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terça-feira, 20 de outubro de 2026

Castle Malting Fecha Unidade Centenária

  

O Fim de uma Era na Cerveja Belga: Castle Malting Encerrará Atividades em Dezembro de 2026


A histórica maltaria Castle Malting, fundada em 1868 e reconhecida como a mais antiga da Bélgica, encerrará suas atividades de produção no dia 31 de dezembro de 2026. O anúncio foi feito pelo grupo francês Soufflet Malt (divisão de malte do gigante agroindustrial InVivo), que adquiriu a empresa em 2023. A decisão prevê a transferência de toda a fabricação da tradicional linha de maltes para as instalações do grupo na França.

A medida é descrita oficialmente pela corporação como uma "suspensão por tempo indeterminado", mas autoridades locais e a mídia belga já tratam o caso como o fechamento definitivo da histórica unidade de Beloeil.

De acordo com comunicados emitidos pela Soufflet Malt, a continuidade da operação na Bélgica exigiria vultosos investimentos financeiros para modernizar o maquinário secular e adequar a planta às exigentesregulamentações ambientais e operacionais do governo belga. Entrentato, a prefeitura de Beloeil rejeitou rumores de que o encerramento estaria atrelado à perda de licenças ambientais vigentes, confirmando que se trata estritamente de uma escolha de estratégia industrial do grupo controlador.

O Peso Histórico da Castle Malting

A perda da independência produtiva da Castle Malting ecoa de forma dolorosa no mercado cervejeiro. A expertise construída ao longo de 158 anos moldou parte do prestígio da cultura de cervejas belgas — patrimônio imaterial reconhecido pela UNESCO.


O setor de whiskies e o segmento de cervejarias artesanais, além de mestres cervejeiros que dependiam do terroir e do fornecimento direto do malte belga legítimo manifestaram forte preocupação com a perda do conhecimento tradicional construído por gerações no coração de Wallonie. 

No Brasil, a Castle Malting é amplamente representada pela WE Consultoria, fundada pelo Mestre Cervejeiro Werner Emmel.

Em suma, os famosos maltes do Château, a partir de 2027, passa a falar exclusivamente em francês.


Saiba mais em: https://www.castlemalting.com/Default.asp?Language=Portuguese

terça-feira, 13 de outubro de 2026

Marston’s Brewery End

 

O Fim de uma Era: Carlsberg decreta o fechamento da Marston’s Brewery e o adeus definitivo a Burton-upon-Trent

Por Redação Ave Cesar Co. 13 de Outubro de 2026

O mercado global de cervejas assiste a um dos capítulos mais melancólicos da história da tradicional Cask Ale britânica. O gigante dinamarquês Carlsberg (através de sua divisão britânica recém-estruturada Carlsberg Britvic) confirmou a proposta de fechar em definitivo a icônica Marston’s Brewery.

Localizada em Burton upon Trent, em Staffordshire, a fábrica opera há quase 200 anos e representa o coração pulsante da herança cervejeira do Reino Unido. O encerramento das atividades e de sua operação logística principal está agendado para o verão de 2027, colocando em risco o emprego de aproximadamente 310 trabalhadores.

O Declínio da Cask Ale e a Justificativa Corporativa

De acordo com o comunicado oficial emitido pela liderança da Carlsberg Britvic, o fechamento é impulsionado por uma "realidade dura": o volume de vendas de cask ales no Reino Unido caiu mais pela metade em menos de uma década. O CEO Paul Davies explicou que a empresa precisa focar seu portfólio onde a demanda do consumidor moderno está crescendo (focando em refrigerantes e lagers comerciais).

Marcas de grande apelo comercial como Hobgoblin, McEwan's e Brooklyn continuarão no portfólio do grupo e terão sua produção transferida. No entanto, rótulos regionais menores de cask ale serão colocados à venda na expectativa de que "encontrem novos lares" sob administrações locais ou independentes.

O Desmantelamento dos Burton Unions: A Crônica de uma Morte Anunciada

Para os puristas e historiadores da cerveja, o fechamento da fábrica é o golpe final de um processo de desmonte que começou antes. A Marston's era mundialmente famosa por abrigar os últimos conjuntos comerciais ativos do Burton Union System — um método de fermentação do século XIX que utiliza fileiras de barris de carvalho interligados por calhas de cobre. Esse ecossistema permitia que a levedura "escorresse" e retornasse limpa para a fermentação, conferindo à icônica Marston’s Pedigree o perfil sensorial único que a tornou lendária.

Contudo, em janeiro de 2024, a Carlsberg já havia tomado a polêmica decisão de aposentar os últimos quatro conjuntos Burton Union operados na fábrica sob pretexto de custos e baixa demanda. Na época, partes do maquinário histórico foram transferidas para a Thornbridge Brewery e para a escocesa Epochal, enquanto apenas um conjunto permaneceu estático no local como peça de museu.

