terça-feira, 8 de setembro de 2026

Rock in Rio Heineken

Operação Gigante: Grupo Heineken Prepara 700 Mil Litros de Chope e Novas Ativações para o Rock in Rio 2026

O Grupo Heineken Brasil celebra 15 anos de parceria com o Rock in Rio consolidado como o fornecedor exclusivo de cervejas na Cidade do Rock. Para abastecer o público ao longo de todos os dias de festival, a companhia montou uma megaoperação logística e estrutural dimensionada para servir mais de 700.000 litros de chope, volume recorde que reforça a marca como a bebida mais consumida do evento.

Abaixo estão reunidos os detalhes das marcas fornecidas, os preços oficiais e toda a estrutura física montada para dar vazão a essa demanda histórica.

Layouts, Lojas e Ativações na Cidade do Rock

O Grupo Heineken dividiu sua presença física em megaestruturas operacionais e pontos imersivos espalhados pelo gramado. As estruturas de marketing e campanha da Heineken® são as seguintes: Heineken Power Station, o estande principal da marca, focado em experiências imersivas de som e tecnologia. Há o Lounge Power Station, Espaço VIP e de convidados com vista privilegiada para o Palco Mundo, com a presença de DJs  nas pick-ups e cenografia instagramável. Há ainda a Tirolesa Heineken: A icônica atração de 200 metros que cruza a frente do Palco Mundo, totalmente alimentada por energia renovável. 

Ao longo do Rock in Rio há diversas Beerstations e Mochileiros, formado por quatro carretas de Beer Stations, com tap handles e torneiras de autosserviço e um pelotão de quase 400 pessoas com mochilas vendendo chope e a nova versão Ultimate (do portfólio +equilíbrio), diretamente na pista.


Há ainda a estrutura das Cervejas Lagunitas. Aqui cabe destacar o Píer de Santa Mônica, uma ativação de 72 m² inspirada na atmosfera de parque de diversões da Califórnia. O layout conta com espelhos distorcidos, o famoso "Cão Cartomante" (máquina de vidente antiga) e o palco de Karaokê Lagunitas, onde o público canta clássicos do rock e o Gourmet Square: um espaço gastronômico central do festival onde a marca Lagunitas é distribuída de forma fixa tanto em chope quanto em lata.


Por se tratar de um festival de rock de abrangência internacional, a Heineken busca oferecer suas marcas internacionais. É lamentável que não ofereça suas cervejas nacionais como a Baden-Baden e a Eisenbahn, de forma a crescer ambas marcas no portfólio mundial.

Uma pergunta que sempre nos questionam. E o preço das cervejas? O chope está em torno de R$23,00 e o refil (copo próprio da Heineken para o evento) fica em R$18,00. Da marca Lagunitas sai a R$23,00. Bom show and have fun!

Saiba mais (https://engarrafadormoderno.com.br/materia-principal/heineken-anuncia-megaoperacao-de-chope-para-o-rock-in-rio-brasil-2026)

Fotos: Rede Socais /Heitor Silva

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Caipira Beer Cup

 

De Panela e com Alma: Caipira Beer Cup Estreia com 125 Cervejas Inscritas e Movimenta Cena Artesanal em Piracicaba

Por Henrique Oliveira*

O cenário da cerveja de panela no Brasil ganhou um novo e importante capítulo. A primeira edição do Caipira Beer Cup, concurso voltado exclusivamente para cervejeiros caseiros, os Homebrewers, superou todas as expectativas iniciais ao encerrar suas inscrições com 125 amostras de cervejas cadastrados.

Ao todo, 71 competidores de seis estados diferentes — São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul — enviaram suas criações para a disputa. Agora, os holofotes se voltam para o município de Piracicaba (SP), que receberá a etapa técnica fechada de avaliação no próximo dia 11 de setembro. Até o dia 8 de setembro, a organização finaliza o recebimento das garrafas físicas.

