domingo, 13 de setembro de 2026

Bares Com Alma

 

Os Guardiões da Boemia: Como o Projeto "Bares com Alma" Protege a Identidade de BH

Belo Horizonte é internacionalmente reconhecida como a capital mundial dos botecos, ostentando uma média impressionante de mais de 4 mil estabelecimentos dedicados à baixa gastronomia. Contudo, em meio ao surgimento constante de novas tendências e modernizações urbanas, onde reside a verdadeira "identidade" da noite belo-horizontina? A resposta foi traduzida pela Belotur na forma do projeto Bares com Alma.

O projeto mapeou, registrou e homenageou, em sua primeira etapa, 30 estabelecimentos icônicos e tradicionais espalhados por 20 bairros da cidade. A curadoria esteve sob a responsabilidade do designer e pesquisador Rafael Quick (reconhecido por seu trabalho de revitalização no Mercado Novo), juntamente com um júri multidisciplinar responsável por garantir a diversidade geográfica e cultural da lista.


O grande propósito do "Bares com Alma" é reconhecer, valorizar e salvaguardar os estabelecimentos que estruturaram a formação da identidade sociocultural de Belo Horizonte. Mais do que simples pontos de comércio, o projeto entende os botequins como patrimônios materiais e imateriais da capital.

Os objetivos principais dividem-se em três pilares fundamentais: Fomento ao Turismo de Experiência, promovendo a descentralização do turismo, atraindo visitantes para bairros tradicionais e periféricos que guardam verdadeiras relíquias culinárias. Transversalidade Cultural, alinhando diretamente com as diretrizes da UNESCO, o projeto promove a integração da culinária de raiz com outras vertentes da economia criativa local, gerando ativações periódicas que misturam música (como o samba e o choro), artes visuais, arquitetura e design. Capacitação e Sustentabilidade, em parceria com o Sebrae Minas, a iniciativa oferece suporte estratégico para garantir que esses comércios históricos consigam se modernizar administrativamente sem perder sua essência e autenticidade.

O que define um "Bar com Alma"?


Para integrar essa prestigiada lista, os comércios precisam cumprir exigências estritas que atestam sua relevância comunitária. Os critérios analisados pelo comitê envolvem Tempo de Existência, ou seja, o bar deve ter, no mínimo, mais de 30 anos de funcionamento ininterrupto na cidade. Há a Autenticidade Histórica, critério que visa preservar elementos clássicos em sua estrutura física, balcões e, primordialmente, no cardápio de estufas e receitas tradicionais, e Impacto Social, o que significa atuar como um ponto focal de relevância cultural e convivência social dentro de suas respectivas comunidades e bairros.

A lista engloba nomes lendários conhecidos por todos os mineiros, desde o centenário Bar do Orlando (o mais antigo da capital, localizado em Santa Tereza) até clássicos do hipercentro como o Café Palhares e a Cantina do Lucas.

Todo o acervo documental, as histórias detalhadas de cada balcão, fotos promocionais e os roteiros turísticos criados a partir do mapeamento estão centralizados de forma oficial e gratuita para consulta pública. O material completo com o inventário ilustrado e informações de funcionamento está disponível no Hotsite Especial Bares com Alma - Portal Belo Horizonte.

Caso queira traçar rotas e filtrar os bares por regiões administrativas (Pampulha, Centro-Sul, Leste, Barreiro, etc.), o usuário pode acessar a aba de marcações na Página de Busca por Tags da Belotur. Roteiros Integrados: Orientações de como incluir os estabelecimentos em passeios históricos pela cidade (unindo a gastronomia a museus e praças) podem ser baixadas diretamente no Guia de Planejamento de Cultura e Gastronomia de BH.

Para os proprietários de estabelecimentos ou agentes do setor que buscam orientações sobre novas fases do projeto, fóruns de debates (como o seminário Prosas de Balcão) e editais de economia criativa, os canais institucionais da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) e as agências físicas do Sebrae Minas concentram o suporte corporativo.

Saiba mais em: https://portalbelohorizonte.com.br/barescomalma

Foto inicial: IA/bares com alma.