Muitos entusiastas e membros da CAMRA (Campaign for Real Ale) apontaram que a desativação dos Unions em 2024 foi o primeiro sinal claro de que o grupo multinacional pretendia desabar a estrutura tradicional em favor da eficiência industrial de larga escala.

Reação da Comunidade: "Um insulto à herança britânica"

A comoção no Reino Unido foi imediata. Representantes locais e moradores de Burton upon Trent manifestaram profunda indignação. O presidente da CAMRA, Ash Corbett-Collins, nascido na região, classificou o anúncio como uma "absoluta vergonha".

"Este é o mais recente de uma série de ataques que provam o quão pouco as multinacionais se importam com a herança cervejeira ou com os consumidores locais".

A comunidade e os defensores da Real Ale agora correm contra o tempo na esperança de atrair cervejeiros independentes e apaixonados que possam assumir o local e salvar as instalações antes que os portões se fechem definitivamente no próximo ano.

O encerramento da Marston’s Brewery deixa um vazio insubstituível. Burton perde sua identidade, o Reino Unido perde um santuário da arqueologia industrial cervejeira e nós, entusiastas, assistimos à padronização engolir mais um pedaço da história líquida mundial.


Foto: https://www.marstonsbrewery.co.uk/

terça-feira, 6 de outubro de 2026

The Town Com Eisenbahn


De Blumenau para a "Cidade da Música": Eisenbahn Renova Patrocínio Máster com o The Town para 2027

A Eisenbahn, uma das marcas de cerveja mais icônicas do Brasil, garantiu oficialmente sua cota de patrocínio máster para a terceira edição do festival The Town, confirmada para setembro de 2027 no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. Com a renovação do contrato, a fabricante mantém o título de cerveja oficial do evento e reforça sua consolidação no mercado nacional de grandes experiências culturais.

A presença da Eisenbahn como marca de destaque em festivais globais coroa uma história iniciada no Sul do país. A cervejaria foi fundada no ano de 2002 pela família Mendes, na cidade de Blumenau (Santa Catarina). Criada com a missão de reviver a tradição de receitas europeias e oferecer opções artesanais de alta qualidade, a marca rapidamente chamou a atenção do mercado devido ao seu portfólio premiado.

Essa relevância impulsionou uma série de grandes movimentações corporativas ao longo das últimas décadas. Em maio de 2008, a Eisenbahn foi adquirida pelo Grupo Schincariol, que buscava expandir sua presença no crescente segmento de cervejas premium. Entre 2011 e 2012 o grupo paulista foi comprado pela multinacional japonesa Kirin Holdings, dando origem à Brasil Kirin. Em 2017, a Heineken adquiriu a operação da Brasil Kirin, incorporando definitivamente a Eisenbahn ao seu portfólio de marcas consagradas.

Expansão da Experiência no Festival

Hoje controlada pela gigante holandesa, a estratégia da marca foca na continuidade de sua presença na "Cidade da Música", território que conta com o "Eisen Rock Station" para se conectar com os fãs de rock.

Para a edição de 2027, a Eisenbahn planeja expandir o conceito trazido na estrutura temática "Locomotiva" de 2025. O plano estratégico inclui a ampliação do espaço físico e geográfico dentro do autódromo, o desenvolvimento de novas dinâmicas de ativação interativa e fortalecimento da identidade do portfólio junto ao público.

Segundo Giovanna Massa, gerente sênior de marketing da marca, retornar ao evento sustenta o forte posicionamento cultural da cervejaria, conectando a narrativa da música com a história e a qualidade da Eisenbahn.

Para o Grupo Heineken, a transação assegura visibilidade institucional e garante uma operação com alto volume de vendas no Autódromo deInterlagos. Vale destacar que o ecossistema do festival The Town já tem confirmados outros grandes patrocinadores máster ao lado da cervejaria, como a Porto e a Vivo.

Saiba mais em: https://thetown.com.br/pt/

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Diageo fecha Guinness

 

O Último Gole em Maryland: Por que a Diageo está fechando a icônica cervejaria da Guinness em Baltimore?

O mercado global de bebidas foi surpreendido com o anúncio oficial da gigante de destilados e cervejas Diageo: a Guinness Open Gate Brewery, localizada em Halethorpe, na região metropolitana de Baltimore, fechará permanentemente suas portas ao público no dia 1º de novembro de 2026. (Em setembro passado, a Sapporo fez o mesmo com a Stone Brewery na Califórnia.)

Inaugurado em agosto de 2018, com um investimento inicial estimado em US$ 90 milhões, o complexo marcou o retorno histórico da produção da Guinness ao solo americano após mais de 60 anos. Em seus oito anos de funcionamento, o espaço tornou-se um verdadeiro ponto turístico da marca, recebendo mais de 2 milhões de visitantes e desenvolvendo mais de 700 receitas experimentais de cerveja.

