terça-feira, 5 de maio de 2026

Colorado e Patagonia: Fim?

O Fim de uma Era, ou Fake News?

Soltou na internet que a Ambev havia comunicado que deixará de comercializar os rótulos das cervejarias Patagonia e Colorado, no mercado brasileiro. Esse movimento poderia ser associado por ações anteriores, como o fechamento de espaços de experiência da marca, como a hibernação do bar Toca do Urso e o encerramento de rótulos específicos como a Indica IPA. O comunicado, que viralizou, gerou um movimento em busca por ambos rótulos, por parte de clientes, visando tomar o último gole.

O relatório do Primeiro Trimestre da Ambev apresentou uma estratégia de expandir a categoria, ou seja o segmento de cervejas.


O documento enfatiza que a gestão atual vem sendo pautadas com "escolhas equilibradas", priorizando marcas que oferecem maior escalabilidade e atendem à demanda atual, seja por produtos sem álcool (um crescimento de 15%), ou aqueles do segmento premium (aumento de 15%) que remetem a eventos relevantes e  internacionais, como shows com artistas estrangeiros, festivais globais ou ainda a Copa do Mundo. Nesse sentido, tirar a Patagonia e a Colorado do portfólio, isso seria verdade? Faria sentido ou é mero Fake News?

A Cervejaria Colorado foi fundada em 1996 em Ribeirão Preto por Marcelo Carneiro da Rocha, a Colorado tornou-se um ícone das cervejas artesanais brasileiras. Foi pioneira em misturar estilos tradicionais com ingredientes nacionais, como café, rapadura, mandioca e castanha do Pará. Em 2015, a Ambev adquiriu a marca para fortalecer seu portfólio premium. 

Marcelo Carneiro foi, junto com a Cervejaria Dado Bier, na década de 90, um dos prepulsores do movimento "Craft Beer Renaissance", no Brasil. Conheceu figuras como Randy Morsher, (quem criou os rótulos permanentes da marca), bem como Michael Jackson, o beer hunter mundial.

A Cerveza Patagonia foi criada em 2006 em uma garagem em Buenos Aires, a marca rapidamente evoluiu, estabelecendo sua famosa microcervejaria em Bariloche em 2016. Conhecida por utilizar lúpulos cultivados na própria região patagônica, a marca foi introduzida no Brasil pela Ambev em 2013, focando em rótulos como Amber Lager e Weisse. Em um tempo recente, a Patagonia produziu uma cerveja colaborativa (uma Red Ale com lúpulos patagônicos) com a Cervejaria Campos do Jordão, tendo o mestre cervejeiro Evandro Zanini frente ao projeto. Na época, tomei com enorme prazer essa boa cerveja.

Ao ler todo o relatório da Ambev, não há nada que confirme a extinção das marcas ou a retirada dessas portfólio. (Entretanto, não foi visto essas nas gondolas recentemente, nos principais supermercados e delicatessens. O mesmo vale para o Hoegaarden, não se tem visto à venda também.) 

A mudança estratégica, qualquer que seja, levanta questões sobre o futuro do mercado artesanal dentro das grandes corporações, com a Ambev, agora focada em plataformas digitais (e.g.: Zé Delivery) e marcas de estilo de vida. Seria uma perda lamentável, porém como qualquer grande corporação, o foco atual está na gestão do fluxo de caixa, em um momento em que a inflação da cerveja está em alta. (O que me lembra de um artigo que escrevi, onde para o atual cenário das cervejas especiais e artesanais: afinal, menos é mais?).

É certo que a Patagonia congelou e o Urso, hibernou. Me diga nos comentários. Aguardo a sua opinião.

Saiba mais em: https://ri.ambev.com.br/relatorios-publicacoes/divulgacao-de-resultados/

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