Mostrando postagens com marcador Recuperação Judicial. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Recuperação Judicial. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Cervejaria Turatti em Recuperação Judicial

 

Do Topo Das Premiações à Reestruturação: Grupo Turatti entra em Recuperação Judicial no Ceará

Pioneira no mercado de cervejas artesanais desde 1999, gigante cearense culpa "Efeito Ozempic", juros asfixiantes e câmbio alto por crise financeira; atendimento e fábricas seguem operando normalmente.

O mercado de bebidas premium e gastronomia do Nordeste foi surpreendido com o acolhimento do pedido de recuperação judicial do Grupo Turatti, uma das marcas mais tradicionais e condecoradas do setor. O processo, aceito pela 1ª Vara Empresarial de Recuperação de Empresas e de Falências do Estado do Ceará, envolve uma dívida acumulada superior a R$ 12 milhões. A medida engloba oito empresas sob o guarda-chuva da holding e visa renegociar os débitos de forma coletiva, evitando a interrupção das atividades.

Uma História de Sucesso na Cultura Cervejeira do Nordeste

Fundada em 1999 pelo empresário Lissandro Turatti, a marca nasceu com o propósito de introduzir a cultura do malte e do lúpulo de alta qualidade em uma região até então dominada pelas cervejas comerciais de massa.

Ao longo de quase três décadas, a Cervejaria Turatti consolidou-se como a maior referência em rótulos artesanais do Ceará e uma das mais importantes de todo o Nordeste. Acumulando diversos prêmios nacionais e internacionais de degustação, o grupo expandiu seu portfólio nos últimos anos ao adquirir outras marcas locais consagradas, como a Capitosa, a 5 Elementos e a Hey Ho. Além das fábricas, a holding tornou-se um fenômeno gastronômico regional com seus restaurantes focados em Pit Smoker e American BBQ.

Na peça jurídica apresentada à Justiça, a defesa do grupo expôs argumentos inovadores sobre as transformações no comportamento do consumidor pós-pandemia. Segundo os relatórios, o mercado de alimentação fora do lar e de bebidas alcoólicas foi duramente golpeado por fatores biológicos e geracionais.

O avanço dos emagrecedores e o uso massivo global e nacional de medicamentos voltados à perda de peso (como o Ozempic) gerou, comprovadamente, uma diminuição acentuada no apetite e na ingestão de álcool por parte do público consumidor de maior poder aquisitivo. Adicionalmente, a sobriedade da Geração Z tem demonstrado um desinteresse estrutural pelas bebidas alcoólicas tradicionais, migrando o lazer para ambientes predominantemente digitais e hábitos voltados ao bem-estar e à saúde. Em um tempo mais distante, observou-se também um esvaziamento dos salões dos bares edas cervejarias. O hábito corporativo do happy hour presencial reduziu significativamente em Fortaleza, com o público optando pelo consumo caseiro ou por opções mais econômicas.


A estratégia agressiva de expansão e consolidação de mercado executada pela Turatti esbarrou diretamente na política monetária brasileira dos últimos anos. Com a Taxa Selic mantida em patamares elevados, o custo para a rolagem de dívidas e financiamento do capital de giro tornou-se proibitivo. Fontes ligadas à área financeira da empresa apontam que captar recursos no mercado bancário se tornou inviável para empresas de médio porte, forçando o grupo a buscar o amparo legal da recuperação antes que o fluxo de caixa travasse as operações cotidianas.

Além da retração de público e dos juros altos, a instabilidade do câmbio no Brasil agravou fortemente a produção das cervejas premium. Como a fabricação artesanal depende diretamente da importação de insumos essenciais (como maltes especiais da Europa e lúpulos selecionados dosEstados Unidos), a persistente desvalorização do Real frente ao Dólar inflacionou de maneira drástica o custo por litro produzido. "Em uma cadeia de nicho, o repasse integral de custos alfandegários para o cardápio ou para as gôndolas dos supermercados faria a cerveja sumir das mãos do cliente. Fomos obrigados a espremer nossas margens de lucro até o limite", revela um sommelier ligado à produção da marca.

As operações das casas na Varjota e no North Shopping Fortaleza, bem como a fábrica central localizada na Lagoa Redonda, seguem em pleno funcionamento. Os postos de trabalho de cerca de 240 colaboradores diretos foram preservados para assegurar o plano de reestruturação que será apresentado aos credores nos próximos meses.

A seguir, com a palavra, o cervejeiro da Turatti, Adriel Oliveira.

Foto por Mah Cavalcanti e Site Turatti.


quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Fusões e Aquisições em Cervejarias


Prefeito José Fernandes celebra venda da Cervejaria Malta e reforça compromisso com a geração de empregos em Assis

O prefeito de Assis, José Fernandes, comemorou nesta semana a venda da Cervejaria Malta para um grupo de empresários assisenses, um passo importante para a preservação de empregos e a manutenção de uma das empresas mais tradicionais da cidade.

