De Conde Drácula à Força do Urso, na Tradição
Cervejeira Romena
Quando estive nos Balcãs, fui até a região central da Romênia, mais
precisamente na Transilvânia, para visitar o famoso Castelo de Bran, do Conde Drácula. Ao redor daquela "assombrada residência", rica em folclore, imaginei quais cervejas eu tomaria com aquele homem de tamanha nobreza, em pleno fim do Período Medieval. Pensei logo em uma cerveja encorpada, bastante vermelha, no estilo Red Ale ou ainda uma do tipo Bock para tentar apaziguar a sua eterna sede de sangue.
Vlad III, comumente conhecido como Vlad Tepes, o Empalador, ou Vlad
Drácula, foi Voivoda da Valáquia três vezes entre 1448 e sua morte, em 1476.
Ele é frequentemente considerado um dos governantes mais importantes da
história da Valáquia e um herói nacional da Romênia. Visitar as pequenas ruas
da cidade histórica e o interior do castelo é algo simplesmente imperdível.
Se você é apaixonado pela cultura da cerveja dos Balcãs e gosta de
descobrir rótulos que carregam histórias profundas e identidades marcantes, você precisa conhecer esse país. (A cultura é o motivo que inclui a Romênia nos Balcãs e entre a Europa Central e o Leste Europeu.)
Comecei tomando a cerveja Stejar. Famosa no Leste Europeu e intimamente ligada ao orgulho
nacional da Romênia (sendo inclusive a patrocinadora oficial da seleção romena
de rugby). Stejar significa "Carvalho" em romeno, uma alusão direta à
força, robustez e tradição.
A narrativa cultural da cerveja na Romênia é antiga. Lendas
locais costumam associar as receitas de cervejas fortes da Transilvânia ao
século XVI, inspiradas nos antigos monges que produziam bebidas artesanais na
região do Mosteiro Cisterciense de Biertan. No entanto, o nascimento comercial
da Stejar como marca moderna aconteceu em 15 de dezembro de 2005. A Stejar não nasceu de
uma microcervejaria independente, mas sim do ventre de um dos maiores impérios
comerciais do país: a Ursus Breweries.
A história de seus proprietários reflete a própria evolução
econômica global. Se puxarmos o fio do tempo para entender de onde vieram as
fábricas operadas pela Ursus, chegamos à tradicional corporação da família
Czell. Em 1892, eles adquiriram destilarias e fundaram a histórica Cervejaria
de Brașov, no bairro de Darste (há 80 quilômetros da Transilvânia). Uma das
unidades fabris viria a processar e envasar as grandes marcas do grupo ao
longo do século seguinte. Com o passar do tempo, a cervejaria passou pela SAB
Miller. Uma reestruturação global de ativos, o controle da Ursus Breweries e de
todo o seu portfólio (incluindo a Stejar) passou para as mãos da japonesa Asahi Group. Logo após tomar a Stejar, degustei a cerveja Ursus Retrô Nepasteurizată.
Outra cerveja que tiver a oportunidade de experimentar é oriunda de uma microcervejaria independente, fundada em 2013. Dois jovens empreendedores, Laurențiu
Bănescu e Alexandru Geamănu, romenos entusiasmados produzem de forma artesanal a
Zăganu (que significa "Águia-Barbuda"), na "Fabrica de Bere
Bună". Tomei a IPA, rica em lúpulos e uma de nome Rosie, no estilo Red Ale, no Restaurante La Ceaun, na cidade de Brasov. Achei ambas incríveis. Um detalhe que me surpreendeu nas cervejas artesanais foi o número de cervejas frescas, que não passam pelo processo de pasteurização. Trata-se de um atributo reconhecido pelos apreciadores e sommeliers. Muitas cervejas apresentam a nomeclatura "bere artizanală nepasteurizată" que significa "cerveja artesanal não pasteurizada". Entendi algo como um diferencial competitivo.
Ao lado do Castelo de Bran, continuei caminhando no hall das cervejas romenas, tomando uma cerveja artesanal não filtrada (artizanală nefiltrată) de nome Zboina, que foi desenvolvida em 2018, pelo mestre cervejeiro George Cristea para o Atelierul
de Bere ("Atelier da Cerveja"), que é uma divisão cervejeira criada por uma empresa muito tradicional
no ramo de vinhos chamada Vinexport Trade-Mark SA.