No dia do evento do concurso cervejeiro, o painel de jurados qualificados avaliará as amostras de forma totalmente "às cegas", ou seja, sem qualquer identificação dos produtores. A análise rigorosa seguirá estritamente as diretrizes do Beer Judge Certification Program (BJCP 2021), a principal referência global para a validação de estilos cervejeiros.Entre os juízes há a presença feminina da cerveja, em destaque Marina Bonini Pascholati (cervejeira da Goose Island), Letícia Pedrozo e Victoria Mariano Dobra.

Mais do que uma simples disputa por medalhas, o Caipira Beer Cup funcionará como uma verdadeira consultoria para os participantes. Cada cervejeiro receberá fichas de avaliação técnica detalhadas com feedbacks dos juízes. Segundo a organização, esse retorno é fundamental para elevar o patamar de qualidade das brasagens caseiras e abrir portas para futuras inserções comerciais no mercado independente.

Os melhores colocados na classificação geral e por estilo receberão insumos cervejeiros, certificados e medalhas exclusivas da Fundiart. O grande destaque vai para o primeiro colocado geral, que além de maltes, leveduras, lúpulos e uma machadinha Wenzel, terá a oportunidade de produzir 250 litros de sua receita em escala comercial. A lista completa com a premiação detalhada por colocação pode ser conferida nos documentos de referência.

A realização do evento é fruto da união entre o Simespi, a CPLCerva e a Rota Cervejeira de Piracicaba, contando com patrocínios de marcas do setor e amplo suporte institucional da região.

(*) - Henrique Oliveira é Escritor e Executivo de Governança, Risco em Compliance.

sábado, 5 de setembro de 2026

Belgian Beer Wekend 2026

 

O Altar da Tradição: Como o Belgian Beer Weekend Celebra Séculos de História Cervejeira de Monges e Abadias

por Henrique Oliveira*

Lembro-me do ano de 2010 em que encontrei com o saudoso MarcoFalcone no fundo da Grand-Place em Bruxelas, mais precisamente na frente do Carrefour Express da Rue Marche aux Herbes. Em minhas mãos estavam a Kriek Saint Louis e a Maredsous Blond. Após fortes abraços, eu o convidei, junto com seu filho Tiago Falcone e o Júnior da ACervA Paulista para tomamos algumas cervejas dos tap handles da Lês Brasseus de La Grand-Place, (24 Rue de la Colline), que produzia 4 estilos de chopes.

Anos antes, ainda mais jovem, meus pais se desconectaram de mim e ficaram me procurando por aquela praça até que eles encontraram em uma visita no Museu da Cerveja – a Maison Des Brasseurs, localizado em um edifício de 1698. Ambos entraram no museu desceram alguns degraus e me reencontraram tomando um chope no bar do Museu, como cortesia da casa. Esses foram dois momentos de vida que passei em Bruxelas que para mim são inesquecíveis.

Para minha grata surpresa, a histórica Grand-Place de Bruxelas, classificada como Patrimônio Mundial da UNESCO, transformou-se oficialmente no maior bar a céu aberto do planeta. Teve início a 26ª edição do Belgian Beer Weekend, o festival que dita o ritmo da cultura cervejeira global e que, este ano, ganha um peso ainda maior. O evento marca a abertura dos Belgian Beer Culture Days, uma celebração de 10 dias que comemora os 10 anos do reconhecimento da cultura da cerveja belga como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO. Um verdadeiro terroir cervejeiro.

Aos apaixonados por cervejas belgas, o festival é muito mais do que um pretexto para degustar rótulos incríveis. Ele é uma viagem no tempo. O grande diferencial da Bélgica para qualquer outro polo cervejeiro do mundo é a sua conexão inabalável com o passado, mantida viva por cervejeiros europeus tradicionais, monges e monastérios seculares, que produzem inclusive cervejas medievais.

