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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Transilvânia, Drácula e as Cervejas da Romênia

 

De Conde Drácula à Força do Urso, na Tradição Cervejeira Romena

Quando estive nos Balcãs, fui até a região central da Romênia, mais precisamente na Transilvânia, para visitar o famoso Castelo de Bran, que pertence à linhagem do Conde Drácula. Ao redor daquela "assombrada residência", rica em contos e folclore, imaginei quais cervejas eu tomaria com aquele homem de tamanha nobreza, em pleno fim do Período Medieval. Pensei logo em uma cerveja encorpada, bastante vermelha, no estilo Red Ale ou ainda uma do tipo Bock para tentar apaziguar a sua eterna sede de sangue.

Vlad III, comumente conhecido como Vlad Tepes, o Empalador, ou Vlad Drácula, foi Voivoda da Valáquia três vezes entre 1448 e sua morte, em 1476. Ele é frequentemente considerado um dos governantes mais importantes da história da Valáquia e um herói nacional da Romênia. Visitar as pequenas ruas da cidade histórica de Bran e o interior do castelo é algo simplesmente imperdível.

Se você é apaixonado pela cultura da cerveja dos Balcãs e gosta de descobrir rótulos que carregam histórias profundas e identidades marcantes, você precisa conhecer esse país. (A cultura é o motivo que inclui a Romênia nos Balcãs e entre a Europa Central e o Leste Europeu.) 

Comecei tomando a cerveja Stejar. Famosa no Leste Europeu e intimamente ligada ao orgulho nacional da Romênia (sendo inclusive a patrocinadora oficial da seleção romena de rugby). Stejar significa "Carvalho" em romeno, uma alusão direta à força, robustez e tradição.

A narrativa cultural da cerveja na Romênia é antiga. Lendas locais costumam associar as receitas de cervejas fortes da Transilvânia ao século XVI, inspiradas nos antigos monges que produziam bebidas artesanais na região do Mosteiro Cisterciense de Biertan. No entanto, o nascimento comercial da Stejar como marca moderna aconteceu em 15 de dezembro de 2005. A Stejar não nasceu de uma microcervejaria independente, mas sim do ventre de um dos maiores impérios comerciais do país: a Ursus Breweries, cujo nome é uma referência ao urso carpatin ou urso-pardo dos Cárpatos, uma subespécie do urso-pardo eurasiático que habita a cadeia dos Montes Cárpatos, principalmente na Romênia.

A história de seus proprietários reflete a própria evolução econômica global. Se puxarmos o fio do tempo para entender de onde vieram as fábricas operadas pela Ursus, chegamos à tradicional corporação da família Czell. Em 1892, eles adquiriram destilarias e fundaram a histórica Cervejaria de Brașov, no bairro de Darste (há 80 quilômetros da Transilvânia). Uma das unidades fabris viria a processar e envasar as grandes marcas do grupo ao longo do século seguinte. Com o passar do tempo, a cervejaria passou pela SAB Miller. Uma reestruturação global de ativos, o controle da Ursus Breweries e de todo o seu portfólio (incluindo a Stejar) passou para as mãos da japonesa Asahi Group. Logo após tomar a Stejar, degustei a cerveja Ursus Retrô Nepasteurizată.

Outra cerveja que tiver a oportunidade de experimentar é oriunda de uma microcervejaria independente, fundada em 2013. Dois jovens empreendedores, Laurențiu Bănescu e Alexandru Geamănu, romenos entusiasmados produzem de forma artesanal a Zăganu (que significa "Águia-Barbuda"), na "Fabrica de Bere Bună". Tomei a IPA, rica em lúpulos e uma de nome Rosie, no estilo Red Ale, no Restaurante La Ceaun, na cidade de Brasov. Achei ambas incríveis. Um detalhe que me surpreendeu nas cervejas artesanais foi o número de cervejas frescas, que não passam pelo processo de pasteurização. Trata-se de um atributo reconhecido pelos apreciadores e sommeliers. Muitas cervejas apresentam a nomeclatura "bere artizanală nepasteurizată" que significa "cerveja artesanal não pasteurizada". Entendi algo como um diferencial competitivo.

Ao lado do Castelo de Bran, continuei caminhando no hall das cervejas romenas, tomando uma cerveja artesanal não filtrada (artizanală nefiltrată) de nome Zboina, que foi desenvolvida em 2018, pelo mestre cervejeiro George Cristea para o  Atelierul de Bere ("Atelier da Cerveja"), que é uma divisão cervejeira criada por uma empresa muito tradicional no ramo de vinhos chamada Vinexport Trade-Mark SA. 

A empresa é amplamente conhecida na Romênia por produzir vinhos finos vindos de famosas vinhas locais (como Cotești e Odobești). A fábrica está localizada na cidade de Focșani, que é a Capital do condado de Vrancea, na Romênia. Essa região fica na área histórica da Moldávia (sul da Romênia) e é mundialmente famosa por suas colinas repletas de vinhedos.


