A Cultura do "Copão" e a Estratégia de Ouro: Por
que o Mercado de Destilados Está Invertendo a Lógica Tradicional para Atrair
Jovens Consumidores
Esqueça aquela imagem clássica do uísque apreciado em copos
de cristal por senhores de terno em salas silenciosas. Hoje, a realidade dos
destilados no Brasil pulsa no ritmo das adegas de bairro, dos festivais urbanos
e dos "copões" com gelo de coco saborizado. De olho nessa mudança radical de comportamento, gigantes do mercado decidiram quebrar as regras de
etiqueta tradicionais. O maior exemplo disso é o movimento recente da Diageo,
que anunciou a duplicação da sua verba de marketing para o icônico whisky White Horse (o mesmo vale para o Old Par) com um alvo muito bem definido: o consumidor jovem.
A estratégia escancara um novo momento econômico e cultural.
Enquanto o consumo global de uísque escocês tradicional enfrenta desafios de
estoque e flutuações de demanda na Europa e nos Estados Unidos, o Brasil caminha na contramão. O país consolidou-se como um dos maiores e mais
estratégicos mercados de destilados do mundo, impulsionado por um consumo que
une democratização e criatividade.
Do Tradicional kilt ao Ritmo das Batalhas de Rima
O segredo por trás do investimento maciço na marca reside na capacidade de se misturar. A nova campanha de White Horse planeja alcançar mais de 10 milhões de pessoas inicialmente em São Paulo, marcando forte presença em festivais que ditam tendências de comportamento, como o Afropunk e o Tropicadélia. A comunicação deixa de lado a formalidade escocesa e passa a focar em intervenções de moda e street art — promovendo, inclusive, releituras do clássico kilt sob a ótica da rica cultura urbana brasileira.
Para dialogar de igual para igual com as classes A, B e C, a
marca escalou mestres de cerimônia oriundos das batalhas de rima e DJs da cena eletrônica e do funk. A mensagem é clara: o uísque é para todos, em qualquer
lugar e a qualquer hora.
O Fenômeno das Adegas e a Engenharia do Gelo
A virada de chave para essa aproximação geracional não aconteceu da noite para o dia. Ela começou a ganhar força com parcerias cirúrgicas com marcas de gelo para drinks. O lançamento de gelos
específicos para o preparo do famoso "Copão" superou todas as expectativas comerciais da companhia, batendo a meta de um milhão de unidades vendidas meses antes do esperado. Agora, o plano de expansão mira o coração do consumo popular brasileiro: as adegas de rua. Com mais de 20 mil adegas espalhadas pelo Brasil, o objetivo da marca é abastecer agressivamente estes canais, começando pelo mercado paulista antes de nacionalizar a distribuição em larga escala. É o reconhecimento definitivo de que a jornada do consumidor mudou — as pessoas estão bebendo em mais ocasiões, experimentando novos formatos de coquetelaria e exigindo produtos acessíveis que conversem com suas realidades cotidianas.Para empresas focadas em inovação, branding e comportamento
de consumo como aqueles que frequentam o blog Ave César Co. o movimento do Whisky White Horse (me lembrou a música Flash House) deixa uma lição valiosa: o sucesso comercial não está em tentar
mudar o gosto do jovem cliente, mas sim em adaptar sua marca histórica para
caber perfeitamente no copo — e no estilo de vida — dele.
Para lembrar, veja a antiga propaganda desse famoso destilado visando a sua popularidade nos bares.
Nenhum comentário:
Postar um comentário