Aos poucos, cervejaria mineira retorna ao mercado de
cervejas artesanais
É sabido o episódio ocorrido, anos atrás, decorrente de uma
série de falhas e infortúnios que chocou os mineiros e que colocou a Backer em cheque, enquanto entidade produtora
de cervejas. A contaminação em um de seus tanques, expôs, momentaneamente, o mercado
de cervejas artesanais, pois o consumidor se viu acuado em adquirir
produtos das pequenas cervejarias. Muitos passaram a questionar se essas possuíam
a mesma acurácia qualitativa, como é percebida nas grandes fabricas de cervejas,
produzidas em larga escala. No caso de dúvidas, parte do público voltou a consumir cervejas premium, das grandes corporações.
O caso da Backer pode ser entendido como uma exceção à regra,
mas que merece a devida atenção. Foi, para a gestão de riscos corporativos, um
case de seguradoras. Exatamente: seguradoras. Algumas lições foram
aprendidas e, semelhantemente com o que se faz com as caixas pretas em aviões,
coube ao mercado segurador abrir o caso e entender o que realmente aconteceu, as
circunstâncias, os diversos cenários, para que riscos não venham ocorrer
novamente. Nesse sentido, tornou-se inédito no setor cervejeiro,
semelhantemente ao setor aeronáutico, estudar situações adversas que serviram de
base para o desenvolvimento de um ambiente de controles mais robusto no setor de bebidas.
Sobre a ótica das
seguradoras, três pontos mereceram destaque. Primeira lição: quando uma microcervejaria
começa a tomar corpo rumo ao próximo patamar, é importante passar a comprar dos grandes
fornecedores ou, ainda, daqueles de referência, por meio de diligências e práticas de compliance. As grandes empresas fornecedoras, apesar de cobrarem mais caro, essas possuem
um sistema de controles de qualidade e procedimentos mais desenvolvidos, mitigador de riscos e geralmente munidos de seguro. Dessa forma, a empresa
alimentícia ou cervejeira, ao se tornar um pouco maior, é importante se unir à
líderes de mercado, como por exemplo, fornecedores de gases (e.g.: White Martins, Supergasbrás, Gasmig, etc.), de produtos químicos ou ainda de matérias-primas.
Essas empresas, normalmente, possuem certificações de qualidade reconhecidos (e.g.: ISO, FSSC, APPCC, ANBT), time técnico profissional capaz de executar instalações e manutenções de
equipamentos críticos, executar revisões tempestivas e substituir peças e
acessórios quando julgam necessário. Em casos de sinistros, apresentam departamentos de compliance, jurídico e de seguros para assumir eventos, como parte de um processo de responsabilização.
O segundo item, refere-se à implantação de um sistema de controles internos de detecção e monitoramento, auditável, capazes de identificar anomalias, divergências e desvios fora do padrão. Esses devem ser questionados por aqueles que os gerenciam, informado, a contento, às lideranças e ao corpo diretivo da organização. Devem ser investigados, com minúcia, visando a correção, a prevenção e a melhor performance. Em casos de eventos, que haja planos ágeis de contingência e de gestão de crises efetivos.
O terceiro item é a contratação de seguros específicos.
Empresas em transição de porte, se tornam cada vez mais complexas. Nessas circunstâncias, devem formalizar um mapa de riscos estratégico, tático e operacional, identificando e mensurando seus impactos e probabilidades, visando adquirir apólices de seguros correspondentes, em seguradoras de
primeira linha, de forma a atingir os seus objetivos estratégicos, sem grandes percalços. Organizações devem buscar o compartilhamento de seus riscos mais críticos, de forma específica e compatível ao tamanho da operação, como riscos de responsabilidade civil, ambiental, fiscal, danos à propriedade, interrupção dos
negócios, lucro cessantes, riscos de saúde e segurança, de terceiros, FLEXA, D&O, E&O, etc, de forma que os proteja de eventos de grande monta. São tipos de seguros que cujos prêmios tendem a ser um pouco mais caros, porém são capazes de abranger um leque maior de cobertura, correspondente à natureza das operações, do volume de atividades, processos e pessoas
envolvidas.
É importante ressaltar que, eventos dessa natureza, como no caso da Backer, raros de acontecer, são conhecidos no mercado, como “Black Swans” ou “Cisnes
Negros”. Trata-se de um termo designado para eventos de baixíssima probabilidade, porém com altíssimo
impacto, incluindo danos à imagem e a reputação. Rompimentos de barragens, quedas
de grandes aeronaves, catástrofes, são classificados como Black Swans. E aqui está um
elemento chave do negócio: a reputação. Algo difícil de construir e, quando fragilizado, torna-se difícil a sua reconquista. É na reputação que está credibilidade de toda organização. Nesse caso, a Backer, vem passando por esse processo, de forma lenta
e gradual, buscando sair da uma recuperação judicial, iniciada em 2023. A empresa busca
se manter de pé, para indenizar vítimas, corrigir os erros do passado e recuperar a saúde econômica e financeira e, sobretudo, a sua reputação.

Durante esse processo de ajuste, observa-se que a cervejaria mineira mudou o design, a logo e os rótulos de seus produtos. Está revendo seu
propósito, seus valores, no sentido de reaver a sustentabilidade do negócio, contribuindo econômica e socialmente para
o estado e à população, gerando empregos e renda no mercado de cervejas artesanais.
Nas gôndolas dos supermercados, o que se vê é a presença dos estilos que marcaram a empresa, em seus tempos áureos: a famosa
Capitão Senra, nos estilos Amber Lager e
Session IPA; a
Tommy Gun, uma Double IPA premiada; a
Pele Vermelha, uma IPA com cascas de laranja da linha Exterminator; a famosa
Medieval, uma Belgian Ale e as que fundaram a empresa, como
Backer Pilsen e Backer Pale Ale e a novidade Backer sem Álcool. Na fábrica, mais precisamente no
Templo Cervejeiro, o Valle Gastronômico tem sido gerenciado pelo jovem Lucas e seu time de frente, apresentando, com cordialidade, chopes bem servidos e petiscos, além de pratos saborosos e sobremesas feitas com muito esmero.
Vida que segue. Sucesso à Backer em suas atribuições, responsabilizações e projetos.