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domingo, 3 de maio de 2026

Tendências e Futuro


Por que a agilidade intelectual vale mais do que qualquer planejamento estratégico para 2026?

Algumas semanas atrás, estava na sede da Krug Bier , em Minas Gerais e conversei brevemente com o Diretor Comercial, Lukas Gangl , sobre um livro que estava lendo pela segunda vez. Me refiro ao “Relatório Popcorn” de autoria de Faith Popcorn . Havia comentado que, apesar de ser uma obra escrita em 1999, essa se mantém atual, sobretudo sobre a sua visão em termos de comportamento humano, frente às tendências e ao futuro. Ao concluir a leitura, fiz um breve resumo com outros dois livros que li e que são amplamente conhecidos de mercado, e que possuem direções semelhantes ao Relatório Popcorn: “The Signals Are Talking”, de Amy Webb e “21 lições para o Século 21” de Yuval Harari.

Em suma, as obras relevam que o futuro não é um destino onde chegamos por acaso, mas um território moldado por sinais que ignoramos ou decidimos ler. Ao conectar as visões de Faith Popcorn, Amy Webb e Yuval Noah Harari, percebemos que, embora as épocas e métodos difiram, a bússola para navegar no amanhã aponta para direções muito semelhantes.

A principal semelhança entre as três obras é a ideia de que o futuro já está acontecendo agora, escondido em pequenos desvios de comportamento ou avanços tecnológicos incipientes:

A Identificação de Padrões: Faith Popcorn, introduziu a ideia de rastrear tendências comportamentais (como o escasulamento social). Amy Webb, em "Os Sinais Estão Falando", moderniza isso com uma metodologia rigorosa para identificar "sinais na periferia". Harari, por sua vez, olha para o padrão macro: a fusão da biotecnologia com a infotecnologia. Todos concordam que o futuro não é um "golpe de sorte", mas um exercício de observação.

A Adaptabilidade como Sobrevivência: Os três autores sugerem que o maior risco não é a mudança, mas a rigidez. Webb foca no erro das empresas que ignoram o óbvio; Harari foca na obsolescência do conhecimento humano; e Popcorn foca na incapacidade de entender os novos desejos do consumidor, ou seja, uma presença forte de vieses cognitivos.

A Relevância do Humano: Mesmo em contextos tecnológicos, o centro da análise é a experiência humana. Seja na busca por proteção e conforto (Popcorn), na resolução de problemas complexos através de algoritmos (Webb) ou na busca por significado e resiliência mental (Harari).

Afinal, com um mundo VULCA, BANI e outras turbulências, existe uma luz no fim do túnel?

 Entendo que existe luz, mas essa não é (e não será) estática. Para pessoas e empresas, a "luz" não é a chegada a um porto seguro, mas a aquisição de agilidade intelectual. Para as Empresas, a luz reside na escuta ativa. Webb e Popcorn mostram que empresas que sobrevivem são aquelas que não tentam prever o futuro com bolas de cristal, mas que constroem sistemas capazes de reagir a sinais de mudança em tempo real. O lucro futuro pertence a quem resolve as novas angústias humanas, não a quem apenas vende produtos. Para as Pessoas, Harari oferece a lição mais profunda: a luz está na educação emocional e na flexibilidade (resiliência). Em um mundo onde o que você aprendeu hoje pode ser irrelevante amanhã, a maior habilidade é a capacidade de "desaprender" e manter o equilíbrio mental diante do desconhecido.

 O "túnel” que tanto falamos é a própria transição constante. A luz brilha para quem aceita que o futuro é um rascunho contínuo, e que nossa maior vantagem competitiva continua sendo a nossa capacidade de colaborar, sentir e criar sentido onde as máquinas apenas processam dados. Recomendo a leitura de todos esses livros. Contam cases reais e são poderosos.

 Qual desses três autores (Popcorn, Webb ou Harari) mais ressoa com o momento atual da sua empresa ou de sua carreira? Diga-nos! Tenha um futuro brilhante.

 #FuturoDoTrabalho #Estrategia #Tendencias #GRC #riscos #mobileholding #pelosatelite


quinta-feira, 19 de março de 2026

Gestão de Riscos Corporativos 2026

 


2026: o ano da avaliação, gestão e resposta aos riscos

Os relatórios de riscos do World Economic Forum (WEF), da Eurasia Group e outras fontes de referência para 2026, praticamente destacaram o Risco Geopolítico, como a prioridade número 1 para o todo o exercício. A incerteza geopolítica superou os demais riscos, como o de cibersegurança e de mudanças climáticas, estes priorizados em anos anteriores.

Do ponto de vista político, Trump tem adotado uma postura de enfrentamento a regimes autoritários, tanto na América do Sul quanto, mais recentemente, no Oriente Médio. Paralelamente, persiste o prolongado conflito entre Rússia e Ucrânia, além de outras tensões globais de menor escala. No âmbito operacional internacional, o mundo ainda lida com consequências de longo prazo da pandemia de Covid-19 — como inflação elevada e juros altos. Esses efeitos são agravados pelo cenário atual de restrições logísticas e de oferta de um dos mais importantes insumos energéticos do planeta: o petróleo.

