Há alguns anos atrás, tive oportunidade de me despedir de Munique com destino ao povoado
de Andechs. Quando cheguei na região, me lembro que não havia conseguido
hospedagem (na época não havia internet para fazermos reservas on-line). Um recepcionista de um hotel local me deu a dica em dormir no Chevrolet
Astra que havia alugado, no estacionamento do Mosteiro de Andechs, mais
conhecido por Kloster Andechs, um dos mosteiros mais antigos da Alemanha.
No dia seguinte, tão cedo bateram os raios de sol, o calor tomou conta do interior do veículo. Com um pouco de água mineral, consegui lavar meu rosto e escovar os
dentes. Desci do carro, ajustei a roupa, e resolvi tirar algumas fotos do lado
externo daquele mosteiro da Ordem de São Bento. Um monge passou pela calçada e me
indicou o caminho da entrada.
A Igreja é imponente e estava parcialmente em reforma. Do alto, se observava um vale imenso,
bonito que merecia tirar uma bela foto. Realizei as minhas preces agradecendo
pelo momento em que me encontrava. Tive o privilégio em ser o único visitante
naquele início da manhã. Havia um segundo monge, que ajustava uma peça sacra na igreja.
Fui até ele para perguntar sobre a cervejaria. O sacerdote apontou-me para uma pequena
escadaria, localizada dentro da Igreja, que me levou para a parte debaixo do
templo.
Ao chegar na cervejaria da monastério, (fui o primeiro visitante) vi um monge mais sênior carregando uma bandeja imensa de joelhos de porco totalmente fritos. Pasme! Havia pelo menos 60 peças. Até esse ponto tudo bem, algo normal para uma cervejaria típica que oferece alimentos para seus consumidores. O que realmente me chamou a atenção, foi quando um cidadão alemão entrou na cervejaria. Vestido a caráter, usando traje Lederhosen – a tradicional bermuda de couro bávara, meiões brancos, sapatos em couro, além de suspensórios e utilizando chapéu tirolez, aquele senhor de, aparentemente uns 50 anos, abriu por meio de um molho de chaves, um armário de krugs ("caneco", em alemão). Ele retirou a sua caneca personalizada, pediu ao monge para lavá-la. Na sequência, solicitou que a enchesse de cerveja. Isso, às 9:00 da manhã! O senhor cervejeiro veio a minha direção. Sentou-se ao meu lado, olhou para mim, de cima a baixo, e resmungou: “E você? Está fazendo o quê por aqui? Não vai tomar uma comigo não?! Cadê meu companheiro?”
Desde aquela época até os dias de hoje, a cervejaria do mosteiro de Andechs é um negócio essencial para manter a autossuficiência da comunidade. Todo o lucro gerado pela venda das bebidas é revertido na manutenção do mosteiro e em projetos sociais, como o auxílio a pessoas em situação de rua em Munique. A propósito, a fábrica de cervejas é moderna. Não se trata de uma cervejaria medieval ou rudimentar.
A seguir, deixo os comentários que fiz no guia Fodor's Econômico Alemanha (1995), que também o utilizei em outras viagens que fiz por aquele país. Esse guia era o único disponível na época. (O Guia da Folha de São Paulo foi lançado anos mais tarde.)
Se você estiver ou for na Baviera, não deixe de conhecer esse lugar ícone. Tomar cerveja em um mosteiro alemão será algo realmente marcante na sua viagem. Eu garanto!
Prosit!
Mais informações: https://www.andechs.de/en/monastery-brewery.html
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