A empresa é amplamente
conhecida na Romênia por produzir vinhos finos vindos de famosas vinhas locais
(como Cotești e Odobești). A fábrica está localizada na cidade de Focșani, que
é a Capital do condado de Vrancea, na Romênia. Essa região fica na área histórica da Moldávia (sul da Romênia) e é mundialmente famosa por suas colinas repletas de vinhedos.
Finalizei a minha rota cervejeira da Romênia tomando duas cervejas populares:
a Bergenbier, produzida desde 1995. O próprio rótulo destaca as
frases "Răcorim România" (Refrescando a Romênia) e "Produs în
România" (Produzido na Romênia). A Bergenbier é fabricada na cidade de
Ploiești, localizada a cerca de 60 km ao norte da Capital, Bucareste.
A cerveja seguinte
foi a Silva Romanian Pale Ale. Foi criada originalmente em 1974, na cidade de Reghin, no Condado de Mures. Essa é conhecida por ser a "Cidade dos Violinos", por produzir instrumentos de corda preciosos com madeira nobre local. Reghin também faz para da região da Transilvânia. (Por isso "Silva" de TranSILVAnia). Atualmente, essa cerveja faz parte do portfólio da Heineken daquele país.
Contagem celebra cultura mineira com a Festa da Cerveja na
Praça Tancredo Neves
No dia 19 de setembro de 2026, a cidade de Contagem se
transformará no ponto de encontro oficial para os amantes de uma boa bebida,
culinária de raiz e muito rock and roll.
A Festa da Cerveja de Contagem promete agitar a região
metropolitana em um evento ao ar livre que acontece das 12:00 às 22:00. O palco
da celebração será a movimentada Praça Presidente Tancredo Neves, localizada no
bairro Camilo Alves, bem em frente à sede da Prefeitura Municipal. Com uma
proposta que une o melhor da tradição mineira de reunir amigos em volta da
mesa, o tradicional evento oferece 10 horas consecutivas de programação para toda a família
com mais de 50 tipos de comidas típicas. Haverá cervejas especiais produzidas
por cervejarias artesanais.
Os ingressos para a festividade são gratuitos e podem ser
retirados de forma antecipada pela plataforma oficial da Sympla.
Mais informações: https://www.sympla.com.br/evento/festa-da-cerveja-de-contagem/3540847?share_id=copiarlink
A Revolução no Copo: Nova Roda Sensorial do Lúpulo une
Ciência e Bares sob a Liderança de Amanda Reitenbach
Ferramenta que traduz a complexidade química do lúpulo em
aromas práticos ganha formato de "jogo americano" e promete
profissionalizar desde a produção no campo até a experiência no balcão.
O mercado de cervejas artesanais e produtos lupulados acaba
de ganhar um aliado definitivo para decifrar a "alma" da cerveja: o lúpulo. Fruto de um esforço conjunto entre a Universidade Federal de Santa
Catarina (UFSC), a Universidade de Brasília (UnB) e a Cervejaria Kairós, a nova
Roda Sensorial do Lúpulo foi chancelada e disponibilizada gratuitamente para o
público. À frente desse projeto inovador está a renomada cientista de alimentos
e sommelier de cervejas Amanda Felipe Reitenbach, que liderou a pesquisa
aplicada responsável por transformar dados moleculares complexos em uma
ferramenta visual e acessível.
O projeto, que levou dois anos de estudos intensos, atualiza
a clássica roda de aromas criada nos anos 1970 pelo cientista dinamarquês
Morten Meilgaard. A grande inovação liderada por Amanda foi conectar, de forma
direta e visual, os compostos químicos da planta com os aromas percebidos na taça, eliminando a necessidade imediata de laboratórios complexos para análises
de rotina nas cervejarias.
