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terça-feira, 8 de setembro de 2026

Stone Brewing Fecha Escondido

O Fim de uma Era no Craft Beer: Sapporo Encerra as Atividades da Sede Histórica da Stone Brewing em Escondido

por Henrique Oliveira*

A indústria global de cervejas artesanais testemunha o fechamento de um de seus templos mais icônicos. A Sapporo USA anunciou o encerramento definitivo das operações do complexo de produção e do aclamado restaurante Stone Brewing World Bistro & Gardens em Escondido, Califórnia. O encerramento da histórica sede, emblemática para a revolução do movimento craft na Costa Oeste americana, resultará na demissão progressiva de cerca de 220 funcionários a partir de outubro de 2026.

O desmantelamento da sede de Escondido é o resultado direto de uma complexa reestruturação corporativa. Em 2022, a gigante japonesa Sapporo adquiriu a Stone Brewing por aproximadamente US$ 165 milhões com o intuito de expandir sua capacidade fabril em solo americano. No entanto, em abril de 2026, a Sapporo fatiou o negócio e vendeu a marca de cervejas Stone, seu portfólio e quatro unidades de hospitalidade em San Diego para a Firestone Walker Brewing Company e para a cervejaria belga Duvel Moortgat USA.

A megaestrutura de Escondido (que inclui a fábrica de 5.300 metros quadrados) não foi incluída no acordo de venda de ativos. Como a Sapporo decidiu concentrar sua produção contratada de marcas próprias em sua unidade expandida em Richmond (Virgínia), e a Firestone Walker absorveu a fabricação dos rótulos da Stone em suas plantas de Paso Robles e Kansas City, a icônica sede tornou-se redundante. Após tentativas frustradas de encontrar um comprador de longo prazo para manter o complexo operando na mesma escala, o encerramento tornou-se inevitável.

Impacto Econômico e Demissões em Fases

De acordo com as notificações oficiais emitidas sob a lei de proteção ao trabalhador (WARN Act) do estado da Califórnia, o processo de desligamentos ocorrerá em fases. Em 19 de outubro de 2026, será o início da primeira rodada com o desligamento de 58 colaboradores. Os cortes atingirão diretamente os setores operacionais de brassagem, envase, controle de qualidade, logística e armazenamento.

Em contrapartida, a nova administração da marca pela Firestone Walker já absorveu mais de 200 antigos colaboradores da divisão de hospitalidade e de marca da Stone em outras regiões da Califórnia, amenizando parcialmente o impacto regional.

O Significado Histórico de Escondido para a Revolução Cervejeira

Fundada originalmente em 1996 por Greg Koch e Steve Wagner na vizinha San Marcos, a Stone Brewing mudou-se para o megalítico campus de Escondido em 2006. Foi ali que rótulos agressivos e altamente lupulados, como a Stone IPA e a Arrogant Bastard Ale, ganharam volume de distribuição mundial. O local transformou-se rapidamente em um santuário turístico para os amantes de cerveja. Seu bistrô integrado a jardins imponentes ditou tendências de arquitetura comercial no segmento de bebidas. 


Greg Koch é o cervejeiro que conduziu o apelo do pequeno produtor de cervejas americano por meio de um manifesto chamado "I Am A Craft Brewer", (em português "Eu Sou um Cervejeiro Artesanal - Veja o vídeo abaixo). Quando Greg Koch e seu sócio Steve Wagner venderam a Stone Brewing Co. para o conglomerado cervejeiro japonês Sapporo USA, em junho de 2022, por aproximadamente US$ 165 milhões, a reação da comunidade de microcervejarias e cervejas artesanais americanas foi uma mistura de forte rejeição, acusações de hipocrisia e uma "resignação agridoce", ou seja, aceitar uma realidade difícil ou ainda decepcionante, com uma mistura de tristeza e uma aceitação serena e passada.

 O fechamento da fábrica simboliza a consolidação severa e o esfriamento do mercado de cervejas artesanais nos Estados Unidos, que tem obrigado marcas pioneiras a reduzirem custos operacionais fixos para sobreviver comercialmente. (O mesmo ocorre de forma recente na Alemanha, no Uruguai com a Cervejaria Patricia, e  Brasil. Por exemplo, a Ambev encerrou as atividades do Atelier Wäls, a Toca do Urso, da Cervejaria Colorado e o Brewpub da Cervejaria Goose Island, todos esses estavam abertos ao público.) Foi como dito em um artigo que escrevi para a Revista Engarrafador Moderno, onde "Fazer Menos é Mais".

