segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Backer 2026

 


Aos poucos, cervejaria mineira retorna ao mercado de cervejas artesanais

É sabido o episódio ocorrido anos atrás decorrente de uma série de infortúnios que chocou os mineiros e que colocou a Backer em cheque enquanto entidade produtora de cervejas. A contaminação de um seus tanques, colocou, momentaneamente, o mercado de cervejas artesanais em questionamento, pois o consumidor se viu acuado em adquirir produtos das pequenas cervejarias. Muitos passaram a questionar se essas possuíam a mesma acurácia qualitativa, como é visto nas grandes fabricas de cervejas, produzidas em larga escala. No caso de dúvidas, parte do público partiu para as cervejas premium das grandes corporações.

O caso da Backer pode ser entendido como uma exceção à regra, mas que merece a devida atenção. Foi, para a gestão de riscos corporativos, um case para as seguradoras. Exatamente: seguradoras. Algumas lições foram aprendidas e, semelhantemente com o que se faz com as caixas pretas em aviões, coube ao mercado segurador abrir o caso e entender o que realmente aconteceu, as circunstâncias, os diversos cenários, para que o risco não venha ocorrer novamente. Nesse sentido, tornou-se inédito no setor cervejeiro, semelhantemente ao setor aeronáutico, estudar situações adversas que servirão de base para o desenvolvimento de um ambiente de controles mais robusto no setor.

 Sobre a ótica das seguradoras, três pontos mereceram destaque. Primeira lição: quanto uma microcervejaria começa a se tornar grande, é importante passar a comprar dos grandes fornecedores. As grandes empresas fornecedoras, apesar de cobrarem mais caro, essas possuem um sistema de controles de qualidade e procedimentos mais robustos, investigador de riscos e certamente munidos de seguro. Dessa forma, a empresa alimentícia ou cervejeira, a se tornar um pouco maior, é importante se alinhar à líderes de mercado, como por exemplo, fornecedores de gases (e.g.: White Martins, Supergasbrás, Gasmig, etc.), de produtos químicos ou ainda de matérias-primas. Essas empresas possuem certificações de qualidade (e.g.: ISO, CVM,ANBT)  time técnico profissional capaz de executar instalações e manutenções de equipamentos críticos; executam revisões tempestivas e substitui peças e acessórios quando entendem necessário, Em casos de sinistros, apresentam corpo jurídico e de seguros para cobrir eventos.

O segundo item é a contratação de seguros específicos. Empresas em transição de porte, devem ter um mapa de riscos estratégico, tático e operacional, identificando e calculando seus impactos e probabilidades, visando adquirir seguros correspondentes em seguradoras de primeira linha, de forma a atingir os seus objetivos estratégicos, sem grandes percausos. Organizações devem buscar o compartilhamento de seus riscos mais críticos, de forma específica e compatível ao tamanho da operação, como de riscos de responsabilidade civil, ambiental, fiscal, danos à propriedade, interrupção dos negócios, lucro cessantes, riscos de saúde e segurança, de terceiros, D&O, E&O, etc, de forma que os proteja de sinistros e eventos de grande monta. São tipos de seguros que cujos prêmios são um pouco mais caros, porém são capazes de abranger um leque maior de cobertura, correspondente ao volume de atividades e as pessoas envolvidas. 

O terceiro item, trata-se de implantação de um sistema de controles de detecção e monitoramento auditável, capazes de identificar anomalias, desvios, divergências fora do padrão e que devem ser investigadas com minúcia e sempre questionadas por aqueles que os gerencia e informado à contento ao corpo diretivo da organização, visando a sua correção, prevenção a desvios e a melhor performance, e em casos de ocorrência, que haja procedimentos rápidos de contingência e de gestão de crises efetivos.

É importante ressaltar que, eventos dessa natureza, raros se acontecer, são conhecidos em gestão de riscos, como “Black Swans” ou “Cisnes Negros”, termo para eventos de baixíssima probabilidade, porém com altíssimo impacto, incluindo danos à imagem e a reputação. Rompimentos de barragens, quedas de grandes aeronaves, catástrofes, são classificados como Black Swans. E aqui está um elemento chave do negócio: a reputação. Algo difícil de construir e, quando rompido, algo difícil de reconquistar. É na reputação que está credibilidade da organização. Nesse caso, a Backer, vem passando por esse processo, de forma lenta e gradual, buscando sair da uma recuperação judicial, iniciada em 2023. Busca se manter de pé, para indenizar vítimas e os corrigir erros que a entidade cometeu. 

Durante esse processo de ajuste, observa-se que a cervejaria mudou sua logo, está revendo seu propósito, seus valores, no sentido de buscar dar a sua contribuição econômica e social para o estado, gerando novamente empregos e renda.


Nas gôndolas dos supermercados, o que se vê é a presença dos estilos que marcaram a empresa em seus tempos áureos: a famosa Capitão Senra, nos estilos Amber Lager e Session IPA; a Tommy Gun, uma Double IPA, a Pele Vermelha, uma IPA com cascas de laranja da linha Exterminator, a famosa Medieval, uma Belgian Ale e as que fundaram a empresa,como Backer Pilsen e Pale Ale. Na fábrica, mais precisamente no Templo Cervejeiro, o Valle Gastronômico tem sido gerenciado pelo jovem Lucas e seu time de frente, apresentando, com cordialidade, chopes bem servidos e pratos saborosos e sobremesas feitas com muito esmero.

Vida que segue. Sucesso pleno à Backer em suas atribuições.

 

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