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sábado, 29 de agosto de 2026

Dia do Sommelier

 

Além da Taça: A Revolução Sensorial e o Mercado em Expansão dos Sommeliers

Eles já foram transportadores de carga e até provadores reais contra envenenamentos. (Há uma passagem no Filme "Gladiador" que há um gesto de sommelier para evitar o risco de contaminação.)

A palavra sommelier tem origem francesa e remonta à Idade Média. Inicialmente, o "sommerier" era o condutor dos animais de carga que transportavam as provisões e os vinhos das cortes reais itinerantes. Com o tempo, a função evoluiu: ele passou a ser o responsável por organizar as adegas dos castelos e, crucialmente, provar a comida e a bebida dos Reis antes de serem servidas para garantir que não estivessem envenenadas ou estragadas.

Com o nascimento dos grandes restaurantes em Paris no século XIX, a figura do sommelier migrou dos palácios para os salões comerciais. O profissional assumiu o papel de avaliar e recomendar vinhos para o público, transformando a função em sinônimo de elegância e alto conhecimento técnico.

Hoje, os sommeliers e sommelières são arquitetos de experiências sensoriais. Longe de se limitarem a apenas servir uma bebida em restaurantes formais, esses profissionais comandam importadoras, assinam cartas premiadas, gerenciam canais de conteúdo digital e ditam as tendências do mercado de luxo e do varejo.

O Dia Nacional do Sommelier, comemorado em 29 de agosto, celebra a regulamentação oficial da profissão no Brasil (conquistada pela Lei nº 12.467 em 2011). Internacionalmente, a profissão é homenageada em 3 de junho, data que marca a fundação da Association de la Sommellerie Internationale (ASI) em 1969.

Expansão do Mercado: As Novas Ramificações

Engana-se quem pensa que o universo da sommellerie se restringe apenas ao vinho. O mercado se diversificou drasticamente, abrindo espaço para especialistas em diferentes insumos.

Sommelier de Vinhos: O modelo clássico, focado na gestão de adegas, mapeamento de terroirs, safras e harmonização gastronômica.

Sommelier de Cerveja: Especialista que estuda os diferentes estilos de malte, lúpulo, processos de fermentação e combinações com pratos complexos.

Sommelier de Destilados e Coquetaria: Focado em bebidas de alta graduação alcoólica, como cachaça, uísque, gim e saquê.

Sommelier de Não Alcoólicos: Uma das vertentes que mais cresce no mundo, com profissionais dedicados exclusivamente à degustação técnica e classificação de cafés especiais, chás, mocktails e até águas minerais.

O leque de atuação para quem se forma na área vai muito além do salão de um restaurante tradicional. A começar por consultoria e curadoria, por meio do desenvolvimento de cartas de vinhos para novos negócios ou seleção de rótulos para clubes de assinatura de bebidas. O profissional pode atuar no varejo estratégico, em empórios de luxo, boutiques especializadas e grandes redes de supermercados, orientando compras e estoques.

Em termos de educação e conteúdo há um caminho para a docência em escolas de gastronomia, palestras corporativas e criação de conteúdo digital focado na democratização do consumo. Ainda há oportunidades plenas em Turismo e Hotelaria, com a gestão de experiências em restaurantes regionais, vinícolas (enoturismo), resorts, passeios temáticos, cruzeiros e hotéis boutique.

A profissão, que equilibra perfeitamente a precisão da ciência química e agrícola com a sensibilidade da hospitalidade, consolida-se como o elo definitivo entre a terra, o produtor e a emoção de quem degusta. 

Se você deseja seguir a profissão o blog indica a EMS - Escola Mineira de Sommelieria 

Minas Gerais é destaque no setor. Nomes incríveis como os saudosos Marco Falcone e Arilton Soares, e os atuantes Gustavo Giacchero (seu bisavô foi enólogo na Itália), Fabiana Arreguy, Jaque Oliveira, Kleber Vieira, Renato Costa, Evandro Zanini, Carlos Henrique Vasconcelos, Fabiana Bontempo, Alan Kardec, Júlio Füzessy, Thiago Fernandes, Heitor Silva, e muitos outros ilustram o cenário da profissão na terra das Alterosas.

