Um marco em Norcia: o mosteiro produtor de cervejas torna-se uma abadia
Publicado em 28/05/2024
Num decreto de 25 de maio de 2024 para a festa de São
Gregório VII, grande papa beneditino, o Priorado de San Benedetto de Monte foi
elevado à categoria de abadia. Esta elevação canónica trouxe honra e dignidade
ao mosteiro ao celebrar o seu 25º ano. Os monges estão profundamente gratos a
todos aqueles que tornaram possível este marco, em particular ao Abade Primaz
da Ordem Beneditina, Dom Gregory Polan, O.S.B. e seu conselho, o Arcebispo de
Spoleto-Norcia, Renato Boccardo, e especialmente o prior fundador, Dom Cassian
Folsom, O.S.B.
Para quem gosta de cervejas, essa novidade vem para melhorar
o produto. A abadia é produtora da linha de cervejas Núrsia.
Birra Nursia é fabricada pelos monges beneditinos de Norcia
Inaugurada em 2012, Birra Nursia é a forma de viver dos
monges pelo trabalho das próprias mãos (Regra de São Bento) enquanto constroem
uma ponte entre o mundo secular e o espiritual.
Com a sua indústria viável em curso, exportando cervejas
para os EUA e outros lugares, os monges tentam ser autossustentáveis e
angariar fundos para construir a sua nova casa, ao mesmo tempo que partilham os
seus lucros com os mais necessitados no vale, atingidos por um terramoto.
São produzidos 3 estilos a Bionda (uma Golden Ale), Extra (uma Dark Brown) e uma Tripel (Tripel Ale). Saiba mais quem são os monges, a sua abadia e cervejaria.
Spencer Brewery: A primeira cervejaria trapista fora da Europa
A primeira cervejaria trapista fora
da Europa iniciou a sua produção e espera revender suas garrafas ainda nessa
próxima semana
Os monges da Abadia de São José na cidade de Spencer, Massachusetts, estão
engarrafando a Cerveja Spencer Trappist Ale fabricada em uma area de 24 mil
metros qudrados, sede do monastério. Essa
cervejaria sera a nona trapista no mundo juntando com a Chimay, Orval, e outras
marcas já conhecidas. O monge Isaac Keeley, que trouxe do outro continente as
operações da cervejaria, chama a Cerveja de “Ale de Refeitório” em referência à
sala de jantar que os monges se encontram para ceiar. Levando em consideração
que os 63 membros da Abadia normalmente comem rapidamente ou são hávidos a
leitura durante as refeições, eles poderão beber uma cervejinha no jantar nos domingos a noite.
Orval pode perder o selo de autenticidade trapista
por Fabian Ponzi
Uma das cervejas trapistas mais apreciadas e admiradas está
prestes a perder o selo de autenticidade. Chorem, fãs da Orval! Por falta de
monges na Abadia de Notre Dame d’Orval, para manter a produção o mosteiro está
tendo que, cada vez mais, contratar trabalhadores de fora, o que vai de
encontro aos requisitos da International Trappist Association, que reza que a
cerveja deve ser feita dentro de uma abadia e sob a supervisão de monges
trapistas.
Oficialmente uma cervejaria desde 1931, a Orval foi a
primeira cerveja trapista a ser vendida a nível nacional na Bélgica e,
posteriormente, a nível internacional. Sua produção anual é de 70.000
hectolitros e não existe a intenção de aumentar a produção, que já atingiu seu
limite. O problema é que o número de monges na abadia está caindo a cada
década. Para se ter uma ideia, na década de 80, o mosteiro contava com 35
monges. Já, atualmente, o número caiu para 12.
“Obviamente, nós queremos ver novas pessoas vindo até nós,
mas monges não são encontrados através de headhunters”, diz irmão Bernard,
monge de Orval há mais de 40 anos. A escassez de pessoas dispostas a entrar
para a vida religiosa é uma realidade atual e vem acarretando o fechamento de
vários mosteiros na Europa.
“Tudo o que podemos fazer é esperar que as pessoas que
queiram seguir esse caminho de vida apresentem-se à abadia”, conclui irmão
Bernard. E nós do Bebendo Bem apelamos aos que tem Jesus no coração que sigam
esse caminho de fé e amor. Deus e a Orval precisam de vocês!
Conheça igrejas centenárias que viraram cervejaria,
livrarias e boate Restaurados, templos religosos de até 700 anos atrás abrigam
negócios. Estabelecimentos laicos preservam bancos, vitrais, confessionário e
altar.
O ambiente de uma igreja parece não combinar com um bar ou
uma discoteca, mas os proprietários da cervejaria Church Brew Works, nos EUA, e
da boate Paradiso, na Holanda, parecem não se importar com isso. Eles montaram
seus negócios em igrejas centenárias, que em vez de fiéis recebem hoje
consumidores interessados em apreciar bebidas alcoólicas ou dançar em um espaço
fora do comum.
Church Brew
Works (Pittsburgh, EUA)
"E no oitavo dia... o homem criou a cerveja".
