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quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Terroir Cervejeiro

O Berço da Cerveja com Selo de Origem: Como Guarapuava Conquistou o Primeiro Terroir Cervejeiro do Brasil

O selo de Indicação Geográfica (IG) transformou Guarapuava na Capital Nacional da Cevada e do Malte, consolidando o município paranaense como a primeira região do Brasil a obter o registro oficial do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) exclusivamente para cervejas artesanais. O reconhecimento na modalidade Indicação de Procedência (IP) valida um terroir único, caracterizado pela união entre o clima ideal para o cultivo, a tradição cultural e uma cadeia produtiva totalmente integrada.

A força cervejeira de Guarapuava está profundamente ligada à sua identidade agrícola e cultural. O distrito de Entre Rios destaca-se globalmente pelo cultivo em larga escala de cevada de altíssima qualidade e pela industrialização por meio de grandes maltarias regionais, o que inclui a tradicional Cooperativa Agrária Agroindustrial.

Essa vocação agrícola foi impulsionada pela imigração de suábios do Danúbio, alemães e suíços, que trouxeram técnicas seculares de produção de cerveja da Europa Central. Hoje, o município fecha o ciclo completo da bebida — do campo ao copo —, garantindo frescor e rastreabilidade que diferenciam o produto no mercado nacional.

A concessão do selo de IP gerou transformações profundas na matriz econômica do município e do estado do Paraná destacando:

Agregação de Valor: O selo funciona como um certificado de excelência, permitindo que as microcervejarias locais pratiquem preços competitivos e ampliem suas margens de lucro.

Atração de Investimentos: A chancela oficial atrai indústrias correlatas, fornecedores de insumos e novas maltarias interessadas em se instalar no polo produtivo de maior relevância do país.

Fortalecimento da Cadeia Local: Estimula o comércio de proximidade e a agricultura familiar, fixando a riqueza e os tributos gerados pela cadeia da cerveja na própria região de Guarapuava.

Expansão de Mercado: Abre portas para o comércio internacional e facilita a inserção das marcas em grandes redes de distribuição nacionais devido ao prestígio do selo de origem.

Há ainda impactos turísticos e culturais. O turismo de experiência tornou-se um dos maiores motores de desenvolvimento após o reconhecimento territorial, proporcionando Rotas de Turismo Cervejeiro, com a criação de roteiros integrados que levam visitantes aos campos de cevada, às grandes maltarias e às salas de brassagem das microcervejarias locais. Há ainda a consolidação de Eventos e Festivais, por meio festas tradicionais que celebram o malte e a colheita, atraindo turistas de várias regiões e movimentando a hotelaria e a gastronomia locais e por fim, a valorização da IdentidadeRegional que visa resgatar a história das colônias europeias com foco na culinária típica harmonizada com as cervejas do terroir.

Representadas pela Associação das Cervejarias de Guarapuava (Guaracerva), as nove cervejarias artesanais que carregam a identidade desse território histórico são: Água do Monge, Donau Bier (cervejaria que visitamos e é a pioneira na região, fundada em 2004), Hank Bier, Heimdall, Irmandade, Jordana Bier, Metger bier, Over Beer e Suábia.


Fotos: IA, Internet/Divulgação das Cervejarias (Facebook/Instagram)


terça-feira, 24 de março de 2026

Congresso Agrária 2026


Agraria Convida Profissionais do Setor Cervejeiro para Congresso Técnico Internacional 2026

A Agrária manterá o modelo do evento de 2025. Serão 2 eventos nos quais o participante pode se inscrever. Haverá visitas na Maltaria, à Cervejaria Experimental, FAPA, Museu Histórico, nos dias 06 e 10 de abril de 2026.


Congresso Técnico Internacional Agrária Malte - Dias 07, 08 e 09 de abril de 2026. O Congresso conta com almoços e jantares inclusos; além de acesso a diversas empresas expositoras do meio cervejeiro. Em suma: a programação será rica e variada, com palestras magnas e simultâneas, além de shows incríveis.