Na formação de novos talentos, a antiga Academia Sommelier de Cerveja, fundada originalmente em 2012 em Belo Horizonte, passou por uma grande expansão estrutural e foi rebatizada como Escola Mineira de Sommelieria (EMS). A instituição é comandada pela CEO, professora e especialista Jaqueline Oliveira.

Assessorada por profissionais de renome no mercado de cervejas, bebidas e destilados e EMS está localizada na Avenida do Contorno, no bairro Floresta. A escola é uma das maiores referências na formação de profissionais do mercado de bebidas em Minas Gerais, consolidando o estado como um polo da cultura cervejeira.

Conheça mais sobre a EMS em https://www.instagram.com/e.m.sommelieria/



terça-feira, 28 de julho de 2026

IPA Day Belo Horizonte

 

A Explosão do Lúpulo em BH: IPA Day Desembarca na Capital Mineira com Grandes Nomes do Mercado

O calendário dos apaixonados por cerveja artesanal em Belo Horizonte acaba de ganhar o seu dia mais importante. No dia 26 de setembro de 2026, o aclamado circuito nacional IPA Day realiza sua aguardada edição na capital, prometendo atrair milhares de hopheads (os aficionados por lúpulo) de todo o estado.

O evento será realizado no espetacular Mirante Happiness, das 14h às 22h, proporcionando uma vista privilegiada para acompanhar a maratona cervejeira.

O Encontro de Gigantes: Rafael Moschetta e Jaqueline Oliveira

A grande força desta edição de Belo Horizonte está nos bastidores e na curadoria técnica. O festival é idealizado e organizado por Rafael Moschetta, o fundador do IPA Day Brasil e uma das maiores autoridades na construção da cultura IPA no país desde 2012.

Para garantir a perfeita identidade mineira ao evento, a execução local conta com a assinatura de Jaqueline Oliveira, sommelière à frente da renomada Escola Mineira de Sommelieria (EMS) e membro da Confece - Confraria Feminina da Cerveja. Essa parceria une a expertise do maior festival de IPAs do Brasil com o conhecimento técnico e a paixão da formação de sommeliers em Minas Gerais.

O que Esperar do IPA Day Belo Horizonte?

O tradicional festival reformulou sua dinâmica para oferecer uma experiência muito mais flexível e inclusiva aos participantes. Esqueça os antigos formatos; veja o que aguarda o público:40 rótulos selecionados, por meio de uma curadoria rigorosa trazendo as melhores IPAs do Brasil, incluindo receitas inéditas criadas exclusivamente para esta data.

Novo Modelo de Consumo: O evento adota o sistema de fichas (com doses de 120ml), permitindo que cada pessoa escolha exatamente o quê e o quanto quer beber.

Há Três Tipos de Ingressos, com opções personalizadas que vão desde o Copo Cheio (para os maratonistas do amargor), passando pelo Meio Copo, até o Copo Seco — destinado aos acompanhantes e motoristas da rodada que desejam curtir a festa sem consumir álcool.

Experiência Completa: Além das torneiras de chope e tap handles disponíveis, o público contará com praça gastronômica planejada para harmonizações, shows de rock/blues ao vivo e água potável gratuita liberada durante todo o período.

Cada participante garantirá o icônico copo de vidro oficial do circuito, digno de colecionismo. Os ingressos oficiais e lotes promocionais podem ser consultados diretamente na plataforma de vendas Eventiza. 

A Ave César Co. continuará acompanhando os bastidores e trará a cobertura completa no dia do evento.


Saiba mais  no perfil do Instagram do @ipaday ou da @escolamineiradesommelieria.