A semelhança entre a Covid-19 e os conflitos geopolíticos atuais é a interrupção das cadeias de suprimentos e logísticas internacionais. A diferença é que, atualmente, não há lockdown em cidades. O mundo não parou nessa nova crise. As atividades e operações estão em plena capacidade, pois não se trata de uma pandemia e sim de um risco geopolítico endêmico. O petróleo, na Covid, atingiu 45 dólares o barril (pois boa parte da frota ficou parada, reduzindo drasticamente o consumo) e, nos anos seguintes o Brent rondou a casa dos 75 dólares. Ao ultrapassar os US$100, no primeiro trimestre do ano, o cenário alertou um risco de forte impacto que virá pela frente. O que é receita para o setor petrolífero é custo para as demais cadeias. E não se trata unicamente de preço: a sua escassez pode gerar perdas expressivas, sobretudo nos setores de alimentos, extrativista, plástico, têxtil, entre outros que dependem muito do combustível para a consecução de suas atividades.

Nesse sentido, o que fazer para suprimir esse cenário adverso, de elevada inflação, juros altos, e limitações de insumo energético, além da interrupção logística internacional? É nesse momento que o profissional de gestão de riscos entra em ação. Esse é um provocador de equipes e da alta direção; é um leitor de situações complexas, capaz de ajudar na busca de alternativas para uma melhor resposta. Nesse profissional, há uma mistura de senso de dono, conhecimento de mercado e experiências vividas em sua jornada e nas de terceiros, que foram adquiridas por meio de benchmarkings, estudo de cases em outras situações profissionais.

Gestão de riscos é antes de tudo uma gestão das oportunidades. Para alguns, o atual cenário pode criar motivos para fazer mais negócios e gerar mais caixa para a organização. Para outros, cabe a execução de novos desenhos de estratégia reduzindo impactos. Mapear e informar riscos à administração e ao conselho é fundamental. Entretanto, dar resposta e agir de forma proativa é o que faz a diferença. A gestão de riscos tem que, obrigatoriamente, sair do papel e se transforma em prática. É ação efetiva. É melhor gerir os riscos com velocidade, do que entrar em planos de contingência e gestão de crises. Os custos agradecem e o caixa também. Para tanto, cito o caso do Grupo Lupo, das tradicionais Meias Lupo. Na Covid, suas franquias e lojas estavam fechadas por motivos de lockdown. O que fazer? Os tecidos das meias se transformaram em máscaras, seguras e confortáveis. Resultado: as vendas dispararam. O risco foi transformado em oportunidade. Outro exemplo: na última Exposibram, a maior feira de mineração do país, foram apresentados caminhões fora de estrada 100% elétricos. A compra desses veículos pode ser uma alternativa futura para mitigar interrupções operacionais no setor, além de ser um redutor da emissão de gases do efeito estufa? Isso vale para as locomotivas movidas à óleo diesel, num futuro não muito distante? A Vale um é exemplo que está tomando atitudes sobre o tema. A Ambev segue a mesma linha, com caminhões logísticos e motos elétricas para as equipes de vendas. A Localiza busca alternar parte do perfil de seus veículos, incluindo uma parcela movida a baterias.

Situações dessa natureza são respostas que não podem ser descartadas sem uma análise mais profunda. Nessas circunstâncias, nesse viés de alta incerteza (lembre-se que em breve teremos eleições e já estamos vivendo a reforma tributária), 2026 é o ano da avaliação, gestão e de resposta aos riscos, com engajamento. O resultado disso servirá de norte para agir com estratégia e sapiência nos anos seguintes. E atenção: como diz Helga Drummond, professora de Decision Sciences, da Liverpool Institute Of Public Administration and Management, “não são o risco e a incerteza que devem preocupar as organizações, mas aquilo de que elas mais têm certeza”, ou seja, o muitas vezes o óbvio não pode ser ignorado.

Ao longo de minha jornada, ajudei a construir mapas de riscos, tracei cenários, impactos e probabilidades para atingir os objetivos e o propósito das organizações em que atuei. E você? Está com todos os riscos mapeados de forma estratégica, tática e operacional na sua organização? É importante ressaltar que riscos bem mapeados e monitorados facilitam a caminhada para as oportunidades atuais e futuras. Pense nisso. Conte comigo.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Gestão de Riscos Ambientais em Cervejarias

 

Paralisação da Fábrica da Heineken no Paraná por Dano Ambiental: Entenda o Caso e seus Impactos

A Heineken anunciou, em 5 de fevereiro de 2026, a suspensão por tempo indeterminado das operações de sua fábrica em Ponta Grossa (PR) após um grave acidente ambiental envolvendo o vazamento de uma substância perigosa em um afluente ligado ao Rio Tibagi, fonte crucial de captação de água para a unidade industrial. A decisão, tomada como medida preventiva, gerou repercussão nacional e levantou debates sobre riscos ambientais, responsabilidade corporativa e impactos econômicos regionais.