A programação completa totaliza 18 palestras, com profissionais internacionais e nacionais renomados no mercado cervejeiro. Durante a programação, haverá um tempo especial para conhecer cerca de 40 expositores estratégicos.

Sobre a Agrária

A Agrária Malte possui atualmente a maior maltaria da América Latina. São 375 mil toneladas de maltes produzidos por ano. O carro chefe é o Malte Pilsen, entretanto, a empresa produz

nacionalmente os Maltes Munique, Pale Ale, Vienna, Malte de Trigo, Pilsen Extra Claro e o Malte Distilling, voltado para destilarias. 

Além dos maltes produzidos, a empresa também atende clientes com uma vasta variedade de Maltes Alemães da Weyermann®, Maltes Belgas da Dingemans, Lúpulos Alemães da HVG, Lúpulos Americanos, Leveduras da Lallemand e da BIO4, Adjuvantes e Coadjuvantes da Prozyn e Adjuntos Cervejeiros, como o Flakes.

Congresso Técnico Internacional Agrária

De 7 a 9 de abril

Centro de Eventos Agrária

Saiba mais em: Voucher - Congresso Técnico Internacional; 

Programação - Congresso Técnico Internacional 2026


quarta-feira, 26 de junho de 2019

Brasil Brau e Livro Mineiro de Cervejas


Brasil Brau 2019 retrata salto qualitativo na profissionalização do Setor Cervejeiro
Data: 21/JUN/2019

O principal evento da indústria cervejeira na América Latina reuniu a cadeia produtiva de ponta a ponta e apresentou as novidades do mercado mundial, com expositores de 13 países diferentes; a edição comprovou o posicionamento definitivo e relevante do Brasil no mapa do setor cervejeiro internacional

A 15ªedição da Brasil Brau, feira bienal de tecnologia em cerveja que aconteceu de 28 a 30 de maio no São Paulo Expo, reuniu as últimas tendências mundiais em maquinário, tecnologia, insumos, produtos e serviços do mercado cervejeiro. Participaram 113 expositores vindos de diferentes regiões do Brasil e países como Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, China, Holanda, França, Taiwan, Canadá e México – 33% dos expositores eram estrangeiros. Ao longo dos três dias de evento, 6.500 visitantes circularam pelo espaço de 8.000 m².

A organização do evento comemora os resultados: “A Brasil Brau deste ano foi realmente um divisor de águas, mostrando-se atrativa e internacional. Tivemos mais de 100 expositores representando 13 países diferentes, o que comprova a abrangência e relevância da feira no cenário mundial para quem quer fazer negócios com o Brasil”, analisa Luana Cloper, diretora de negócios da Brasil Brau. Na parte de visitação, ela identificou uma qualificação ainda mais expressiva do que nas edições anteriores. “Tivemos visitantes que representam as indústrias de todos os portes, tanto grandes cervejarias quanto os novos negócios que se apresentam no Brasil, como é o caso dos brew pubs.”

Leandro Spaniol, coordenador de marketing da empresa de refrigeração Zero Grau, que expôs pela primeira vez no evento, concorda: “A feira reuniu desde o cervejeiro que está começando e o empreendedor de médio porte, que já precisa ampliar o negócio, até as cervejarias maiores, que estão pensando em franquias, por exemplo”. “A qualidade dos visitantes é ótima”, atestou Volmir Roberto Gava, diretor da fabricante de equipamentos Egisa. “São pessoas focadas no segmento - compradores, técnicos, cervejeiros, empreendedores – e para nós é muito bom que a feira seja focada e bem dirigida”.

Dentro deste cenário, a presença de expositores de toda a cadeia produtiva foi fundamental para atender à demanda de um público cada vez mais qualificado e profissionalizado. Além das ramificações tradicionais, como maquinários e equipamentos, insumos e embalagem, a Brasil Brau contou com um importante rol de serviços, consultoria e educação, higiene bioquímica e ambiental, biotecnologia e instrumentos de medição e análise.