Assim essa cervejaria se apresenta aos clientes em seu site. O estabelecimento
funciona em uma igreja batista do início do século 20 em Pittsburgh. Após ser
atingida por um incêndio em 1915, ela ficou fechada por mais de 80 anos. Em
1999, a cervejaria abriu suas portas. Segundo a empresa, a restauração da igreja foi feita com
todo o cuidado, usando peças originais. Os bancos, por exemplo, foram cortados
para servirem de assento para os clientes nas mesas. A madeira que sobrou foi
usada no bar. Perto dele, fica um dos confessionários, intacto. As luminárias
foram repintadas e os tanques de aço com a bebida ficam em frente ao altar, “no
fundo celestial azul”, afirma a empresa.
St. Stefanus é uma cerveja de abadia originária da ordem
agostiniana de Ghent. O nome da cerveja vem do monastero de St. Stefanus, que
foi fundado em 1295 e é a sede da ordem Agostiniana do país. A cervejaria está
sob a tutela da Birreria Peroni, de origem Italiana, fundada por Francesco
Peroni, na cidade de Vigevano.
Vigevano é uma comuna italiana, histórica, localizada na
região da Lombardia, na província de Pavia, a cerca de 30 km de Milão.
A St. Stefanus é uma cerveja não pasteurizada e não
filtrada, de alta fermentação. É brassada com três leveduras diferentes,
incluindo a Jerumanus, que é a levedura original do monastério. A cerveja
é posta em cave por um mínimo de três meses para que os seus aromas se
desenvolvam. Depois, continua a amadurecer na garrafa até ser aberta em
até 2 anos.
A St. Stefanus tem um malte fino e agradável, com notas
florais, de especiarias (coriandre) e de levure. A final é ligeiramente
amargosa e picante.
(A foto a seguir, refere-se ao altar da Abadia de St Stefanus.)
A St. Stefanus está disponível em vários tipos,
incluindo a St. Stefanus blonde, a St. Stefanus blanche, a
St. Stefanus Grand Cru e a St. Stefanus Brune. Assista ao vídeo! Aproveite e um brinde!
Quem lembra do último Papa certamente lembrará da cerveja Alemanha feito para Bento XVI.
Como ainda não há uma nova cerveja para o Papa Francisco, resolvi tomar uma cerveja "beneditina", em homenagem a sua estada. Essa veio do Sam's Club de Contagem, MG.
A cerveja Benediktiner é o resultado da união entre as cervejarias Bitburger e a Ettal Monastery, que segue desde 1330 a receita original dos monges beneditinos. O monastério de Ettal está localizado na região da Baviera, sudeste da Alemanha.
Feita com malte de trigo e cevada, a Benediktiner é uma cerveja frutada e encorpada, considerada uma cerveja Gourmet.
Detalhes do rótulo: Graduação Alcoólica: 5,4%vol. Cor amarelo turvo com reflexos âmbar. Possui bom corpo, frutada, textura cremosa e macia. Final fresco.
Cerveja produzida por monges acelera economia de pequena cidade da Bélgica
Bebidas foram exportadas uma vez aos EUA; embalagem com seis unidades custa US$ 27
The New York Times| - Atualizada às
À primeira vista, esta singular cidade belga tem poucas atrações –uma charmosa igreja paroquial de tijolos e um alto moinho de vento de madeira no principal cruzamento da cidade. Porém, ela tem a melhor cerveja do mundo.
Nos últimos anos, vários sites que pedem a tomadores de cerveja para avaliar as bebidas favoritas concederam tal honra a um forte fermentado escuro conhecido como Westvleteren 12. Na verdade, o entusiasmado site norte-americano RateBeer.com deu o bicampeonato à cerveja, destronando a Narke Kaggen Stormaktsporter, cerveja escura sueca.
Mesmo assim, os moradores de Vleteren, com população de 3.700 habitantes, têm sentimentos ambíguos. A cerveja é produzida há um século e meio pelos monges trapistas da abadia local, São Sisto, aninhada em terras cultiváveis no limite da cidade. Claramente, a fama recente deu uma melhorada na economia local, beneficiando restaurantes, pensões e lojas locais que atendem peregrinos e turistas atraídos à abadia pela cerveja saborosa e de tom escuro.
"É muito bom para nós", afirmou Stephan Mourisse, 46 anos, tabelião que é o prefeito da cidade em meio expediente. "Não precisamos anunciar, nossas pensões vivem cheias, por causa da cerveja." Segundo ele, doze anos atrás, se você quisesse uma Westvleteren 12, bastava ir a São Sisto e comprar uma. Hoje, explica o prefeito, num dia de tempo bom a fila de carros à espera para comprar a bebida pode se estender por cinco quilômetros.
Crise europeia
O tônico para a economia local não poderia ter vindo em melhor hora, com a Bélgica sentindo a recessão que aflige a Europa inteira. Em Liége, porção leste do país, uma importante fundição de aço anunciou em janeiro a dispensa de 1.300 pessoas. Um mês antes, a Ford divulgou o fechamento de uma fábrica de automóveis na vizinha Genk, afetando aproximadamente dez mil empregos. Já a cerveja, por ora, mantém a pequena Vleteren a salvo.