Doutora com foco em neurociência sensorial aplicada à
cerveja pela UFSC (em parceria com a prestigiada Versuchs- und Lehranstalt für
Brauerei - VLB, na Alemanha), Amanda Reitenbach tem dedicado sua carreira a
desmistificar a avaliação sensorial. Fundadora do Science of Beer Institute,
ela é uma das principais vozes da América Latina na formação de profissionais
do setor e na pesquisa sobre inteligência artificial e biotecnologia voltadas
ao paladar. Com a nova Roda Sensorial, Amanda e a equipe de pesquisadores do
Instituto de Química da UnB conseguiram mapear as substâncias orgânicas do
lúpulo — como mirceno, linalol e geraniol — que dão origem a perfis cítricos,
florais, herbais e frutados. O material organiza esses descritores em seis
níveis de informação. Um aroma herbal, por exemplo, é rastreado na roda até sua
origem química e associado a notas cotidianas de alecrim, hortelã ou chá verde.
Ciência que Ocupa o Balcão e Educa o Mercado
Para que o conhecimento não ficasse restrito aos
laboratórios acadêmicos, Amanda Reitenbach e os desenvolvedores registraram o
desenho industrial da ferramenta e a transformaram em um formato inusitado: um
jogo americano impresso. Segundo Amanda, o principal objetivo da iniciativa é
levar a ciência exatamente para onde a experiência de fato acontece. Bares,
taprooms, escolas de gastronomia e cervejarias podem baixar o arquivo
gratuitamente para treinar brigadas, realizar degustações guiadas ou educar o
consumidor final. A ferramenta atua de forma estratégica em diferentes frentes.
No Campo, o documento ajuda produtores nacionais a identificar o terroir das fazendas brasileiras e a avaliar o perfil sensorial das colheitas. Na Fábrica, é uma ferramenta que facilita aos cervejeiros a padronização de receitas, o controle de qualidade e o refinamento de técnicas como o dry hopping (lupulagem a frio). Já em concursos cervejeiros servirá como guia técnico unificado para
sommeliers e juízes em avaliações profissionais. No balcão dos bares, será capaz de traduzir o jargão técnico em referências reais para
o consumidor, permitindo escolhas mais intuitivas.
Mercado em Mutação e Acesso Gratuito
A chegada da ferramenta sobre esse insumo cervejeiro coincide com uma mudança clara no
comportamento do consumidor, que hoje busca cervejas com perfis extremamente
aromáticos, tropicais e de alta "drinkability" (fáceis de beber) —
como as populares Hazy IPAs. Além disso, o lúpulo ganhou espaço fora das
cervejas, compondo receitas inovadoras de chás e kombuchas.
Como parte do compromisso de Amanda Reitenbach com a
democratização do conhecimento cervejeiro, a Roda Sensorial do Lúpulo e o
e-book complementar “Cervejas Lupuladas: Perfil Sensorial, Compostos Aromáticos
e Inovações Tecnológicas” foram disponibilizados de forma 100% gratuita nos
portais oficiais das universidades parceiras. O trabalho consolida o papel da
pesquisadora como uma ponte essencial entre a ciência de ponta e o
fortalecimento do mercado nacional de cervejas.
A História da Cerveja no Amazonas: Da Belle Époque à Oktoberfest e ao
Movimento Artesanal
por Henrique Oliveira*
A relação do Amazonas com a produção de cerveja começou há
mais de um século, durante o auge do ciclo da borracha. A primeira indústria cervejeira da Região Norte surgiu em 10 de outubro de 1912, com a fundação da
histórica Cervejaria Amazonense, criada pelos irmãos Miranda Corrêa, no bairro
de Aparecida. O imponente prédio histórico à beira do Rio Negro operava com
maquinário trazido diretamente da Alemanha. A fábrica ficou famosa nacionalmente
por abrigar o primeiro elevador elétrico instalado no Brasil.
Muitas décadas após o encerramento da icônica marca
pioneira, o conceito de produção mudou. Publiquei no livro Brasil Beer: O Guia das Cervejas Brasileiras, a primeira microcervejaria artesanal legítima do
Amazonas, que nasceu em 10 de junho de 2002. Me refiro à Cervejaria Fellice. Instalada
no complexo do Studio 5 Shopping, a Fellice funcionou até 2015 e abriu as
portas para o mercado de cervejas especiais na capital manauara. Um capítulo de
grande relevância nessa evolução foi a chegada da Haus Bier, marca que faz
parte da rede idealizada pelo empresário Hermes Balcon, e que se instalou em
Manaus através de um sistema de franquias. Junto com essas duas fábricas, há
ainda Cervejaria Battuta que ficou conhecida pelo chopp de grande circulação em
eventos populares e festas regionais, sediada na Cachoeirinha.
