Metalfrio, a Família Caio e a Evolução das Cervejeiras no Mercado de Bebidas
Qual cervejeiro que, ao abrir uma geladeira em um bar, delicatessen
ou supermercado, não se viu de frente a um modelo de encantar os olhos e que,
ao apreciar o equipamento, observou no canto inferior a marca Metalfrio? Foi com
essa vontade de ter uma cervejeira em casa, que decidi fazer este breve artigo
sobre essa empresa de geladeiras e refrigeradores que está sempre perto da gente, levando cervejas e bebidas
na temperatura certa, para o consumidor final.
A Metalfrio foi criada em 1960 por Joaquim Caio, figura
central no início da empresa e frequentemente listado ao lado de Alfredo Brasil
e Oswaldo Margarido como cofundadores. Desde o princípio, o negócio mirou a
refrigeração comercial, partindo de componentes e evoluindo para equipamentos
completos, impulsionada pela expansão no Brasil dos grandes fabricantes de
bebidas e sorvetes. Ambev, Heineken, Coca-Cola, Kibon e tantas outras são seus clientes estratégicos.
A base operacional da companhia sempre esteve associada à
cidade de São Paulo, onde a Metalfrio divulgou, em 1972, suas novas
instalações. No ano seguinte, 1973, inaugurou sua primeira grande fábrica na
capital paulista, marco de industrialização que acelerou sua curva de inovação.
A presença da família Caio permaneceu ao longo das décadas. Luiz
Eduardo Moreira Caio, filho de Joaquim Caio, manteve papel executivo de
destaque, respaldando a memória técnica e a cultura industrial da empresa — um
elo que ajudou a atravessar mudanças societárias e ciclos de investimento.
Em 1976, a Metalfrio foi pioneira na América Latina ao introduzir, expositores verticais com portas de vidro antiembaçantes, além de aplicar o sistema Frost Free à refrigeração comercial — avanços que reduziram manutenção, melhoraram a performance de frio e abriram caminho para as cervejeiras. Foi um sucesso, expositores verticais com portas de vidro e controle de temperatura digital foram essenciais para manter cerveja sempre no “ponto de consumo”. Adicionalmente, a transparência recriou o marketing, pois essas viraram ferramentas de trade para grandes fabricantes (com branding, campanhas, setpoints específicos), consolidando a categoria de cervejeiras no varejo, de forma personalizada, o Ice Cold Merchandisers (ICM), com versões para bares e restaurante e até residenciais.
O ciclo de capital e governança impulsionou processos e
investimentos. Em 1989, a Continental 2001 (a famosa empresa de fogões) adquire
participação majoritária na Metalfrio. Em1992, a operação passa ao grupo alemão
BSH, que viabiliza a primeira fábrica de refrigeração comercial totalmente
ecológica da América Latina (projeto de 1998), modernizando a base industrial e
o padrão de qualidade.
Em 2004, inicia-se um novo capítulo com a Metalfrio
Solutions, focada 100% em refrigeração comercial, ampliando presença
internacional (e.g.: Brasil, Turquia, Rússia e México) e oferecendo mais de 350
modelos plug‑in para alimentos e bebidas, com forte especialização em Ice Cold Merchandisers (ICM) — a
categoria‑mãe das cervejeiras no ponto de venda. em 2013 a Metalfrio foi vendida para Artésia Gestão, do empresário Marcelo Faria de Lima.
Além do portfólio, a empresa atualmente oferece gestão de
parque e pós‑venda por meio do Life Cycle, com milhões de equipamentos atendidos — um
diferencial para marcas de bebidas que dependem de disponibilidade e
performance no PDV. Trata-se de um modelo de negócios ("Cooling As A Service.")
Veja a entrevista com o Caio da Metalfrio, que
internacionalizou a empresa e que está firme frente a Metalfrio até os dias de hoje. Assista, pois essa é uma masterclass.
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