Enquanto o mundo moderno corre atrás de tendências rápidas, a Bélgica preserva receitas que atravessaram guerras, invasões e crises. Beber uma cerveja belga na Grand-Place é, literalmente, consumir a história viva da Europa Ocidental.

Essa identidade foi moldada diretamente dentro dos muros de monastérios e abadias medievais. Originalmente, os monges produziam a bebida por motivos de subsistência e higiene, já que a água da época costumava ser contaminada e o processo de fervura da cerveja a tornava segura para o consumo. Com o tempo, a produção virou uma arte refinada por séculos de paciência, silêncio e oração.

Organizado pela Associação dos Cervejeiros Belgas (Belgian Brewers), o fim de semana reúne mais de 50 cervejarias de todas as regiões da Bélgica. Os visitantes têm à disposição mais de 500 cervejas diferentes, que vão desde as históricas e raras produções trapistas e de abadia até as tradicionais Lambics, Gueuzes, Witbiers e as mais recentes inovações de microcervejarias artesanais.

Além das degustações, o evento conta com uma programação cultural rica em história, como cerimônias tradicionais destacando a bênção da cerveja, cortejos ricos em desfiles com antigas carroças cervejeiras que tomam as ruas do centro de Bruxelas. Ainda a parada das Confrarias, que é realizado no domingo às 12h, onde há o emblemático desfile das confrarias de cervejeiros e a entronização de novos membros na prestigiada Knighthood of the Brewer’s Paddle.

Caso esteja na região de Bruxelas não perca essa incrível oportunidade!

Belgian Beer Weekend 2026 – de 04 a 06 de setembro.

Sobre o Museu: https://beermuseum.be/pt

Fotos: do Autor/ Janaina Meireles (ACervA MG)/Ajuste IA.

(*) - Henrique Oliveira é Executívo Sênior de Governança, Riscos e Compliance

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Oktoberfest BH 2026

 

Alemanha em Minas: Oktoberfest BH 2026 une Tradição, 20 Cervejarias e Show do Biquini

A Oktoberfest BH está oficialmente de volta e promete transformar Belo Horizonte em um verdadeiro reduto bávaro no dia 3 de outubro de 2026, a partir das 12h.

O festival deste ano traz uma grande novidade na infraestrutura: a mudança para a Nova Serraria (também conhecida como Gran Serraria), um novo espaço amplo e estruturado na capital mineira pronto para receber milhares de apaixonados por cultura alemã, boa música e, claro, chope gelado. O evento, que já se consolidou no calendário festivo de Minas Gerais, promete sua edição mais histórica, misturando o folclore europeu com o calor do público mineiro.

Cultura, Jogos e a Força das Cervejas Mineiras


A essência da Oktoberfest original de Munique estará muito bem representada. Os organizadores do evento cervejeiro confirmaram uma imersão completa na cultura germânica. O público poderá presenciar danças típicas e se encantar com os frequentadores vestindo os tradicionais trajes da Baviera como Dirndl e Lederhosen.

Para os que gostam de interagir, os famosos jogos cervejeiros vão testar as habilidades e a resistência dos participantes. Na parte gastronômica, um menu especial germânico com salsichas tradicionais, pretzels e pratos típicos da culinária alemã estará disponível para harmonizar perfeitamente com os chopes das mais de 20 cervejarias confirmadas ao som de bandas de Rock, com detalhe a banda Biquini.

Nova Serraria: Avenida Assis Chateaubriand, 809

Belo Horizonte, MG

Saiba mais em: https://www.sympla.com.br/evento/oktoberfest-biquini-cavadao/3535352?share_id=copiarlink

Transilvânia, Drácula e as Cervejas da Romênia

 

De Conde Drácula à Força do Urso, na Tradição Cervejeira Romena

Quando estive nos Balcãs, fui até a região central da Romênia, mais precisamente na Transilvânia, para visitar o famoso Castelo de Bran, que pertence à linhagem do Conde Drácula. Ao redor daquela "assombrada residência", rica em contos e folclore, imaginei quais cervejas eu tomaria com aquele homem de tamanha nobreza, em pleno fim do Período Medieval. Pensei logo em uma cerveja encorpada, bastante vermelha, no estilo Red Ale ou ainda uma do tipo Bock para tentar apaziguar a sua eterna sede de sangue.