CAMALEON Fermentado de Cana

 

CAMALEON: Onde o Fermentado de Cana não se Transforma em Cachaça

por Henrique Oliveira*

Observei nas redes sociais uma garrafa do tipo champagne que me chamou a atenção por seu rótulo, que mencionava que se tratava de um fermentado de cana.

Curioso, realizei algumas pesquisas, e ficou claro que determinadas marcas independentes decidem desafiar o tradicionalismo de rótulos consagrados. Esse é o caso do Camaleon, um fermentado de cana com 12% de teor alcoólico que aposta na versatilidade e na leveza para conquistar o público contemporâneo.

Produzido sem passar pelo processo de destilação convencional da cachaça, o Camaleon foca exclusivamente na fermentação do caldo de cana, resultando em uma bebida de coloração dourada fosca, paladar suave e aroma delicado.

A criação do Camaleon e de todo o ecossistema da NAVE Bebidas tem à frente o empresário e CEO Thiago Nacional. Fundada em 2020 com sede na cidade de Patos de Minas, em Minas Gerais, a empresa nasceu com o propósito de inovar no setor de bebidas artesanais no Brasil. Sob a liderança de Thiago Nacional, a destilaria e plataforma de inovação se destacou por métodos modernos de produção, como a infusão de vapor em gins e filtragens especiais.

Fiel ao seu nome, que evoca a capacidade de adaptação do animal homônimo, o Camaleon foi desenhado para ser consumido sem regras rígidas. Ele pode ser apreciado puro e bem gelado, servido com gelo para acentuar o frescor em dias quentes, ou utilizado como base para coquetéis criativos. Por causa de seus 12% de graduação alcoólica, a bebida transita perfeitamente entre o universo dos vinhos leves e dos destilados, aceitando misturas com frutas, xaropes naturais, tônicas ou refrigerantes.

Atualmente, o fermentado destaca-se em sua versão tradicional em garrafas de 750 mililitros, que valorizam a identidade visual rústica e elegante da marca. Além do Camaleon, o portfólio da NAVE Bebidas comandada por Thiago Nacional é amplo e diversificado. A fábrica produz gins premium da linha Mixologist, a vodka Dash filtrada com cristal de quartzo e pedra vulcânica, cachaças envelhecidas como a Dona Treta Amburana, além de linhas prontas para beber conhecidas como Queen e Colaí, consolidando Patos de Minas como um polo criativo de bebidas autorais no país.

Saiba mais  no Instagram da bebida: @camaleon.brasil

(*) - Henrique Oliveira é Escritor e Executivo de Governança, Riscos e Compliance

sábado, 12 de setembro de 2026

Brew! Coimbra 2026

 

Mondeguipa, Beer Wall e Mais de 200 Rótulos: O Guia Definitivo do Brew! Coimbra 2026

Nosso amigos portugueses também produzem boas cervejas. Possuem representatividade por meio de confrarias de alto nível e realizam eventos que marcam, como o Festival Hopen, que aconteceu na cidade Braga em maio passado, que foi informado no Ave Cesar Co.

Nessas circuntânscias, se o seu paraíso na Terra envolve um copo cheio de cerveja artesanal independente, boa música e um ambiente incrível ao ar livre, o seu destino neste fim de semana está mais do que traçado em Portugal. A 6.ª edição do Brew! Coimbra já deu início e promete transformar o Verd'O Parque (mesmo junto ao UC Exploratório) no epicentro da cultura cervejeira em Portugal entre os dias 11, 12 e 13 de setembro de 2026.

Organizado pela BREW! em parceria com a Câmara Municipal de Coimbra, o festival cresceu, ganhou tração internacional e traz novidades imperdíveis para esta edição.

Os Números e as Estrelas do Copo

Este ano, o festival conta com 25 marcas diferentes (nacionais e internacionais) e coloca à disposição do público mais de 200 cervejas para serem descobertas. Há sabores para todos os gostos, com cervejas com notas de chocolate, caramelo, maçã e frutos tropicais.

