Mondeguipa, Beer Wall e Mais de 200 Rótulos: O Guia
Definitivo do Brew! Coimbra 2026
Nosso amigos portugueses também produzem boas cervejas. Possuem representatividade por meio de confrarias de alto nível e realizam eventos que marcam, como o Festival Hopen, que aconteceu na cidade Braga em maio passado, que foi informado no Ave Cesar Co.
Nessas circuntânscias, se o seu paraíso na Terra envolve um copo cheio de cerveja
artesanal independente, boa música e um ambiente incrível ao ar livre, o seu
destino neste fim de semana está mais do que traçado em Portugal. A 6.ª edição
do Brew! Coimbra já deu início e promete transformar o Verd'O Parque (mesmo
junto ao UC Exploratório) no epicentro da cultura cervejeira em Portugal entre
os dias 11, 12 e 13 de setembro de 2026.
Organizado pela BREW! em parceria com a Câmara Municipal de
Coimbra, o festival cresceu, ganhou tração internacional e traz novidades
imperdíveis para esta edição.
Os Números e as Estrelas do Copo
Este ano, o festival conta com 25 marcas diferentes
(nacionais e internacionais) e coloca à disposição do público mais de 200
cervejas para serem descobertas. Há sabores para todos os gostos, com cervejas
com notas de chocolate, caramelo, maçã e frutos tropicais.
A grande sensação da edição de 2026 chama-se Mondeguipa.
Trata-se de uma cerveja desenvolvida especificamente para o festival, criada a
partir de arroz do Mondego. O cervejeiro Luís Rolo, da marca Barona, é um dos
rostos por trás desta receita única, descrita como uma cerveja extremamente
leve, refrescante e perfeita para o clima de setembro.
Adicionalmente, pela primeira vez na história do Brew!
Coimbra, os visitantes vão poder cruzar fronteiras sem sair do Parque através
da Beer Wall (Parede de Cervejas). Esta estrutura reúne rótulos vindos de cerca
de 10 países diferentes. De acordo com o promoção do evento, o objetivo é tanto
trazer novidades exclusivas ao público local como abrir portas a colaborações
futuras entre os produtores de Coimbra, bem como marcas internacionais.
Se você turista brasileiro estiver na icônica Coimbra, não
deixe de visitar e prestigiar um evento genuíno da cultura cervejeira lusitana.
Onde: Verd'O Parque / Exploratório – Centro de Ciência Viva,
Coimbra.
Quando: 11, 12 e 13 de setembro de 2026.
Entrada livre. (Paga-se apenas o copo oficial do festival e
o consumo.)
Entre o chopp e o rock: Praça da Filarmônica sedia a
autêntica Festa Alemã neste sábado
O circuito cultural da capital mineira
ganha um sotaque europeu inconfundível. A Festa Alemã Oficial aterrissa na
Praça da Filarmônica (Rua Tenente Brito Melo, 1.090, Barro Preto) para uma
edição que promete movimentar a tarde e a noite dos belo-horizontinos.
Mesclando a precisão da tradição germânica com a
descontemporaneidade mineira, o evento consolida-se como um dos encontros mais
aguardados do calendário urbano da cidade. A entrada para o festival é
gratuita, mas a organização reforça que o acesso é mediante a retirada prévia
de ingressos na plataforma Sympla, garantindo a comodidade e segurança do
público no espaço público revitalizado.
Para quem aprecia a alta escola cervejeira, o festival
reuniu um verdadeiro dream team de cervejarias artesanais mineiras. O cardápio
de chopes traz rótulos consagrados e premiados das marcas: Albano’s, Verace, Läut,
Krug Bier, Cervejaria Küd, Slød e Stadt Jever.
Na praça de alimentação, o clássico encontra o
contemporâneo: iguarias típicas da culinária da Alemanha dividem espaço com
releituras da cozinha de boteco local, criando uma experiência de comfort food
ideal para acompanhar as opções de chopp gelado.
Haverá uma trilha sonora de peso. Esqueça o silêncio ou as
programações óbvias. A curadoria musical aposta na energia do rock and roll
para embalar a tarde, sem deixar de lado o folclore. A programação conta com apresentações
tradicionais de danças típicas alemãs. Shows ao vivo com Alemão Cascudo, Banda
Cash, Bauxita e o tributo pesado do Locomotive (Guns N' Roses Cover), além de sets
embalados pelo DJ Pablo Catão.
Serviço Festa Alemã em Belo Horizonte. Sábado, 12 de
setembro de 2026, a partir das 13h Onde: Praça da Filarmônica (Rua Tenente Brito
Melo, 1.090 — Barro Preto, Belo Horizonte - MG)
Além do Óbvio: Como o Asia Beer Championship Está Moldando o
Futuro da Cerveja Artesanal
Quando pensamos na vanguarda da cerveja artesanal, as
escolas alemã, belga e americana costumam dominar as conversas. No entanto, háum gigante acordando no Oriente. Se você quer saber o que vai ditar as próximas
tendências do mercado global, precisa acompanhar de perto o Asia Beer
Championship (ABC).