Mirante Happiness: Rua Flor de Lã, 150 - Jardim Montanhês

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Rotas da Cerveja de São Paulo

 

Do Campo ao Copo: Rotas da Cerveja de São Paulo Impulsionam o Turismo de Experiência no Interior

O estado de São Paulo consolidou-se como o maior ecossistema de cerveja artesanal do Brasil, concentrando cerca de 22% das cervejarias registradas em todo o território nacional. Para estruturar essa potência econômica, gastronômica e cultural, o Governo do Estado lançou oficialmente o programa Rotas da Cerveja de São Paulo.

O projeto mapeia mais de 100 empreendimentos espalhados por 55 municípios paulistas. A iniciativa segue o modelo de sucesso de rotas rurais e roteiros gastronômicos consolidados — como os caminhos do vinho, do café e do queijo —, apostando fortemente no chamado turismo de experiência.

Um Mapa Dividido por Identidades Regionais

Longe de propor um caminho único ou centralizado, o projeto fragmentou o mapa paulista em sete circuitos regionais. Cada roteiro foi desenhado de forma inteligente para refletir o clima, a cultura e a vocação agrícola de seu respectivo território. (Veja o vídeo anexo clicando "Assistir no Youtube").

Mogiana Paulista (O Berço da Tradição): Com Ribeirão Preto como grande protagonista, a rota resgata o título histórico de "Capital do Chope". A região une a robustez industrial a uma efervescente cena de gastronomia de bar e microcervejarias altamente inovadoras.

Circuito das Águas e Frutas: Cidades turísticas como Jundiaí, Serra Negra e Holambra misturam a pureza de suas fontes hidrominerais com a produção de cervejas sazonais e complexas. O frescor local e o uso de frutas locais são traduzidos diretamente em receitas de alta qualidade.

Sorocaba e Região: Destaca-se no cenário estadual como um verdadeiro celeiro de produtores independentes, focados na criação de rótulos experimentais e frequentemente premiados em festivais nacionais.

Serra do Itaqueri, Cuesta e Centro Paulista: Abrangendo municípios como Botucatu e Piracicaba, este roteiro combina o ecossistema de inovação tecnológica e acadêmica à tradição cervejeira do centro do estado.


A Força do Agronegócio e o Avanço do Lúpulo Nacional

O grande diferencial competitiva da rota paulista é a sua forte integração com o campo. O estado vem quebrando paradigmas globais ao investir agressivamente no cultivo de lúpulo nacional — insumo historicamente importado de países de clima frio.

Graças a tecnologias de manejo pioneiras e adaptação de solo, as plantações paulistas destacam-se por permitir mais de uma safra por ano. Polos rurais específicos em Araraquara e na região do Vale do Ribeira foram integrados ao guia para mostrar ao turista a planta viva, aproximando o público da matéria-prima que confere o amargor e o aroma característicos à bebida.

Para os viajantes e entusiastas da cultura craft, o roteiro vai muito além do balcão dos bares. O guia oficial — disponibilizado na plataforma Rotas de SP — incentiva a imersão total no processo de fabricação.

Ao percorrer os circuitos, o visitante pode agendar visitas guiadas às fábricas para entender os processos químicos e de fermentação, participar de brassagens públicas (o ato de fazer a cerveja ao vivo), frequentar brewpubs urbanos com torneiras exclusivas e sazonais, além de desfrutar de jantares com harmonizações completas guiadas por sommeliers.

As Rotas da Cerveja de São Paulo, semelhante ao Mapa Cervejeiro de Minas, não apenas tiram os produtores locais do isolamento geográfico, mas dão ao turista um excelente pretexto para pegar a estrada e brindar à criatividade, tecnologia e resiliência da produção paulista.

Iniciativas como as Rotas da Cerveja mostram que o sucesso de um setor tradicional depende diretamente de inovação, inteligência de dados frente a tendências e cenários, além de forte conexão logística. Das lavouras tecnológicas de lúpulo no interior até a experiência omnichannel dos brewpubs nas grandes cidades, a transformação digital é o combustível que acelera o crescimento desse mercado.

terça-feira, 30 de junho de 2026

Na Língua Fanzine

 


BeberÚ Lança Fanzine "Na Língua"

Quando visitei a Brasil Brau, passei rapidamente no EAP – Empório Alto dos Pinheiros e encontrei por lá a digníssima Bia Amorim, beer sommelier que conheço há um bom tempo. Ela me entregou um pedaço de papel com um QR Code e me disse: “Henriquinho, acessa lá e me prestigie”!

