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quinta-feira, 19 de março de 2026

Gestão de Riscos Corporativos 2026

 


2026: o ano da avaliação, gestão e resposta aos riscos

Os relatórios de riscos do World Economic Forum (WEF), da Eurasia Group e outras fontes de referência para 2026, praticamente destacaram o Risco Geopolítico, como a prioridade número 1 para o todo o exercício. A incerteza geopolítica superou os demais riscos, como o de cibersegurança e de mudanças climáticas, estes priorizados em anos anteriores.

Do ponto de vista político, Trump tem adotado uma postura de enfrentamento a regimes autoritários, tanto na América do Sul quanto, mais recentemente, no Oriente Médio. Paralelamente, persiste o prolongado conflito entre Rússia e Ucrânia, além de outras tensões globais de menor escala. No âmbito operacional internacional, o mundo ainda lida com consequências de longo prazo da pandemia de Covid-19 — como inflação elevada e juros altos. Esses efeitos são agravados pelo cenário atual de restrições logísticas e de oferta de um dos mais importantes insumos energéticos do planeta: o petróleo.

A semelhança entre a Covid-19 e os conflitos geopolíticos atuais é a interrupção das cadeias de suprimentos e logísticas internacionais. A diferença é que, atualmente, não há lockdown em cidades. O mundo não parou nessa nova crise. As atividades e operações estão em plena capacidade, pois não se trata de uma pandemia e sim de um risco geopolítico endêmico. O petróleo, na Covid, atingiu 45 dólares o barril (pois boa parte da frota ficou parada, reduzindo drasticamente o consumo) e, nos anos seguintes o Brent rondou a casa dos 75 dólares. Ao ultrapassar os US$100, no primeiro trimestre do ano, o cenário alertou um risco de forte impacto que virá pela frente. O que é receita para o setor petrolífero é custo para as demais cadeias. E não se trata unicamente de preço: a sua escassez pode gerar perdas expressivas, sobretudo nos setores de alimentos, extrativista, plástico, têxtil, entre outros que dependem muito do combustível para a consecução de suas atividades.

Nesse sentido, o que fazer para suprimir esse cenário adverso, de elevada inflação, juros altos, e limitações de insumo energético, além da interrupção logística internacional? É nesse momento que o profissional de gestão de riscos entra em ação. Esse é um provocador de equipes e da alta direção; é um leitor de situações complexas, capaz de ajudar na busca de alternativas para uma melhor resposta. Nesse profissional, há uma mistura de senso de dono, conhecimento de mercado e experiências vividas em sua jornada e nas de terceiros, que foram adquiridas por meio de benchmarkings, estudo de cases em outras situações profissionais.

Gestão de riscos é antes de tudo uma gestão das oportunidades. Para alguns, o atual cenário pode criar motivos para fazer mais negócios e gerar mais caixa para a organização. Para outros, cabe a execução de novos desenhos de estratégia reduzindo impactos. Mapear e informar riscos à administração e ao conselho é fundamental. Entretanto, dar resposta e agir de forma proativa é o que faz a diferença. A gestão de riscos tem que, obrigatoriamente, sair do papel e se transforma em prática. É ação efetiva. É melhor gerir os riscos com velocidade, do que entrar em planos de contingência e gestão de crises. Os custos agradecem e o caixa também. Para tanto, cito o caso do Grupo Lupo, das tradicionais Meias Lupo. Na Covid, suas franquias e lojas estavam fechadas por motivos de lockdown. O que fazer? Os tecidos das meias se transformaram em máscaras, seguras e confortáveis. Resultado: as vendas dispararam. O risco foi transformado em oportunidade. Outro exemplo: na última Exposibram, a maior feira de mineração do país, foram apresentados caminhões fora de estrada 100% elétricos. A compra desses veículos pode ser uma alternativa futura para mitigar interrupções operacionais no setor, além de ser um redutor da emissão de gases do efeito estufa? Isso vale para as locomotivas movidas à óleo diesel, num futuro não muito distante? A Vale um é exemplo que está tomando atitudes sobre o tema. A Ambev segue a mesma linha, com caminhões logísticos e motos elétricas para as equipes de vendas. A Localiza busca alternar parte do perfil de seus veículos, incluindo uma parcela movida a baterias.