Criado para dar suporte e referendar a crescente cultura de
cervejas premium na Ásia, o campeonato chega à sua 9ª edição em 2026
consolidado como a competição técnica mais respeitada do continente. Mais do
que uma simples entrega de medalhas, o Beer Cup tornou-se a bússola de um mercado
vibrante que projeta movimentar bilhões de dólares nos próximos anos.
Diferente de festivais focados apenas no voto popular, o
Asia Beer Championship opera sob os mais estritos padrões internacionais de
arbitragem. Centenas de amostras enviadas de dezenas de países asiáticos são
avaliadas às cegas por um painel de mais de 40 juízes, sommeliers e cervejeiros
profissionais gabaritados. A pontuação é dividida em critérios detalhados: Aparência
(Máximo de 3 pontos) Aroma (Máximo de 12 pontos) Sabor e Paladar (Máximo de 20
pontos).
As cervejas competem em 32 categorias de estilos adaptados à
popularidade da região. Os melhores de cada estilo levam Ouro, Prata e Bronze,
mas há também a prestigiada chancela “Chairman’s Selection” para os rótulos que
atingem um patamar técnico excelente, servindo como um guia de compras definitivo
para os consumidores asiáticos.
O Calendário de 2026: Rumo a Cingapura e ao Vietnã
O cronograma deste ano movimentou os bastidores da
indústria. Após o encerramento das inscrições no final de agosto, o painel de
juízes se reunirá em Cingapura nos dias 30 de setembro e 1º de outubro de 2026
para as sessões de análise sensorial às cegas. Entretanto, o verdadeiro clímax acontece
semanas depois. Os vencedores dos cobiçados troféus de Champion Beer, Champion
Brewery e Champion Brewpub da Ásia serão anunciados em uma cerimônia ao vivo no
dia 29 de outubro de 2026. O anúncio fechará com chave de ouro a Brew Asia 2026
no The Adora Centre, em Ho Chi Minh, no Vietnã — a maior conferência e feira de negócios cervejeiros da região.
O mercado asiático de cervejas artesanais destaca-se pela
inovação radical e uso de ingredientes locais (como arroz, jasmim, pimentas,
chás e frutas tropicais nativas) para adaptar estilos clássicos ocidentais ao
paladar local. É um polo criativo que ganhou tanta relevância global que
grandes competições europeias e as Américas começaram a firmar parcerias de
intercâmbio técnico com as entidades asiáticas. Para quem escreve, produz ou
simplesmente ama cerveja, o Asia Beer Championship não é apenas uma disputa
regional: é a janela para o futuro de uma indústria que sabe se reinventar de
forma única.
Do Topo Das Premiações à Reestruturação: Grupo Turatti entra
em Recuperação Judicial no Ceará
Pioneira no mercado de cervejas artesanais desde 1999,
gigante cearense culpa "Efeito Ozempic", juros asfixiantes e câmbio
alto por crise financeira; atendimento e fábricas seguem operando normalmente.
O mercado de bebidas premium e gastronomia do Nordeste foi
surpreendido com o acolhimento do pedido de recuperação judicial do Grupo
Turatti, uma das marcas mais tradicionais e condecoradas do setor. O processo,
aceito pela 1ª Vara Empresarial de Recuperação de Empresas e de Falências do
Estado do Ceará, envolve uma dívida acumulada superior a R$ 12 milhões. A
medida engloba oito empresas sob o guarda-chuva da holding e visa renegociar os
débitos de forma coletiva, evitando a interrupção das atividades.
Uma História de Sucesso na Cultura Cervejeira do
Nordeste
Fundada em 1999 pelo empresário Lissandro Turatti, a marca nasceu com o
propósito de introduzir a cultura do malte e do lúpulo de alta qualidade em uma
região até então dominada pelas cervejas comerciais de massa.
Ao longo de quase três décadas, a Cervejaria Turatti
consolidou-se como a maior referência em rótulos artesanais do Ceará e uma das
mais importantes de todo o Nordeste. Acumulando diversos prêmios nacionais e
internacionais de degustação, o grupo expandiu seu portfólio nos últimos anos
ao adquirir outras marcas locais consagradas, como a Capitosa, a 5 Elementos e
a Hey Ho. Além das fábricas, a holding tornou-se um fenômeno gastronômico
regional com seus restaurantes focados em Pit Smoker e American BBQ.
Na peça jurídica apresentada à Justiça, a defesa do grupo
expôs argumentos inovadores sobre as transformações no comportamento do
consumidor pós-pandemia. Segundo os relatórios, o mercado de alimentação fora
do lar e de bebidas alcoólicas foi duramente golpeado por fatores biológicos e
geracionais.
O avanço dos emagrecedores e o uso massivo global e nacional
de medicamentos voltados à perda de peso (como o Ozempic) gerou,
comprovadamente, uma diminuição acentuada no apetite e na ingestão de álcool
por parte do público consumidor de maior poder aquisitivo. Adicionalmente, a
sobriedade da Geração Z tem demonstrado um desinteresse estrutural pelas
bebidas alcoólicas tradicionais, migrando o lazer para ambientes
predominantemente digitais e hábitos voltados ao bem-estar e à saúde. Em um
tempo mais distante, observou-se também um esvaziamento dos salões dos bares edas cervejarias. O hábito corporativo do happy hour presencial reduziu
significativamente em Fortaleza, com o público optando pelo consumo caseiro ou
por opções mais econômicas.