Nos últimos anos, nasceu uma segunda microcervejaria, talvez inspirada nos monges. Em 2005, várias pessoas que administravam uma fazenda de avestruzes começaram a produzir uma cerveja escura do tipo forte, com 12%de teor alcoólico, similar à fabricada pelos monges.
Agora, a demanda por suas vigorosas "ales" e "stouts" escuras, cuja marca é De Struise (avestruz em holandês) – é tão grande que a empresa está se expandindo para um prédio escolar abandonado.
Urbain Coutteau, 51 anos, mestre cervejeiro da nova cervejaria, conduz o visitante por um depósito de barris de carvalho usados; alguns, vindos do Estado norte-americano do Kentucky e que antes armazenavam Bourbon, e outros, vindos de regiões vinícolas francesas, agora são empregados para envelhecer cerveja.
De acordo com ele, os monges de São Sisto não são concorrentes. "Eu os vejo como colegas santificados, é essa mesma a palavra. Se desejo visitá-los, simplesmente vou lá. Nós temos um bom relacionamento, nos respeitamos."
Segundo Coutteau, a cerveja está estimulando a vida econômica de todo mundo. "Muitos peregrinos vêm aqui. Eles precisam comer, dormir, as pessoas não voltam no mesmo dia." Eles visitam outras cervejarias, como a vizinha Saint Bernardus ou os túmulos de guerra tão frequentes nesta região, os campos de Flandres, onde foram travadas grandes batalhas da I Guerra Mundial.
Contudo, se a De Struise está crescendo, o que aumenta a atratividade da Westvleteren 12 dos monges é a recusa em aumentar a produção além dos aproximadamente 500 mil litros mantidos há mais de 60 anos ou abastecer lojas e bares da região. Esqueça a exportação.
Somente uma vez, ano passado, eles venderam para o exterior, despachando a cerveja para os Estados Unidos, uma embalagem de seis unidades custava US$ 85. Porém, isso foi apenas para financiar a reconstrução dos prédios da abadia, concluída no ano passado, a qual estava em péssimo estado de conservação.
A popularidade da Westvleteren criou empregos, ainda que em número modesto. Seis leigos trabalham na abadia, incluindo cinco na cervejaria e mais cerca de uma dúzia num restaurante e na loja de presentes nas proximidades dos portões da abadia. Já os monges, todos os 21, insistem que em primeiro lugar são homens de Deus, não vendedores de cerveja.
"Muitas pessoas pegaram carona" no sucesso da Westvleteren, disse Mark Bode, leigo que trabalhou para os monges por dez anos e agora atua como uma espécie de porta-voz. "É a cerveja que dá ao vilarejo sua visibilidade."
"Porém, esse não é o objetivo principal", ele acrescentou, bebericando chá no restaurante, enquanto os visitantes transportavam as embalagens de meia dúzia – máximo de duas por freguês – a US$ 27 cada, agarrando-as como se fossem lingotes de ouro. "Os monges são ambíguos. Eles se orgulham do produto, mas não querem estar associados unicamente com a cerveja. No presente momento, eles adotaram essa linha."
"Uma das maiores coisas que eles dão à região é o silêncio", Bode declarou, aludindo à prática trapista de preferir não falar sempre que possível. Cervejas como Westvleteren e De Struise ajudam a transformar a Bélgica numa potência cervejeira. A Anheuser-Busch InBev, maior cervejaria do mundo, tem a matriz em Louvain, a leste da capital, Bruxelas. Embora muitas das 200 marcas da empresa, como Bud Light ou Beck, sejam qualificadas como valiosas, poucas entram nos rankings das melhores nos sites populares. Mesmo assim, não existe inveja.
"A ampla variedade, estilo e o número de cervejas belgas coloca a Bélgica no mapa como um país de referência para cervejas de qualidade", Natacha Schepkens, porta-voz da empresa, escreveu em e-mail. "Existe espaço para todos os protagonistas."
Tirando os benefícios econômicos, as pessoas de Vleteren simplesmente desfrutam sua cerveja. "Durante o dia, eu bebo Fanta", disse Hanne Versaevel, 32 anos, policial e mãe de duas crianças. "À noite, eu tomo uma Westvleteren porque ela é forte." "Nós temos muito orgulho dela", ela concluiu.
Contudo, Marianne Soutaer-Boutten, que toca o Cafe De Sterre nas proximidades do centro da cidade, não concorda com o júbilo geral, lamentando o fato de que os restaurantes e bares locais não consigam comprar cerveja dos monges. Na vizinha Bruges, é possível encontrar uma garrafa de Westvleteren por quase US$ 35. Provavelmente, a cerveja está sendo revendida, um problema enfrentado pelos monges.
Entretanto, não dá para comprá-la em Vleteren, tirando o mosteiro. Ela denuncia o bochicho que cerca a Westvleteren ao argumentar que a "ale" Saint Bernardus vendida em seu café é tão deliciosa quanto. "Dá para comprar uma camiseta com a marca Lacoste ou uma camiseta no supermercado, mas, no fim das contas, é a mesma camiseta."