Vindo de Bia, com certeza, é coisa boa. O código QR me levou para o site da Fanzine “Na Língua”. Trata-se de uma publicação criada pela BeberÚ (uma agência do beber brasileiro) que investiga o Brasil, a partir de suas bebidas. O projeto foi viabilizado por meio do edital “Fermenta 2025”, da Ambev. Seu objetivo visa propor um olhar ampliado sobre o beber brasileiro como expressão cultural, histórica e sensorial.

A fanzine que esta na Safra 1, reúne textos autorais, ensaios, crônicas, ilustrações e fotografias que atravessam temas como memória, território, identidade, hospitalidade e descolonização do paladar. O conteúdo articula diferentes vozes, jornalistas, pesquisadores, artistas e profissionais do setor, para refletir sobre o que significa “beber o Brasil” hoje. 

Adorei o que encontrei, pois as matérias são desenvolvidas por um elenco de profissionais que estudam, questionam e aprimoram a arte de beber melhor.  

Para saber mais, acesse o QR Code anexo ou: https://beberu.com.br/na-lingua-zine-beber-brasil.

Na foto: Henrique, Bia Amorim, American Friend e Priscila Colares.


quarta-feira, 11 de março de 2026

Curso cervejeiro gratuito Ambev

 Ambev oferece 3 mil bolsas de estudo para mulheres no setor cervejeiro com  o curso CervejeiraSouEu

Ambev oferece 6 mil bolsas de cursos gratuitos para ampliar presença feminina no setor cervejeiro

A Ambev lança mais uma iniciativa de destaque para promover a diversidade no setor cervejeiro: a abertura de 6 mil bolsas gratuitas para a 6ª edição do programa "Cervejeira Sou Eu", voltado exclusivamente para mulheres que desejam ingressar ou se especializar no universo da cerveja. A ação, destacada pela Exame e outros portais de notícias, marca o maior número de vagas já disponibilizado pela empresa em uma única edição.

O curso é totalmente online, gratuito e ministrado por especialistas — incluindo sommelières e cervejeiras — que abordam desde a história da bebida até etapas de produção, qualidade, mercado, inclusão feminina, maternidade e segurança no setor. A formação integra o Bora Hub, plataforma de capacitação da Ambev que já impactou milhões de pessoas no país.

Ao final do programa, as participantes recebem certificado de conclusão, que pode ajudar na entrada ou avanço na carreira no setor, que se mostra cada vez mais aberto à participação e liderança feminina.

Datas: 23/03 a 27/03 - Horário: das 19 as 21h. Formato: Aulas on-line e ao vivo. É necessário ter mais de 18 anos para participar.

Todo o curso é desenvolvido e ministrado por professoras que são Especialistas, Sommelières e Cervejeiras. O conteúdo passa por temas desde a origem e importância da bebida na evolução da civilização, as etapas da sua produção, o papel de cada ingrediente, até os estilos e possíveis harmonizações. Uma verdadeira Masterclass.

Confira as informações: Cervejeira Sou Eu - 6ª Edição - online - Sympla

sábado, 7 de março de 2026

A Expedição Cervejeira de Douglas Merlo

 

Douglas Merlo: um cervejeiro expedicionário

Douglas é uma camarada que todo bom cervejeiro gostaria de conversar com ele, quando o assunto é uma boa cerveja. Douglas Merlo morou por 8 anos na Europa onde se formou como Mixologista, Sommelier de Cervejas e Mestre em Estilos de Cerveja.