A estratégia agressiva de expansão e consolidação de mercado
executada pela Turatti esbarrou diretamente na política monetária brasileira
dos últimos anos. Com a Taxa Selic mantida em patamares elevados, o custo para
a rolagem de dívidas e financiamento do capital de giro tornou-se proibitivo.
Fontes ligadas à área financeira da empresa apontam que captar recursos no
mercado bancário se tornou inviável para empresas de médio porte, forçando o
grupo a buscar o amparo legal da recuperação antes que o fluxo de caixa
travasse as operações cotidianas.
Além da retração de público e dos juros altos, a
instabilidade do câmbio no Brasil agravou fortemente a produção das cervejas
premium. Como a fabricação artesanal depende diretamente da importação de
insumos essenciais (como maltes especiais da Europa e lúpulos selecionados dosEstados Unidos), a persistente desvalorização do Real frente ao Dólar
inflacionou de maneira drástica o custo por litro produzido. "Em uma
cadeia de nicho, o repasse integral de custos alfandegários para o cardápio ou
para as gôndolas dos supermercados faria a cerveja sumir das mãos do cliente.
Fomos obrigados a espremer nossas margens de lucro até o limite", revela
um sommelier ligado à produção da marca.
As operações das casas na Varjota e no North Shopping
Fortaleza, bem como a fábrica central localizada na Lagoa Redonda, seguem em
pleno funcionamento. Os postos de trabalho de cerca de 240 colaboradores
diretos foram preservados para assegurar o plano de reestruturação que será
apresentado aos credores nos próximos meses.
A seguir, com a palavra, o cervejeiro da Turatti, Adriel Oliveira.
O Fim de uma Era no Craft Beer: Sapporo Encerra as
Atividades da Sede Histórica da Stone Brewing em Escondido
por Henrique Oliveira*
A indústria global de cervejas artesanais testemunha o
fechamento de um de seus templos mais icônicos. A Sapporo USA anunciou o
encerramento definitivo das operações do complexo de produção e do aclamado
restaurante Stone Brewing World Bistro & Gardens em Escondido, Califórnia.
O encerramento da histórica sede, emblemática para a revolução do movimento
craft na Costa Oeste americana, resultará na demissão progressiva de cerca de
220 funcionários a partir de outubro de 2026.
O desmantelamento da sede de Escondido é o resultado direto
de uma complexa reestruturação corporativa. Em 2022, a gigante japonesa Sapporo
adquiriu a Stone Brewing por aproximadamente US$ 165 milhões com o intuito de
expandir sua capacidade fabril em solo americano. No entanto, em abril de 2026,
a Sapporo fatiou o negócio e vendeu a marca de cervejas Stone, seu portfólio e
quatro unidades de hospitalidade em San Diego para a Firestone Walker Brewing
Company e para a cervejaria belgaDuvel Moortgat USA.
A megaestrutura de Escondido (que inclui
a fábrica de 5.300 metros quadrados) não foi incluída no acordo de venda de
ativos. Como a Sapporo decidiu concentrar sua produção contratada de marcas
próprias em sua unidade expandida em Richmond (Virgínia), e a Firestone Walker
absorveu a fabricação dos rótulos da Stone em suas plantas de Paso Robles e
Kansas City, a icônica sede tornou-se redundante. Após tentativas frustradas de
encontrar um comprador de longo prazo para manter o complexo operando na mesma
escala, o encerramento tornou-se inevitável.
Impacto Econômico e Demissões em Fases
De acordo com as notificações oficiais emitidas sob a lei de
proteção ao trabalhador (WARN Act) do estado da Califórnia, o processo de
desligamentos ocorrerá em fases. Em 19 de outubro de 2026, será o início da primeira
rodada com o desligamento de 58 colaboradores. Os cortes atingirão diretamente
os setores operacionais de brassagem, envase, controle de qualidade, logística
e armazenamento.
Em contrapartida, a nova
administração da marca pela Firestone Walker já absorveu mais de 200 antigos
colaboradores da divisão de hospitalidade e de marca da Stone em outras regiões da Califórnia, amenizando parcialmente o impacto regional.
O Significado Histórico de Escondido para a Revolução
Cervejeira
Fundada originalmente em 1996 por Greg Koch e Steve Wagner
na vizinha San Marcos, a Stone Brewing mudou-se para o megalítico campus de
Escondido em 2006. Foi ali que rótulos agressivos e altamente lupulados, como a
Stone IPA e a Arrogant Bastard Ale, ganharam volume de distribuição mundial. O
local transformou-se rapidamente em um santuário turístico para os amantes de
cerveja. Seu bistrô integrado a jardins imponentes ditou tendências de
arquitetura comercial no segmento de bebidas.
Greg Koch é o cervejeiro que conduziu o apelo do pequeno produtor de cervejas americano por meio de um manifesto chamado "I Am A Craft Brewer", (em português "Eu Sou um Cervejeiro Artesanal - Veja o vídeo abaixo). Quando Greg Koch e seu sócio Steve Wagner venderam a Stone
Brewing Co. para o conglomerado cervejeiro japonês Sapporo USA, em junho de
2022, por aproximadamente US$ 165 milhões, a reação da comunidade de
microcervejarias e cervejas artesanais americanas foi uma mistura de forte rejeição,
acusações de hipocrisia e uma "resignação agridoce", ou seja, aceitar uma realidade difícil ou ainda decepcionante, com uma mistura de tristeza e uma aceitação serena e passada.