A grande sensação da edição de 2026 chama-se Mondeguipa. Trata-se de uma cerveja desenvolvida especificamente para o festival, criada a partir de arroz do Mondego. O cervejeiro Luís Rolo, da marca Barona, é um dos rostos por trás desta receita única, descrita como uma cerveja extremamente leve, refrescante e perfeita para o clima de setembro.

Adicionalmente, pela primeira vez na história do Brew! Coimbra, os visitantes vão poder cruzar fronteiras sem sair do Parque através da Beer Wall (Parede de Cervejas). Esta estrutura reúne rótulos vindos de cerca de 10 países diferentes. De acordo com o promoção do evento, o objetivo é tanto trazer novidades exclusivas ao público local como abrir portas a colaborações futuras entre os produtores de Coimbra, bem como marcas internacionais.

Se você turista brasileiro estiver na icônica Coimbra, não deixe de visitar e prestigiar um evento genuíno da cultura cervejeira lusitana.

Onde: Verd'O Parque / Exploratório – Centro de Ciência Viva, Coimbra.

Quando: 11, 12 e 13 de setembro de 2026.

Entrada livre. (Paga-se apenas o copo oficial do festival e o consumo.)

Foto: IA/Divulgação.

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Festa Alemã de Belo Horizonte

Entre o chopp e o rock: Praça da Filarmônica sedia a autêntica Festa Alemã neste sábado

O circuito cultural da capital mineira ganha um sotaque europeu inconfundível. A Festa Alemã Oficial aterrissa na Praça da Filarmônica (Rua Tenente Brito Melo, 1.090, Barro Preto) para uma edição que promete movimentar a tarde e a noite dos belo-horizontinos.

Mesclando a precisão da tradição germânica com a descontemporaneidade mineira, o evento consolida-se como um dos encontros mais aguardados do calendário urbano da cidade. A entrada para o festival é gratuita, mas a organização reforça que o acesso é mediante a retirada prévia de ingressos na plataforma Sympla, garantindo a comodidade e segurança do público no espaço público revitalizado.

Para quem aprecia a alta escola cervejeira, o festival reuniu um verdadeiro dream team de cervejarias artesanais mineiras. O cardápio de chopes traz rótulos consagrados e premiados das marcas: Albano’s, Verace, Läut, Krug Bier, Cervejaria Küd, Slød e Stadt Jever.


Na praça de alimentação, o clássico encontra o contemporâneo: iguarias típicas da culinária da Alemanha dividem espaço com releituras da cozinha de boteco local, criando uma experiência de comfort food ideal para acompanhar as opções de chopp gelado.

Haverá uma trilha sonora de peso. Esqueça o silêncio ou as programações óbvias. A curadoria musical aposta na energia do rock and roll para embalar a tarde, sem deixar de lado o folclore. A programação conta com apresentações tradicionais de danças típicas alemãs. Shows ao vivo com Alemão Cascudo, Banda Cash, Bauxita e o tributo pesado do Locomotive (Guns N' Roses Cover), além de sets embalados pelo DJ Pablo Catão.

Serviço Festa Alemã em Belo Horizonte. Sábado, 12 de setembro de 2026, a partir das 13h Onde: Praça da Filarmônica (Rua Tenente Brito Melo, 1.090 — Barro Preto, Belo Horizonte - MG)

Quanto: Entrada gratuita. Saiba mais: https://www.sympla.com.br/evento/festa-alema-praca-da-filarmonica/3503920?share_id=copiarlink

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Asia Beer Championship 2026

Além do Óbvio: Como o Asia Beer Championship Está Moldando o Futuro da Cerveja Artesanal

Quando pensamos na vanguarda da cerveja artesanal, as escolas alemã, belga e americana costumam dominar as conversas. No entanto, háum gigante acordando no Oriente. Se você quer saber o que vai ditar as próximas tendências do mercado global, precisa acompanhar de perto o Asia Beer Championship (ABC).

 

Criado para dar suporte e referendar a crescente cultura de cervejas premium na Ásia, o campeonato chega à sua 9ª edição em 2026 consolidado como a competição técnica mais respeitada do continente. Mais do que uma simples entrega de medalhas, o Beer Cup tornou-se a bússola de um mercado vibrante que projeta movimentar bilhões de dólares nos próximos anos.