O evento teve início em 3 de fevereiro de 2026, quando duas carretas colidiram no km 509 da BR-376, derramando lisogoma — um derivado de óleo vegetal classificado como resíduo perigoso quando descartado de maneira inadequada. Parte do material vazou para um córrego às margens da rodovia, potencialmente conectado a uma nascente do Rio Tibagi. A lisogoma apresenta alta carga orgânica, além de conter fósforo, cálcio, magnésio, metais e pigmentos. Ao entrar em contato com a água, consome o oxigênio dissolvido.

Como a planta de Ponta Grossa depende diretamente do Rio Tibagi para captação de água, qualquer possibilidade de contaminação tornou-se um risco operacional crítico. Diante disso, a Heineken suspendeu totalmente a produção até que laudos ambientais emitidos pelo Instituto Água e Terra (IAT) e autoridades municipais garantissem segurança hídrica para o funcionamento.

O IAT confirmou a existência de danos ambientais na área contaminada e segue monitorando a extensão do impacto no ecossistema. O órgão também destacou o risco de comprometimento do curso d’água que abastece a fábrica, reforçando a necessidade de cautela antes de autorizar a retomada das operações. Heineken classificou a interrupção como medida preventiva, afirmando que só retomará a produção após a apresentação de laudos conclusivos que atestem a segurança da água utilizada.

O episódio expõe de forma contundente como o risco ambiental pode paralisar totalmente uma operação industrial, mesmo quando o acidente não ocorre dentro da planta, mas em sua cadeia logística.

Em termos de gestão de riscos, o evento reforça a necessidade de efetuar um maior rigor na circulação de cargas perigosas, planos de contingência mais robustos, monitoramento constante de recursos hídricos e políticas de prevenção e resposta rápida a emergências ambientais (gestão de crises.)

Saiba mais: Heineken surpreende e paralisa as operações por tempo indeterminado em fábrica no Sul do Brasil

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Backer 2026


Aos poucos, cervejaria mineira retorna ao mercado de cervejas artesanais

É sabido o episódio ocorrido, anos atrás, decorrente de uma série de falhas e infortúnios que chocou os mineiros e que colocou a Backer em cheque, enquanto entidade produtora de cervejas. A contaminação  em um de seus tanques, expôs, momentaneamente, o mercado de cervejas artesanais, pois o consumidor se viu acuado em adquirir produtos das pequenas cervejarias. Muitos passaram a questionar se essas possuíam a mesma acurácia qualitativa, como é percebida nas grandes fabricas de cervejas, produzidas em larga escala. No caso de dúvidas, parte do público voltou a consumir cervejas premium, das grandes corporações.

O caso da Backer pode ser entendido como uma exceção à regra, mas que merece a devida atenção. Foi, para a gestão de riscos corporativos, um case de seguradoras. Exatamente: seguradoras. Algumas lições foram aprendidas e, semelhantemente com o que se faz com as caixas pretas em aviões, coube ao mercado segurador abrir o caso e entender o que realmente aconteceu, as circunstâncias, os diversos cenários, para que riscos não venham ocorrer novamente. Nesse sentido, tornou-se inédito no setor cervejeiro, semelhantemente ao setor aeronáutico, estudar situações adversas que serviram de base para o desenvolvimento de um ambiente de controles mais robusto no setor de bebidas.

Sobre a ótica das seguradoras, três pontos mereceram destaque. Primeira lição: quando uma microcervejaria começa a tomar corpo rumo ao próximo patamar, é importante passar a comprar dos grandes fornecedores ou, ainda, daqueles de referência, por meio de diligências e práticas de compliance. As grandes empresas fornecedoras, apesar de cobrarem mais caro, essas possuem um sistema de controles de qualidade e procedimentos mais desenvolvidos, mitigador de riscos e geralmente munidos de seguro. Dessa forma, a empresa alimentícia ou cervejeira, ao se tornar um pouco maior, é importante se unir à líderes de mercado, como por exemplo, fornecedores de gases (e.g.: White Martins, Supergasbrás, Gasmig, etc.), de produtos químicos ou ainda de matérias-primas. Essas empresas, normalmente, possuem certificações de qualidade reconhecidos (e.g.: ISO, FSSC, APPCC, ANBT), time técnico profissional capaz de executar instalações e manutenções de equipamentos críticos, executar revisões tempestivas e substituir peças e acessórios quando julgam necessário. Em casos de sinistros, apresentam departamentos de compliance, jurídico e de seguros para assumir eventos, como parte de um processo de responsabilização.

O segundo item, refere-se à implantação de um sistema de controles internos de detecção e monitoramento, auditável, capazes de identificar anomalias, divergências e desvios fora do padrão. Esses devem ser questionados por aqueles que os gerenciam, informado, a contento, às lideranças e ao corpo diretivo da organização. Devem ser investigados, com minúcia, visando a correção, a prevenção e a melhor performance. Em casos de eventos, que haja planos ágeis de contingência e de gestão de crises efetivos.