Apesar do encerramento das atividades físicas no endereço histórico de Citracado Parkway, as novas proprietárias garantem que a essência
e as receitas da marca continuarão ativas no mercado internacional. O gárgula
da Stone, agora, voa em direção a novos tanques.
Operação Gigante: Grupo Heineken Prepara 700 Mil Litros de
Chope e Novas Ativações para o Rock in Rio 2026
O Grupo Heineken Brasil celebra 15 anos de parceria com o
Rock in Rio consolidado como o fornecedor exclusivo de cervejas na Cidade do Rock. Para abastecer o público ao longo de todos os dias de festival, a
companhia montou uma megaoperação logística e estrutural dimensionada para
servir mais de 700.000 litros de chope, volume recorde que reforça a marca como
a bebida mais consumida do evento.
Abaixo estão reunidos os detalhes das marcas fornecidas, os
preços oficiais e toda a estrutura física montada para dar vazão a essa demanda
histórica.
Layouts, Lojas e Ativações na Cidade do Rock
A Cervejaria Heineken dividiu sua presença física em
megaestruturas operacionais e pontos imersivos espalhados pelo gramado. As estruturas de marketing e campanha da Heineken® são as seguintes: Heineken Power Station, o estande principal da
marca, focado em experiências imersivas de som e tecnologia. Há o Lounge Power
Station, Espaço VIP e de convidados com vista privilegiada para o Palco Mundo,
com a presença de DJs nas pick-ups e cenografia instagramável. Há ainda a Tirolesa Heineken:
A icônica atração de 200 metros que cruza a frente do Palco Mundo, totalmente
alimentada por energia renovável.
Há ainda a
estrutura das Cervejas Lagunitas. Aqui cabe destacar o Píer de Santa Mônica, uma
ativação de 72 m² inspirada na atmosfera de parque de diversões da Califórnia.
O layout conta com espelhos distorcidos, o famoso "Cão Cartomante"
(máquina de vidente antiga) e o palco de Karaokê Lagunitas, onde o público
canta clássicos do rock e o Gourmet Square: um espaço gastronômico central do festival
onde a marca Lagunitas é distribuída de forma fixa tanto em chopeiras quanto em
latas.
Por se tratar de um festival de rock de abrangência internacional, a
Heineken busca oferecer suas marcas internacionais. É lamentável que não ofereça
suas cervejas nacionais como a Baden-Baden e a Eisenbahn, de forma a crescer
ambas marcas no portfólio mundial.
Uma pergunta que sempre nos questionam. E o preço das
cervejas? O chope está em torno de R$23,00 e o refil (copo próprio da Heineken
para o evento) fica em R$18,00. Da marca Lagunitas sai a R$23,00. Bom show and have
fun!
Saiba mais (https://engarrafadormoderno.com.br/materia-principal/heineken-anuncia-megaoperacao-de-chope-para-o-rock-in-rio-brasil-2026)
De Panela e com Alma: Caipira Beer Cup Estreia com 125
Cervejas Inscritas e Movimenta Cena Artesanal em Piracicaba
Por Henrique Oliveira*
O cenário da cerveja de panela no Brasil ganhou um novo e
importante capítulo. A primeira edição do Caipira Beer Cup, concurso voltado
exclusivamente para cervejeiros caseiros, os Homebrewers, superou todas as expectativas
iniciais ao encerrar suas inscrições com 125 amostras de cervejas cadastrados.
Ao todo, 71 competidores de seis estados diferentes — São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul
— enviaram suas criações para a disputa. Agora, os holofotes se voltam para o
município de Piracicaba (SP), que receberá a etapa técnica fechada de avaliação
no próximo dia 11 de setembro. Até o dia 8 de setembro, a organização finaliza
o recebimento das garrafas físicas.
No dia do evento do concurso cervejeiro, o painel de jurados qualificados avaliará
as amostras de forma totalmente "às cegas", ou seja, sem qualquer
identificação dos produtores. A análise rigorosa seguirá estritamente as
diretrizes do Beer Judge Certification Program (BJCP 2021), a principal
referência global para a validação de estilos cervejeiros.Entre os juízes há a presença feminina da cerveja, em
destaque Marina Bonini Pascholati (cervejeira da Goose Island), Letícia Pedrozo
e Victoria Mariano Dobra.
Mais do que uma simples disputa por medalhas, o Caipira Beer
Cup funcionará como uma verdadeira consultoria para os participantes. Cada
cervejeiro receberá fichas de avaliação técnica detalhadas com feedbacks dos
juízes. Segundo a organização, esse retorno é fundamental para elevar o patamar
de qualidade das brasagens caseiras e abrir portas para futuras inserções
comerciais no mercado independente.
Os melhores colocados na classificação geral e por estilo
receberão insumos cervejeiros, certificados e medalhas exclusivas da Fundiart.
O grande destaque vai para o primeiro colocado geral, que além de maltes,
leveduras, lúpulos e uma machadinha Wenzel, terá a oportunidade de produzir 250
litros de sua receita em escala comercial. A lista completa com a premiação
detalhada por colocação pode ser conferida nos documentos de referência.