Atrações de conteúdo

Uma das novidades de 2019 foi a estreia do Brewer Lounge, novo formato de divulgação e interatividade de expositores com seu público-alvo. No espaço, localizado no centro da feira, especialistas apresentaram conteúdo, unindo abordagem técnica com degustação orientada de cervejas em prol do debate de boas práticas, processos de produção, usabilidade de produtos e serviços. Entre os especialistas que participaram dos painéis, Rodrigo Baruffaldi, cervejeiro da Overhop que produz na cervejaria Antuérpia, falou sobre o futuro da cervejaria cigana no Brasil, debatendo modelos bem-sucedidos e novas estratégias para este tipo de negócio, e o sommelier Carlo Bressiani, da Escola Superior de Cerveja e Malte, conversou sobre gestão de custos para cervejarias, apresentando ferramentas que otimizam o desempenho da organização. O espaço contou também com uma palestra oferecida pela McPack, em que Juancho Tabangay, diretor de vendas globais da Chart Inc. para todos os modelos de dosadores, falou sobre nitrobeer – cervejas com nitrogênio líquido.
  
Outra atração foi o tradicional Congresso Brasileiro de Ciência e Tecnologia Cervejeira, já em sua 16ª edição, que teve curadoria de Cilene Saorin – uma das primeiras mestras-cervejeiras do Brasil, com mais de 20 anos de experiência – e da sommelière Rafa Brunetto. A programação incluiu palestras de mestres como o lendário Randy Mosher (EUA), autor da bíblia cervejeira “Radical Brewing”, e o alemão Tobias Fischborn, PhD em cerveja e um dos maiores especialistas do mundo em leveduras, além de uma mesa redonda com os especialistas Luís Celso Jr., do Bar do celso, Heloisa Lupinacci, do Estadão, Bob Fonseca, da revista Menu, e Raphael Rodrigues, do AllBeers, que discutiram tendências cervejeiras e destaques para a próxima temporada.

Prêmio consagrou os destaques

O III Prêmio Brasil Brau de Gestão de Negócios em Cerveja, contribuição da feira para incentivar a valorização e profissionalização das marcas, marcou o encerramento da feira homenageando os profissionais e empresas que se destacaram em diferentes categorias da produção. O primeiro lugar em Design de Embalagem foi para a Cervejaria Tarantino, com o trabalho “Fábrica de Ideias Brasileiras”. 

Na categoria Sustentabilidade, venceu a parceria entre Allegra e BLUE ITS, pelo projeto “O Dióxido de Cloro TwinOxide como Ferramenta de Redução do Índice de Consumo de Água em Microcervejarias”. A Revista da Cerveja recebeu o prêmio de Comunicação da Cultura das Cervejas pela terceira vez consecutiva graças a seu registro da evolução da cerveja brasileira (Henrique Oliveira, com seu livro mineiro de cervejas, levou a segunda colocação), enquanto a CIA de Brassagem do Brasil levou o primeiro lugar na categoria Responsabilidade Social.

Na premiação do júri popular, que teve participação do público com quase 2 mil votos, Roberto Leão foi eleito o melhor Mestre Cervejeiro Brasileiro entre os mais de 140 profissionais indicados, e Heitor Silva foi escolhido entre 80 nomes como Sommelier Brasileiro de Cervejas. A Dádiva, representada no palco pela sócia-fundadora Luiza Tolosa, ganhou o prêmio de Melhor Cervejaria. Nas categorias que premiam os fornecedores do setor, a Egisa foi eleita Melhor Fornecedora de Equipamentos e a Agraria levou o troféu de Melhor Fornecedora de Insumos. Abaixo o ranking completo da premiação:

DESIGN DE EMBALAGEM
  
1º lugar: Cervejaria Tarantino com o trabalho Fábrica de Ideias Brasileiras

2º lugar (empatadas): Cervejaria Pratinha com a embalagem da cerveja Birudô e Lohn Bier com a New Zealand Pilsner

3º lugar: WE Consultoria com a embalagem de lúpulo BWS Insumos

SUSTENTABILIDADE

1º lugar: Allegra e BLUE ITS com o trabalho “O Dióxido de Cloro TwinOxide como Ferramenta de Redução do Índice de Consumo de Água em Microcervejarias”

