Mostrando postagens com marcador Monges Trapistas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Monges Trapistas. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Monges, Monastérios e a Cerveja

 

A Influência dos Monges, Monastérios e Abadias na História e Cultura da Cerveja

A história da cerveja na Europa — especialmente a partir da Idade Média — está profundamente entrelaçada à vida monástica. Os monges não apenas preservaram conhecimentos de fabricação durante séculos turbulentos, mas também elevaram a cerveja à categoria de produto refinado, padronizado e culturalmente significativo. Até hoje, muitas das cervejarias mais respeitadas do mundo carregam o legado desses religiosos.

Durante a Alta Idade Média, a Europa enfrentava instabilidade política, guerras, epidemias e escassez de registros escritos. Os monastérios se tornaram centros de preservação do conhecimento — copiando manuscritos, estudando agricultura e desenvolvendo técnicas artesanais. Entre essas atividades, destacava-se a produção de cerveja. Por que os monges fabricavam cerveja?

Tratava-se de segurança alimentar: a água muitas vezes era insalubre; ferver para produzir cerveja tornava o líquido mais seguro. A cerveja servia de sustento econômico, pois podia ser vendida ou trocada, financiando as ordens e as abadias. Adicionalmente, a cerveja era elemento de hospitalidade, ou seja, as Abadias eram obrigadas a oferecer abrigo e alimentação a viajantes — a cerveja era parte essencial dessa acolhida. Havia também uma questão de sustentabilidade ou autossuficiência, pois a vida monástica exigia que os mosteiros produzissem tudo que consumiam.


Inovações dos Monges na Produção Cervejeira

Os monges foram responsáveis por várias melhorias fundamentais no processo de fabricação. O uso sistemático do lúpulo era um desses itens. Embora o lúpulo já fosse conhecido, foram os monges — especialmente os beneditinos e, depois, os cistercienses — que consolidaram seu uso para melhorar o sabor, ampliar a conservação de cerveja e equilibrar a doçura do malte. Essa prática substituiu misturas aleatórias de ervas conhecidas como gruit.

Graças a escrita, os monges efetuaram a padronização das receitas cervejeiras. Os monastérios registravam detalhes das brassagens, criando padrões que aumentavam a consistência, a qualidade e o controle sobre os ingredientes. Essa prática foi essencial para tornar a cerveja um produto mais estável. Com padronização, houve a organização da produção, (método). A vida monástica, com horários e tarefas regimentadas, permitiu que as atividades na cervejaria aumentassem a escalas de produção, a divisão de funções e o controle de estoques e tempos de fermentação.

Alguns monastérios produziam diferentes tipos de cerveja: uma mais leve para os monges (praticamente para o consumo diário), uma mais forte para hóspedes e versões robustas para ocasiões especiais.

Interface gráfica do usuário, Site

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.

Essas cervejas são altamente valorizadas por características típicas, como a fermentação em garrafa, o uso de leveduras complexas que geram aromas secundários, destacando sabores frutados e condimentados.

 As Receitas Monásticas e Suas Características

As receitas tradicionais desenvolvidas pelos monges combinam o uso de maltes ricos, a adição generosa de açúcar ou candy sugar, bem como a fermentações em temperaturas mais quentes (ale) e o uso de leveduras com perfis aromáticos marcantes.

 A Influência dos Monges na Cultura Cervejeira Moderna

Atualmente, o papel dos monastérios na modernidade é marcado pela tradição e história. Os mosteiros mantêm técnicas históricas, preservando processos que remontam aos séculos XI–XIV. Suas produções apresentam excelência em termos de qualidade mundial que inspiram milhares de cervejarias ao redor do mundo a seguirem os seus passos, por meio de suas receitas milenares, por meio de estilos como Dubbel, Tripel, Quadrupel, Blonde Ale Belga, Belgian Strong Golden Ale, Kriek, entre outras.


Adicionalmente, Monastérios, monges e ordens geram curiosidade e contemplação. Nesse sentido, o turismo cervejeiro cresce em torno das abadias e suas marcas. Cervejas monásticas se tornaram símbolos da identidade belga e europeia, movimentando pequenas cidades e mantendo empregos. Um legado a ser seguido, ou melhor, o legado monástico é, sem dúvida, um dos pilares da cultura cervejeira mundial.

Abaixo, apresentamos um verdadeiro embaixador da cerveja belga, Mauro Manzali, da ACervA Mineira, criador do aplicativo Brasil Beer Guide, visitando a sede da Abadia La Trappe. Para conhecer mais sobre as abadias consulte-o em seu Instagram @mauromanzali. Mauro, certamente, possui exemplares de cervejas trapistas especialíssimas para os interessados no tema. (Vide comentários abaixo.)