A realização do evento é fruto da união entre o Simespi, a
CPLCerva e a Rota Cervejeira de Piracicaba, contando com patrocínios de marcas
do setor e amplo suporte institucional da região.
(*) - Henrique Oliveira é Escritor e Executivo de Governança, Risco em Compliance.
O Altar da Tradição: Como o Belgian Beer Weekend Celebra
Séculos de História Cervejeira de Monges e Abadias
por Henrique Oliveira*
Lembro-me do ano de 2010 em que encontrei com o saudoso MarcoFalcone no fundo da Grand-Place em Bruxelas, mais precisamente na frente do
Carrefour Express da Rue Marche aux Herbes. Em minhas mãos estavam a Kriek
Saint Louis e a Maredsous Blond. Após fortes abraços, eu o convidei, junto com seu
filho Tiago Falcone e o Júnior da ACervA Paulista para tomamos algumas
cervejas dos tap handles da Lês Brasseus de La Grand-Place, (24 Rue de la
Colline), que produzia 4 estilos de chopes.
Anos antes, ainda mais jovem, meus pais se desconectaram de
mim e ficaram me procurando por aquela praça até que eles encontraram em uma visita no Museu
da Cerveja – a Maison Des Brasseurs, localizado em um edifício de 1698. Ambos
entraram no museu desceram alguns degraus e me reencontraram tomando um chope
no bar do Museu, como cortesia da casa. Esses foram dois momentos de vida que
passei em Bruxelas que para mim são inesquecíveis.
Para minha grata surpresa, a histórica Grand-Place de
Bruxelas, classificada como Patrimônio Mundial da UNESCO, transformou-se
oficialmente no maior bar a céu aberto do planeta. Teve início a 26ª edição do
Belgian Beer Weekend, o festival que dita o ritmo da cultura cervejeira global
e que, este ano, ganha um peso ainda maior. O evento marca a abertura dos
Belgian Beer Culture Days, uma celebração de 10 dias que comemora os 10 anos do
reconhecimento da cultura da cerveja belga como Patrimônio Cultural Imaterial
da Humanidade pela UNESCO. Um verdadeiro terroir cervejeiro.
Aos apaixonados por cervejas belgas, o festival é muito mais
do que um pretexto para degustar rótulos incríveis. Ele é uma viagem no tempo.
O grande diferencial da Bélgica para qualquer outro polo cervejeiro do mundo é
a sua conexão inabalável com o passado, mantida viva por cervejeiros europeus tradicionais, monges e monastérios seculares, que produzem inclusive cervejas medievais.
Enquanto o mundo moderno corre atrás de tendências rápidas,
a Bélgica preserva receitas que atravessaram guerras, invasões e crises. Beber uma cerveja belga na Grand-Place é, literalmente, consumir a história viva da Europa Ocidental.
Essa identidade foi moldada diretamente dentro dos muros de
monastérios e abadias medievais. Originalmente, os monges produziam a bebida
por motivos de subsistência e higiene, já que a água da época costumava ser
contaminada e o processo de fervura da cerveja a tornava segura para o consumo.
Com o tempo, a produção virou uma arte refinada por séculos de paciência,
silêncio e oração.
Organizado pela Associação dos Cervejeiros Belgas (Belgian
Brewers), o fim de semana reúne mais de 50 cervejarias de todas as regiões da
Bélgica. Os visitantes têm à disposição mais de 500 cervejas diferentes, que
vão desde as históricas e raras produções trapistas e de abadia até as
tradicionais Lambics, Gueuzes, Witbiers e as mais recentes inovações de
microcervejarias artesanais.
Além das degustações, o evento conta com uma programação cultural rica em história, como cerimônias tradicionais destacando a bênção da
cerveja, cortejos ricos em desfiles com antigas carroças cervejeiras que tomam
as ruas do centro de Bruxelas. Ainda a parada das Confrarias, que é realizado
no domingo às 12h, onde há o emblemático desfile das confrarias de cervejeiros
e a entronização de novos membros na prestigiada Knighthood of the Brewer’s
Paddle.
Caso esteja na região de Bruxelas não perca essa incrível oportunidade!
Belgian Beer Weekend 2026 – de 04 a 06 de setembro.
Sobre o Museu: https://beermuseum.be/pt
Fotos: do Autor/ Janaina Meireles (ACervA MG)/Ajuste IA.
(*) - Henrique Oliveira é Executívo Sênior de Governança, Riscos e Compliance
Alemanha em Minas: Oktoberfest BH 2026 une Tradição, 20
Cervejarias e Show do Biquini
A Oktoberfest BH está oficialmente de volta e promete
transformar Belo Horizonte em um verdadeiro reduto bávaro no dia 3 de outubro
de 2026, a partir das 12h.
O festival deste ano traz uma grande novidade na
infraestrutura: a mudança para a Nova Serraria (também conhecida como Gran
Serraria), um novo espaço amplo e estruturado na capital mineira pronto para
receber milhares de apaixonados por cultura alemã, boa música e, claro, chope gelado. O evento, que já se consolidou no calendário festivo de Minas Gerais,
promete sua edição mais histórica, misturando o folclore europeu com o calor do
público mineiro.
