejeira você mais acessa?
a) Blogs/Sites
18) Qual o melhor dentre os representantes da mídia cervejeira que você mais acessa? (baseie-se na sua resposta à pergunta anterior, ou seja, se escolheu blogs/sites, por exemplo, informe apenas qual o melhor blog ou site)
Beer Art – O Portal da Cerveja
Justificativa
Diariamente o blog lança novidades e sua base de reportagens é bem acessível, para fins de pesquisa e consulta.
19) Melhor evento cervejeiro nacional de 2017
Experimente – Nova Lima
Justificativa
É um encontro cervejeiro mensal, que ocorre sempre no segundo sábado do mês, faça chuva, faça sol, reunindo mais de 10 mil pessoas por evento. Trata-se de um momento social onde famílias levam suas crianças para brincar, fazer piqueniques. Desde os primórdios de sua criação não houveram tumultos ou confusões e sim oportunidade de conhecer pessoas, comidas, cervejas e música de qualidade. É um evento social, formador de cultura, sobretudo cultura cervejeira.
20) Melhor fato cervejeiro de 2017
A coragem dos produtores de cervejas, que surgem aos montes a cada ano que passa. Empreender neste segmento de indústria não é fácil, tem que ter dedicação, dinheiro e persistência. Na contramaré da crise, muitos empresários investiram e isso é positivo tanto para o setor, para o consumidor e ao Estado, que receberá seus impostos.
21) Pior fato cervejeiro de 2017
Os impostos precisam ser reduzidos. Microcervejaria é microempresa. Tem que haver reduções de alíquotas para auxiliar o desenvolvimento do segmento. Aqui cabe um adendo: novos segmentos, novos modelos de negócios devem ter uma menor de tributação, para que haja uma redução dos impostos indiretos, criando acessibilidade e uma nova cara no sistema de consumo. Governos devem ganhar impostos por consumo e não alíquotas.
22) Qual a maior inovação cervejeira de 2017 e qual deve ser a de 2018?
Aumento no volume de eventos cervejeiros colocando em prática o que o segmento microcervejeiro deve ser: um prestador de serviços. Produtos de qualidade várias cervejarias produzem, inclusive as megascervejarias. Entretanto, estar cara a cara com o cliente, prestando serviços de atendimento, entretenimento e comunicação são itens essenciais, trata-se de um diferencial competitivo. Para 2018, o mercado se recuperará (aos poucos) e a criação de novas cervejarias será uma constante. Orçamento e planejamento estratégicos devem ser primordiais, levando em consideração que 2017 foi um ano de baixo faturamento e de renegociação dívidas de curto prazo. Atenção deve ser dada ao Dólar e ao Euro que devem subir de patamar, tendo em vista a redução dos juros SELIC. Por fim, cabe as microcervejarias focar em melhorar a eficiência os gastos operacionais, como por exemplo gastos com energia elétrica (usem lampadas LED!), gases, água e serviços de logística. No mais, desejo sorte ao segmento.
23) A Catharina Sour reúne condições para ser reconhecida formalmente como estilo brasileiro?
c) Não sei
Justificativa
24) Qual sua opinião sobre a atuação da Abracerva (entidade que reúne microcervejarias brasileiras) em 2017?
f) Não sei/não acompanho
Justificativa
25) Diante do tamanho atual do mercado, o total de cervejarias ciganas:
c) Ainda é pouco e há espaço para mais produtores ciganos se apresentarem
Justificativa
Meus grifos: ‘O Brasil é um continente dividido em 23 países’. Há muito espaço para crescer, desde que não haja aglomeração de mercado, em determinados polos (sobretudo as Capitais). A concorrência é saudável, mas quando há excesso de oferta, essa acaba por danificar a saúde do mercado. Acredito que o futuro das cervejarias ciganas e das microcervejarias deverão seguir os passos da microregionalização. Acredito que aquele empreendedor que montar uma pequena fábrica no interior de um Estado, será reconhecido e prestigiado em pela comunidade em que ele estará inserido. A empresa certamente sobreviverá e prosperará, com o apoio da comunidade local. Há muitas cidadezinhas históricas com turismo pungente, cidades médias com bom PIB percapta atraente, cidades com fluxo de pessoas interessantes. Nessas regiões há muito espaço para crescer. Por que não experimentar? Baden-Baden, Eisenbanh são exemplo de empresas que iniciaram suas atividades em cidades relativamente pequenas.
26) O que você acha de importadores/distribuidores venderem cervejas diretamente ao consumidor, e não apenas em pontos de venda (bares, restaurantes e lojas)?
a) A favor
Justificativa
Apresentar produtos a mercado direto, não é problema, desde que haja referência, qualidade e preço. Há muita cerveja importada de qualidade, há muito cerveja ruim também. O mesmo vale para as nacionais. Aqui cabe um adendo: os mesmos direitos que uma cerveja importada tem no Brasil, a cerveja nacional deverá ter. Uma atenção especial deve ser dada pelo MAPA. Isso cabe não só para cervejas: cabe para vinhos, aguardentes, queijos, etc.
27) O que você tem feito para que seu consumo / sua produção de cerveja cause menos impacto ambiental no planeta?
Procedimentos de reciclagem consciente.
28) Você manteve ou mantém algum tipo de relação comercial ou profissional com as cervejas, pessoas e locais citados nas perguntas acima? Em caso afirmativo, favor indicar os números das questões em que isso ocorre.
Não. Todas as respostas foram baseadas em análise independente, com empatia.
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