Ozempic calou o estômago e ligou o alerta no varejo
Queda de 3% no consumo de refrigerantes, snacks e produtos
de padaria. Restaurantes fast-food projetam retração de 1% a 2% nas vendas.
Consumidores em uso de Mounjaro reduziram 2,5% do consumo de fast-food. O
Ozempic já derrubou 1,5%. (Com base no artigo de Patrícia Raposo, colunista da
Movimento Econômico, esse efeito tem desacelerado o consumo de cerveja,
alavancado também com uma inflação persistente e perda de renda disponível. No
Brasil, o aperto orçamentário das famílias se soma ao crescimento das apostas
esportivas, que tem absorvido parte de gastos com lazer.)
Se antes o problema era comer demais, agora o mercado lida
com o oposto: gente que simplesmente não sente mais fome. O impacto já aparece
no valuation de gigantes como o 🍔 McDonald’s, a 🍫
Hershey’s e a 🥤 PepsiCo.
As ações dessas empresas vêm sofrendo oscilações, pressionadas por mudanças comportamentais e por uma nova cultura que valoriza performance acima de prazer imediato. E no Brasil? A demanda por medicamentos com GLP-1 explodiu: As vendas de Ozempic cresceram mais de100% em 2023, segundo dados da IQVIA. O Brasil já é o 2º maior mercado global para medicamentos à base de semaglutida, atrás apenas dos EUA. Segundo a Anfarmag, a busca por GLP-1 manipulado também cresceu mais de 400% em farmácias de manipulação em 2023. Varejistas de ultraprocessados reportam queda de sell-out em SKUs indulgentes em bairros de maior renda.
O setor de alimentos viu um aumento de 13% nas buscas por
“proteína” e “funcional”, no Brasil só no último semestre (dados Google
Trends). E marcas como Habib’s, Subway e Bob’s já anunciaram reformulações nos
cardápios com foco em produtos proteicos, low carb e saudáveis.
Enquanto isso, as academias viram o novo “pub”. Usuários de Mounjaro dobraram a frequência de treino e redes fitness crescem mais de 50% em novos alunos. Estamos diante de um culto à performance, com dopamina limpa e whey no copo. Nas manhãs, o “coffee party” substitui a balada. Smoothies, brunches e cafés agora ditam o networking: mais serotonina, menos ressaca. O Álcool também entrou na roda. Só 62% da geração Z abaixo dos 35 anos ainda bebem. 38% trocaram festas por meditação. E a queda no consumo é brutal: Boomers: US$ 25B; Gen X: US$ 23.1B; Millennials: US$ 23.4B; Gen Z: US$ 3.1B (Fonte: Statista).
No pano de fundo, o mercado de wellness já vale US$ 6,3 trilhões. Mas o ativo mais valioso de todos agora é outro: atenção focada, corpo afiado e cérebro calmo. Afinal de contas, quem perde? As marcas que vendiam impulso, prazer e gula. E quem ganha? As que entregam longevidade, clareza mental e autonomia.
Se até McDonald’s, Hershey’s e Pepsi estão sentindo o baque,
imagine o que vem por aí. O consumo está mudando rápido. A pergunta é: sua
marca vai acompanhar ou vai emagrecer junto?
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