O cenário contemporâneo de Manaus conta com marcas locais
consolidadas e taprooms que adaptam receitas clássicas europeias aos sabores e
frutos da floresta, como a Porto de Lenha - Tasca Amazônica, que tem como destaque
a produção de cervejas artesanais autorais feitas na própria casa,
com
coquetelaria integrada. Há ainda a Manaus Brew Shop: um ponto de encontro
tradicional da cultura local que reúne dezenas de torneiras de chopes
artesanais regionais e promove festivais como o IPA Day. Uma terceira empresa é
a Cervejaria Louvada de Manaus. Originalmente de Cuiabá, amplamente premiada no cenário nacional
que mantém forte distribuição e preferência na capital através de seu taproom.
Por fim, a Cervejaria Rio Negro: uma das marcas pioneiras no fornecimento e
distribuição de chopp em larga escala para bares e eventos no Amazonas, desde 2014.
Oktoberfest na Amazônia? Sim Existe!
A cultura cervejeira alemã ganha sotaque amazônico na
cobertura especial da temporada de festivais que agita Manaus. Entre os dias 18
e 19 de setembro de 2026, o bairro da Cachoeirinha recebe a 7ª Edição da
Oktoberfest Chopp Battuta. O festival de rua oferece entrada gratuita, shows de
rock e o tradicional chopp artesanal produzido localmente.
O grande ápice da temporada germânica no estado acontece no
dia 30 de outubro de 2026, com a inédita 1ª edição oficial da Manaus
Oktoberfest. O evento ocupa o Nova Era Hall (Studio 5) trazendo a autêntica gastronomia bávara, trajes tradicionais, danças folclóricas e a vinda especial
da tradicional Dauerlauf Band.
Saiba mais em: https://www.sympla.com.br/evento/manaus-oktoberfest/3506931?share_id=copiarlink
Fonte: MENDONÇA, Rosanna Lime de et al. Patrimônio Industrial e Memória: A Cervejaria Miranda Corrêa, 2020.
Foto: Amazonense (IA) Demais fotos: Divulgação/Instagram das Cervejarias.
(*) Henrique Oliveira é executivo de Governança, Riscos e Compliance
O Blog Ave Cesar Co acaba de atingir uma marca histórica! De
acordo com as nossas estatísticas recentes, fechamos este mês com mais de
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Ouro Preto celebra o Sesquicentenário de uma história
moldada pela ciência e pela tradição
da Redação do Blog Ave Cesar
Me lembro de quando fui a histórica Ouro Preto, aleatoriamente, com o
amigo Rômulo Machado para tomar umas cervejas na praça do Museu da
Inconfidência. Para nossa surpresa, havia um palco montado de frente ao Museu.
Rogério Flausino, da Banda Jota Quest estava passando o som. Não entendíamos o que
estava acontecendo. De repente, uma multidão apareceu para celebrar aquele dia,
ao qual eu o Rômulo não havíamos associado: se tratava da tradicional “Festa do 12”, um dos maiores eventos culturais da antiga Capital de Minas.
As ladeiras
históricas do Rota de Origem da Estrada Real ganham um brilho ainda mais intenso neste período. O
município se prepara para celebrar o marco de 150 anos de existência de uma de
suas maiores instituições de orgulho: a lendária Escola de Minas, fundada em
1876 pelo cientista Claude-Henri Gorceix a pedido do Imperador Dom Pedro II.
Cruzando o mês de setembro com programações culturais e preparativos para a
icônica "Festa do 12", a antiga Vila Rica ferve ao conectar o passadocolonial ao futuro da tecnologia, da pesquisa e de novos e modernos eixos de
lazer.