Vlad III, comumente conhecido como Vlad Tepes, o Empalador, ou Vlad Drácula, foi Voivoda da Valáquia três vezes entre 1448 e sua morte, em 1476. Ele é frequentemente considerado um dos governantes mais importantes da história da Valáquia e um herói nacional da Romênia. Visitar as pequenas ruas da cidade histórica de Bran e o interior do castelo é algo simplesmente imperdível.

Se você é apaixonado pela cultura da cerveja dos Balcãs e gosta de descobrir rótulos que carregam histórias profundas e identidades marcantes, você precisa conhecer esse país. (A cultura é o motivo que inclui a Romênia nos Balcãs e entre a Europa Central e o Leste Europeu.) 

Comecei tomando a cerveja Stejar. Famosa no Leste Europeu e intimamente ligada ao orgulho nacional da Romênia (sendo inclusive a patrocinadora oficial da seleção romena de rugby). Stejar significa "Carvalho" em romeno, uma alusão direta à força, robustez e tradição.

A narrativa cultural da cerveja na Romênia é antiga. Lendas locais costumam associar as receitas de cervejas fortes da Transilvânia ao século XVI, inspiradas nos antigos monges que produziam bebidas artesanais na região do Mosteiro Cisterciense de Biertan. No entanto, o nascimento comercial da Stejar como marca moderna aconteceu em 15 de dezembro de 2005. A Stejar não nasceu de uma microcervejaria independente, mas sim do ventre de um dos maiores impérios comerciais do país: a Ursus Breweries, cujo nome é uma referência ao urso carpatin ou urso-pardo dos Cárpatos, uma subespécie do urso-pardo eurasiático que habita a cadeia dos Montes Cárpatos, principalmente na Romênia.

A história de seus proprietários reflete a própria evolução econômica global. Se puxarmos o fio do tempo para entender de onde vieram as fábricas operadas pela Ursus, chegamos à tradicional corporação da família Czell. Em 1892, eles adquiriram destilarias e fundaram a histórica Cervejaria de Brașov, no bairro de Darste (há 80 quilômetros da Transilvânia). Uma das unidades fabris viria a processar e envasar as grandes marcas do grupo ao longo do século seguinte. Com o passar do tempo, a cervejaria passou pela SAB Miller. Uma reestruturação global de ativos, o controle da Ursus Breweries e de todo o seu portfólio (incluindo a Stejar) passou para as mãos da japonesa Asahi Group. Logo após tomar a Stejar, degustei a cerveja Ursus Retrô Nepasteurizată.

Outra cerveja que tiver a oportunidade de experimentar é oriunda de uma microcervejaria independente, fundada em 2013. Dois jovens empreendedores, Laurențiu Bănescu e Alexandru Geamănu, romenos entusiasmados produzem de forma artesanal a Zăganu (que significa "Águia-Barbuda"), na "Fabrica de Bere Bună". Tomei a IPA, rica em lúpulos e uma de nome Rosie, no estilo Red Ale, no Restaurante La Ceaun, na cidade de Brasov. Achei ambas incríveis. Um detalhe que me surpreendeu nas cervejas artesanais foi o número de cervejas frescas, que não passam pelo processo de pasteurização. Trata-se de um atributo reconhecido pelos apreciadores e sommeliers. Muitas cervejas apresentam a nomeclatura "bere artizanală nepasteurizată" que significa "cerveja artesanal não pasteurizada". Entendi algo como um diferencial competitivo.