Finalizei a minha rota cervejeira da Romênia tomando duas cervejas populares: a Bergenbier, produzida desde 1995. O próprio rótulo destaca as frases "Răcorim România" (Refrescando a Romênia) e "Produs în România" (Produzido na Romênia). A Bergenbier é fabricada na cidade de Ploiești, localizada a cerca de 60 km ao norte da Capital, Bucareste. 

A cerveja seguinte foi a Silva Romanian Pale Ale. Foi criada originalmente em 1974, na cidade de Reghin, no Condado de Mures. (Essa é conhecida por ser a "Cidade dos Violinos", por produzir instrumentos de corda preciosos com madeira nobre local. Reghin também faz para da região da Transilvânia. Por isso "Silva" de TranSILVAnia). Atualmente, a cerveja Silva faz parte do portfólio da Heineken daquele país.

Se um dia o leitor visitar o mundo de Conde Drácula, dedique um tempo para experimentar as maravilhas cervejeiras, seu terroir e a gastronomia da Romênia. ("Tudo vale a pena, se a alma não é pequena"). 

Recomendo. Um brinde!

Saiba mais : https://bere-zaganu.ro/en e https://www.laceaun.ro/

Fotos: BV-F-00330-1-H-1-b, Vedere a Fabricii de bere ,,Czell” din Dârste, 1900, Artist. Wikipedia; IA; do Autor.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Porto Beer Fest 2026


Porto Celebra 10 Anos de Beer Fest em Grande Estilo

Há 10 anos, Portugal celebra a história da cerveja no Porto, para o Porto e para o mundo. Segundo o Instagram do evento, é naquela cidade que se vive a essência da Nação e da Cultura Cervejeira. Ou seja, o Porto é muito além de seus famosos e históricos vinhos nobres.

Durante os dias 17 e 21 de junho de 2026, 80 cervejarias de mais de 40 países, e mais de 50 cervejarias portuguesas, serão os ingredientes do maior festival da Península Ibérica e um dos mais reputados da Europa. O encontro será nos Jardins do Palácio de Cristal.

Sobre o Palácio

Inspirado pelo Crystal Palace da Grande Exposição de Londres (1851), o Palácio de Cristal do Porto foi projetado pelo arquiteto inglês Thomas Dillen Jones. 

Inaugurado em 1865 pelo Rei D. Luís, o edifício foi construído para a Exposição Internacional do Porto. A estrutura era uma obra-prima da arquitetura do ferro e vidro do século XIX. Com 150 metros de comprimento, era sustentado por colunas de granito e coroado por uma cúpula central imponente. Durante quase um século, foi o epicentro cultural da cidade, recebendo desde exposições agrícolas e industriais até concertos e eventos sociais de prestígio, como a Exposição Colonial de 1934.

Os Jardins do Palácio de Cristal, localizados na freguesia de Massarelos, são um dos espaços verdes mais emblemáticos e visitados da cidade do Porto. Com cerca de oito hectares, o parque é famoso pelas suas vistas panorâmicas sobre o rio Douro e pela presença de pavões que circulam livremente pelos gramados.



Endereço: Rua Dom Emanuel II, Massarelos, Porto.

Saiba mais e informações: https://www.instagram.com/portobeerfest_oficial/7

Foto: Gabriel Lorenzi/Redes Sociais

segunda-feira, 30 de março de 2026

Cervejas Medievais do Báltico

 

As cervejas medievais e artesanais de Tallin, Estônia

A Estônia está localizada na Europa Setentrional, sendo reconhecida como um país da região do Norte da Europa e como parte dos Países Bálticos, situando-se na região do Mar Báltico. Tallinn, capital da Estônia, é conhecida por seu centro histórico medieval perfeitamente preservado, atmosfera cultural vibrante e uma cena gastronômica que combina tradição e modernidade. Trata-se de uma cidade muralhada, com inúmeras atrações. Entre seus destaques culinários cito dois restaurantes emblemáticos que além de carnes especiais, possuem cervejas artesanais próprias.

Localizado no coração da Cidade Antiga, visitei o Peppersack, em português, “Saco de Pimenta”. O restaurante, fundado em 2002, está localizado em um antigo armazém de pimentas do reino e outras especiarias, oferece pratos tradicionais estonianos em um ambiente de inspiração medieval. A casa é

famosa por seu clima histórico e por sua cerveja artesanal (em estoniano Käsitööõlu) produzida segundo receitas antigas, um dos atrativos que enriquecem sua identidade gastronômica. Garçons se vestem com roupas típicas e suas mesas e cadeiras são em estilo rústico. Oportunamente, durante o jantar, você poderá assistir atores realizando duelos de espadas, uma espécie de teatro medieval superinteressante. 