Apresentamos, também , um livro sobre o jeito dos monges fomentarem o negócio: Os Segredos Empresariais dos Monges Trapistas: um CEO Encontra um Modo Surpreendente de Liderança e Sucesso nos Negócios | Amazon.com.br

Fotos: IA/Wikipedia/Mauro Manzali (acervo pessoal)

domingo, 12 de janeiro de 2014

Spencer Brewery

Spencer Brewery: A primeira cervejaria trapista fora da Europa


A primeira cervejaria trapista fora da Europa iniciou a sua produção e espera revender suas garrafas ainda nessa próxima semana

Os monges da Abadia de São José na cidade de Spencer, Massachusetts, estão engarrafando a Cerveja Spencer Trappist Ale fabricada em uma area de 24 mil metros qudrados, sede do monastério.  Essa cervejaria sera a nona trapista no mundo juntando com a Chimay, Orval, e outras marcas já conhecidas. O monge Isaac Keeley, que trouxe do outro continente as operações da cervejaria, chama a Cerveja de “Ale de Refeitório” em referência à sala de jantar que os monges se encontram para ceiar. Levando em consideração que os 63 membros da Abadia normalmente comem rapidamente ou são hávidos a leitura durante as refeições, eles poderão beber uma cervejinha  no jantar nos domingos a noite.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Orval



Orval pode perder o selo de autenticidade trapista

por Fabian Ponzi

Uma das cervejas trapistas mais apreciadas e admiradas está prestes a perder o selo de autenticidade. Chorem, fãs da Orval! Por falta de monges na Abadia de Notre Dame d’Orval, para manter a produção o mosteiro está tendo que, cada vez mais, contratar trabalhadores de fora, o que vai de encontro aos requisitos da International Trappist Association, que reza que a cerveja deve ser feita dentro de uma abadia e sob a supervisão de monges trapistas.


Oficialmente uma cervejaria desde 1931, a Orval foi a primeira cerveja trapista a ser vendida a nível nacional na Bélgica e, posteriormente, a nível internacional. Sua produção anual é de 70.000 hectolitros e não existe a intenção de aumentar a produção, que já atingiu seu limite. O problema é que o número de monges na abadia está caindo a cada década. Para se ter uma ideia, na década de 80, o mosteiro contava com 35 monges. Já, atualmente, o número caiu para 12.

“Obviamente, nós queremos ver novas pessoas vindo até nós, mas monges não são encontrados através de headhunters”, diz irmão Bernard, monge de Orval há mais de 40 anos. A escassez de pessoas dispostas a entrar para a vida religiosa é uma realidade atual e vem acarretando o fechamento de vários mosteiros na Europa.

“Tudo o que podemos fazer é esperar que as pessoas que queiram seguir esse caminho de vida apresentem-se à abadia”, conclui irmão Bernard. E nós do Bebendo Bem apelamos aos que tem Jesus no coração que sigam esse caminho de fé e amor. Deus e a Orval precisam de vocês!

quarta-feira, 6 de março de 2013

Westvleteren


Cerveja produzida por monges acelera economia de pequena cidade da Bélgica

Bebidas foram exportadas uma vez aos EUA; embalagem com seis unidades custa US$ 27

The New York Times | - Atualizada às
À primeira vista, esta singular cidade belga tem poucas atrações –uma charmosa igreja paroquial de tijolos e um alto moinho de vento de madeira no principal cruzamento da cidade. Porém, ela tem a melhor cerveja do mundo.

Nos últimos anos, vários sites que pedem a tomadores de cerveja para avaliar as bebidas favoritas concederam tal honra a um forte fermentado escuro conhecido como Westvleteren 12. Na verdade, o entusiasmado site norte-americano RateBeer.com deu o bicampeonato à cerveja, destronando a Narke Kaggen Stormaktsporter, cerveja escura sueca.

Mesmo assim, os moradores de Vleteren, com população de 3.700 habitantes, têm sentimentos ambíguos. A cerveja é produzida há um século e meio pelos monges trapistas da abadia local, São Sisto, aninhada em terras cultiváveis no limite da cidade. Claramente, a fama recente deu uma melhorada na economia local, beneficiando restaurantes, pensões e lojas locais que atendem peregrinos e turistas atraídos à abadia pela cerveja saborosa e de tom escuro.

"É muito bom para nós", afirmou Stephan Mourisse, 46 anos, tabelião que é o prefeito da cidade em meio expediente. "Não precisamos anunciar, nossas pensões vivem cheias, por causa da cerveja."  Segundo ele, doze anos atrás, se você quisesse uma Westvleteren 12, bastava ir a São Sisto e comprar uma. Hoje, explica o prefeito, num dia de tempo bom a fila de carros à espera para comprar a bebida pode se estender por cinco quilômetros.

Crise europeia

O tônico para a economia local não poderia ter vindo em melhor hora, com a Bélgica sentindo a recessão que aflige a Europa inteira. Em Liége, porção leste do país, uma importante fundição de aço anunciou em janeiro a dispensa de 1.300 pessoas. Um mês antes, a Ford divulgou o fechamento de uma fábrica de automóveis na vizinha Genk, afetando aproximadamente dez mil empregos. Já a cerveja, por ora, mantém a pequena Vleteren a salvo.

Nos últimos anos, nasceu uma segunda microcervejaria, talvez inspirada nos monges. Em 2005, várias pessoas que administravam uma fazenda de avestruzes começaram a produzir uma cerveja escura do tipo forte, com 12%de teor alcoólico, similar à fabricada pelos monges.