O encerramento total das atividades da Guinness em Baltimore não aconteceu da noite para o dia. Na verdade, a Diageo já vinha reduzindo a operação no local: em 2023, a empresa encerrou as atividades de fabricação em larga escala na unidade, demitindo cerca de 100 funcionários e transferindo a produção de rótulos locais (como a Baltimore Blonde) para Nova York. O espaço vinha operando majoritariamente como um polo de hospitalidade (taproom, restaurante e visitação à fábrica experimental).

De acordo com comunicados oficiais da companhia, os principais fatores para a decisão foram o  aumento dos custos operacionais, ou seja a inflação global na cadeia de suprimentos e o encarecimento da manutenção de estruturas físicas massivas tornaram a unidade economicamente insustentável. Outro motivo foi a mudança nas preferências dos consumidores: há uma transformação clara no mercado norte-americano, puxada pela moderação no consumo de álcool e pela busca por alternativas funcionais ou sem álcool (Sober Curious) e, por fim a revisão de Portfólio e prioridades comerciais. Após uma análise minuciosa de supply footprint, a Diageo concluiu que o modelo de operação em Baltimore não justificava a alocação de longo prazo.

Como parte de sua saída responsável da comunidade, a empresa anunciou a criação de um fundo comunitário de US$ 250.000 para apoiar organizações locais de hotelaria e capacitação econômica em Baltimore.

Expectativas da Empresa para os Próximos Anos: Eficiência e Foco Global


O fechamento de Baltimore reflete uma estratégia corporativamuito maior e mais ambiciosa por parte da Diageo. Diante de desafios no volume de vendas em mercados críticos da América do Norte, a holding traçou um plano claro para os próximos anos:

• Plano Bilionário de Eficiência: A Diageo anunciou uma meta de reestruturação para economizar cerca de US$ 1 bilhão em suas operações globais. A otimização de fábricas e o corte de excessos logísticos são as principais engrenagens desse plano para proteger as margens de lucro.

• Aposta no Sucesso da Guinness: Apesar do corte físico, a marca Guinness nunca esteve tão forte. Enquanto o setor de cervejas tradicionais oscila, as vendas globais da marca cresceram na casa dos dois dígitos nos últimos semestres. O foco futuro será canalizado onde a marca mais brilha.

• Foco no Mercado Sem Álcool: O grande motor de inovação do grupo tem sido a Guinness 0.0. Com as vendas dobrando na Europa, a empresa pretende direcionar grandes investimentos de marketing e distribuição para liderar a categoria global de cervejas sem álcool.

• Presença Consolidada nos EUA: O público americano não ficará desamparado. A Diageo mantém as operações de sua sofisticada Guinness Open Gate Brewery em Chicago (inaugurada em 2023 no West Loop), que passa a ser o único reduto oficial da marca nos Estados Unidos, além de manter seus emblemáticos pubs conceituais em Dublin e Londres.

O fim da era Baltimore é um lembrete vívido de que, mesmo para gigantes com séculos de tradição, a adaptabilidade e a eficiência operacional precisam ditar o ritmo em tempos de transformação econômica.

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

White Horse e a Estratégia De Mercado 2026

 

A Cultura do "Copão" e a Estratégia de Ouro: Por que o Mercado de Destilados Está Invertendo a Lógica Tradicional para Atrair Jovens Consumidores

Esqueça aquela imagem clássica do uísque apreciado em copos de cristal por senhores de terno em salas silenciosas. Hoje, a realidade dos destilados no Brasil pulsa no ritmo das adegas de bairro, dos festivais urbanos e dos "copões" com gelo de coco saborizado. De olho nessa mudança radical de comportamento, gigantes do mercado decidiram quebrar as regras de etiqueta tradicionais. O maior exemplo disso é o movimento recente da Diageo, que anunciou a duplicação da sua verba de marketing para o icônico whisky White Horse (o mesmo vale para o Old Par) com um alvo muito bem definido: o consumidor jovem.

A estratégia escancara um novo momento econômico e cultural. Enquanto o consumo global de uísque escocês tradicional enfrenta desafios de estoque e flutuações de demanda na Europa e nos Estados Unidos, o Brasil caminha na contramão. O país consolidou-se como um dos maiores e mais estratégicos mercados de destilados do mundo, impulsionado por um consumo que une democratização e criatividade.

Do Tradicional kilt ao Ritmo das Batalhas de Rima


O segredo por trás do investimento maciço na marca reside na capacidade de se misturar. A nova campanha de White Horse planeja alcançar mais de 10 milhões de pessoas inicialmente em São Paulo, marcando forte presença em festivais que ditam tendências de comportamento, como o Afropunk e o Tropicadélia. A comunicação deixa de lado a formalidade escocesa e passa a focar em intervenções de moda e street art — promovendo, inclusive, releituras do clássico kilt sob a ótica da rica cultura urbana brasileira.

