2026: o ano da avaliação, gestão e resposta aos riscos
Os relatórios de riscos do World Economic Forum (WEF), da Eurasia
Group e outras fontes de referência para 2026, praticamente destacaram o Risco Geopolítico, como a prioridade
número 1 para o todo o exercício. A incerteza geopolítica superou os demais riscos,
como o de cibersegurança e de mudanças climáticas, estes priorizados em anos
anteriores.
Do ponto de vista político, Trump tem adotado uma postura de
enfrentamento a regimes autoritários, tanto na América do Sul quanto, mais
recentemente, no Oriente Médio. Paralelamente, persiste o prolongado conflito
entre Rússia e Ucrânia, além de outras tensões globais de menor escala. No
âmbito operacional internacional, o mundo ainda lida com consequências de longo
prazo da pandemia de Covid-19 — como inflação elevada e juros altos. Esses
efeitos são agravados pelo cenário atual de restrições logísticas e de oferta
de um dos mais importantes insumos energéticos do planeta: o petróleo..
A semelhança entre a Covid-19 e os conflitos geopolíticos atuais
é a interrupção das cadeias de suprimentos e logísticas internacionais. A diferença é que, atualmente,
não há lockdown em cidades. O mundo não parou nessa nova crise. As atividades e operações estão
em plena capacidade, pois não se trata de uma pandemia e sim de um risco geopolítico
endêmico. O petróleo, na Covid, atingiu 45 dólares o barril (pois boa parte da frota ficou parada, reduzindo drasticamente o consumo) e, nos anos
seguintes o Brent rondou a casa dos 75 dólares. Ao ultrapassar os US$100, no
primeiro trimestre do ano, o cenário alertou um risco de forte impacto que virá pela frente. O que é receita para o setor petrolífero é custo para as demais cadeias.
E não se trata unicamente de preço: a sua escassez pode gerar perdas expressivas,
sobretudo nos setores de alimentos, extrativista, plástico, têxtil, entre outros que dependem
muito do combustível para a consecução de suas atividades.
Nesse sentido, o que fazer para suprimir esse cenário
adverso, de elevada inflação, juros altos, e limitações de insumo energético, além da
interrupção logística internacional? É nesse momento que o profissional de
gestão de riscos entra em ação. Esse é um provocador de equipes e da alta direção; é um leitor de situações complexas, capaz de ajudar na busca de alternativas para
uma melhor resposta. Nesse profissional, há uma mistura de senso de dono,
conhecimento de mercado e experiências vividas em sua jornada e nas de
terceiros, que foram adquiridas por meio de benchmarkings, estudo de cases em
outras situações profissionais.
Gestão de riscos é antes de tudo uma gestão das oportunidades. Para alguns, o atual cenário pode criar motivos para fazer mais negócios e gerar mais caixa para a organização. Para outros, cabe a execução de novos desenhos de estratégia reduzindo impactos. Mapear e informar riscos à administração e ao conselho é fundamental. Entretanto, dar resposta e agir de forma proativa é o que faz a diferença. A gestão de riscos tem que, obrigatoriamente, sair do papel e se transforma em prática. É ação efetiva. É melhor gerir os riscos com velocidade, do que entrar em planos de contingência e gestão de crises. Os custos agradecem e o caixa também. Para tanto, cito o caso do Grupo Lupo, das tradicionais Meias Lupo. Na Covid, suas franquias e lojas estavam fechadas por motivos de lockdown. O que fazer? Os tecidos das meias se transformaram em máscaras, seguras e confortáveis. Resultado: as vendas dispararam. O risco foi transformado em oportunidade. Outro exemplo: na última Exposibram, a maior feira de mineração do país, foram apresentados caminhões fora de estrada 100% elétricos. A compra desses veículos pode ser uma alternativa futura para mitigar interrupções operacionais no setor, além de ser um redutor da emissão de gases do efeito estufa? Isso vale para as locomotivas movidas à óleo diesel, num futuro não muito distante? A Vale um é exemplo que está tomando atitudes sobre o tema. A Ambev segue a mesma linha, com caminhões logísticos e motos elétricas para as equipes de vendas. A Localiza busca alternar parte do perfil de seus veículos, incluindo uma parcela movida a baterias.
Situações dessa natureza são respostas que não
podem ser descartadas sem uma análise mais profunda. Nessas circunstâncias, nesse
viés de alta incerteza (lembre-se que em breve teremos eleições e já estamos
vivendo a reforma tributária), 2026 é o ano da avaliação, gestão e de resposta
aos riscos, com engajamento. O resultado disso servirá de norte para agir com estratégia e
sapiência nos anos seguintes. E atenção: como diz Helga Drummond, professora
de Decision Sciences, da Liverpool Institute Of Public Administration and
Management, “não são o risco e a incerteza que devem preocupar as organizações,
mas aquilo de que elas mais têm certeza”, ou seja, o muitas vezes o óbvio não
pode ser ignorado.
Ao longo de minha jornada, ajudei a construir mapas de
riscos, tracei cenários, impactos e probabilidades para atingir os objetivos e
o propósito das organizações em que atuei. E você? Está com todos os riscos mapeados
de forma estratégica, tática e operacional na sua organização? É importante ressaltar
que riscos bem mapeados e monitorados facilitam a caminhada para as
oportunidades atuais e futuras. Pense nisso. Conte comigo.