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terça-feira, 14 de outubro de 2025

Previsões Globais em Alimentos e Bebidas 2026

 Uma imagem contendo texto, jornal, mesa, comida

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Saiu o Relatório da Consultoria Mintel com perspectivas para 2026 

Presente em mais de 50 países, a firma estuda as tendências de consumo, focada em alimentos e bebidas. O blog Ave Cesar Co., separou alguns pontos desse reporte vinculado à indústria de bebidas. Confira a seguir.

Fortaleça a determinação de suportar a adversidade agora e nos próximos anos

As Previsões Globais de Alimentos e Bebidas da Mintel para 2026 foram desenvolvidas com o objetivo de analisar como marcas empáticas podem ajudar os consumidores que sentem que estão apenas sobrevivendo, em vez de prosperando. A policrise, termo para uma série de choques ou desastres consecutivos e interligados, dos últimos cinco anos, deixou consumidores e empresas necessitados de apoio para se sentirem preparados, flexíveis e até criativos diante dos obstáculos.

Ser resiliente é uma lição duradoura da COVID-19, mas os analistas globais de alimentos e bebidas da Mintel preveem que a perseverança surgirá como um lema para 2026. As marcas construirão relacionamentos duradouros com os consumidores, demonstrando como estão perseverando diante de questões globais que também estão complicando a vida diária dos consumidores, como mudanças climáticas, interrupções na cadeia de suprimentos e os impactos de condições crônicas de saúde.

Com soluções projetadas para incentivar a persistência, os consumidores se sentirão mais capacitados para enfrentar os desafios diários, desde "o que tem para o jantar?" até "beber isso me ajudará no futuro?"

A inovação sensorial potencializará novas ocasiões sociais

Os consumidores (particularmente a Geração Z) continuarão a reinventar antigas ocasiões sociais, como baladas noturnas e celebrações centradas em álcool. Surgirão oportunidades para marcas de alimentos e bebidas usarem elementos multissensoriais, como aroma, áudio ou vídeo, para modernizar ocasiões de consumo que eram icônicas para as gerações anteriores.

Por exemplo, "soft clubbing", ou festas dançantes matinais com DJs, transformam uma ocasião social icônica, que antes duraria até as primeiras horas do dia seguinte e seria abastecida por álcool, em festas diurnas em cafés focadas em café e chá.

As marcas têm a oportunidade não apenas de reimaginar alimentos e bebidas tradicionais, mas também de reimaginar as ocasiões de consumo onde elas podem ser aplicadas, proporcionando uma maneira totalmente nova de permanecer relevante para a Geração Z e a Geração Alfa. A inovação sensorial potencializará novas ocasiões sociais.

O que as marcas deveriam buscar

Garrafa de plástico

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Conexões emocionais mais profundas com alimentos e bebidas estão se tornando mais intencionais e inclusivas. As marcas têm a oportunidade de entender como isso faz os consumidores se sentirem e por que isso importa.

Compreender as expectativas sensoriais dos consumidores, da textura ao aroma e à recompensa emocional, será fundamental para criar produtos que ressoem. As marcas têm a oportunidade de construir conexões emocionais duradouras, respondendo a essas necessidades sensoriais.

Siga o exemplo da APAC (Ásia-Pacífico) em inovações em bebidas multissensoriais que melhoram o humor

Na China, 79% dos consumidores de bebidas com gás concordam que o som das bolhas estourando em bebidas com gás os relaxa. A Ásia, em geral, está vendo bebidas oferecerem melhorias interativas de humor.

As latas de refrigerante da Fruit.B contêm uma fatia de fruta de verdade que flutua para o topo quando a lata é aberta e o aroma liberado é ainda mais acentuado por uma lata com borda mais larga. Na Tailândia, a campanha Rise Up da Est Cola viu latas de edição limitada com palavras de incentivo impressas de cabeça para baixo para inspirar os consumidores.

A tendência é clara

Características sensoriais além do paladar deixarão de ser um elemento performático e caprichoso em alimentos e bebidas para se tornarem algo mais prático e pragmático. O uso criativo, porém, baseado em evidências, de textura, aroma e aparência será fundamental para criar inovações que ofereçam experiências inclusivas para consumidores carentes.

Saiba mais e acesse o reporte em: Mintel_2026_Global_Food_and_Drink_Predictions.pdf e Global Food & Drink Predictions: 2026 & Beyond | Mintel

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

Mercado de Cervejas Artesanais



Ajuste de Contas em Cervejarias Artesanais: Fazer Menos é Mais?

O Blog “Bar do Celso”, de Luiz Celso Jr., publicou na sua página do Instagram, na semana que antecede o Carnaval, uma nota interessante sobre um fato que vem ocorrendo nos Estados Unidos. Lojas e bares especializados em cervejas estão reduzindo o número de rótulos em suas gondolas.

Essa informação, Celso extraiu da reportagem do New York Times, por meio do artigo de Joshua M. Bernstein, publicado em 26 de janeiro: “After a Boom, Craft Beer Considers a New Creed: Less Is More”, em português: “Após o Boom, Cervejarias Artesanais Consideram um Novo Credo: Menos é Mais”.