Ao lado do Castelo de Bran, continuei caminhando no hall das cervejas romenas, tomando uma cerveja artesanal não filtrada (artizanală nefiltrată) de nome Zboina, que foi desenvolvida em 2018, pelo mestre cervejeiro George Cristea para o  Atelierul de Bere ("Atelier da Cerveja"), que é uma divisão cervejeira criada por uma empresa muito tradicional no ramo de vinhos chamada Vinexport Trade-Mark SA. 

A empresa é amplamente conhecida na Romênia por produzir vinhos finos vindos de famosas vinhas locais (como Cotești e Odobești). A fábrica está localizada na cidade de Focșani, que é a Capital do condado de Vrancea, na Romênia. Essa região fica na área histórica da Moldávia (sul da Romênia) e é mundialmente famosa por suas colinas repletas de vinhedos.


Finalizei a minha rota cervejeira da Romênia tomando duas cervejas populares: a Bergenbier, produzida desde 1995. O próprio rótulo destaca as frases "Răcorim România" (Refrescando a Romênia) e "Produs în România" (Produzido na Romênia). A Bergenbier é fabricada na cidade de Ploiești, localizada a cerca de 60 km ao norte da Capital, Bucareste. 

A cerveja seguinte foi a Silva Romanian Pale Ale. Foi criada originalmente em 1974, na cidade de Reghin, no Condado de Mures. Essa é conhecida por ser a "Cidade dos Violinos", por produzir instrumentos de corda preciosos com madeira nobre local. Reghin também faz para da região da Transilvânia. (Por isso "Silva" de TranSILVAnia). Atualmente, essa cerveja faz parte do portfólio da Heineken daquele país.

Se um dia o leitor visitar o mundo de Conde Drácula, dedique um tempo para experimentar as maravilhas cervejeiras, seu terroir e a gastronomia da Romênia. Tudo vale a pena (quando a alma não é pequena). 

Recomendo. Um brinde!

Saiba mais : https://bere-zaganu.ro/en e https://www.laceaun.ro/

Fotos: BV-F-00330-1-H-1-b, Vedere a Fabricii de bere ,,Czell” din Dârste, 1900, Artist. Wikipedia; IA; do Autor.

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Festa da Cerveja de Contagem

 

Contagem celebra cultura mineira com a Festa da Cerveja na Praça Tancredo Neves

No dia 19 de setembro de 2026, a cidade de Contagem se transformará no ponto de encontro oficial para os amantes de uma boa bebida, culinária de raiz e muito rock and roll.

A Festa da Cerveja de Contagem promete agitar a região metropolitana em um evento ao ar livre que acontece das 12:00 às 22:00. O palco da celebração será a movimentada Praça Presidente Tancredo Neves, localizada no bairro Camilo Alves, bem em frente à sede da Prefeitura Municipal. Com uma proposta que une o melhor da tradição mineira de reunir amigos em volta da mesa, o tradicional evento oferece 10 horas consecutivas de programação para toda a família com mais de 50 tipos de comidas típicas. Haverá cervejas especiais produzidas por cervejarias artesanais.

Os ingressos para a festividade são gratuitos e podem ser retirados de forma antecipada pela plataforma oficial da Sympla.

Mais informações: https://www.sympla.com.br/evento/festa-da-cerveja-de-contagem/3540847?share_id=copiarlink

Nova Roda Sensorial do Lúpulo

 
A Revolução no Copo: Nova Roda Sensorial do Lúpulo une Ciência e Bares sob a Liderança de Amanda Reitenbach

Ferramenta que traduz a complexidade química do lúpulo em aromas práticos ganha formato de "jogo americano" e promete profissionalizar desde a produção no campo até a experiência no balcão.

O mercado de cervejas artesanais e produtos lupulados acaba de ganhar um aliado definitivo para decifrar a "alma" da cerveja: o lúpulo. Fruto de um esforço conjunto entre a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a Universidade de Brasília (UnB) e a Cervejaria Kairós, a nova Roda Sensorial do Lúpulo foi chancelada e disponibilizada gratuitamente para o público. À frente desse projeto inovador está a renomada cientista de alimentos e sommelier de cervejas Amanda Felipe Reitenbach, que liderou a pesquisa aplicada responsável por transformar dados moleculares complexos em uma ferramenta visual e acessível.