Agora, a demanda por suas vigorosas "ales" e "stouts" escuras, cuja marca é De Struise (avestruz em holandês) – é tão grande que a empresa está se expandindo para um prédio escolar abandonado.

Urbain Coutteau, 51 anos, mestre cervejeiro da nova cervejaria, conduz o visitante por um depósito de barris de carvalho usados; alguns, vindos do Estado norte-americano do Kentucky e que antes armazenavam Bourbon, e outros, vindos de regiões vinícolas francesas, agora são empregados para envelhecer cerveja.

De acordo com ele, os monges de São Sisto não são concorrentes. "Eu os vejo como colegas santificados, é essa mesma a palavra. Se desejo visitá-los, simplesmente vou lá. Nós temos um bom relacionamento, nos respeitamos."

Segundo Coutteau, a cerveja está estimulando a vida econômica de todo mundo. "Muitos peregrinos vêm aqui. Eles precisam comer, dormir, as pessoas não voltam no mesmo dia." Eles visitam outras cervejarias, como a vizinha Saint Bernardus ou os túmulos de guerra tão frequentes nesta região, os campos de Flandres, onde foram travadas grandes batalhas da I Guerra Mundial.

Contudo, se a De Struise está crescendo, o que aumenta a atratividade da Westvleteren 12 dos monges é a recusa em aumentar a produção além dos aproximadamente 500 mil litros mantidos há mais de 60 anos ou abastecer lojas e bares da região. Esqueça a exportação.

Somente uma vez, ano passado, eles venderam para o exterior, despachando a cerveja para os Estados Unidos, uma embalagem de seis unidades custava US$ 85. Porém, isso foi apenas para financiar a reconstrução dos prédios da abadia, concluída no ano passado, a qual estava em péssimo estado de conservação.

A popularidade da Westvleteren criou empregos, ainda que em número modesto. Seis leigos trabalham na abadia, incluindo cinco na cervejaria e mais cerca de uma dúzia num restaurante e na loja de presentes nas proximidades dos portões da abadia. Já os monges, todos os 21, insistem que em primeiro lugar são homens de Deus, não vendedores de cerveja.

"Muitas pessoas pegaram carona" no sucesso da Westvleteren, disse Mark Bode, leigo que trabalhou para os monges por dez anos e agora atua como uma espécie de porta-voz. "É a cerveja que dá ao vilarejo sua visibilidade."
"Porém, esse não é o objetivo principal", ele acrescentou, bebericando chá no restaurante, enquanto os visitantes transportavam as embalagens de meia dúzia – máximo de duas por freguês – a US$ 27 cada, agarrando-as como se fossem lingotes de ouro. "Os monges são ambíguos. Eles se orgulham do produto, mas não querem estar associados unicamente com a cerveja. No presente momento, eles adotaram essa linha."

"Uma das maiores coisas que eles dão à região é o silêncio", Bode declarou, aludindo à prática trapista de preferir não falar sempre que possível. Cervejas como Westvleteren e De Struise ajudam a transformar a Bélgica numa potência cervejeira. A Anheuser-Busch InBev, maior cervejaria do mundo, tem a matriz em Louvain, a leste da capital, Bruxelas. Embora muitas das 200 marcas da empresa, como Bud Light ou Beck, sejam qualificadas como valiosas, poucas entram nos rankings das melhores nos sites populares. Mesmo assim, não existe inveja.

"A ampla variedade, estilo e o número de cervejas belgas coloca a Bélgica no mapa como um país de referência para cervejas de qualidade", Natacha Schepkens, porta-voz da empresa, escreveu em e-mail. "Existe espaço para todos os protagonistas."

Tirando os benefícios econômicos, as pessoas de Vleteren simplesmente desfrutam sua cerveja. "Durante o dia, eu bebo Fanta", disse Hanne Versaevel, 32 anos, policial e mãe de duas crianças. "À noite, eu tomo uma Westvleteren porque ela é forte." "Nós temos muito orgulho dela", ela concluiu.
Contudo, Marianne Soutaer-Boutten, que toca o Cafe De Sterre nas proximidades do centro da cidade, não concorda com o júbilo geral, lamentando o fato de que os restaurantes e bares locais não consigam comprar cerveja dos monges. Na vizinha Bruges, é possível encontrar uma garrafa de Westvleteren por quase US$ 35. Provavelmente, a cerveja está sendo revendida, um problema enfrentado pelos monges.
Entretanto, não dá para comprá-la em Vleteren, tirando o mosteiro. Ela denuncia o bochicho que cerca a Westvleteren ao argumentar que a "ale" Saint Bernardus vendida em seu café é tão deliciosa quanto. "Dá para comprar uma camiseta com a marca Lacoste ou uma camiseta no supermercado, mas, no fim das contas, é a mesma camiseta."

Fotos: The New York Times  Fonte: http://economia.ig.com.br/2013-03-02/cervejas-produzidas-por-monges-acelera-economia-de-pequena-cidade-da-belgica.html
Real Time Web Analytics