Para dialogar de igual para igual com as classes A, B e C, a marca escalou mestres de cerimônia oriundos das batalhas de rima e DJs da cena eletrônica e do funk. A mensagem é clara: o uísque é para todos, em qualquer lugar e a qualquer hora.

O Fenômeno das Adegas e a Engenharia do Gelo

A virada de chave para essa aproximação geracional não aconteceu da noite para o dia. Ela começou a ganhar força com parcerias cirúrgicas com marcas de gelo para drinks. O lançamento de gelos

específicos para o preparo do famoso "Copão" superou todas as expectativas comerciais da companhia, batendo a meta de um milhão de unidades vendidas meses antes do esperado. Agora, o plano de expansão mira o coração do consumo popular brasileiro: as adegas de rua. Com mais de 20 mil adegas espalhadas pelo Brasil, o objetivo da marca é abastecer agressivamente estes canais, começando pelo mercado paulista antes de nacionalizar a distribuição em larga escala. É o reconhecimento definitivo de que a jornada do consumidor mudou — as pessoas estão bebendo em mais ocasiões, experimentando novos formatos de coquetelaria e exigindo produtos acessíveis que conversem com suas realidades cotidianas.

Para empresas focadas em inovação, branding e comportamento de consumo como aqueles que frequentam o blog Ave César Co. o movimento do Whisky White Horse (me lembrou a música Flash House) deixa uma lição valiosa: o sucesso comercial não está em tentar mudar o gosto do jovem cliente, mas sim em adaptar sua marca histórica para caber perfeitamente no copo — e no estilo de vida — dele.

Para lembrar, veja a antiga propaganda desse famoso destilado visando a sua popularidade nos bares.

Foto: IA/Divulgação Diageo (WH).

terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Mercado de Destilados

 


Fawn Weaver: ‘Pare de dizer que a indústria de bebidas espirituosas (destilados) está em declínio – não está’

por The Sprit Business.com

A indústria de bebidas espirituosas está em apuros? Ou o comércio está simplesmente num estado de recalibração após a pandemia de Covid-19? Fawn Weaver, fundadora do Uncle Nearest Premium Whiskey, compartilha suas idéias.

Manchetes recentes afirmam que a indústria das bebidas espirituosas está em apuros, citando o declínio do consumo devido ao aumento das bebidas não alcoólicas, dos medicamentos para perda de peso GLP-1, do aumento do consumo de marijuana e da mudança de preferências geracionais. Mas até agora ninguém compilou o quadro completo em um só lugar. Quando analisamos todos os dados em conjunto, surge uma história diferente – que desafia estas narrativas predominantes.

Correções temporárias de mercado não são sinais de declínio permanente. Os dados mostram que a premiumização está a impulsionar fortes gastos dos consumidores em bebidas espirituosas. Isto não é um colapso – é um retorno à normalidade.

Um paralelo histórico: correções pós-pandemia

A pandemia de gripe espanhola de 1918 levou a uma redução temporária do consumo de álcool em bares e restaurantes. Depois que o mundo reabriu, as vendas de álcool dispararam e depois se estabilizaram. Um século depois, a história se repete. A Covid-19 criou um aumento artificial nas vendas de bebidas alcoólicas, à medida que os consumidores abasteciam os bares caseiros e substituíam as saídas noturnas por coquetéis caseiros. Esse aumento nunca foi sustentável e a indústria está agora a ajustar-se às normas pré-pandémicas. Tal como hoje, as primeiras previsões de declínio a longo prazo foram equivocadas. O mercado está se corrigindo, não entrando em colapso.

Os consumidores estão bebendo menos, mas os gastos continuam fortes

É verdade que os consumidores estão a beber menos do que no pico da pandemia, mas isso não significa que a indústria esteja a encolher. Durante a Covid-19, o consumo de álcool em casa disparou. No entanto, com a reabertura dos escritórios e a retomada das viagens de negócios, esse hábito diminuiu.

De 2013 a 2018, as vendas de destilados cresceram a uma taxa média anual de 4,3% antes de acelerar para 5,34% em 2019 e disparar para 10% em 2021 e 12,23% em 2022. De acordo com o NIQ, as vendas de álcool no varejo nos EUA – incluindo cerveja, vinho e destilados – atingiram um pico de US$ 113,6 bilhões em 2023 antes de se estabelecerem. em 112,9 mil milhões de dólares em 2024, um declínio modesto de 0,8%. Este ajustamento era esperado, mas alguns analistas do setor estão a reagir como se isso sinalizasse uma crise.