Tomamos as cervejas da casa (são chamadas de Majaõlled), uma Dark Amber e uma Herb Beer. Há também uma Honey Beer, cervejas essas que não usam lúpulo, pois naquela época usavam-se ervas e mel para "temperar" a cerveja. (Me refiro as cervejas do Estilo Gruit.) A casa oferece pães artesanais e bolos e confeitaria de sobremesa. A comida é típica e bastante saborosa.


O segundo restaurante é o tradicional Olde Hansa, em português, "Velha Tribo", fundado em 1997. A casa, representa o estilo medieval associado ao termo “Hansa”, remetendo à Liga Hanseática, os mercantes da época. Ele entrega uma experiência totalmente imersiva, com

pratos e bebidas inspirados no século XV. O edifício originário do ano de 1300 e foi reconstruído em 1665, após um desabamento. 

O ambiente é de penumbra, com luzes baixas e muitas velas, para retratar o período medieval. Pratos e talheres são todos rústicos, incluindo os copos de vidro. Ao tomar as cervejas da casa, infelizmente não se vê a cor da bebida, pois essas são fornecidas em jarras e canecas de porcelana artesanal, trabalhada a mão.

Como o Olde Hansa fornece carnes exóticas "Para o Deleite da Realeza", comi um prato contendo carne de alce. Meu pai comeu carne de urso, cujo prato tem o nome de "O Urso, Rei da Floresta", servido com Molho Real de Urso, com Açafrão, Espelta e os melhores acompanhamentos do Grande Chef.

As cervejas que tomamos, fabricadas artesanalmente e com exclusividade para o restaurante, foram as Dark Herbal Beer e a Ginger Beer.

Região de contrastes, os Bálcãs foram moldados por impérios como o Grego, o Romano, o Bizantino e o Otomano, resultando em um mosaico único de arquitetura, gastronomia e tradições. É um local que merece ser estudado e visitado. Boa viagem!







sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Globo Repórter 2016 - Bélgica


Globo Repórter apresenta a cultura e a gastronomia da Bélgica 

Globo Repórter sobre a Bélgica, sede da União Europeia. O documentário destaca a boa cultura e a gastronomia regional o que inclui chocolates, waffes e naturalmente, cervejas belgas. Aproveite a gravação abaixo, pois vale a pena assistir de novo. Abra uma cerveja especial e aprecie!




sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Cervejaria dos Balcãs

Medvedgrad, a Cervejaria de Zagreb

por Henrique Oliveira

Amigos, peço desculpas pela ausência temporária no Blog. O fato é que estive nas últimas semanas na região dos Balcãs. Os Balcãs, ou Península Balcânica, formam uma grande região geográfica no sudeste da Europa. O nome vem de uma palavra turca que quer dizer "monte" ou "cordilheira. Diversos países ocupam os Balcãs, como Albânia, Croácia, Eslovênia, Grécia, Montenegro, Sérvia, partes da Romênia, o Kosovo, Macedônia, e entre outros. Conheci lugares interessantes que terei prazer em transmitir para vocês.

Um desses locais é a cidade de Zagreb. Essa é a capital da Croácia e a maior, em termos populacionais.

Zagreb está localizada na região do Rio Sava e do Monte Medvednica. Trata-se de uma encruzilhada entre a Europa Central e o Mar Adriático.  

Uma das cervejarias visitadas foi a Cervejaria Medvedgrad, fundada em 1994. Estive no Pub da fábrica numa região central da cidade o Mali Medo. Experimentei as diversas cervejas que foram servidas frescas, uma vez que as chopeiras da casa são de fato geladeiras antigas onde ficam armazenados barris de 15 litros. Dentre as cervejas em chope a que mais se destacou foi a Fakin Ipa.


Há outros estilos como Pale Ale e Weiss. O ambiente do Pub é bem agradável e a sua melhor parte fica do lado de fora deste, pois há um contato direto com o movimento daqueles que passam pelo calçadão da Rua Tkalčićeva, no coração do centro histórico, esse tipicamente medieval. 

Internamente, o cheiro de cigarro é forte, uma vez que o uso do tabaco dentro dos estabelecimentos ainda é permitido. O preço das cervejas é modesto e a comida agradável. 

Curiosamente, Medvedgrad (pronuncia-se [ mědʋedɡraːd ], em croata significa "Cidade do Urso". Em húngaro: Medvevár ). Trata-se de uma cidade medieval fortificada localizada a cerca de 10 km ao norte de Zagreb, na encosta sul da montanha Medvednica. Há um castelo de mesmo nome (e que está estampado na logomarca da cervejaria.)

Se você planeja passar um dia na Croácia, essa cervejaria eu recomendo.
Mais informações visite o site: http://www.pivnica-medvedgrad.hr/?lang=en

PUB MALI MEDO

Tkalčićeva 36, 10 000 Zagreb

T. 01 4929 613


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