O terceiro item é a contratação de seguros específicos. Empresas em transição de porte, se tornam cada vez mais complexas. Nessas circunstâncias, devem formalizar um mapa de riscos estratégico, tático e operacional, identificando e mensurando seus impactos e probabilidades, visando adquirir apólices de seguros correspondentes, em seguradoras de primeira linha, de forma a atingir os seus objetivos estratégicos, sem grandes percalços. Organizações devem buscar o compartilhamento de seus riscos mais críticos, de forma específica e compatível ao tamanho da operação, como riscos de responsabilidade civil, ambiental, fiscal, danos à propriedade, interrupção dos negócios, lucro cessantes, riscos de saúde e segurança, de terceiros, FLEXA, D&O, E&O, etc, de forma que os proteja de eventos de grande monta. São tipos de seguros que cujos prêmios tendem a ser um pouco mais caros, porém são capazes de abranger um leque maior de cobertura, correspondente à natureza das operações, do volume de atividades, processos e pessoas envolvidas. 

É importante ressaltar que, eventos dessa natureza, como no caso da Backer, raros de acontecer, são conhecidos no mercado, como “Black Swans” ou “Cisnes Negros”. Trata-se de um termo designado para eventos de baixíssima probabilidade, porém com altíssimo impacto, incluindo danos à imagem e a reputação. Rompimentos de barragens, quedas de grandes aeronaves, catástrofes, são classificados como Black Swans. E aqui está um elemento chave do negócio: a reputação. Algo difícil de construir e, quando fragilizado, torna-se difícil a sua reconquista. É na reputação que está credibilidade de toda organização. Nesse caso, a Backer, vem passando por esse processo, de forma lenta e gradual, buscando sair da uma recuperação judicial, iniciada em 2023. A empresa busca se manter de pé, para indenizar vítimas, corrigir os erros do passado e recuperar a saúde econômica e financeira e, sobretudo, a sua reputação.

Durante esse processo de ajuste de rota, observa-se que a cervejaria mineira mudou o design, a logo e os rótulos de seus produtos. Está revendo seu propósito, seus valores, no sentido de reaver a sustentabilidade do negócio, contribuindo econômica e socialmente para o estado e à população, gerando empregos e renda no mercado de cervejas artesanais.


Nas gôndolas dos supermercados, o que se vê é a presença dos estilos que marcaram a empresa, em seus tempos áureos: a famosa Capitão Senra, nos estilos Amber Lager e Session IPA; a Tommy Gun, uma Double IPA premiada; a Pele Vermelha, uma IPA com cascas de laranja da linha Exterminator; a famosa Medieval, uma Belgian Ale e as que fundaram a empresa, como Backer Pilsen e Backer Pale Ale e a novidade Backer sem Álcool. Na fábrica, mais precisamente no Templo Cervejeiro, o Valle Gastronômico tem sido gerenciado pelo jovem Lucas e seu time de frente, apresentando, com cordialidade, chopes bem servidos e petiscos, além de pratos saborosos e sobremesas feitas com muito esmero. Os fãs da marca e os adeptos à cerveja, buscam prestigiar a empresa visitando o Valle Gastronômico sempre que oportuno, em busca de um copo gelado e uma espuma cremosa, daquela que foi considerada, no ano de 2019, a melhor cervejaria das Américas, pela Copa de Cervezas de América, no Chile.

Vida que segue. Sucesso à Backer em suas atribuições, responsabilizações e projetos.

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Weltenburger e o mercado de cervejas alemão

 

Cervejaria monástica mais antiga será vendida; vendas de cerveja na Alemanha caem

Weltenburger, a mais antiga cervejaria monástica do mundo, será vendida à Schneider Weisse, diante da queda de vendas na Alemanha e preservando empregos na região

Por Time de Jornalismo Portal Tela e The Gardian

A cervejaria monástica mais antiga do mundo, Weltenburger, localizada na Abadia de Weltenburg, na Baviera, será vendida à Schneider Weisse, de Munique. A operação faz parte de uma consolidação setor diante de vendas em queda. A transação visa manter a produção histórica sem interromper a tradição de ~1000 anos.

A abadia ainda pertence à Igreja Católica, mas a produção do lager premiado e das cervejas escuras já era feita por funcionários da Bischofshof há décadas. A venda envolve também a Bischofshof, que será encerrada, com as marcas migrando para Schneider.

O acordo foi fechado entre a diocese de Regensburg e a Schneider Weisse. O fechamento está previsto para janeiro de 2027, mantendo 21 empregos ligados a Weltenburger. A diocese destaca a preservação da tradição e a manutenção de parte da atividade na região e da abadia.

Venda de Weltenburger


Till Hedrich, diretor-gerente de Weltenburger e Bischofshof, afirmou que a solução bávara pode evitar o fechamento completo ou a divisão entre investidores sem vínculos com a região, preservando a tradição da cervearia a longo prazo.