O Conselho de Bebidas Espirituosas Destiladas dos EUA (Discus) divulgou recentemente o seu relatório anual, mostrando um declínio de 1,1% na receita bruta dos fornecedores dos EUA em bebidas espirituosas, cerveja e vinho – uma correção mais suave do que os padrões históricos poderiam prever. No entanto, se a indústria das bebidas espirituosas tivesse continuado a sua trajetória de crescimento pré-Covid, com um crescimento médio anual de 5%, os seus níveis de receitas de 2024 não teriam sido alcançados até 2025.

 Ao mesmo tempo, os volumes do mercado de bebidas espirituosas aumentaram em 2024, aumentando 1,1%, para 312,2 milhões de caixas de nove litros. Isto contradiz ainda mais a noção de que os consumidores estão bebendo menos. O forte crescimento das bebidas prontas para beber (RTD) desempenhou um papel fundamental na mudança de receitas, uma vez que os seus preços mais baixos reduziram ligeiramente os números globais de vendas. No entanto, os dados deixam uma coisa clara: a América ainda bebe. O mercado de bebidas espirituosas não está diminuindo; está se estabilizando.

Premiumização: os consumidores estão negociando, e não saindo

 Além do forte crescimento dos IDT, uma tendência importante que é frequentemente ignorada é a premiumização – a mudança para álcool de qualidade superior. Alguns consumidores estão escolhendo mais facilmente com RTDs, enquanto outros estão escolhendo melhor com bebidas destiladas premium.

Dados recentes da NielsenIQ confirmam que, embora as vendas totais de álcool tenham sido ajustadas para baixo, os gastos com bebidas espirituosas premium e ultra-premium continuam a aumentar. No relatório mais recente da Nielsen, Uncle Nearest cresceu 22,3%, enquanto outros Bourbons importantes – incluindo Blanton’s, Angel’s Envy e Colonel E.H. Taylor – obteve ganhos entre 20% e 55%. Tequilas sofisticadas como Lalo, Tequila Ocho e La Gritona aumentaram entre 23% e 124%.

Cada uma destas marcas de Bourbon e Tequila sustentou um crescimento de dois dígitos nas últimas 26 semanas, reforçando que esta não é uma tendência temporária, mas uma mudança de longo prazo do consumidor para bebidas espirituosas de maior qualidade. Os consumidores estão fazendo escolhas mais intencionais, favorecendo bebidas espirituosas bem elaboradas e 100% livres de aditivos. Os Bourbons puros e autênticos destacam-se como bebidas espirituosas totalmente naturais – naturalmente sem açúcar, sem hidratos de carbono, sem gordura e sem glúten – apelando aos consumidores preocupados com a saúde que procuram escolhas superiores sem compromisso.

A tendência não alcoólica é exagerada

Sim, a categoria de bebidas não alcoólicas está crescendo, mas o seu impacto continua pequeno e o crescimento já está abrandando.

O mercado não alcoólico dos EUA atingiu 823 milhões de dólares em 2024 e deverá crescer para quase 5 mil milhões de dólares até 2028, de acordo com a IWSR. No entanto, o crescimento já está desacelerando. A categoria de não alcoólicas cresceu 35% em 2023, 26% no ano passado e 20,6% em 2022, mas o seu CAGR projetado de 2024-2028 é de apenas 18%. Se isto fosse um verdadeiro disruptor da indústria, esperaríamos uma aceleração do crescimento – e não uma desaceleração.

Mesmo os relatórios recentes que mostram um forte crescimento num único ano não mudam a realidade de que o dinamismo está a desvanecer-se. Embora alguns analistas afirmem que as alternativas não alcoólicas estão a remodelar a indústria, os dados contam uma história diferente: esta continua a ser uma categoria de nicho e não uma mudança generalizada do álcool.

A esmagadora maioria deste crescimento provém da cerveja sem álcool, que representa 84% do total das vendas sem álcool. Como a cerveja já tem um ABV naturalmente baixo, de 4% a 6%, remover o álcool e manter o sabor foi relativamente fácil – levando a uma adoção mais ampla pelo consumidor.

Enquanto isso, as “destiladas” não alcoólicas mal ultrapassam 1% do total de vendas sem álcool. Ao contrário da cerveja, replicar o sabor complexo e a sensação na boca do Bourbon, Tequila ou vodka sem álcool tem se mostrado um desafio. Para compensar, muitas “destiladas” não alcoólicas dependem de aditivos artificiais, açúcar excessivo ou outros compostos, contradizendo o apelo muito preocupado com a saúde que inicialmente atraiu muitos consumidores.

Se as bebidas espirituosas não alcoólicas estivessem realmente a perturbar a indústria, seriam mais do que apenas um erro de arredondamento. Com apenas 1% da categoria de não-alcoólicos – excluindo cerveja e vinho – digamos apenas que ninguém deveria prender a respiração por um boom de Bourbon ou Tequila sem álcool, pelo menos não nesta vida.