Sua formação acadêmica proporcionou a esse jovem ministrar aulas em várias instituições de ensino cervejeiro como a Escola Superior de Cerveja e Malte, a Science of Beer, a Brau Akademie, além do Instituto da Cerveja Brasil, e os sistemas de ensino SENAI e SENAC. Com vasto conhecimento, Douglas passou a atuar como jurado de vários concursos de cerveja ao redor do mundo passando por países da Europa, além dos Estados Unidos, Coréia do Sul, África e, naturalmente, na América do Sul.

Em 2017, Douglas decidiu expandir seus ensinamentos, indo além da sala de aula. Para tanto, fundou a “Expedição Cervejeira”, empresa focada em turismo cervejeiro pelo mundo. Atualmente, sua empresa já acumula mais de 15 programas realizados, agraciando centenas de participantes. Curiosamente, em 2018, Douglas recebeu uma das maiores honrarias cervejeiras do mundo, nomeado "Cavaleiro da Cerveja Belga". Trata-se de uma honraria recebida em "honoris causa" na cidade de Mechelen, na Bélgica. Esse reconhecimento é oferecido pela Associação dos Cervejeiros Belgas, para pessoas que promovem e difundem a cultura da cerveja no próprio país e no mundo.

Desde então o cervejeiro não parou mais. Em 2020, o mestre foi convidado para ser membro da British Guild of Beer Writers (Guilda Britânica dos Escritores de Cerveja). A guilda foi formada em 1988, na Inglaterra para ajudar a difundir acultura sobre cervejas, cervejarias e pubs, sendo considerada uma das maiores e mais importantes fontes de informação atualizada sobre cerveja. Ele se tornou o primeiro brasileiro a fazer parte daquele seleto grupo. Durante a jornada no British Guild of Beer Writers Douglas quase marcou um gol, quando participou do concurso daquela instituição, na categoria "Best Citzen Beer Communicator" com o projeto "Nos bons e velhos tempos da cerveja belga", lançado no Youtube da Expedição Cervejeira. Acabou ficando entre os finalistas.

Os anos passaram, e Douglas levou o tema cerveja como seu ganha pão e profissão. Desde 2022, o profissional se tornou Diretor Técnico do CBC Brasil - Concurso Brasileiro da Cerveja e, dois anos mais tarde, assumiu a diretoria técnica do BBA - Brazilian International Beer Awards. Além de outras atividades, Douglas ainda tem um espaço em sua agenda para ser embaixador no Brasil do Brussels Beer Challenge, um dos maiores e mais importantes concursos cervejeiros no mundo, que teve a sua mostra realizada nesse mês de março na cidade de Uberlândia.

Para conhecer o Douglas Merlo, basta procurá-lo em suas redes sociais, ou ainda no LinkedIn, local onde costumo conversar com esse camarada que leva a cultura cervejeira nacional e internacional a sério. Douglas é um verdadeiro expedicionário.

Um brinde mestre!

Saiba mais: Douglas Merlo - Expedição Cervejeira; Douglas Merlo | LinkedIn;

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

4ª Copa Capixaba de Cerveja Artesanal

Conheça os vencedores da 4ª Copa Capixaba de Cerveja Artesanal

Após dois dias de julgamento técnico, realizados em 20 e 21 de novembro, a revelação das medalhas ocorreu durante a Grande Festa de Premiação, na Casa do Turista, no Espírito Santo.

por Folha do ES

A 4ª Copa Capixaba de Cerveja Artesanal chegou ao seu ponto alto neste sábado (22), quando foram anunciados os vencedores da edição mais disputada da história da competição. Após dois dias de julgamento técnico, realizados em 20 e 21 de novembro, a revelação das medalhas ocorreu durante a Grande Festa de Premiação, na Casa do Turista (Salão Nobre do Saldanha da Gama), reunindo cervejeiros e apaixonados pela bebida artesanal em uma noite de confraternização, música e muitas torneiras liberadas.