Apesar do encerramento das atividades físicas no endereço histórico de Citracado Parkway, as novas proprietárias garantem que a essência e as receitas da marca continuarão ativas no mercado internacional. O gárgula da Stone, agora, voa em direção a novos tanques.

Fontes: (https://www.thedrinksbusiness.com/2026/08/stone-brewing-closes-site-and-cuts-220-jobs/), (https://beeralien.com/stone-brewing-escondido-closing/), (https://www.cbs8.com/article/news/local/stone-brewing-sold-to-new-owners-as-workers-face-layoffs/509-19660b39-7e61-4d18-803a-a343d5463600), (https://www.latimes.com/business/story/2026-08-21/stone-brewing-bumble-bee-foods-layoffs)

Fotos: Stone Brewing (Divulgação)

(*) - Henrique Oliveira é Escritor e Executivo Sênior de Governança, Riscos e Compliance.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Ballast Point nos EUA


 Fechamento da Ballast Point nos EUA: Estratégia ou Crise Financeira?

O Taproom da Cervejaria Ballast Point, no bairro de Mission Bay, em São Francisco (EUA), fechou de forma abrupta e definitiva na segunda-feira, 29 de junho de 2026. O amplo estabelecimento, com cerca de 1.100 metros quadrados, estava em funcionamento há pouco mais de dois anos, tendo sido inaugurado em fevereiro de 2023.

O fechamento repentino do brewpub — localizado próximo ao Chase Center e ao Oracle Park — foi confirmado por meio de um anúncio na página da empresa no Instagram. Embora a empresa não tenha citado um motivo específico, analistas do setor apontam para as dificuldades recentes no mercado de cervejas artesanais americano, incluindo inflação da cerveja, mudanças nos hábitos de consumo e uma onda generalizada de fechamentos de cervejarias na região da Baía de São Francisco.


A Ballast Point ainda opera outros três taprooms no sul da Califórnia, incluindo unidades em Anaheim, Long Beach e no bairro de Little Italy, em San Diego. 

Se você é fã da Ballast Point e procura pelas cervejas da marca, há uma luz no fim do túnel: a Stadt Jever em parceria com a cervejaria Prússia e Companhia Furst de Bebidas produzem a IPA Sculpin no Brasil. As vendas podem ser adquiridas pelo site do consórcio em https://ballastpointbr.com/ 

Fotos: Restaurante BP/Divulgação

Fontr: https://www.kron4.com/news/bay-area/acclaimed-craft-brewery-ballast-point-abruptly-closes-sf-taproom/

quinta-feira, 14 de novembro de 2024

Mercado Internacional de Cervejas 2024

 


Cervejaria famosa fecha fábricas e faz demissão em massa

Terceira maior cervejaria do mundo está passando por problemas financeiros

Por Redação ND,Joinville 11/11/2024 às 18h00 -

A Molson Coors Beverage Company, terceira maior cervejaria do mundo, iniciou um processo de reestruturação com grandes cortes de empregos e o fechamento de algumas fábricas nos Estados Unidos. Entre as unidades afetadas está uma cervejaria com mais de 150 anos de tradição.

A maior das fábricas que será fechada é a Jacob Leinenkugel Brewing Company, em Chippewa Falls, Wisconsin. Fundada em 1857, a cervejaria é um ícone da região, empregando cerca de 120 pessoas e produzindo anualmente aproximadamente 185 mil barris de cerveja. 

O fechamento da unidade, previsto para o início de 2025, terá um impacto significativo na comunidade local. A Leinenkugel 10th Street Brewery, em Milwaukee, também será desativada. Apesar de ser em menor escala, a cervejaria também representa uma parte importante da operação da Molson Coors no estado do Wisconsin.




Cervejaria registra queda nas vendas

A Molson Coors registrou uma queda de 7,8% nas vendas líquidas no terceiro trimestre de 2024, o que motivou a cervejaria a revisar as operações e adotar medidas de corte para enfrentar o cenário desafiador do mercado.