Cultura, Jogos e a Força das Cervejas Mineiras
A essência da Oktoberfest original de Munique estará muito
bem representada. Os organizadores do evento cervejeiro confirmaram uma imersão completa
na cultura germânica. O público poderá presenciar danças típicas e se encantar
com os frequentadores vestindo os tradicionais trajes da Baviera como Dirndl e
Lederhosen.
Para os que gostam de interagir, os famosos jogos
cervejeiros vão testar as habilidades e a resistência dos participantes. Na
parte gastronômica, um menu especial germânico com salsichas tradicionais, pretzels e
pratos típicos da culinária alemã estará disponível para harmonizar
perfeitamente com os chopes das mais de 20 cervejarias confirmadas ao som de
bandas de Rock, com detalhe a banda Biquini.
De Conde Drácula à Força do Urso, na Tradição
Cervejeira Romena
Quando estive nos Balcãs, fui até a região central da Romênia, mais
precisamente na Transilvânia, para visitar o famoso Castelo de Bran, que pertence à linhagem do Conde Drácula. Ao redor daquela "assombrada residência", rica em contos e folclore, imaginei quais cervejas eu tomaria com aquele homem de tamanha nobreza, em pleno fim do Período Medieval. Pensei logo em uma cerveja encorpada, bastante vermelha, no estilo Red Ale ou ainda uma do tipo Bock para tentar apaziguar a sua eterna sede de sangue.
Vlad III, comumente conhecido como Vlad Tepes, o Empalador, ou Vlad
Drácula, foi Voivoda da Valáquia três vezes entre 1448 e sua morte, em 1476.
Ele é frequentemente considerado um dos governantes mais importantes da
história da Valáquia e um herói nacional da Romênia. Visitar as pequenas ruas
da cidade histórica de Bran e o interior do castelo é algo simplesmente imperdível.
Comecei tomando a cerveja Stejar. Famosa no Leste Europeu e intimamente ligada ao orgulho
nacional da Romênia (sendo inclusive a patrocinadora oficial da seleção romena
de rugby). Stejar significa "Carvalho" em romeno, uma alusão direta à
força, robustez e tradição.
A narrativa cultural da cerveja na Romênia é antiga. Lendas
locais costumam associar as receitas de cervejas fortes da Transilvânia ao
século XVI, inspiradas nos antigos monges que produziam bebidas artesanais na
região do Mosteiro Cisterciense de Biertan. No entanto, o nascimento comercial
da Stejar como marca moderna aconteceu em 15 de dezembro de 2005. A Stejar não nasceu de
uma microcervejaria independente, mas sim do ventre de um dos maiores impérios
comerciais do país: a Ursus Breweries, cujo nome é uma referência ao urso carpatin ou urso-pardo dos
Cárpatos, uma subespécie do urso-pardo eurasiático
que habita a cadeia dos Montes Cárpatos, principalmente na Romênia.
A história de seus proprietários reflete a própria evolução
econômica global. Se puxarmos o fio do tempo para entender de onde vieram as
fábricas operadas pela Ursus, chegamos à tradicional corporação da família
Czell. Em 1892, eles adquiriram destilarias e fundaram a histórica Cervejaria
de Brașov, no bairro de Darste (há 80 quilômetros da Transilvânia). Uma das
unidades fabris viria a processar e envasar as grandes marcas do grupo ao
longo do século seguinte. Com o passar do tempo, a cervejaria passou pela SAB
Miller. Uma reestruturação global de ativos, o controle da Ursus Breweries e de
todo o seu portfólio (incluindo a Stejar) passou para as mãos da japonesa Asahi Group. Logo após tomar a Stejar, degustei a cerveja Ursus Retrô Nepasteurizată.
Outra cerveja que tiver a oportunidade de experimentar é oriunda de uma microcervejaria independente, fundada em 2013. Dois jovens empreendedores, Laurențiu
Bănescu e Alexandru Geamănu, romenos entusiasmados produzem de forma artesanal a
Zăganu (que significa "Águia-Barbuda"), na "Fabrica de Bere
Bună". Tomei a IPA, rica em lúpulos e uma de nome Rosie, no estilo Red Ale, no Restaurante La Ceaun, na cidade de Brasov. Achei ambas incríveis. Um detalhe que me surpreendeu nas cervejas artesanais foi o número de cervejas frescas, que não passam pelo processo de pasteurização. Trata-se de um atributo reconhecido pelos apreciadores e sommeliers. Muitas cervejas apresentam a nomeclatura "bere artizanală nepasteurizată" que significa "cerveja artesanal não pasteurizada". Entendi algo como um diferencial competitivo.
Ao lado do Castelo de Bran, continuei caminhando no hall das cervejas romenas, tomando uma cerveja artesanal não filtrada (artizanală nefiltrată) de nome Zboina, que foi desenvolvida em 2018, pelo mestre cervejeiro George Cristea para o Atelierul
de Bere ("Atelier da Cerveja"), que é uma divisão cervejeira criada por uma empresa muito tradicional
no ramo de vinhos chamada Vinexport Trade-Mark SA.