Os detalhes financeiros da operação não foram tornados públicos. A Bischofshof, fundada em 1649 e com 56 funcionários, encerrará a produção ao fim deste ano; a marca de cerveja migrará para Schneider, enquanto Weltenburger continuará sendo produzida na abadia histórica.

Regensburg indica que irá buscar opções de recolocação para os trabalhadores da Bischofshof que ficarem desempregados. A fábrica de Weltenburger recebeu, segundo a instituição, cerca de meio milhão de visitantes por ano. No Brasil, a marca é produzida pela Cervejaria Petrópolis.

Contexto do mercado



As vendas de cerveja na Alemanha vêm caindo, com a queda de consumo registrada nos últimos anos em várias nações ocidentais. O setor sofreu retração de cerca de um quarto nos últimos 15 anos e, em 2025, houve queda de 5 milhões de hectolitros.

O mercado alemão preserva forte tradição de marcas regionais, convivendo com dezenas de pequenas e médias cervejarias. A tendência de consolidação acompanha o declínio de volumes em grandes marcas, enquanto breweries locais resistem com produtos artesanais.

Fonte: Cervejaria monástica mais antiga será vendida; vendas de cerveja na Alemanha caem - Portal Tela

Saiba mais: World’s oldest monastic brewery to be sold as German beer sales slide | Germany | The Guardian

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Grupo Corona

 

Homem olhando para o lado

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.

Morre Adrián Corona, CEO do Grupo Corona

O presidente CEO do Grupo Corona, José Adrián Corona Radillo, foi encontrado morto no dia 29 de dezembro de 2025, após ter sido vítima de sequestro e assassinato nas estradas de Jalisco, México.

No dia 27 de dezembro, Adrián Corona viajava com sua esposa e filhos pela rodovia na altura do Crucero Volcanes, nas proximidades de Atenguillo, a caminho de Puerto Vallarta, quando seu carro foi interceptado por homens armados. Todos os ocupantes tiveram seus pertences roubados, mas apenas Adrián foi levado com violência, enquanto a família foi liberada ilesa após interrogatórios menores.

Seu corpo foi encontrado dois dias depois, na margem da estrada, próximo ao local do sequestro. O laudo da perícia revelou sinais de espancamento e ferimento por arma de fogo. Não houve qualquer exigência de resgate por parte dos sequestradores, o que levantou dúvidas sobre o verdadeiro motivo do crime.

A Fiscalia de Jalisco confirmou o assassinato e confirmou que as investigações seguem em curso para identificar os responsáveis. As autoridades acreditam tratar-se de um ataque aleatório, possivelmente ligado à insegurança nas rodovias da região, notoriamente dominadas por grupos criminosos.


 Quem foi Adrián Corona

O CEO era a terceira geração da família empresária fundadora da empresa, originária de Tonaya, Jalisco. O Grupo Corona, fundado em 1954 por Dom Armando Corona, destaca-se por produzir mezcal, tequila (como a linha Tequila Don Armando) e licores, em parceria com mais de 110 produtores de agave, empregando centenas de pessoas na região. Seu legado no mercado de tequilas inclui o fortalecimento da economia local e práticas sustentáveis na produção de bebidas destiladas.


A notícia gerou profunda comoção no meio empresarial e na comunidade de Jalisco, reacendendo as preocupações sobre segurança em estradas rurais do centro-oeste mexicano.  O Grupo Corona manifestou seu pesar publicamente e organizou cerimônias de homenagem em Tonaya, contando com a participação de funcionários e moradores locais.

 A morte de Adrián Corona coloca em foco os riscos enfrentados por empresários no México, especialmente em áreas vulneráveis a atos de violência e sequestro. A investigação continua, na esperança de trazer justiça e segurança à região.

Ressalta-se que o Grupo Corona não tem relação com a Cerveja Corona, que possui suas origens em Antonino Fernández e o Grupo Modelo. Atualmente é uma marca do grupo AB Inbev.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Gestão de Riscos em bares e restaurantes

 


Incêndio em casas noturnas: O que temos que aprender com a Boate Kiss e o Le Constellation

Como o benchmarking faz falta entre setores e nas organizações. O bar Le Constelation, localizado na famosa Estação de esqui de Crans-Montana, na Suíça, sofreu um incêndio seguido de explosão deixando dezenas de mortos mortos e mais de 100 feridos no Ano Novo de 2026.

Foi notório que a causa do acidente está ligada à velas-faísca acopladas a garrafas de champanhe que atingiram o teto de espuma acústica que é um elemento altamente inflamável, instaladas sem orientação profissional. O resultado foi a propagação das chamas e a emissão de uma fumaça tóxica que certamente intoxicou pessoas causando asfixia. Outras pessoas sofreram fortes queimaduras.

É notório que os suíços não conheceram o caso da Boate Kiss, no Brasil, que cuja história deveria ser um case mundial para combate à riscos de incêndios internos em casas noturnas e bares. Pasme, os suíços, conhecidos mundialmente por seu comportamento metódico, singular, que seguem regras à risca, têm também os seus deslises. Não foram capazes de gerenciar riscos ao redor do negócio. A boate, com mais de 5 anos sem inspeção técnica por órgãos públicos, não se atentou à revisão de procedimentos básicos de segurança.

