Tendências de bares que precisamos deixar para trás em 2026
Espaços pensados para viralização, “guest bartenders” sem
propósito definido e discursos genéricos de sustentabilidade não convencem mais
o público
Por Márcio Silva, colaboração para o Viagem & Gastronomia da CNN 23/01/26
Depois de quase três décadas atuando na indústria global debares, percebo que vivemos hoje um paradoxo curioso. Nunca se falou tanto em
experiência, propósito e identidade. Ao mesmo tempo, nunca se produziu tanto
excesso, ruído e repetição.
Por isso, mais do que apontar novas tendências, resolvi
olhar para aquilo que já soa obsoleto, amplamente discutido por grandes
profissionais em grandes eventos de bares ao redor do mundo. Em 2026, mais do
que correr atrás da próxima novidade, o verdadeiro sinal de maturidade está em
saber o que deixar para trás.
Começo pelos bares que existem apenas como cenário. Espaços
pensados prioritariamente para foto, vídeo e viralização, mas que ignoram o
conforto, a acústica, a iluminação e o tempo de permanência. Isso cansa. O
público mudou. As pessoas querem se sentir acolhidas, conversar, permanecer e
criar memórias. Hospitalidade não se mede apenas em likes, mas, sobretudo, no
desejo de voltar.
Os menus sem álcool entram nessa mesma reflexão. Quando
tratados como apêndice ou como versões “menores” da coquetelaria clássica,
perdem força e relevância. Em 2026, é fundamental que as bebidas não alcoólicas
tenham identidade própria, linguagem sensorial clara e valor percebido. Não se
trata de simplesmente retirar o álcool, mas de construir uma categoria sólida,
criativa e completa.
Vejo também uma fadiga crescente em relação aos “guest bartenders" sem propósito definido. Intercâmbios sempre foram essenciais
para a evolução da coquetelaria, mas sua essência está na troca real de
conhecimento, no diálogo entre culturas, técnicas, valores e visões de mundo.
Quando isso não existe, o encontro se resume a festas desorganizadas, excesso
de barulho e pouca entrega técnica ou conceitual, e se perde a oportunidade de
oferecer algo verdadeiramente especial.
Outro movimento que começa a perder fôlego é a mixologia
excessivamente intelectualizada. Cartas que parecem teses acadêmicas, discursos
técnicos intermináveis e ingredientes apresentados como códigos secretos criam
distância emocional. Técnica só faz sentido quando serve ao essencial. Em 2026,
ela precisa ser traduzida com clareza, de forma acessível, integrando-se à
experiência completa do bar.
Fonte e saiba mais em: Tendências
de bares que precisamos deixar para trás em 2026 | CNN Brasil V&G
Foto: Monin/Costi Bebidas.
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