Diferente de festivais focados apenas no voto popular, o Asia Beer Championship opera sob os mais estritos padrões internacionais de arbitragem. Centenas de amostras enviadas de dezenas de países asiáticos são avaliadas às cegas por um painel de mais de 40 juízes, sommeliers e cervejeiros profissionais gabaritados. A pontuação é dividida em critérios detalhados: Aparência (Máximo de 3 pontos) Aroma (Máximo de 12 pontos) Sabor e Paladar (Máximo de 20 pontos). 

As cervejas competem em 32 categorias de estilos adaptados à popularidade da região. Os melhores de cada estilo levam Ouro, Prata e Bronze, mas há também a prestigiada chancela “Chairman’s Selection” para os rótulos que atingem um patamar técnico excelente, servindo como um guia de compras definitivo para os consumidores asiáticos.

O Calendário de 2026: Rumo a Cingapura e ao Vietnã

O cronograma deste ano movimentou os bastidores da indústria. Após o encerramento das inscrições no final de agosto, o painel de juízes se reunirá em Cingapura nos dias 30 de setembro e 1º de outubro de 2026 para as sessões de análise sensorial às cegas. Entretanto, o verdadeiro clímax acontece semanas depois. Os vencedores dos cobiçados troféus de Champion Beer, Champion Brewery e Champion Brewpub da Ásia serão anunciados em uma cerimônia ao vivo no dia 29 de outubro de 2026. O anúncio fechará com chave de ouro a Brew Asia 2026 no The Adora Centre, em Ho Chi Minh, no Vietnã — a maior conferência e feira de negócios cervejeiros da região.

O mercado asiático de cervejas artesanais destaca-se pela inovação radical e uso de ingredientes locais (como arroz, jasmim, pimentas, chás e frutas tropicais nativas) para adaptar estilos clássicos ocidentais ao paladar local. É um polo criativo que ganhou tanta relevância global que grandes competições europeias e as Américas começaram a firmar parcerias de intercâmbio técnico com as entidades asiáticas. Para quem escreve, produz ou simplesmente ama cerveja, o Asia Beer Championship não é apenas uma disputa regional: é a janela para o futuro de uma indústria que sabe se reinventar de forma única. 

Um brinde.


Para saber mais: https://asiabrewersnetwork.com/ e https://www.asiabeerchampionship.com/

Para inscrições: https://beerawardsplatform.com/asia-beer-championship-2026

Fotos: Asia Brewers Network

Cervejaria Turatti em Recuperação Judicial

 

Do Topo Das Premiações à Reestruturação: Grupo Turatti entra em Recuperação Judicial no Ceará

Pioneira no mercado de cervejas artesanais desde 1999, gigante cearense culpa "Efeito Ozempic", juros asfixiantes e câmbio alto por crise financeira; atendimento e fábricas seguem operando normalmente.

O mercado de bebidas premium e gastronomia do Nordeste foi surpreendido com o acolhimento do pedido de recuperação judicial do Grupo Turatti, uma das marcas mais tradicionais e condecoradas do setor. O processo, aceito pela 1ª Vara Empresarial de Recuperação de Empresas e de Falências do Estado do Ceará, envolve uma dívida acumulada superior a R$ 12 milhões. A medida engloba oito empresas sob o guarda-chuva da holding e visa renegociar os débitos de forma coletiva, evitando a interrupção das atividades.

Uma História de Sucesso na Cultura Cervejeira do Nordeste

Fundada em 1999 pelo empresário Lissandro Turatti, a marca nasceu com o propósito de introduzir a cultura do malte e do lúpulo de alta qualidade em uma região até então dominada pelas cervejas comerciais de massa.

Ao longo de quase três décadas, a Cervejaria Turatti consolidou-se como a maior referência em rótulos artesanais do Ceará e uma das mais importantes de todo o Nordeste. Acumulando diversos prêmios nacionais e internacionais de degustação, o grupo expandiu seu portfólio nos últimos anos ao adquirir outras marcas locais consagradas, como a Capitosa, a 5 Elementos e a Hey Ho. Além das fábricas, a holding tornou-se um fenômeno gastronômico regional com seus restaurantes focados em Pit Smoker e American BBQ.