Situações como o bar Le Constellation e a boate Kiss não podem ser esquecidas nos arquivos públicos. Esses devem ser amplamente divulgados no segmento de negócio (e.g.: bares, restaurantes, cinemas e casas notunas), como são os casos de acidentes em aeronaves. As caixas-pretas são analisadas, as falhas e as causas dos acidentes são estudadas e amplamente divulgadas no setor aeronáutico para que o erro não se repita ou seja ao menos mitigado.

Nesse sentido, cabe as associações de bares e restaurantes, Corpos de Bombeiros, Defesa Civil se reunirem pra criar um documento capaz de orientar bares e restaurantes, casas noturnas a terem uma visão mais preventiva em relação aos riscos de incêndio e explosão. Não se trata de multar, autuar ou interditar casas e restaurantes. A situação carece preparar líderes conscientes, de forma adequada, um conjunto sugestivo de controles internos suficientes e capazes de mitigar riscos de combate a tumultos, incêndios e explosões. Adicionalmente, sessões de treinamento que envolvem desde a gerência, cozinha, staff e segurança devem incluir as práticas de voluntariado e de combate, o que inclui a evacuação do público em momentos de crise, bem como quando apertar o botão de emergência sem restrições ou retaliações, desligar som e equipamentos e alertar rapidamente o que está acontecendo.

Dessa forma, o conjunto de atitudes certamente irão ajudar no processo visando sanar riscos que podem ser mitigados e evitados. Os maiores riscos são aqueles que as empresas os conhecem.

Em tempo: Recebi de Gustavo Alves o Guia da Abrasel que trata o tema. Faça uma leitura em: https://redeabrasel.abrasel.com.br/read-blog/411_saiba-como-prevenir-incendios-no-seu-bar-ou-restaurante.html

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Falsificação de Bebidas


Tag eletrônica poderá ajudar no processo de mitigação de riscos de falsificação de bebidas 

Saiu no site Brasil Journal, uma matéria chamada na “crise do metanol essa Startup teria feito a diferença”. Trata-se da empresa Fact, fundada há sete anos pelos empreendedores Guilherme Boa Vista e Nicolas Walker, que criaram uma tag criptografada que é colocada, ainda na fábrica, dentro da rolha da garrafa. O dono do bar ou consumidor final pode escanear a tag com o App da Startup, mesmo antes de abrir a garrafa, observado as informações da origem do produto, o que garante a sua originalidade e procedência.

O problema da falsificação de bebidas hoje é tratado com duas soluções, ambas apresentam certas falhas. A implementação de um QR Code nas garrafas para comprovar a originalidade da bebida e a destruição dessas garrafas após o consumo, o que impede de os falsificadores terem acesso às embalagens para vazar os seus produtos falsificados.

Nicolas explica que a tag NFC é diferente porque todas as informações que são registradas nela são criptografadas tornando extremamente difícil de copiá-la. O profissional destaca que há três elementos importantes para viabilizar uma falsificação: (1) o custo da falsificação tem que ser viável. (2) o grau de complexidade não pode ser muito alto; (3) o falsificador tendo acesso às mesmas ferramentas que os produtores do produto e a proteção tecnológica tem que ser de fácil acesso. Nesse sentido a Fact, por meio do tag, aumenta o grau de dificuldade nesses três elementos tornando a adulteração mais difícil. 

Com tag consumidor e donos de bares e restaurantes também têm acesso às informações ao escanear. O mesmo poderá ser feito em diversas partes da cadeia de valor, desde a saída do produto na fábrica, a entrada na logística internacional, por meio de navios/aéreo, distribuição e entrega aos pontos de venda, visando manter a integridade. Um ponto importante destacado é a questão do reenvase da garrafa, tanto fabricante, quanto o consumidor, conseguirão ver se há um problema por todo histórico desta e o tempo que ela está circulando, qualquer coisa que fuja ao padrão do tipo de bebida, será gerado um alerta no sistema da Fact.

Nicolas destaca que no passado havia um problema de custo. As tags eram caras, no setor de bebidas, onerando o preço do produto, consumindo margens, além de uma certa resistência das associações produtoras. Atualmente, essa questão foi superada. As tags mais comuns custam R$0,89 cada, valor considerado baixo face ao custo atual das bebidas destiladas – instrumento que pode mitigar o risco de danos à saúde.

Leia mais em: https://braziljournal.com/na-crise-do-metanol-essa-startup-teria-feito-a-diferenca/

sábado, 4 de outubro de 2025

Ataque cibernético em cervejarias

 

Não é só metanol: cervejaria paralisada por ataque de ransomware

Maior empresa de cervejas do Japão foi vítima de um ciberataque e não tem data para retomar produção das bebidas alcoólicas

por Felipe Vitor Vidal Neri, 03/10/2025.