Situações dessa natureza são respostas que não podem ser descartadas sem uma análise mais profunda. Nessas circunstâncias, nesse viés de alta incerteza (lembre-se que em breve teremos eleições e já estamos vivendo a reforma tributária), 2026 é o ano da avaliação, gestão e de resposta aos riscos, com engajamento. O resultado disso servirá de norte para agir com estratégia e sapiência nos anos seguintes. E atenção: como diz Helga Drummond, professora de Decision Sciences, da Liverpool Institute Of Public Administration and Management, “não são o risco e a incerteza que devem preocupar as organizações, mas aquilo de que elas mais têm certeza”, ou seja, o muitas vezes o óbvio não pode ser ignorado.

Ao longo de minha jornada, ajudei a construir mapas de riscos, tracei cenários, impactos e probabilidades para atingir os objetivos e o propósito das organizações em que atuei. E você? Está com todos os riscos mapeados de forma estratégica, tática e operacional na sua organização? É importante ressaltar que riscos bem mapeados e monitorados facilitam a caminhada para as oportunidades atuais e futuras. Pense nisso. Conte comigo.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Gestão de Riscos Ambientais em Cervejarias

 

Paralisação da Fábrica da Heineken no Paraná por Dano Ambiental: Entenda o Caso e seus Impactos

A Heineken anunciou, em 5 de fevereiro de 2026, a suspensão por tempo indeterminado das operações de sua fábrica em Ponta Grossa (PR) após um grave acidente ambiental envolvendo o vazamento de uma substância perigosa em um afluente ligado ao Rio Tibagi, fonte crucial de captação de água para a unidade industrial. A decisão, tomada como medida preventiva, gerou repercussão nacional e levantou debates sobre riscos ambientais, responsabilidade corporativa e impactos econômicos regionais.

O evento teve início em 3 de fevereiro de 2026, quando duas carretas colidiram no km 509 da BR-376, derramando lisogoma — um derivado de óleo vegetal classificado como resíduo perigoso quando descartado de maneira inadequada. Parte do material vazou para um córrego às margens da rodovia, potencialmente conectado a uma nascente do Rio Tibagi. A lisogoma apresenta alta carga orgânica, além de conter fósforo, cálcio, magnésio, metais e pigmentos. Ao entrar em contato com a água, consome o oxigênio dissolvido.

Como a planta de Ponta Grossa depende diretamente do Rio Tibagi para captação de água, qualquer possibilidade de contaminação tornou-se um risco operacional crítico. Diante disso, a Heineken suspendeu totalmente a produção até que laudos ambientais emitidos pelo Instituto Água e Terra (IAT) e autoridades municipais garantissem segurança hídrica para o funcionamento.

O IAT confirmou a existência de danos ambientais na área contaminada e segue monitorando a extensão do impacto no ecossistema. O órgão também destacou o risco de comprometimento do curso d’água que abastece a fábrica, reforçando a necessidade de cautela antes de autorizar a retomada das operações. Heineken classificou a interrupção como medida preventiva, afirmando que só retomará a produção após a apresentação de laudos conclusivos que atestem a segurança da água utilizada.

O episódio expõe de forma contundente como o risco ambiental pode paralisar totalmente uma operação industrial, mesmo quando o acidente não ocorre dentro da planta, mas em sua cadeia logística.

Em termos de gestão de riscos, o evento reforça a necessidade de efetuar um maior rigor na circulação de cargas perigosas, planos de contingência mais robustos, monitoramento constante de recursos hídricos e políticas de prevenção e resposta rápida a emergências ambientais (gestão de crises.)

Saiba mais: Heineken surpreende e paralisa as operações por tempo indeterminado em fábrica no Sul do Brasil

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Gestão de Riscos em Cervejarias


Vazamento de gás amônia em cervejaria desativada afeta cerca de 300 residências em MS
Um vazamento de gás amônia em uma cervejaria desativada de Corumbá, município distante 415 quilômetros da capital de Mato Grosso do Sul, afetou cerca de 300 residências na tarde desta quinta-feira (8). As equipes continuavam a trabalhar no início da noite.

A fábrica fica no bairro Cervejaria e, segundo o Corpo de Bombeiros, muitos moradores tiveram de deixar as residências por causa do risco de intoxicação.

O vazamento teria sido causado por um funcionário que estava fazendo a manutenção no local e cortou o cilindro do gás. O dono da cervejaria disse aos bombeiros que estavam fazendo a remoção dos equipamentos para serem levados para Toledo (PR).

Os bombeiros utilizaram uma mangueira de alta pressão para não deixar a amônia se espalhar. De acordo com os bombeiros, o cilindro danificado tem capacidade para 400 litros.


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