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sábado, 7 de fevereiro de 2026

Mercado de Cervejas

 


Cerveja em risco, oportunidade em proteínas: Goldman calcula “efeito GLP-1” na Bolsa

Patente da semaglutida está prevista para expirar em março deste ano; segmento de alimentos com proteína animal pode crescer

Por Erick Souza

O prazo para a expiração da patente da semaglutida, o princípio ativo de medicamentos como Ozempic e Wegovy, está se aproximando e os impactos, que antes pareciam distantes, estão se tornando cada vez mais reais. Experiências mais maduras em outros países, mostram que o mercado de bebidas alcoólicas está entre os mais impactados pela entrada dos medicamentos.

De acordo com o Goldman Sachs, em mercados mais desenvolvidos pelo mundo, a queda no consumo de bebidas alcóolicas entre usuários de GLP-1 caiu, em média, 23% (podendo chegar a até 55%). Em análises de sensibilidade, o banco avalia que o risco de queda para Ambev (ABEV3) é de 8% até 2027, a depender da adoção desse tratamento. No cenário base, os analistas estimam um impacto negativo de 50 pontos-base (ou 0,5 ponto percentual) para a marca.

Em canais de checagem promovidos pelo Goldman Sachs, o uso de GLP-1 tem pressionado o segmento de cervejas nos últimos 1 a 2 anos, especialmente entre consumidores mais jovens. Como resposta, algumas companhias têm investido na expansão de portfólio, oferecendo opções não-alcoólicas e bebidas funcionais.

Impacto em outros mercados

Enquanto umas perdem, outras ganham e esse é o caso dos produtos com alto teor proteico. De acordo com o banco, a expansão de hábitos de saúde e bem-estar agregam uma camada adicional no potencial de alta.

Saiba mais em: Cerveja em risco, oportunidade em proteínas: Goldman calcula “efeito GLP-1” na Bolsa


domingo, 25 de janeiro de 2026

Ozempic e as mudanças de hábito de consumo

 

Ozempic calou o estômago e ligou o alerta no varejo

 Eles começaram como medicamentos para controle glicêmico. Viraram febre para emagrecimento. E agora? Estão reescrevendo o roteiro do consumo em escala global. Segundo o Morgan Stanley, o uso de GLP-1 (como Ozempic e Monjauro) já reduz de 20% a 30% a ingestão calórica diária. Mas o que isso significa em dinheiro?

Queda de 3% no consumo de refrigerantes, snacks e produtos de padaria. Restaurantes fast-food projetam retração de 1% a 2% nas vendas. Consumidores em uso de Mounjaro reduziram 2,5% do consumo de fast-food. O Ozempic já derrubou 1,5%. (Com base no artigo de Patrícia Raposo, colunista da Movimento Econômico, esse efeito tem desacelerado o consumo de cerveja, alavancado também com uma inflação persistente e perda de renda disponível. No Brasil, o aperto orçamentário das famílias se soma ao crescimento das apostas esportivas, que tem absorvido parte de gastos com lazer.)

Se antes o problema era comer demais, agora o mercado lida com o oposto: gente que simplesmente não sente mais fome. O impacto já aparece no valuation de gigantes como o 🍔 McDonald’s, a 🍫 Hershey’s e a 🥤 PepsiCo.

As ações dessas empresas vêm sofrendo oscilações, pressionadas por mudanças comportamentais e por uma nova cultura que valoriza performance acima de prazer imediato. E no Brasil? A demanda por medicamentos com GLP-1 explodiu: As vendas de Ozempic cresceram mais de 100% em 2023, segundo dados da IQVIA. O Brasil já é o 2º maior mercado global para medicamentos à base de semaglutida, atrás apenas dos EUA. Segundo a Anfarmag, a busca por GLP-1 manipulado também cresceu mais de 400% em farmácias de manipulação em 2023. Varejistas de ultraprocessados reportam queda de sell-out em SKUs indulgentes em bairros de maior renda.

O setor de alimentos viu um aumento de 13% nas buscas por “proteína” e “funcional”, no Brasil só no último semestre (dados Google Trends). E marcas como Habib’s, Subway e Bob’s já anunciaram reformulações nos cardápios com foco em produtos proteicos, low carb e saudáveis.

Enquanto isso, as academias viram o novo “pub”. Usuários de Mounjaro dobraram a frequência de treino e redes fitness crescem mais de 50% em novos alunos. Estamos diante de um culto à performance, com dopamina limpa e whey no copo. Nas manhãs, o “coffee party” substitui a balada. Smoothies, brunches e cafés agora ditam o networking: mais serotonina, menos ressaca.  O Álcool também entrou na roda. Só 62% da Geração Z abaixo dos 35 anos ainda bebem. 38% trocaram festas por meditação. E a queda no consumo é brutal: Boomers: US$ 25B; Gen X: US$ 23.1B; Millennials: US$ 23.4B; Gen Z: US$ 3.1B (Fonte: Statista).

No pano de fundo, o mercado de wellness já vale US$ 6,3 trilhões. Mas o ativo mais valioso de todos agora é outro: atenção focada, corpo afiado e cérebro calmo. Afinal de contas, quem perde? As marcas que vendiam impulso, prazer e gula. E quem ganha? As que entregam longevidade, clareza mental e autonomia.

Se até McDonald’s, Hershey’s e Pepsi estão sentindo o baque, imagine o que vem por aí. O consumo está mudando rápido. A pergunta é: sua marca vai acompanhar ou vai emagrecer junto?

Fonte: https://www.linkedin.com/posts/robertaterra_ozempic-calou-o-est%C3%B4mago-e-ligou-o-alerta-activity-7334218053930369026-7tRy?utm_source=share&utm_medium=member_desktop&rcm=ACoAAAQjwpcB3jgdanI4FOWx82vkvvNXe1t7txI 

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