A empresa é amplamente
conhecida na Romênia por produzir vinhos finos vindos de famosas vinhas locais
(como Cotești e Odobești). A fábrica está localizada na cidade de Focșani, que
é a Capital do condado de Vrancea, na Romênia. Essa região fica na área histórica da Moldávia (sul da Romênia) e é mundialmente famosa por suas colinas repletas de vinhedos.
Finalizei a minha rota cervejeira da Romênia tomando duas cervejas populares:
a Bergenbier, produzida desde 1995. O próprio rótulo destaca as
frases "Răcorim România" (Refrescando a Romênia) e "Produs în
România" (Produzido na Romênia). A Bergenbier é fabricada na cidade de
Ploiești, localizada a cerca de 60 km ao norte da Capital, Bucareste.
A cerveja seguinte
foi a Silva Romanian Pale Ale. Foi criada originalmente em 1974, na cidade de Reghin, no Condado de Mures. (Essa é conhecida por ser a "Cidade dos Violinos", por produzir instrumentos de corda preciosos com madeira nobre local. Reghin também faz para da região da Transilvânia. Por isso "Silva" de TranSILVAnia). Atualmente, a cerveja Silva faz parte do portfólio da Heineken daquele país.
Contagem celebra cultura mineira com a Festa da Cerveja na
Praça Tancredo Neves
No dia 19 de setembro de 2026, a cidade de Contagem se
transformará no ponto de encontro oficial para os amantes de uma boa bebida,
culinária de raiz e muito rock and roll.
A Festa da Cerveja de Contagem promete agitar a região
metropolitana em um evento ao ar livre que acontece das 12:00 às 22:00. O palco
da celebração será a movimentada Praça Presidente Tancredo Neves, localizada no
bairro Camilo Alves, bem em frente à sede da Prefeitura Municipal. Com uma
proposta que une o melhor da tradição mineira de reunir amigos em volta da
mesa, o tradicional evento oferece 10 horas consecutivas de programação para toda a família
com mais de 50 tipos de comidas típicas. Haverá cervejas especiais produzidas
por cervejarias artesanais.
Os ingressos para a festividade são gratuitos e podem ser
retirados de forma antecipada pela plataforma oficial da Sympla.
Mais informações: https://www.sympla.com.br/evento/festa-da-cerveja-de-contagem/3540847?share_id=copiarlink
A Revolução no Copo: Nova Roda Sensorial do Lúpulo une
Ciência e Bares sob a Liderança de Amanda Reitenbach
Ferramenta que traduz a complexidade química do lúpulo em
aromas práticos ganha formato de "jogo americano" e promete
profissionalizar desde a produção no campo até a experiência no balcão.
O mercado de cervejas artesanais e produtos lupulados acaba
de ganhar um aliado definitivo para decifrar a "alma" da cerveja: o lúpulo. Fruto de um esforço conjunto entre a Universidade Federal de Santa
Catarina (UFSC), a Universidade de Brasília (UnB) e a Cervejaria Kairós, a nova
Roda Sensorial do Lúpulo foi chancelada e disponibilizada gratuitamente para o
público. À frente desse projeto inovador está a renomada cientista de alimentos
e sommelier de cervejas Amanda Felipe Reitenbach, que liderou a pesquisa
aplicada responsável por transformar dados moleculares complexos em uma
ferramenta visual e acessível.
O projeto, que levou dois anos de estudos intensos, atualiza
a clássica roda de aromas criada nos anos 1970 pelo cientista dinamarquês
Morten Meilgaard. A grande inovação liderada por Amanda foi conectar, de forma
direta e visual, os compostos químicos da planta com os aromas percebidos na taça, eliminando a necessidade imediata de laboratórios complexos para análises
de rotina nas cervejarias.
Doutora com foco em neurociência sensorial aplicada à
cerveja pela UFSC (em parceria com a prestigiada Versuchs- und Lehranstalt für
Brauerei - VLB, na Alemanha), Amanda Reitenbach tem dedicado sua carreira a
desmistificar a avaliação sensorial. Fundadora do Science of Beer Institute,
ela é uma das principais vozes da América Latina na formação de profissionais
do setor e na pesquisa sobre inteligência artificial e biotecnologia voltadas
ao paladar. Com a nova Roda Sensorial, Amanda e a equipe de pesquisadores do
Instituto de Química da UnB conseguiram mapear as substâncias orgânicas do
lúpulo — como mirceno, linalol e geraniol — que dão origem a perfis cítricos,
florais, herbais e frutados. O material organiza esses descritores em seis
níveis de informação. Um aroma herbal, por exemplo, é rastreado na roda até sua
origem química e associado a notas cotidianas de alecrim, hortelã ou chá verde.
Ciência que Ocupa o Balcão e Educa o Mercado
Para que o conhecimento não ficasse restrito aos
laboratórios acadêmicos, Amanda Reitenbach e os desenvolvedores registraram o
desenho industrial da ferramenta e a transformaram em um formato inusitado: um
jogo americano impresso. Segundo Amanda, o principal objetivo da iniciativa é
levar a ciência exatamente para onde a experiência de fato acontece. Bares,
taprooms, escolas de gastronomia e cervejarias podem baixar o arquivo
gratuitamente para treinar brigadas, realizar degustações guiadas ou educar o
consumidor final. A ferramenta atua de forma estratégica em diferentes frentes.