Anos eleitorais e comportamento do consumidor

A incerteza política tem impactado historicamente os gastos dos consumidores, incluindo o álcool. Após as eleições de 2016, a indústria registou um abrandamento temporário, com o crescimento caindo de 3,38% em 2016 para 2,04% em 2017 (Discus) – uma queda de 1,47 pontos percentuais. Embora as razões para isto não sejam totalmente claras, a incerteza pós-eleitoral ou as respostas emocionais dos eleitores podem ter contribuído.

Estamos testemunhando um padrão semelhante agora. Embora alguns analistas atribuam a fraqueza da indústria a mudanças económicas mais amplas, os dados históricos sugerem que as transições políticas podem ter efeitos de curto prazo nos gastos discricionários, incluindo o álcool. Se a história servir de guia, isso também passará.

A Geração Z não está rejeitando o álcool por motivos de saúde

A Geração Z bebe menos do que as gerações anteriores na sua idade, mas as suas preferências indicam uma mudança no sentido da qualidade em detrimento da quantidade. O declínio no consumo parece ser impulsionado mais pela premiumização do que pela preocupação com a saúde, uma vez que o seu envolvimento com outras substâncias – como o vaping – sugere uma mudança mais complexa no comportamento, em vez da rejeição total do álcool.

A Geração Z está vaporizando em taxas sem precedentes, consumindo nicotina de maneiras que as gerações anteriores abandonaram o tabaco. Ao contrário dos cigarros que os seus pais e avós fumavam, os modernos cigarros eletrónicos e vaporizadores contêm frequentemente níveis significativamente mais elevados de nicotina, o que os torna ainda mais viciantes.

Isto sugere que os seus hábitos de consumo irão evoluir, e não desaparecer. A geração do milênio inicialmente se afastou da cerveja antes de mais tarde adotar destilados premium e coquetéis artesanais. A indústria do álcool sempre se adaptou às mudanças geracionais e fará isso novamente.

Uma redefinição do mercado já está em andamento – e isso é bom

Os níveis de estoque nos armazéns dos distribuidores estão elevados, refletindo um ajuste natural após o aumento induzido pela pandemia. Antes de os distribuidores retomarem os padrões normais de compra, devem resolver o excesso de stock – mas isto é uma redefinição a curto prazo e não um declínio a longo prazo.

O maior erro que os observadores e investidores da indústria cometem é presumir que esta correção sinaliza um declínio permanente. 

Se os analistas tivessem abandonado o álcool após a gripe espanhola, teriam perdido os loucos anos 20. Se a tivessem anulado durante a Lei Seca, não teriam conseguido antecipar o seu ressurgimento no momento em que a proibição foi levantada. Se tivessem entrado em pânico durante a febre do baixo teor de carboidratos, teriam ignorado a explosão de coquetéis artesanais e destilados premium. Todas as grandes mudanças no comportamento do consumidor levaram a previsões do fim da indústria – mas a indústria sempre recuperou, mais forte do que antes.

Desta vez não é diferente. O verdadeiro erro não está no ajustamento do mercado – está em não o reconhecer pelo que ele é: temporário e necessário.

Fonte e saiba mais em: https://www.thespiritsbusiness.com/2025/02/fawn-weaver-stop-saying-the-spirits-industry-is-in-decline-its-not/#:~:text=The%20market%20is%20correcting%2C%20not%20collapsing.&text=It%20is%20true%20that%20consumers,travel%20resumed%2C%20this%20habit%20declined.


sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

Programa de Integridade


O DOJ e a Evolução dos Programas de Integridade: uma Visão de Futuro

por Henrique Oliveira* 

Recentemente, tive a oportunidade de encontrar com um grupo de especialistas, em destaque o Sr. Matteson Ellis (da Miller & Chevalier Chartered) que citou pontos importantes sobre a atualização da evolução dos programas de Compliance segundo o DOJ, atualizado no terceiro trimestre de 2024, ao qual me debrucei em uma leitura completa. (A última versão emitida de forma mais robusta foi em 2023**.)

Além das preocupações tradicionais na infraestrutura dos programas de integridade, como desenho do programa, avaliação de riscos, gerenciamento de riscos emergentes, certificações da aplicação das práticas de Compliance perante às demandas da lei, de políticas, normas e procedimentos, o que chama a atenção nessa nova revisão são as considerações relacionadas aos riscos do uso de tecnologias de inovação sobretudo as relacionadas com a Inteligência Artificial (IA) e outras tecnologias integradas na gestão corporativa de riscos.