Desde o anúncio da recuperação judicial da Malta, em setembro de 2023, quando havia o risco de conversão em falência, José Fernandes se dedicou pessoalmente para acompanhar o processo e buscar soluções viáveis para a continuidade das operações da cervejaria.

O prefeito José Fernandes destacou o empenho em garantir o bem-estar dos trabalhadores durante o processo de aquisição da Cervejaria Malta. Segundo ele, reuniões e visitas à fábrica foram fundamentais para viabilizar a negociação, reforçando o potencial dos empresários assisenses. "Preservamos a empresa e fortalecemos os investimentos na cidade", afirmou.

Ele parabenizou os novos proprietários e agradeceu a todos os envolvidos, ressaltando que a venda da cervejaria vai além da continuidade do negócio, representando a geração de empregos, renda e o fortalecimento da história de Assis. "Essa conquista é de toda a nossa cidade", concluiu.

Grifos meus: O ano de 2024, o mercado cervejeiro nacional está em profundo movimento. (O mesmo vale para o mercado internacional.) Pequenos e médios fabricantes vem sofrendo com a alta dos preços dos insumos, esses baseados em dólares como malte, lúpulo e levedo, bem como a inflação, que está afetando o bolso dos brasileiros, limitando o poder de compra, modificando hábitos e até reduzindo o consumo de álcool. Imagino que a Malta deva colocar em sua estratégia a fabricação de cervejas para ciganos, de forma a reduzir os impactos dos custos fixos.

 Assis, Cidade em Movimento

Fonte: Assessoria de Comunicação PMA https://www.assis.sp.gov.br/noticia/5680/prefeito-jose-fernandes-celebra-venda-da-cervejaria-malta-e-reforca-compromisso-com-a-geracao-de-empregos-em-assis

quarta-feira, 29 de março de 2023

Cacildis! Deu água no chope.

 

Grupo Petrópolis pede recuperação judicial

A cervejaria detentora de marcas tradicionais como Itaipava Premium, Cacildis, Petra e Crystal, além de outras bebidas, solicitou no dia 28 de março, na Justiça do Rio de Janeiro, um pedido de recuperação judicial. A empresa declarou que suas dívidas somam a ordem de R$4,2 bilhões, sendo 52% deste passivo relacionado a parceiros comerciais, como fornecedores e terceiros.

A Justiça do Rio concedeu ao Grupo uma tutela cautelar de urgência que liberou recursos da empresa nos bancos Santander, Daycoval, Sofisa e Fundo Siena. Antes desse critico cenário, os recursos eram liberados paulatinamente, por meio de solicitações específicas, de forma a preservar a saúde do fluxo de caixa.

A Itaipava estava queimando a pele no verão. A crise de liquidez vem ocorrendo a 18 meses com as quedas das vendas. Em 2022, o volume expedido caiu na ordem 23%, quando comparado a 2020. Com a queda de volumes, a receita bruta recuou 17%. Nesse cenário, com a inflação generalizada dos insumos, incluindo custos energéticos, de matérias-primas e de logística, a empresa enfrentou um forte aperto de margens (conhecido também por "price-cost-squeeze") e, consequentemente, sua liquidez foi severamente impactada. Para piorar o cenário, com juros elevados no atual momento, a conta dependurada na cervejaria ficou mais cara. As despesas financeiras subiram na ordem de R$395 milhões, no período.


É uma conta difícil de fechar. O jeito é tentar dividir "a dolorosa" entre os presentes na mesa. Competir com as gigantes Ambev e Heineken não é para qualquer um. Manter o Market Share da cervejaria, com uma situação financeira delicada, fica cada vez mais complexo. É um verdadeiro desafio convencer os amigos a voltarem ao bar. Conquistar novos adeptos à marca, por meio de novos estilos de cervejas e campanhas publicitárias, é um desafio ainda maior.

Mas não é somente a Petrópolis que vem perdendo consumidores ou ainda passando por um default financeiro. Empresas de outros setores do varejo como as Lojas Americanas e as Lojas Marisa vêm sofrendo reestruturações semelhantes. Seria o início de uma crise no segmento varejista como um todo? Cabe estudo e análise.

Por enquanto estou de quaresma. Mas, prometo que vou prestigiar a cervejaria carioca comprando algumas garrafas, para apreciá-las no outono (que ainda está quente, ou seja, com sol de verão!) Cerveja Black Princess que me aguarde. 

Boa sorte ao Grupo Petrópolis e aos seus stakeholders. Peçam ajuda, pois o bar não pode fechar. Um brinde!

#grupopretropolis #itaipava #avecesarco #djjonesco #ESG #pelosatelite #recupecacaojudicial

https://www.revistahg.com.br/2023/03/28/grupo-petropolis-pede-recuperacao-judicial/

https://www.youtube.com/watch?v=vZ48CZSBGt8

Real Time Web Analytics