Sobre a família empresária

Em maio de 1867, a cervejaria da família Leinenkugel foi fundada em Chippewa Falls, Wisconsin, por Jacob Leinenkugel. Ele era um homem de família movido por uma ética de trabalho com ferro e sabia que sua herança familiar alemã seria parte integrante do sucesso de sua cervejaria. Hoje, os membros da família da sexta geração estão envolvidos na empresa, ajudando a levar as mesmas receitas de inspiração familiar nas quais Jacob dedicou seu coração e alma aos consumidores de todo o país. Ao longo dos anos, a família cresceu e a nossa cervejaria também, mas a  história e herança permanecem na vanguarda.



Fonte e mais informações: https://ndmais.com.br/economia/cervejaria-famosa-fecha-fabricas-e-faz-demissao-em-massa/

terça-feira, 30 de abril de 2024

Cerveja Chinesa Snow Beer

 

Snow Beer, a cerveja mais vendida da China, faz sua estreia nos mercados norte-americanos

A experiente e centenária cervejaria artesanal, a Snow Beer, traz a arte consagrada do domínio cervejeiro chinês para os entusiastas da cerveja em todos os continentes

A China Resources Snow Breweries (CR Snow), fabricante líder de cerveja na China, entrou oficialmente no mercado norte-americano. Eles lançaram pela primeira vez sua cerveja “Brave the World” mais vendida no final de 2023, marcando a primeira fase da entrada estratégica da empresa na região como parte de sua expansão global. O Ever Grand Group deverá liderar a fase operacional como distribuidor exclusivo da Snow Beer, orquestrando uma estratégia expansiva para garantir um lançamento de produto bem-sucedido nos Estados Unidos. Com seu portfólio de ofertas premium, o Ever Grand Group apresenta uma seleção diversificada de produtos Snow Beer, meticulosamente selecionados para as mais diversas ocasiões.

O lançamento da Snow Beer na América do Norte marca uma conquista significativa, reforçando a sua proeminência global e demonstrando a contribuição fundamental do Ever Grand Group para a expansão mundial da marca. O Ever Grand Group está comprometido em estabelecer uma referência de excelência, selecionando e introduzindo marcas internacionais de cerveja de primeira linha no mercado dos EUA. Este esforço envolve o cultivo de parcerias com distribuidores locais, fornecedores e outras partes interessadas importantes, todas apoiadas por pesquisas aprofundadas e uma análise das preferências e paladares dos consumidores norte-americanos.

Fundada em 1993, a China Resources Snow Breweries liderou o crescente setor cervejeiro da China, experimentando uma expansão notável e abrindo um caminho de inovação de produtos. O lançamento da cerveja “Brave the World” pela empresa foi um marco significativo, posicionando-a como uma das cervejas mais populares do país. Agora, a série "Brave the World" da Snow Beer está disponível em supermercados, lojas de bebidas e restaurantes na Califórnia, Nova York, estado de Washington e muito mais. Os próximos lançamentos incluem "Classic Snow Beer", agendada para o segundo trimestre de 2024, e a altamente aguardada série "Opera Mask", com estreia prevista para o final de 2024 ou início de 2025. O Ever Grand Group supervisionará o lançamento estratégico dessas cervejas excepcionais para os consumidores norte-americanos.

Saiba mais em: https://www.newswire.com/news/snow-beer-china-s-top-selling-brew-makes-its-debut-in-north-american-22237698

#snowbeer #pelosatelite #avecesarco

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Cervejas Americanas


15 dias experimentando cervejas americanas


O mercado americano de cervejas é repleto de microcervejarias e cervejarias regionais que merecem ser exploradas. Conhecidos por usar lúpulos americanos, o país criou o seu próprio estilo de produção, voltado a busca de maior drinkability, rico em aromas. (Naturalmente, não se trata de um fator limitador, mas existe essa predominância.) As cervejas americanas são conhecidas pela sua diversidade e inovação. Aqui estão algumas características chave:

Estilo IPA (India Pale Ale): As IPAs americanas são famosas por seu forte sabor lupulado e amargor, com aromas de frutas cítricas e tropicais. Há também as APA - American Pale Ale, que utilizam lúpulos e maltes locais. 