Nesse sentido, o DOJ, que enfatiza ações numa visão voltada ao ente fiscalizador, (usa-se o termo “prossecutor” em todo o texto) perguntou: Quais são os principais potenciais impactos das novas tecnologias e a sua capacidade em cumprir leis criminais? Qual é a governança que será adotada para o uso de novas tecnologias e sua relação comercial de negócio, em conjunto com os programas de Compliance? Como a companhia cobrirá os riscos ou ainda algum impacto potencial negativo ou consequências não intencionais resultantes do uso de tecnologia, incluindo company insiders? Levando em consideração o escopo do uso de inteligência artificial e tecnologia similares no negócio ou ainda como parte do programa de Compliance, existem controles estabelecidos capazes de monitorar e certificar a integridade e a veracidade de acordo com a lei aplicável ou ainda com o Código de Conduta da organização? Existem controles para certificar que a tecnologia está sendo usada somente para os propósitos determinados? Qual é o momento de tomada de decisão é usado para avaliar a inteligência artificial? Como é aplicada adequada prestação de contas em torno do monitoramento e aplicação da inteligência artificial? Como a companhia treina seus empregados em utilizar novas tecnologias, como a inteligência artificial?

Além da tecnologia emergente, o DOJ tem se preocupado muito com a questão cultural, em fazer o certo dentro de uma organização. O Órgão entende que deve-se ter um ambiente não somente exclusivo ao universo de controle, mas que haja espiritualidade no comportamento das pessoas, capaz de transmitir uma atmosfera de ética, de respeito e de honestidade. Nessas circunstâncias, a estrutura do programa de Compliance deve ser facilmente acessível, com políticas, normas e procedimentos fáceis de serem encontrados, seja em meio físico ou em meio virtual (como um site ou plataforma, por exemplo). Que haja treinamentos efetivos, evidenciados, (lembre-se das listas de presença e participação), amplamente divulgados e distribuídos ao longo do ano, como parte integrante de um programa do negócio da organização.

Ainda, no mesmo memorando, é destacado as atitudes que devem ser tomadas por parte da empresa, como possuir canais destinados à denúncia espontânea e a não retaliações como parte fomentadora de confiança mútua. E, com base em dados recebidos por supostos desvios, esses, possam ser capazes de fornecer subsídios para conduzir investigações de forma íntegra, imparcial, com escopo e regras adequadas, por profissionais qualificados, em busca da verdade e, quando em corridas, que haja a aplicação das consequências em consonância com os impactos apresentados. A partir daí, lições aprendidas, novos treinamentos, bem como a divulgação visando cautela e transparência, sejam revistos e reimplementados, mantendo a atmosfera de credulidade entre os membros da organização, visando ser superior a quaisquer desvios indesejados. (Em suma: o Compliance deve ser feito para muitos e não para poucos.)

Não menos importante, e naturalmente, a Alta Administração, o que inclui o Conselho, as Diretorias e Gerências devem dar o tom, bem como compartilhar as suas atribuições e comprometimento aos demais e monitorar as frentes de trabalho.

Por fim, às vistas do DOJ, é importante a formalização do programa de forma autêntica, com base em registros, eventos, seminários, artigos internos, análise de dados, transparência, medidas corretivas para desvios e, acima de tudo, com visão de longo prazo em busca da solidez de um programa de integridade respeitado por todos aqueles que o integram, dentro e fora da organização.

A ler as 25 páginas desse documento, o sentimento que se traz é que a corrupção e suborno estão sendo melhor compreendidos dentro das organizações. Entretanto, apesar da elevação da maturidade, a corrupção, o suborno e os desvios de conduta são itens que ainda se encontram presente entre os fluxos e os processos, danificando os negócios e, desta forma, manter-se atento a esses comportamentos é uma questão de prioridade e que não pode deixar de ser uma pauta externa às demandas e aos olhos do Conselho, pois pequenos delitos, quando deixados de lado, podem se transformar em impactos irreversíveis, danosos a todos stakeholders.

O documento do DOJ tem seu acesso pelo link: https://www.justice.gov/criminal/criminal-fraud/page/file/937501/dl?inline= .

(**) Sobre 2023, vide: https://www.linkedin.com/pulse/evolu%25C3%25A7%25C3%25A3o-dos-programas-corporativos-de-compliance-segundo-oliveira/?trackingId=PQ0rWGIhT7OW5WsOekT7Xw%3D%3D.

(*) - Henrique Oliveira é Professor e Executivo de Governança, Riscos e Compliance


terça-feira, 21 de janeiro de 2025

J&F e Grupo Petrópolis

 


Banco da família Batista empresta R$ 328 milhões para Grupo Petrópolis

Por Fábio Matos, do Metrópolis

Banco Original, controlado pela J&F, (mais conhecida pela marca Friboi) fará um financiamento de R$ 328 milhões para socorrer o Grupo Petrópolis, dono de Itaipava e Petra

O Banco Original, controlado pela J&F Participações, da família Batista, fará um financiamento de R$ 328 milhões para socorrer o Grupo Petrópólis, dono das cervejarias Itaipava e Petra, segundo reportagem publicada pelo jornal Valor Econômico.