No Campo, o documento ajuda produtores nacionais a identificar o terroir das fazendas brasileiras e a avaliar o perfil sensorial das colheitas. Na Fábrica, é uma ferramenta que facilita aos cervejeiros a padronização de receitas, o controle de qualidade e o refinamento de técnicas como o dry hopping (lupulagem a frio). Já em concursos cervejeiros servirá como guia técnico unificado para
sommeliers e juízes em avaliações profissionais. No balcão dos bares, será capaz de traduzir o jargão técnico em referências reais para
o consumidor, permitindo escolhas mais intuitivas.
Mercado em Mutação e Acesso Gratuito
A chegada da ferramenta sobre esse insumo cervejeiro coincide com uma mudança clara no
comportamento do consumidor, que hoje busca cervejas com perfis extremamente
aromáticos, tropicais e de alta "drinkability" (fáceis de beber) —
como as populares Hazy IPAs. Além disso, o lúpulo ganhou espaço fora das
cervejas, compondo receitas inovadoras de chás e kombuchas.
Como parte do compromisso de Amanda Reitenbach com a
democratização do conhecimento cervejeiro, a Roda Sensorial do Lúpulo e o
e-book complementar “Cervejas Lupuladas: Perfil Sensorial, Compostos Aromáticos
e Inovações Tecnológicas” foram disponibilizados de forma 100% gratuita nos
portais oficiais das universidades parceiras. O trabalho consolida o papel da
pesquisadora como uma ponte essencial entre a ciência de ponta e o
fortalecimento do mercado nacional de cervejas.
A História da Cerveja no Amazonas: Da Belle Époque à Oktoberfest e ao
Movimento Artesanal
por Henrique Oliveira*
A relação do Amazonas com a produção de cerveja começou há
mais de um século, durante o auge do ciclo da borracha. A primeira indústria cervejeira da Região Norte surgiu em 10 de outubro de 1912, com a fundação da
histórica Cervejaria Amazonense, criada pelos irmãos Miranda Corrêa, no bairro
de Aparecida. O imponente prédio histórico à beira do Rio Negro operava com
maquinário trazido diretamente da Alemanha. A fábrica ficou famosa nacionalmente
por abrigar o primeiro elevador elétrico instalado no Brasil.
Muitas décadas após o encerramento da icônica marca
pioneira, o conceito de produção mudou. Publiquei no livro Brasil Beer: O Guia das Cervejas Brasileiras, a primeira microcervejaria artesanal legítima do
Amazonas, que nasceu em 10 de junho de 2002. Me refiro à Cervejaria Fellice. Instalada
no complexo do Studio 5 Shopping, a Fellice funcionou até 2015 e abriu as
portas para o mercado de cervejas especiais na capital manauara. Um capítulo de
grande relevância nessa evolução foi a chegada da Haus Bier, marca que faz
parte da rede idealizada pelo empresário Hermes Balcon, e que se instalou em
Manaus através de um sistema de franquias. Junto com essas duas fábricas, há
ainda Cervejaria Battuta que ficou conhecida pelo chopp de grande circulação em
eventos populares e festas regionais, sediada na Cachoeirinha.
O cenário contemporâneo de Manaus conta com marcas locais
consolidadas e taprooms que adaptam receitas clássicas europeias aos sabores e
frutos da floresta, como a Porto de Lenha - Tasca Amazônica, que tem como destaque
a produção de cervejas artesanais autorais feitas na própria casa,
com
coquetelaria integrada. Há ainda a Manaus Brew Shop: um ponto de encontro
tradicional da cultura local que reúne dezenas de torneiras de chopes
artesanais regionais e promove festivais como o IPA Day. Uma terceira empresa é
a Cervejaria Louvada de Manaus. Originalmente de Cuiabá, amplamente premiada no cenário nacional
que mantém forte distribuição e preferência na capital através de seu taproom.
Por fim, a Cervejaria Rio Negro: uma das marcas pioneiras no fornecimento e
distribuição de chopp em larga escala para bares e eventos no Amazonas, desde 2014.
Oktoberfest na Amazônia? Sim Existe!
A cultura cervejeira alemã ganha sotaque amazônico na
cobertura especial da temporada de festivais que agita Manaus. Entre os dias 18
e 19 de setembro de 2026, o bairro da Cachoeirinha recebe a 7ª Edição da
Oktoberfest Chopp Battuta. O festival de rua oferece entrada gratuita, shows de
rock e o tradicional chopp artesanal produzido localmente.
O grande ápice da temporada germânica no estado acontece no
dia 30 de outubro de 2026, com a inédita 1ª edição oficial da Manaus
Oktoberfest. O evento ocupa o Nova Era Hall (Studio 5) trazendo a autêntica gastronomia bávara, trajes tradicionais, danças folclóricas e a vinda especial
da tradicional Dauerlauf Band.
Saiba mais em: https://www.sympla.com.br/evento/manaus-oktoberfest/3506931?share_id=copiarlink
Fonte: MENDONÇA, Rosanna Lime de et al. Patrimônio Industrial e Memória: A Cervejaria Miranda Corrêa, 2020.
Foto: Amazonense (IA) Demais fotos: Divulgação/Instagram das Cervejarias.
(*) Henrique Oliveira é executivo de Governança, Riscos e Compliance