Red Ale - São cervejas maltadas e, as vezes com notas de toffe e caramelizadas. Tomei no pacote das cervejas americanas a Diver Down, da Brew Hub. Trata-se de uma Imperial Red Ale de corpo médio-alto e teor alcoólico elevado que atinge 8% ABV. É uma cerveja que se destaca por ser encorpada e maltada, com uma tonalidade rubi profunda e um final de lúpulo marcante, equilibrando doçura caramelada com amargor. É uma Red Ale extremamente maltada o que dá o título de Imperial.

 Lagers: As lagers americanas, como a American Light Lager, são leves e refrescantes, com menor teor alcoólico. São as mais populares nos Estados Unidos, sobretudo para consumo de massa, em larga escala.

Sour Ales: Estas cervejas têm um sabor ácido, muitas vezes com notas frutadas, e estão se tornando cada vez mais populares.

 Stouts e Porters: São escuras, ricas e frequentemente têm sabores de café e chocolate. Há muitos fabricantes que gostam de produzir cervejas escuras para acondicioná-las posteriormente em barricas de madeira, atenuando a sua idade, consistência que envolve aromas e sabores. 
Tomei uma 420 Strain American Stout da SweetWater Brewing Co., lançamento limitado, incrível. A cor marrom bem escura para preta, achocolatada e um aroma surpreendente. São usados 3 lúpulos (entre eles o Bravo e o Willamette) e dry hopping de Ducth Chocolate além de malte torrado, resultando em uma mistura sonhadora de sabores de dar água na boca: frutas tropicais ao inspirar, café ao expirar, chocolate ao redor do palato.

Nessa escola americana de cervejas, tive momentos bacanas que passei nos Estados Unidos experimentando e conhecendo novidades cervejeiras, com muito sabor e cremosidade. Interessante foram as embalagens: packs de uma mesma marca com estilos diferentes, em forma de combo e rótulos curiosos que unificam 2 a 3 latas de cervejas. O mercado americano de cervejas é curioso. Valeu conhecer!


terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Super Bowl em números e cervejas

Os impressionantes números no Super Bowl

Quanto tempo leva para se consumir 1,2 bilhão de litros de cerveja? Esse volume todo foi bebido durante um jogo de final de futebol americano. Os números dos produtos Super Bowl são impressionantes. O comentarista de economia do Hora 1, Dony de Nuccio, faz um balanço do evento.

Os Estados Unidos param um dia do ano para ficar de olho grudado numa partida que acontece em um gramado com 11 jogadores de cada lado. Tem capacete, bola achatada, arremesso, quatro tempos e palavras como 'touchdown'. Os dados do famoso Super Bowl, a grande final de futebol americano na terra do Tio Sam, são de cair o queixo. A audiência bateu o recorde de todos os tempos na TV americana. Foram mais de 114,4 milhões de telespectadores, três vezes mais que população inteira do Canadá.

Metade de todas as casas com televisão nos Estados Unidos estavam sintonizadas no jogo de futebol deles. Em 1980, por exemplo, a preferência ainda era o debate presidencial. Com todo esse público, o tempo dos anunciantes é disputado a tapas e a cifras. O custo é de US$ 4,5 milhões para cada 30 segundos.

As redes sociais também ficaram agitadas. No Twitter foram 28,4 milhões de mensagens ligadas à partida, enquanto no Facebook, 65 milhões de pessoas comentaram ou publicaram algo a respeito.

Outros números são ainda mais inusitados. A estimativa é que 5 milhões de quilos de batatas chips tenham sido consumidos; 158 milhões de abacates foram usados para fazer guacamole, acompanhamento tradicional dos petiscos; e 1,2 bilhão de litros de cerveja fizeram parte da festa e da alegria dos torcedores.

Um jogador famoso é o Tom Brady, que joga pelo New England Patriots. Ele ganhou o Super Bowl quatro vezes, inclusive no domingo (1), mas sobre ele, melhor do que qualquer estatística, é o matrimônio. A esposa é nossa conhecida, a brasileira Gisele Bündchen.


Fonte: http://g1.globo.com/hora1/noticia/2015/02/12-bilhao-de-litros-de-cerveja-foram-consumidos-durante-o-super-bowl.html

domingo, 27 de outubro de 2013

Cerveja artesanal nos EUA



Em alta nos EUA, cerveja artesanal vira negócio para europeus
Aquisições ajudam empresários a pegar carona num mercado em expansão

The New York Times | 25/10/2013 06:00:00

Adquirir a Boulevard dará a Duvel a posse de uma cervejaria artesanal grande dos EUA que é bem conhecida no Meio-Oeste e produz uma variedade ampla de cervejas com o seu próprio nome e com outros.