Mais do que formar engenheiros e geólogos, a Escola de Minas
— hoje integrada à Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) — transformou a
dinâmica da cidade. Onde antes o ouro cedia espaço à exploração colonial,
nasceu o maior polo de geociências do país. Para além dos muros acadêmicos, a
comemoração resgata a própria identidade urbana de Ouro Preto. Moradores e
comerciantes das redondezas da Praça Tiradentes se preparam para o grande fluxo
de visitantes. "Celebrar o sesquicentenário é reconhecer que a história
dessa instituição se confunde com a sobrevivência cultural da nossa própria
cidade", aponta a comunidade local.
Quem vem curtir as comemorações da Festa do 12 encontra uma
cidade vibrante e recheada de opções gastronômicas que misturam história e modernidade. O grande ponto de encontro na boemia do Centro Histórico é a
aclamada República Cervejeira, um pub espetacular montado em um casarão do
século XVII na famosa Rua Direita. Idealizado pelo dinâmico empresário Júlio
Füzessy (conhecido por sua Cerveja Füzessy Beer e pelo Ouro Bier Fest), o local é um verdadeiro
templo para os amantes do malte: conta com 30 torneiras de chope artesanal,
drinques autorais e um cardápio caprichado com churrasco no estilo American
BBQ.
Outra parada obrigatória e carregada de história de Ouro Preto é o
pioneirismo da Cervejaria Ouropretana, fundada em 2011 por Leonardo Trópia e
Eduardo Machado. O projeto, que nasceu da paixão de levar a essência e acultura de Vila Rica para dentro do copo, transformou-se em uma das marcas artesanais mais premiadas e respeitadas da região. Para os visitantes da Festa
do 12, saborear rótulos clássicos como a Golden Lager ou a Ginger IPA no
acolhedor Bar da Cervejaria Ouropretana (localizado na icônica Rua Benedito
Valadares, no Bairro do Rosário) é viver uma verdadeira imersão na autêntica e
resistente boemia mineira.
A contagem regressiva para o ápice do aniversário de 150
anos em outubro começa a se desenhar já no mês de setembro. Entre os dias 12 e
21 de setembro, as atenções também se voltam para a tradicional Festa de Santa
Efigênia no site da Prefeitura, trazendo as cores e os tambores do Congado de
Nossa Senhora do Rosário, ligando a ancestralidade negra e operária que ergueu
o município ao ambiente festivo da atualidade. Além disso, o calendário
gastronômico do mês promete atrair turistas de várias partes do Brasil com
festivais dedicados às culinárias típicas mineiras e internacionais nos centros
de convenções locais.
Embora o Baile do Doze oficial e as sessões solenes
comemorem formalmente o aniversário, o impacto econômico e afetivo toma conta
das centenas de repúblicas estudantis. Estima-se que milhares de turistas e
ex-alunos de todas as gerações retornem para reviver as memórias de suas
formaturas e celebrar o sesquicentenário.
Informações Úteis para o Visitante
Se você planeja acompanhar as festividades que agitam Ouro
Preto a partir de setembro, confira o guia de apoio.O calendário detalhado com
shows, exposições e eventos do sesquicentenário pode ser acessado diretamente
no Site Oficial de Turismo de Ouro Preto.
Não deixe de passar na Rua Direita para conhecer a República
Cervejeira do Júlio Füzessy, ou ainda visite o Bar da Cervejaria Ouropretana, do Leonardo
Trópia, no Rosário. Devido ao fluxo
histórico esperado para os 150 anos, a rede hoteleira e as repúblicas sugerem
reservas antecipadas. Ouro Preto prova, mais uma vez, que suas pedras e
ladeiras guardam histórias que continuam apontando com decisão para o futuro.
Além da Taça: A Revolução Sensorial e o Mercado em Expansão
dos Sommeliers
Eles já foram transportadores de carga e até provadores
reais contra envenenamentos. (Há uma passagem no Filme "Gladiador" que há um gesto de sommelier para evitar o risco de contaminação.)
A palavra sommelier tem origem francesa e remonta à Idade Média. Inicialmente, o "sommerier" era o condutor dos animais de carga que transportavam as provisões e os vinhos das cortes reais itinerantes. Com o tempo, a função evoluiu: ele passou a ser o responsável por organizar as adegas dos castelos e, crucialmente, provar a comida e a bebida dos Reis antes de serem servidas para garantir que não estivessem envenenadas ou estragadas.