A Categoria “Cervejaria do Ano” ficou com a Cervejaria Três Santas. E a Categoria “Best Of Show” foram condecoradas:

1° lugar – Terra da Cachaça / 1138 – Brazilian Wood Aged Beer — Cervejaria Três Santas, Santa Teresa.
2° lugar – Uma Canção Praiera. Grisete/ 310 – American-Belgo-Style Ale — Cervejaria Três Santas, Santa Teresa.
3° lugar – Marina / 405 – Contemporary-Style Gose — Cervejaria Aurora, Venda Nova do Imigrante.

Ao todo, 320 rótulos participaram da disputa — um crescimento de 10% em relação ao ano passado — confirmando o fortalecimento do Espírito Santo como um dos polos cervejeiros mais vibrantes do país.

As avaliações seguiram rigorosamente os critérios do Guia de Estilo da Brewers Association (BA) – 2025, conduzidas por um júri especializado em degustação às cegas, garantindo imparcialidade e precisão técnica. Cada amostra foi analisada dentro de seu estilo e pôde receber medalhas de ouro, prata ou bronze.

Realizada pela AICERVA – Associação das Indústrias de Cerveja Artesanal do Espírito Santo, a Copa reforça o papel do Estado como referência na produção independente. Com mais de 40 cervejarias registradas, o Espírito Santo já se destaca nacionalmente pelo ritmo acelerado de novos rótulos, gerando emprego, movimentando turismo, fortalecendo a gastronomia e consolidando uma economia criativa em expansão.

Para Paulo de Victa, presidente da AICERVA, o resultado deste sábado simboliza a maturidade técnica alcançada pelo setor. “O nível apresentado nesta edição comprova que o Espírito Santo entrou de vez no mapa dacerveja artesanal nacional. É uma conquista coletiva, construída com dedicação, profissionalismo e paixão pelo que fazemos”, afirmou.

Fonte e Sabia mais: Conheça os vencedores da 4ª Copa Capixaba de Cerveja Artesanal - FOLHA DO ES

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

Perdas e Danos sobre Publicidade em Cervejas


TBT: Amante de cerveja artesanal tailandesa é multado por foto e crítica no Facebook

por JINTAMAS SAKSORNCHAI

Publicado às 10h50 BRT, 24 de abril de 2023

BANGKOK (AP) – Um tribunal na Tailândia impôs a um entusiasta de cerveja artesanal uma multa de 150.000 baht (US$ 4.360) e uma sentença de prisão suspensa de seis meses por violar uma lei sobre publicidade de bebidas alcoólicas ao postar uma foto de uma cerveja com sua avaliação sobre ela. Facebook.

Artid Sivahansaphan disse na segunda-feira que pretende recorrer da sua condenação na esperança de mudar uma lei que considera injusta para os consumidores e pequenos empresários.

A Lei de Controle de Bebidas Alcoólicas de 2008 proíbe “publicidade ou exibição, direta ou indiretamente, do nome ou marca registrada de qualquer bebida alcoólica”. Aplica pena máxima de um ano de prisão e multa de 500.000 baht (US$ 14.540.)

Artid foi condenado na sexta-feira por um tribunal em Nonthaburi, ao norte de Bangkok, por uma postagem no Facebook em 2020. A pena inicial de oito meses de prisão e uma multa de 200.000 baht (US$ 5.810) foi reduzida para uma pena suspensa de seis meses e uma multa de 150 mil baht (US$ 4.360) porque o tribunal considerou seu testemunho útil, disse ele à Associated Press.

Supak Ko-it, coordenador do Beer People, grupo que promove a liberalização da produção e venda de cerveja, compareceu à sessão do tribunal e confirmou os detalhes da sentença.

“O tribunal não pareceu entender”, disse ela. “Artid escreveu a postagem do ponto de vista de um consumidor avaliando uma cerveja, não de alguém que a vende, mas o tribunal não estava interessado nesse ponto.”

A Tailândia regula a produção, venda e publicidade de bebidas alcoólicas, com horários de vendas limitados e publicidade ou qualquer outra representação de bebidas alcoólicas amplamente proibida em todas as plataformas. Na televisão, as imagens de bebidas alcoólicas costumam ser borradas eletronicamente.