As marcas da Boulevard variam da Cerveja Lupulada de Trigo 80 Acres, descrita como cítrica com um sabor levemente doce e levemente amarga, à Dark Truth Stout, uma cerveja "escura" com nuances de chocolate, café e frutas.

"Vejo aqui na Europa que os consumidores estão se interessando cada vez mais nas cervejas artesanais americanas", diz Michel Moortgat, um dos três irmãos proprietários da Duvel. "No futuro, com essa parceria, poderemos desenvolver mais substancialmente o gosto por essas cervejas aqui e em outros países como o Japão e a China".

Resultado com aquisições

A Boulevard, a 12ª maior cervejaria artesanal dos Estados Unidos, tem uma distribuição que se aproxima a 180 mil barris este ano. A aquisição lhe dará acesso a uma distribuição mais ampla no mercado doméstico e uma abertura nos mercados internacionais usando o sistema mundial da Duvel.

Enquanto grandes marcas de cervejas como a Budweiser e a Coors têm lutado com vendas estagnadas, as cervejas artesanais ficaram cada vez mais populares. Novas cervejarias foram inauguradas no ano passado ao ritmo de uma por dia. Existem uns 2.600 fabricantes de cervejas artesanais nos Estados Unidos, e o volume das vendas de suas cervejas cresceu 11% em 2011 e 14% em 2012, segundo a empresa de pesquisa de mercado Technomic, atingindo quase 13 milhões de barris.

A Technomic tem expectativa de crescimento semelhante este ano e coloca a participação da cerveja artesanal no total do mercado de cervejas em 6,3%. Donna Hood Crecca, diretora sênior do grupo de recursos de bebidas para adultos na Technomic, afirma que o crescimento da cerveja artesanal de hoje era diferente da moda da microcervejaria no começo dos anos 1990, que esfriou com exceção de algumas cervejarias como a Boston Beer Co., fabricante da Samuel Adams, e a Brooklyn Brewery.

"O paladar do consumidor evoluiu e está mais interessando nas nuances de sabor e nas complexidades inerentes aos estilos das cervejas artesanais", explica Donna Crecca. "Além disso, há o interesse geral nos produtos alimentícios e bebidas locais fabricados artesanalmente, e as cervejas artesanais são bem apropriadas para a tendência, geralmente com uma história interessante ou excepcional e um sentido de autenticidade".

Novos sabores
 
O consumo das cervejas artesanais está crescendo rapidamente entre os consumidores hispânicos, cujos paladares favorecem os tipos de sabores com especiarias e frutas que são características das cervejas artesanais. As mulheres, que há muito preferem vinho à cerveja, também aderiram à onda, formando grupos de consumo de cerveja com nomes como Crafty Ladies em Denver e Barley's Angels, que tem unidades pelos Estados Unidos.

"Sempre que você entra em um local de degustação ou em algum bar com mais de dez chopeiras, 30% a 40% dos fregueses são mulheres", afirma Carol Dekkers, que abriu a segunda unidade do Barley's Angels em Tampa, Flórida. "Beber cerveja artesanal é como ser introduzido à fina comida italiana de verdade quando você só comia pizza do Pizza Hut".

Interesse crescente

As redes de restaurantes como a Cheesecake Factory e a Ruby Tuesday estão instalando chopeiras em seus bares, e os donos de mercearias estão criando espaço para cervejas artesanais em suas vitrines refrigeradas. "Uma cerveja lager clara americana não mais satisfaz todos os amantes de cerveja", diz Julia Herz, diretora do programa da cerveja artesanal da Associação dos Fabricantes de Cerveja, o grupo comercial da indústria da cerveja artesanal. "As vendas de cerveja clara caíram, e a maioria das dez marcas principais está perdendo participação no mercado".

Isso não quer dizer que empresas como Anheuser Busch, Molson Coors e SABMiller estão fora da disputa. A Tenth and Blake Beer Co., controlada por um empreendimento conjunto entre a Molson Coors e a SABMiller, fabrica a Blue Moon e a Leinenkugel's, e a Cervejaria Goose Island em Chicago foi comprada em 2011 pela Anheuser Busch, que pertence a gigante InBev. Porém, os nomes das maiores cervejarias não constam nos sites dessas empresas ou nas garrafas das cervejas que elas fabricam, o que tem sido uma fonte de controvérsia no mundo das cervejas artesanais.

