O Mapa do Malte: A Tabela Periódica da Cerveja Artesanal
A cerveja artesanal é um universo de complexidade técnica,
mas para o consumidor comum, a variedade de siglas e estilos pode ser
intimidadora. Foi para traduzir esse mundo que surgiu a Tabela
Periódica da Cerveja, um guia visual que organiza as bebidas não por
átomos, mas por famílias, aromas e intensidades.
Embora o conceito visual de organizar cervejas em uma grade
similar à de Mendeleiev (o mesmo que padronizou a Vodka) tenha surgido originalmente nos Estados Unidos
(atribuído frequentemente ao designer Kevin Cain nos anos 90), a
versão brasileira teve uma mais emblemática que eu vi estava associado o cervejeiro LeonardoBotto.
Botto, um dos mestres cervejeiros mais respeitados do Brasil
e fundador do Botto Bar, idealizou a tabela como uma ferramenta
pedagógica. O objetivo era claro: educar o paladar do brasileiro. Em um
mercado então dominado pelas Lagers produzidas em alta escala, a tabela servia
como um "mapa do tesouro" para quem desejava navegar entre as cervejas
de trigo, as Weiss, Lambics e Porters sem se perder.
Para ganhar escala e chegar às paredes de bares e
colecionadores de todo o país, o projeto contou com o apoio estratégico
da Cervejaria Eisenbahn, da família Mendes. Na época, a marca era a
principal porta de entrada para o segmento "premium" e artesanal no
Brasil.
A colaboração entre o Botto Bar e a Eisenbahn resultou em um material gráfico rico, que classificava as
cervejas por Família, diferenciando fermentações altas (Ales) e
baixas (Lagers), Graduação Alcoólica, do leve ao robusto, Escala de Cor (SRM) e Amargor
(IBU): Ajudando o cliente a prever o impacto no paladar.
A tabela não surgiu apenas por estética. Ela foi uma resposta ao crescimento vertiginoso das microcervejarias no mercado de cervejas nacional. Com a explosão de novos rótulos, o público precisava de uma hierarquia lógica para entender que uma IPA e uma Pale Ale eram "parentes", ou por que uma Stout era escura. Ela transformou o balcão do bar em uma sala de aula informal, onde o design facilitava o consumo consciente e a experimentação.


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