Com o nascimento dos grandes restaurantes em Paris no século XIX, a figura do sommelier migrou dos palácios para os salões comerciais. O profissional assumiu o papel de avaliar e recomendar vinhos para o público, transformando a função em sinônimo de elegância e alto conhecimento técnico.
Hoje, os sommeliers e sommelières são arquitetos
de experiências sensoriais. Longe de se limitarem a apenas servir uma bebida em
restaurantes formais, esses profissionais comandam importadoras, assinam cartas
premiadas, gerenciam canais de conteúdo digital e ditam as tendências do
mercado de luxo e do varejo.
O Dia Nacional do Sommelier, comemorado em 29 de agosto,
celebra a regulamentação oficial da profissão no Brasil (conquistada pela Lei
nº 12.467 em 2011). Internacionalmente, a profissão é homenageada em 3 de
junho, data que marca a fundação da Association de la Sommellerie
Internationale (ASI) em 1969.
Expansão do Mercado: As Novas Ramificações
Engana-se quem pensa que o universo da sommellerie se
restringe apenas ao vinho. O mercado se diversificou drasticamente, abrindo
espaço para especialistas em diferentes insumos.
Sommelier de Vinhos: O modelo clássico, focado na gestão de
adegas, mapeamento de terroirs, safras e harmonização gastronômica.
Sommelier de Cerveja: Especialista que estuda os diferentes
estilos de malte, lúpulo, processos de fermentação e combinações com pratos
complexos.
Sommelier de Destilados e Coquetaria: Focado em bebidas de
alta graduação alcoólica, como cachaça, uísque, gim e saquê.
Sommelier de Não Alcoólicos: Uma das vertentes que mais
cresce no mundo, com profissionais dedicados exclusivamente à degustação
técnica e classificação de cafés especiais, chás, mocktails e até águas minerais.
O leque de atuação para quem se forma na área vai muito além
do salão de um restaurante tradicional. A começar por consultoria e curadoria, por meio do desenvolvimento de cartas de vinhos
para novos negócios ou seleção de rótulos para clubes de assinatura de bebidas. O profissional pode atuar no varejo estratégico, em empórios de luxo, boutiques especializadas e grandes redes de supermercados, orientando compras e estoques.
Em termos de educação e conteúdo há um caminho para a docência em escolas de gastronomia,
palestras corporativas e criação de conteúdo digital focado na democratização
do consumo. Ainda há oportunidades plenas em Turismo e Hotelaria, com a gestão de experiências em restaurantes regionais, vinícolas
(enoturismo), resorts, passeios temáticos, cruzeiros e hotéis boutique.
A profissão, que equilibra perfeitamente a precisão da
ciência química e agrícola com a sensibilidade da hospitalidade, consolida-se
como o elo definitivo entre a terra, o produtor e a emoção de quem degusta.
Se você deseja seguir a profissão o blog indica a EMS - Escola Mineira de Sommelieria
Minas Gerais é destaque no setor. Nomes incríveis como os saudosos Marco Falcone e Arilton Soares, e os atuantes Gustavo Giacchero (seu bisavô foi enólogo na Itália), Fabiana Arreguy, Jaque Oliveira, Kleber Vieira, Renato Costa, Evandro Zanini, Carlos Henrique Vasconcelos, Fabiana Bontempo, Alan Kardec, Júlio Füzessy, Thiago Fernandes, Heitor Silva, e muitos outros ilustram o cenário da profissão na terra das Alterosas.
Na formação de novos talentos, a antiga Academia Sommelier de Cerveja, fundada
originalmente em 2012 em Belo Horizonte, passou por uma grande expansão
estrutural e foi rebatizada como Escola Mineira de Sommelieria (EMS). A
instituição é comandada pela CEO, professora e especialista Jaqueline Oliveira.
Assessorada por profissionais de renome no mercado de cervejas, bebidas e destilados e EMS está localizada na Avenida do Contorno, no bairro Floresta. A escola é uma
das maiores referências na formação de profissionais do mercado de bebidas em Minas Gerais, consolidando o estado como um polo da cultura cervejeira.
Conheça mais sobre a EMS em https://www.instagram.com/e.m.sommelieria/