Cerveja artesanal: pequena e independente

A Associação dos Fabricantes de Cerveja, que apelou para que os gigantes da cerveja coloquem o nome nas garrafas das cervejas artesanais, define a cerveja artesanal como "pequena, independente e tradicional". Isso significa, explica Julia Herz, que uma cervejaria produzindo 6 milhões ou menos de barris por ano – um limite menor foi descartado quando a cerveja Samuel Adams o excedeu – e pode incluir a posse parcial de menos de 25% por uma empresa de bebidas alcoólicas que não seja fabricante de cerveja artesanal.

Se uma cervejaria não entrar na classificação do grupo comercial, ela não pode fazer parte da associação com direito a voto. "Por tradicional, queremos dizer todas maltadas, usando suplementos como o milho e o arroz apenas para realçar o sabor, não para clareá-la, que é como a maioria dos fabricantes de cerveja caseiros utiliza esses grãos", explica Julia.

Embora a Duvel seja a segunda maior fabricante de cerveja da Bélgica atrás da InBev, Julia diz que a aquisição da Cervejaria Ommegang, fabricante de uma cerveja artesanal em Cooperstown, Nova York, não tinha custado a Ommegang o status de artesanal pelas regras da associação. Moortgat, sócio da Duvel, conta que estava um tanto preocupado com o fato de que a Boulevard não seria considerada uma cervejaria artesanal pelos membros da associação por causa do seu novo proprietário. "Porém, primeiro deixe-me dizer que, se olharmos os barris vendidos, a InBev vende 500 vezes o número de barris que vendemos", afirma.

Produção em alta

A Duvel e suas outras cervejarias europeias, que incluem a La Chouffe e a De Koninck, venderão aproximadamente 700 mil barris este ano, explica Moortgat, enquanto a Ommegang venderá cerca de 45 mil. Moortgat, sócio da Duvel, afirma que as vendas estavam a caminho de atingir cerca de € 200 milhões (US$ 270 milhões) no final deste ano, uma alta partindo de aproximadamente € 180 milhões no final do ano passado quando a empresa mudou para capital fechado, com os lucros aumentando mais ou menos no mesmo ritmo.

"Já fizemos fusões e aquisições e sempre realmente nos asseguramos de que respeitamos as particularidades delas, as suas tradições, as suas autenticidades", declara Moortgat. "Em vez de buscar sinergias e eficiências de custos, tentamos desenvolvê-las nos moldes que elas seguiriam se não estivéssemos envolvidos". O empresário conta que a Duvel continuaria a investir nas instalações de produção e nos equipamentos da Boulevard, e que a equipe de vendas da Boulevard comercializaria as cervejas da Duvel em suas regiões enquanto a equipe da Duvel americana venderia as cervejas da Boulevard na costa Oeste e Leste dos Estados Unidos.

"Uma das coisas que temos de entender é que os fabricantes de cerveja artesanal americana são mais criativos, mais ousados do que somos na Europa, e não queremos mudar isso", declara o empresário. Em um sinal da criatividade americana, a Duvel há três anos criou uma cerveja de frutas feita de coisas como morangos, framboesas e bagas de sabugueiro. A empresa queria sugerir que ela fosse servida com gelo para torná-la mais refrescante, relata Moortgat, mas tinha a preocupação de "que toda a indústria gritaria conosco – 'Não se pode colocar cubos de gelo na cerveja'".

A cerveja de frutas da Leifman com gelo acabou sendo um sucesso na Europa, mas e quanto a cerveja Ale de Torta de Creme de Banana com Coco? "Uma das coisas que eu mais gosto sobre a cerveja artesanal é a colaboração que temos com outras cervejarias", diz Carol Dekkers, dona da Barley's Angels. "Como no ano passado, um fabricante da Angry Chair se reuniu com o seu companheiro de quarto, que faz cerveja para a Cigar City, após terem visto uma receita de torta de creme de banana com coco em uma feira de gastronomia e fizeram uma cerveja de torta de creme de banana com coco". "Não gosto de sobremesas", diz a empresária, "mas, nossa, ela estava tão boa".