2º lugar (empatados): Cervejaria Tarantino com o trabalho “Sustentabilidade Cervejeira” e Lohn Bier com suas ações em prol do meio ambiente

COMUNICAÇÃO DA CULTURA DE CERVEJAS

1º lugar: Revista da Cerveja (“Registrando a evolução da cerveja brasileira”)

2º lugar: Editora Autêntica (“Cervejas Mineiras: da imigração ao copo”)

3º lugar: Farofa Magazine (site Farofa Magazine)

RESPONSABILIDADE SOCIAL

1º lugar: CIA de Brassagem Brasil (cerveja colaborativa com os vencedores da 2ª Edição do Prêmio Brasil Brau)

2º lugar: Lohn Bier (ações sociais ao longo do ano de 2018)

3º lugar: Cervejaria Tarantino (case Tarantino – ações sociais)

PREMIAÇÃO JÚRI POPULAR

 Mestre Cervejeiro Brasileiro: Roberto Leão
Sommelier Brasileiro de Cervejas: Heitor Silva
Melhor Cervejaria: Dádiva
Melhor Fornecedor de Equipamentos: Egisa
Melhor Fornecedor de Insumos: Agraria
  
Durante a feira, profissionais do setor que circularam pela Brasil Brau também foram convidados a votar no Melhor Lançamento e no Estande Mais Bonito. Para o público, o ambiente mais marcante foi o da Prozyn, especializada em tecnologia de enzimas, que montou um estande com clima de bar, enquanto a LNF teve seu lúpulo Sabro eleito o melhor lançamento.


Fonte: https://brasilbrau.com.br//releases/23

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Donau Bier

De pequeno produtor a dono de microcervejaria
por Marli Lima
 
O biólogo Harry Reinerth, filho de suábio, é um exemplo de pequeno produtor que buscou outra atividade devido à limitação do tamanho da propriedade rural.
 
Ele e a família venderam as terras que possuíam e há sete anos fundaram a Donau Bier, uma microcervejaria que atende consumidores do interior do Paraná. Ele foi professor durante 12 anos e o pai, que plantava cevada, deu a ideia de mudar de ramo. A nova profissão foi aprendida por meio de leitura e prática. "Há muita literatura em alemão", diz, sobre o idioma que aprendeu cedo.

Reinerth começou com três tanques e triplicou de tamanho há quatro anos. Hoje tem capacidade para produzir 12 mil litros por mês e, na próxima semana, vai receber outro tanque de mil litros. A empresa faz quatro tipos de chopp e abriu no mesmo imóvel um restaurante alemão. O malte da Agrária usado na bebida facilita a logística e garante a clientela. "Meu pai é o maior fã da cerveja que fazemos", conta. A mãe ajuda na cozinha. A família investiu até agora cerca de R$ 4 milhões e espera começar a ter retorno em 2012.

Embora boa parte dos moradores de Entre Rios tenha ligação com suábios, há casos de pessoas que são de fora e foram beneficiadas por projetos da Agrária. Silvino Claus é um agrônomo gaúcho que planta cevada há 17 anos e é cooperado. Segundo ele, embora tenha custo maior de produção, o grão produz mais que o trigo e paga melhor. "Minha cultura preferida é a cevada", afirma ele, que destinou 70 hectares ao grão. "Tenho preço garantido pela indústria."

Para leigos, é difícil distinguir o trigo da cevada. Claus explica que há diferenças na folha e na espiga. A espiga do trigo tem quatro fileiras de grãos, enquanto a cevada tem dois e é mais comprida. O preço de referência é o trigo, com um bônus garantido pela cooperativa.

Os produtores da Agrária plantaram na última safra 28 mil hectares do grão e colheram 114 mil toneladas. Usam três variedades de sementes da Embrapa. A expansão da cultura é limitada por clima e altitude. Claus ensina que a cevada gosta de temperatura entre 10 e 25 graus, e dá melhor em solos acima de 900 metros do nível do mar. (ML)

Foto: Valor Econômico
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