O projeto, que levou dois anos de estudos intensos, atualiza a clássica roda de aromas criada nos anos 1970 pelo cientista dinamarquês Morten Meilgaard. A grande inovação liderada por Amanda foi conectar, de forma direta e visual, os compostos químicos da planta com os aromas percebidos na taça, eliminando a necessidade imediata de laboratórios complexos para análises de rotina nas cervejarias.

Doutora com foco em neurociência sensorial aplicada à cerveja pela UFSC (em parceria com a prestigiada Versuchs- und Lehranstalt für Brauerei - VLB, na Alemanha), Amanda Reitenbach tem dedicado sua carreira a desmistificar a avaliação sensorial. Fundadora do Science of Beer Institute, ela é uma das principais vozes da América Latina na formação de profissionais do setor e na pesquisa sobre inteligência artificial e biotecnologia voltadas ao paladar. Com a nova Roda Sensorial, Amanda e a equipe de pesquisadores do Instituto de Química da UnB conseguiram mapear as substâncias orgânicas do lúpulo — como mirceno, linalol e geraniol — que dão origem a perfis cítricos, florais, herbais e frutados. O material organiza esses descritores em seis níveis de informação. Um aroma herbal, por exemplo, é rastreado na roda até sua origem química e associado a notas cotidianas de alecrim, hortelã ou chá verde.

Ciência que Ocupa o Balcão e Educa o Mercado

Para que o conhecimento não ficasse restrito aos laboratórios acadêmicos, Amanda Reitenbach e os desenvolvedores registraram o desenho industrial da ferramenta e a transformaram em um formato inusitado: um jogo americano impresso. Segundo Amanda, o principal objetivo da iniciativa é levar a ciência exatamente para onde a experiência de fato acontece. Bares, taprooms, escolas de gastronomia e cervejarias podem baixar o arquivo gratuitamente para treinar brigadas, realizar degustações guiadas ou educar o consumidor final. A ferramenta atua de forma estratégica em diferentes frentes.

No Campo, o documento ajuda produtores nacionais a identificar o terroir das fazendas brasileiras e a avaliar o perfil sensorial das colheitas. Na Fábrica, é uma ferramenta que facilita aos cervejeiros a padronização de receitas, o controle de qualidade e o refinamento de técnicas como o dry hopping (lupulagem a frio). Já em concursos cervejeiros servirá como guia técnico unificado para sommeliers e juízes em avaliações profissionais. No balcão dos bares, será capaz de  traduzir o jargão técnico em referências reais para o consumidor, permitindo escolhas mais intuitivas.

Mercado em Mutação e Acesso Gratuito

A chegada da ferramenta sobre esse insumo cervejeiro coincide com uma mudança clara no comportamento do consumidor, que hoje busca cervejas com perfis extremamente aromáticos, tropicais e de alta "drinkability" (fáceis de beber) — como as populares Hazy IPAs. Além disso, o lúpulo ganhou espaço fora das cervejas, compondo receitas inovadoras de chás e kombuchas.

Como parte do compromisso de Amanda Reitenbach com a democratização do conhecimento cervejeiro, a Roda Sensorial do Lúpulo e o e-book complementar “Cervejas Lupuladas: Perfil Sensorial, Compostos Aromáticos e Inovações Tecnológicas” foram disponibilizados de forma 100% gratuita nos portais oficiais das universidades parceiras. O trabalho consolida o papel da pesquisadora como uma ponte essencial entre a ciência de ponta e o fortalecimento do mercado nacional de cervejas.

Saiba mais em: https://repositorio.unb.br/bitstream/10482/52403/1/LIVRO_CervejasLupuladasPerfil.pdf

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