Na peça jurídica apresentada à Justiça, a defesa do grupo expôs argumentos inovadores sobre as transformações no comportamento do consumidor pós-pandemia. Segundo os relatórios, o mercado de alimentação fora do lar e de bebidas alcoólicas foi duramente golpeado por fatores biológicos e geracionais.

O avanço dos emagrecedores e o uso massivo global e nacional de medicamentos voltados à perda de peso (como o Ozempic) gerou, comprovadamente, uma diminuição acentuada no apetite e na ingestão de álcool por parte do público consumidor de maior poder aquisitivo. Adicionalmente, a sobriedade da Geração Z tem demonstrado um desinteresse estrutural pelas bebidas alcoólicas tradicionais, migrando o lazer para ambientes predominantemente digitais e hábitos voltados ao bem-estar e à saúde. Em um tempo mais distante, observou-se também um esvaziamento dos salões dos bares edas cervejarias. O hábito corporativo do happy hour presencial reduziu significativamente em Fortaleza, com o público optando pelo consumo caseiro ou por opções mais econômicas.


A estratégia agressiva de expansão e consolidação de mercado executada pela Turatti esbarrou diretamente na política monetária brasileira dos últimos anos. Com a Taxa Selic mantida em patamares elevados, o custo para a rolagem de dívidas e financiamento do capital de giro tornou-se proibitivo. Fontes ligadas à área financeira da empresa apontam que captar recursos no mercado bancário se tornou inviável para empresas de médio porte, forçando o grupo a buscar o amparo legal da recuperação antes que o fluxo de caixa travasse as operações cotidianas.

Além da retração de público e dos juros altos, a instabilidade do câmbio no Brasil agravou fortemente a produção das cervejas premium. Como a fabricação artesanal depende diretamente da importação de insumos essenciais (como maltes especiais da Europa e lúpulos selecionados dosEstados Unidos), a persistente desvalorização do Real frente ao Dólar inflacionou de maneira drástica o custo por litro produzido. "Em uma cadeia de nicho, o repasse integral de custos alfandegários para o cardápio ou para as gôndolas dos supermercados faria a cerveja sumir das mãos do cliente. Fomos obrigados a espremer nossas margens de lucro até o limite", revela um sommelier ligado à produção da marca.

As operações das casas na Varjota e no North Shopping Fortaleza, bem como a fábrica central localizada na Lagoa Redonda, seguem em pleno funcionamento. Os postos de trabalho de cerca de 240 colaboradores diretos foram preservados para assegurar o plano de reestruturação que será apresentado aos credores nos próximos meses.

A seguir, com a palavra, o cervejeiro da Turatti, Adriel Oliveira.

Foto por Mah Cavalcanti e Site Turatti.


terça-feira, 8 de setembro de 2026

Stone Brewing Fecha Escondido

O Fim de uma Era no Craft Beer: Sapporo Encerra as Atividades da Sede Histórica da Stone Brewing em Escondido

por Henrique Oliveira*

A indústria global de cervejas artesanais testemunha o fechamento de um de seus templos mais icônicos. A Sapporo USA anunciou o encerramento definitivo das operações do complexo de produção e do aclamado restaurante Stone Brewing World Bistro & Gardens em Escondido, Califórnia. O encerramento da histórica sede, emblemática para a revolução do movimento craft na Costa Oeste americana, resultará na demissão progressiva de cerca de 220 funcionários a partir de outubro de 2026.

O desmantelamento da sede de Escondido é o resultado direto de uma complexa reestruturação corporativa. Em 2022, a gigante japonesa Sapporo adquiriu a Stone Brewing por aproximadamente US$ 165 milhões com o intuito de expandir sua capacidade fabril em solo americano. No entanto, em abril de 2026, a Sapporo fatiou o negócio e vendeu a marca de cervejas Stone, seu portfólio e quatro unidades de hospitalidade em San Diego para a Firestone Walker Brewing Company e para a cervejaria belga Duvel Moortgat USA.