Enquanto o Brasil vive uma crise de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol, a maior cervejaria do Japão foi vítima de um ciberataque — para os consumidores, felizmente, aqui não há risco de morte.

Um incidente na Asahi Group teria começado no dia 29 de setembro, e nas últimas horas a empresa confirmou ser vítima de um ataque do tipo ransomware.

Informações detalhadas sobre dados vazados são escassas, mas a dimensão do problema parece ser grande. Embora a companhia continue fabricando certos produtos e bebidas, as cervejas e itens alcoólicos estão com a produção paralisada nos últimos dias e não há nenhuma expectativa de retorno no radar.


A Asahi comenta que já trabalha com especialistas para se livrar da crise, mas situações como essa raramente são resolvidas em pouco tempo. O ransomware é um tipo de ataque hacker que se infiltra no sistema da vítima, rouba e realiza a criptografia dos dados, enquanto os criminosos cobram um valor para não vazar ou devolver essas informações.

Vale imaginar que dependendo do nível de confidencialidade dos arquivos vazados, a Asahi pode estar com sérios problemas. Cervejarias de alto escalão são conhecidas por seus segredos e misturas industriais impenetráveis, e não seria surpresa saber que os hackers fazem algum tipo de chantagem para não vazar as premiadas fórmulas da companhia.

Meus grifos: trata-se de uma gestão de crises e de gestão de riscos.

Saiba mais em: Brewer Asahi suspends domestic operations after cyberattack disrupts ordering and shipping - Industrial Cyber

 

 

domingo, 27 de julho de 2025

Crise no mercado de cervejas alemão

 


Fábrica de cerveja Oettinger encerra atividades e surpreende “papudinhos”

Da Redação

Movimento é uma consequência direta da redução no consumo de cerveja na Alemanha, dos crescentes custos de produção e das instalações obsoletas.

No cenário da produção de cervejas na Alemanha tem enfrentado desafios consideráveis. A Oettinger-Brauerei, uma das maiores cervejarias do país, anunciou o fechamento de uma de suas instalações em Braunschweig até a primavera de 2026.

O mercado cervejeiro alemão tem sentido os efeitos de uma série de fatores adversos. Nos últimos anos, o consumo nacional de cerveja diminuiu, e esse declínio tem sido especialmente desafiador para cervejarias de pequeno e médio porte.

Este movimento é uma consequência direta da redução no consumo de cerveja no país, dos crescentes custos de produção e das instalações obsoletas. Aproximadamente 150 postos de trabalho serão afetados, mas há planos para realocar esses trabalhadores, dependendo da aprovação do conselho de trabalho.


Os custos de produção têm aumentado consideravelmente, particularmente devido ao aumento de 90% nos preços do malte de cevada e do gás carbônico. Essa elevação nos custos torna a operação das fábricas ainda mais desafiadora, especialmente para aquelas que já enfrentam dificuldades financeiras.

O mercado cervejeiro alemão tem sentido os efeitos de uma série de fatores adversos. Nos últimos anos, o consumo nacional de cerveja diminuiu, e esse declínio tem sido especialmente desafiador para cervejarias de pequeno e médio porte.

A pandemia de COVID-19 e a crise dos preços da energia exacerbam ainda mais esse cenário, impactando severamente as finanças dessas empresas. Dados do Deutscher Brauer-Bund mostram uma redução no número total de cervejarias desde 2020, com 93 estabelecimentos fechando suas portas.

Quais são os principais desafios enfrentados pelas cervejarias?

A redução do consumo de cerveja na Alemanha não é o único obstáculo. Muitas cervejarias enfrentam desafios significativos ao tentar se adaptar às demandas de um mundo que busca a sustentabilidade e a redução do impacto ambiental.

Isso se traduz em altos investimentos necessários para alcançar a neutralidade climática, especialmente em relação à transição do uso de gás para fontes de energia elétrica mais limpas. Esses investimentos pesados colocam muitas empresas em situações financeiras vulneráveis.

Além disso, a mudança de hábitos nos consumidores, que agora buscam estilos de vida mais saudáveis, e regulamentos mais rígidos sobre o consumo de álcool no trânsito têm prejudicado ainda mais as vendas.

Embora cervejarias como a Oettinger tenham tomado medidas para enfrentar as dificuldades, como o fechamento de locais menos rentáveis, a pressão permanece alta.

Fonte: Fábrica de cerveja encerra atividades e surpreende "papudinhos"

sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

Programa de Integridade


O DOJ e a Evolução dos Programas de Integridade: uma Visão de Futuro

por Henrique Oliveira* 

Recentemente, tive a oportunidade de encontrar com um grupo de especialistas, em destaque o Sr. Matteson Ellis (da Miller & Chevalier Chartered) que citou pontos importantes sobre a atualização da evolução dos programas de Compliance segundo o DOJ, atualizado no terceiro trimestre de 2024, ao qual me debrucei em uma leitura completa. (A última versão emitida de forma mais robusta foi em 2023**.)