A transação será no modelo “debtor-in-possession” (DIP) – “devedor em posse”, em tradução livre para o português. O financiamento é considerado “imprescindível para manter a continuidade dos negócios e a oxigenação do caixa” do grupo e foi concluído na virada do ano.

O DIP é uma operação comum para negócios em recuperação judicial, como o da Petrópolis, e pode ser fechado com acionistas de uma empresa, credores ou terceiros.

Ainda de acordo com o Jornal Valor, a cervejaria do grupo registrou queda de 35% nas vendas no período entre janeiro e setembro do ano passado, acumulando um prejuízo de R$ 933 milhões. As perdas totais da companhia bateram R$ 1 bilhão.

Meus grifos: entendo que pode ser uma luz no fim do túnel para a família Faria e uma estratégia de entrar em um segmento que os irmãos Batista ainda não estão presentes. O "churrasco com cerveja" pode ter solução no futuro. 

Fonte: https://www.metropoles.com/negocios/banco-da-familia-batista-empresta-r-328-milhoes-para-grupo-petropolis

terça-feira, 7 de janeiro de 2025

Mercado de Sucos



Sucos Do Bem recebe um "Tial" da Ambev

A marca nacional de sucos sem conservantes Tial comprou a marca Do Bem, da Ambev, como apurou o site da Brazil Journal. O feito representa a primeira aquisição da história da Tial, que é líder de mercado em Minas Gerais, pertencente ao Grupo Pif-Paf Alimentos e a família de Victor Wanderley, atual CEO da empresa. O valor da aquisição não foi revelado.

A transação inclui a propriedade intelectual da marca e os equipamentos da Do Bem que estavam em fábricas da Ambev, que devem ser transportados para a fábrica da Tial em Visconde de Rio Branco (MG). Com isso, a capacidade fabril da empresa deve aumentar em 65% até 2026.

A Do Bem foi fundada em 2009 por Marcos Leta e comprada em2016 pela Ambev, que contratou o Santander para vender o ativo, já que a Do Bem cresceu pouco e ficou pequena no portfólio da gigante das bebidas.

A Brazil Journal mencionou que o CEO da Tial, Victor Wanderley, disse que as duas marcas se complementam, uma vez que a Tial é voltada para a família e a Do Bem tem um perfil premium e voltado para o público jovem.

Outra ideia é usar a marca para ingressar em outras categorias, lançando produtos funcionais, chás, infusões, bebidas energéticas e alternativas vegetais. 

Meus grifos: o mercado de sucos vem sofrendo transformações interessantes. A inglesa Britvic comprou Sucos Maguary, a Da Fruta e Bela Ichia, todas empresas familiares. A Coca-Cola, havia adquirido décadas atrás a famosa Del Valle e a Mate Leão, como forma de ampliar o porfólio de produtos e mitigar os riscos de perdas de consumo na linha de refrigerantes, considerados menos saudáveis. A Coca ainda comprou a Cervejaria Therezópolis, que entre as estratégias internas, acredito que visa a melhorar o seu SKU logístico dentro da sua malha de distribuição. (Carregar água com bolinhas é muito caro e cerveja compensa esse custo). Em suma: gigantes sempre testando meios de ampliar os horizontes e caminhjos contra os riscos e, consequentemente, buscando melhor posicionamento de market share. (Aliás, disse que no ano de 2024 mix era a bola da vez, e isso, ao meu ver continua. Basta ver o que tem nas gôndolas disponíveis nos supermercados.Os hipermercados já eram.)

A compra da Do Bem pela Ambev anos atrás, foi uma estratégia de ampliar o leque nesse mercado. Entretanto, imagino que uma megacompanhia como a Ambev não trabalha mais com tanques de pequeno e médio portes. São necessários muitos hectolitros para enchê-los e mantê-los em plena gestão de estoques. O maquinário da Corporação é muito maior, em termos de volume, e toda linha merece sua devida atenção, como distribuição, marketing e propaganda, além de promoção de vendas. Dar um tial, ou seja desmobilizar o ativo, talvez seja uma estratégia do bem para a empresa.

Por alto lado, para a Tial é um passo importante no segmento ao qual essa atua por décadas e cujo mercado vem sendo aos poucos dominado por empresas de capital estrangeiro. Crescer para a Tial não é um desejo ou vontade; é uma obrigação. 

Desejamos boa sorte a nossa mineira Tial e a Victor Wanderley, já que o CADE aprovou a decisão.

Fonte: https://bpmoney.com.br/negocios/tial-compra-do-bem/

https://braziljournal.com/tial-compra-do-bem-da-ambev-e-quer-faturar-r-1-bi/?utm_source=Brazil+Journal&utm_campaign=a67360eee3-news-07012025-1-_COPY_03&utm_medium=email&utm_term=0_850f0f7afd-a67360eee3-427709485 

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