A megaestrutura de Escondido (que inclui a fábrica de 5.300 metros quadrados) não foi incluída no acordo de venda de ativos. Como a Sapporo decidiu concentrar sua produção contratada de marcas próprias em sua unidade expandida em Richmond (Virgínia), e a Firestone Walker absorveu a fabricação dos rótulos da Stone em suas plantas de Paso Robles e Kansas City, a icônica sede tornou-se redundante. Após tentativas frustradas de encontrar um comprador de longo prazo para manter o complexo operando na mesma escala, o encerramento tornou-se inevitável.

Impacto Econômico e Demissões em Fases

De acordo com as notificações oficiais emitidas sob a lei de proteção ao trabalhador (WARN Act) do estado da Califórnia, o processo de desligamentos ocorrerá em fases. Em 19 de outubro de 2026, será o início da primeira rodada com o desligamento de 58 colaboradores. Os cortes atingirão diretamente os setores operacionais de brassagem, envase, controle de qualidade, logística e armazenamento.

Em contrapartida, a nova administração da marca pela Firestone Walker já absorveu mais de 200 antigos colaboradores da divisão de hospitalidade e de marca da Stone em outras regiões da Califórnia, amenizando parcialmente o impacto regional.

O Significado Histórico de Escondido para a Revolução Cervejeira

Fundada originalmente em 1996 por Greg Koch e Steve Wagner na vizinha San Marcos, a Stone Brewing mudou-se para o megalítico campus de Escondido em 2006. Foi ali que rótulos agressivos e altamente lupulados, como a Stone IPA e a Arrogant Bastard Ale, ganharam volume de distribuição mundial. O local transformou-se rapidamente em um santuário turístico para os amantes de cerveja. Seu bistrô integrado a jardins imponentes ditou tendências de arquitetura comercial no segmento de bebidas. 


Greg Koch é o cervejeiro que conduziu o apelo do pequeno produtor de cervejas americano por meio de um manifesto chamado "I Am A Craft Brewer", (em português "Eu Sou um Cervejeiro Artesanal - Veja o vídeo abaixo). Quando Greg Koch e seu sócio Steve Wagner venderam a Stone Brewing Co. para o conglomerado cervejeiro japonês Sapporo USA, em junho de 2022, por aproximadamente US$ 165 milhões, a reação da comunidade de microcervejarias e cervejas artesanais americanas foi uma mistura de forte rejeição, acusações de hipocrisia e uma "resignação agridoce", ou seja, aceitar uma realidade difícil ou ainda decepcionante, com uma mistura de tristeza e uma aceitação serena e passada.

 O fechamento da fábrica simboliza a consolidação severa e o esfriamento do mercado de cervejas artesanais nos Estados Unidos, que tem obrigado marcas pioneiras a reduzirem custos operacionais fixos para sobreviver comercialmente. (O mesmo ocorre de forma recente na Alemanha, no Uruguai com a Cervejaria Patricia, e  Brasil. Por exemplo, a Ambev encerrou as atividades do Atelier Wäls, a Toca do Urso, da Cervejaria Colorado e o Brewpub da Cervejaria Goose Island, todos esses estavam abertos ao público.) Foi como dito em um artigo que escrevi para a Revista Engarrafador Moderno, onde "Fazer Menos é Mais".

Apesar do encerramento das atividades físicas no endereço histórico de Citracado Parkway, as novas proprietárias garantem que a essência e as receitas da marca continuarão ativas no mercado internacional. O gárgula da Stone, agora, voa em direção a novos tanques.

Fontes: (https://www.thedrinksbusiness.com/2026/08/stone-brewing-closes-site-and-cuts-220-jobs/), (https://beeralien.com/stone-brewing-escondido-closing/), (https://www.cbs8.com/article/news/local/stone-brewing-sold-to-new-owners-as-workers-face-layoffs/509-19660b39-7e61-4d18-803a-a343d5463600), (https://www.latimes.com/business/story/2026-08-21/stone-brewing-bumble-bee-foods-layoffs)

Fotos: Stone Brewing (Divulgação)

(*) - Henrique Oliveira é Escritor e Executivo Sênior de Governança, Riscos e Compliance.

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