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

The Plot to Destroy America's Beer





Brian Rinfret likes imported beer from Germany. He sometimes buys Spaten. He enjoys an occasional Bitburger. When he was 25 years old, he discovered Beck’s, a pilsner brewed in the city of Bremen in accordance with the Reinheitsgebot, the German Purity Law of 1516. It said so right on the label. After that, Rinfret was hooked.

One Friday night in January, Rinfret, who is now 52, stopped on the way home from work at his local liquor store in Monroe, N.J., and purchased a 12-pack of Beck’s. When he got home, he opened a bottle. “I was like, what the hell?” he recalls. “It tasted light. It tasted weak. Just, you know, night and day. Bubbly, real fizzy. To me, it wasn’t German beer. It tasted like a Budweiser with flavoring.”

He examined the label. It said the beer was no longer brewed in Bremen. He looked more closely at the fine print: “Product of the USA.” This was profoundly unsettling for a guy who had been a Beck’s drinker for more than half his life. He was also miffed to have paid the full import price for the 12-pack.
Rinfret left a telephone message with AB InBev (BUD), the owner of Beck’s and many other beers, including Budweiser. Nobody got back to him. He had better luck with e-mail. An AB InBev employee informed him that Beck’s was now being brewed in St. Louis along with Budweiser. But never fear, the rep told Rinfret: AB InBev was using the same recipe as always.

He wasn’t satisfied. In March, he posted a plea on Beck’s official Facebook (FB) page: “Beck’s made in the U.S. not worth drinking. Bring back German Beck’s. Please.” He had plenty of company. “This is a travesty,” a fellow disgruntled Beck’s drinker raged. “I’m pretty bummed,” wrote another. “I’ve been drinking this beer religiously for over 20 years.” Rinfret kept trashing Beck’s on Facebook. Until, he says, AB InBev unfriended him in May. “They banned me from their site. I can’t post anything on there any longer.”

Rinfret was only temporarily silenced. He now complains on a Facebook page called Import Beck’s from Germany. AB InBev may be paying a price for disappointing Beck’s loyalists like him. According to Bump Williams, a beer industry consultant in Stratford, Conn., sales of Beck’s at U.S. food stores were down 14 percent in the four weeks ending Sept. 9 compared with the same period last year. “They are getting their proverbial asses kicked,” Williams says. “Too many customers were turned off when the switch was made.” Sales of Budweiser in the U.S. have fallen recently, too. And yet AB InBev is extraordinarily profitable.

There has never been a beer company like AB InBev. It was created in 2008 when InBev, the Leuven (Belgium)-based owner of Beck’s and Stella Artois, swallowed Anheuser-Busch, the maker of Budweiser, in a $52 billion hostile takeover. Today, AB InBev is the dominant beer company in the U.S., with 48 percent of the market. It controls 69 percent in Brazil; it’s the second-largest brewer in Russia and the third-largest in China. The company owns more than 200 different beers around the world. It would like to buy more.

The man in charge of AB InBev is 52-year-old Carlos Brito. The Brazilian-born chief executive is a millionaire many times over. He speaks English fluently and dresses like the manager of a local hardware store. At the Manhattan headquarters, he wears jeans to work and tucks in his shirts. He keeps his company identification badge clipped to his waist where everybody can see it, even though everyone knows who he is. To the rest of the world, he keeps a low profile. He does not, for example, accept interview requests from
Bloomberg Businessweek
. That might be his character, and it might be calculated. The Busch family is a legendary American dynasty. Many people in the U.S. aren’t thrilled that a foreign company now owns Budweiser, America’s beer.

This is not to say that Brito lacks American admirers. Many can be found on Wall Street, where investors care less about where beers are brewed than about how profitable they are. This is where Brito shines. After InBev bought Anheuser-Busch, he slashed costs at the combined company by $1.1 billion in a single year. AB InBev’s margins widened substantially, and its share price has nearly quadrupled since the takeover. In 2011, Brito made Fortune magazine’s Fantasy Sports Executive League Dream Team as a designated hitter.

Fonte: http://www.businessweek.com/articles/2012-10-25/the-plot-to-destroy-americas-beer
Foto: Photograph by Jamie Chung for Bloomberg Businessweek


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