Além das preocupações tradicionais na infraestrutura dos programas de integridade, como desenho do programa, avaliação de riscos, gerenciamento de riscos emergentes, certificações da aplicação das práticas de Compliance perante às demandas da lei, de políticas, normas e procedimentos, o que chama a atenção nessa nova revisão são as considerações relacionadas aos riscos do uso de tecnologias de inovação sobretudo as relacionadas com a Inteligência Artificial (IA) e outras tecnologias integradas na gestão corporativa de riscos.

Nesse sentido, o DOJ, que enfatiza ações numa visão voltada ao ente fiscalizador, (usa-se o termo “prossecutor” em todo o texto) perguntou: Quais são os principais potenciais impactos das novas tecnologias e a sua capacidade em cumprir leis criminais? Qual é a governança que será adotada para o uso de novas tecnologias e sua relação comercial de negócio, em conjunto com os programas de Compliance? Como a companhia cobrirá os riscos ou ainda algum impacto potencial negativo ou consequências não intencionais resultantes do uso de tecnologia, incluindo company insiders? Levando em consideração o escopo do uso de inteligência artificial e tecnologia similares no negócio ou ainda como parte do programa de Compliance, existem controles estabelecidos capazes de monitorar e certificar a integridade e a veracidade de acordo com a lei aplicável ou ainda com o Código de Conduta da organização? Existem controles para certificar que a tecnologia está sendo usada somente para os propósitos determinados? Qual é o momento de tomada de decisão é usado para avaliar a inteligência artificial? Como é aplicada adequada prestação de contas em torno do monitoramento e aplicação da inteligência artificial? Como a companhia treina seus empregados em utilizar novas tecnologias, como a inteligência artificial?

Além da tecnologia emergente, o DOJ tem se preocupado muito com a questão cultural, em fazer o certo dentro de uma organização. O Órgão entende que deve-se ter um ambiente não somente exclusivo ao universo de controle, mas que haja espiritualidade no comportamento das pessoas, capaz de transmitir uma atmosfera de ética, de respeito e de honestidade. Nessas circunstâncias, a estrutura do programa de Compliance deve ser facilmente acessível, com políticas, normas e procedimentos fáceis de serem encontrados, seja em meio físico ou em meio virtual (como um site ou plataforma, por exemplo). Que haja treinamentos efetivos, evidenciados, (lembre-se das listas de presença e participação), amplamente divulgados e distribuídos ao longo do ano, como parte integrante de um programa do negócio da organização.

Ainda, no mesmo memorando, é destacado as atitudes que devem ser tomadas por parte da empresa, como possuir canais destinados à denúncia espontânea e a não retaliações como parte fomentadora de confiança mútua. E, com base em dados recebidos por supostos desvios, esses, possam ser capazes de fornecer subsídios para conduzir investigações de forma íntegra, imparcial, com escopo e regras adequadas, por profissionais qualificados, em busca da verdade e, quando em corridas, que haja a aplicação das consequências em consonância com os impactos apresentados. A partir daí, lições aprendidas, novos treinamentos, bem como a divulgação visando cautela e transparência, sejam revistos e reimplementados, mantendo a atmosfera de credulidade entre os membros da organização, visando ser superior a quaisquer desvios indesejados. (Em suma: o Compliance deve ser feito para muitos e não para poucos.)

Não menos importante, e naturalmente, a Alta Administração, o que inclui o Conselho, as Diretorias e Gerências devem dar o tom, bem como compartilhar as suas atribuições e comprometimento aos demais e monitorar as frentes de trabalho.

Por fim, às vistas do DOJ, é importante a formalização do programa de forma autêntica, com base em registros, eventos, seminários, artigos internos, análise de dados, transparência, medidas corretivas para desvios e, acima de tudo, com visão de longo prazo em busca da solidez de um programa de integridade respeitado por todos aqueles que o integram, dentro e fora da organização.

A ler as 25 páginas desse documento, o sentimento que se traz é que a corrupção e suborno estão sendo melhor compreendidos dentro das organizações. Entretanto, apesar da elevação da maturidade, a corrupção, o suborno e os desvios de conduta são itens que ainda se encontram presente entre os fluxos e os processos, danificando os negócios e, desta forma, manter-se atento a esses comportamentos é uma questão de prioridade e que não pode deixar de ser uma pauta externa às demandas e aos olhos do Conselho, pois pequenos delitos, quando deixados de lado, podem se transformar em impactos irreversíveis, danosos a todos stakeholders.

O documento do DOJ tem seu acesso pelo link: https://www.justice.gov/criminal/criminal-fraud/page/file/937501/dl?inline= .

(**) Sobre 2023, vide: https://www.linkedin.com/pulse/evolu%25C3%25A7%25C3%25A3o-dos-programas-corporativos-de-compliance-segundo-oliveira/?trackingId=PQ0rWGIhT7OW5WsOekT7Xw%3D%3D.

(*) - Henrique Oliveira é Professor e Executivo de Governança, Riscos e Compliance


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