 Segundo o artigo, “em novembro passado (2023), as vendas de cerveja nas lojas americanas caíram 3,1% em volume em relação ao ano anterior, segundo a empresa de pesquisa de mercado NIQ. Nos bares e restaurantes, as vendas caíram quase 4,7%. (Só para cerveja artesanal, a queda foi ainda mais acentuada: 5,3% nas vendas nas lojas e 6,7% em bares e restaurantes.) Parte desse comportamento está associada a mudança de comportamento do consumidor, que está voltando à simplicidade. Depois de anos oferecendo uma sucessão constante, muitas vezes semanal, de novos produtos, muitas cervejarias, bares e supermercados reduziram o número que produzem, servem e vendem”. Em parte, isto é uma concessão à realidade econômica: os americanos estão comprando menos cerveja, optando por bebidas espirituosas e cocktails em lata ou abstendo-se totalmente de álcool.

Com base nesse cenário, o jovem Celso perguntou? Você concorda com o termo usado no artigo, sobre o mercado americano das artesanais que “Menos é Mais?”

Bart Watson, economista-chefe da Brewers Association cantou a pedra no primeiro semestre de 2023, que o crescimento de cervejas artesanais atingiu um patamar que é comum a outros segmentos presentes nos Estados Unidos, deixando de ser um foguete de crescimento isolado. Quanto a estratégia, comentei ao Celso, que o mesmo cenário citado no artigo do Times vem também ocorrendo no Brasil. Primeiro, cabe destacar que o setor de bebidas alcóolicas é muito dependente do comportamento do PIB. Quando a economia vai bem, muitos dizem: “garçom, desce uma gelada”! Quando a economia vai mal, aí a frase é outra: “garçom, encerra a conta”!

Tanto no Brasil quanto no exterior, observa-se um certo achatamento dos salários, sem citar os efeitos do desemprego pós-pandemia, sobretudo devido a uso de tecnologia e atos de inovação. Nessas circunstâncias, o consumidor passou a optar em buscar cervejas pelo melhor (ou menor) preço ou ainda pelo custo-benefício e optou a tomar boa parte de suas cervejas em casa. Consequentemente, bares e lojas especializadas voltaram-se para os rótulos de maior drinkability, e por aqueles que giram melhor os estoques, visando otimizar custos, manter o capital de giro sustentável, sem perder a rentabilidade. O mesmo cenário foi visto, por exemplo, no setor de serviços de alimentação, mais precisamente no cardápio dos restaurantes, com um a redução significativa do menu: houve uma menor oferta no número de pratos (ou até a sua redução em termos de quantidade), sobretudo em itens como peixes, crustáceos e carnes nobres, itens perecíveis, considerados de elevado custo. Em suma, quando o cinto aperta, às vezes o melhor é fazer o tradicional, o arroz com feijão, o básico, até que haja alguma recuperação econômica. Nessa hora menos, de fato, é mais.

Uma das soluções que cabe aos empresários é lidar com a gestão ideal dos estoques. É uma conta complexa, que carece de monitoramento, tomada de decisão com base em testes, criação de promoções por meio de combinados, (os famosos “combos”) para maior giro, ou ainda expandir as ofertas por SKU's, ou seja, ofertar uma maior diversidade, em termos de tamanho de embalagem, de um mesmo produto e, naturalmente, efetuar um ajustamento do mix aos olhos de cliente, seja pelo seu perfil, seja pela sua necessidade ou desejo de consumo. (Aliás, anote aí: mix será a bola da vez no ano de 2024, em vários setores.)

O momento é de reinventar-se, pois o cenário fica ainda mais complicado com a ação dos concorrentes de outros nichos, como o gin, o whisky, o rum e a cachaça. Todos esses estão buscando cada vez mais atrair clientes com uma política de preços mais aderente ao bolso e com a elaboração de coquetéis e drinks de encantar os olhos e o paladar.

Para encerrar, aqui vai uma notícia boa no fim do túnel. Ao contrário dos Estados Unidos, onde há um universo de mais de 9.500 cervejarias artesanais, (o que deixa qualquer consumidor confuso na hora de tomar a sua decisão de compra), a realidade do Brasil tem sido diversa. Apesar da mudança de comportamento do consumidor, o mercado de cervejas artesanais está expandido. Dados do Anuário da Cerveja do Ministério da Agricultura (MAPA) mostram que em 2022, o setor cervejeiro cresceu 11,6%, com a abertura de 180 novos estabelecimentos. Ao todo, foram registradas 1.729 cervejarias.

fonte: Mapa

Isso mostra que o Brasil não é um país e sim um continente e que há espaço para o surgimento de novos estabelecimentos, sobretudo em seu interior e em áreas em que há práticas de turismo, gerando emprego e renda. E para atrair e manter clientes, nada como promover uma boa visita guiada à fábrica, realizar degustações harmonizadas, criar eventos locais e novos modelos de negócios, produzir novas bebidas além da própria cerveja, realizar sinergias, fusões e aquisições e por aí vai.

Há muito o que fazer. Mãos à obra.

https://www.nytimes.com/2024/01/26/dining/drinks/america-craft-beer.html

https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/noticias/setor-cervejeiro-segue-crescendo-a-cada-ano-aponta-anuario#:~:text=Os%20dados%2C%20referentes%20ao%20ano,o%20Brasil%20registra%201.729%20cervejarias.

 

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