Meus grifos: sempre tive receio sobre a restrição de bebidas alcóolicas em outros países. Mutos, como Finlândia, Estados Unidos e Chile não permitem o consumo de bebidas alcóolicas nas ruas, somente em ambientes fechados. Quanto a publicar algo sobre o tema cerveja, foi novidade. Nesse sentido, cabe a todo Beer Sommelier o devido cuidado, consultando previamente quais são as regras (leis e costumes) daquele pais, sobre bebidas.

Saiba mais sobre esse artigo em: https://apnews.com/article/beer-alcohol-advertising-ban-thailand-032596623b7e6fa63e735030e2f3065e

terça-feira, 29 de setembro de 2020

Ensaio sobre Gratidão

 Ensaio sobre a gratidão

Por Fabiana Arreguy



"Já falei sobre isso aqui, mas hoje me vi, mais do nunca, incomodada com a falta de gratidão que costumamos demonstrar em relação às pessoas. Somos rápidos em criticar. Somos mais rápidos ainda em postar reclamações. Somos ácidos ao apontar erros. Somos duros ao julgar publicamente alguém. Na contramão, somos lentos, quase parados, para mostrar afeto ou agradecer a alguém por atitudes que nos favoreçam. Tratamos tais atitudes como obrigação do outro e não como uma graça a nosso favor. Por isso, hoje pensando muito fortemente nisso, e por jamais querer engrossar o coro dos que entram atrasados no ônibus, mas se sentem merecedores da janela, comecei a fazer uma lista de pessoas que, de alguma forma, foram responsáveis por eu chegar aonde cheguei ( dentro das atividades que hoje exerço em relação à cerveja). A estas pessoas devo o meu mais profundo respeito. Devo minha admiração. Para estas pessoas não quis, não quero e nunca vou querer direcionar projeções, ciúmes, inveja, despeito e más energias. Pelo contrário, se depender de mim, elas estarão sempre no topo, acima, como já estavam quando eu cheguei, por seus méritos e trabalho ( e não por sorte como adoram apontar os que não realizam nada). Porque para conquistar o nosso próprio lugar não é necessário derrubar ninguém! Nisso eu acredito e me fio!

Agradeço imensamente à
Cilene Saorin
, a primeira a me mostrar que uma simples cerveja não era tão simples assim. Minha mestre, que por duas semanas, da manhã até à noite, enfrentou sozinha uma turma de " leões" na primeira turma da Doemens no Brasil. Devo muito, muito, muito a você, Cilene. E jamais me esqueci disso.

Agradeço ao , meu mentor, tutor, amigo, hoje sócio, que me buscou de volta quando eu já havia desistido de estar no meio cervejeiro. Eu não teria desenvolvido projeto nenhum se não fosse por ele.

Agradeço à Confece, primeira Confraria Feminina da Cerveja, da qual fiz parte desde a formação. Das companheiras que começaram comigo só estão no grupo hoje
Ingrid Paulsen
,
Luisane Vieira
e
Lígia de Matos
. Mas todas as meninas merecem minha gratidão por estudarem junto comigo as primeiras letras desse imenso dicionário chamado cerveja.

Agradeço ao
Henrique Oliveira
, que era o presidente da Acerva Mineira quando comecei. E me acolheu. Me incluiu. Me abriu portas para conhecer tanta gente.

Agradeço à
Kátia Jorge
, minha querida, o exemplo de tudo o que eu gostaria de ser se talento tivesse para tanto.

Agradeço ao José Augusto, Juninho, que me ensinou a fazer cerveja, para que eu soubesse do que estava falando!

Agradeço ao
Pablo Carvalho
, por me ensinar até hoje tantas coisas que não sei. Por me ouvir. Por não julgar. Por ter sido um companheiro nas horas mais pesadas que passei.

Agradeço ao
Paulo Schiaveto
, que era o presidente da mesa no primeiro concurso em que julguei. E como foi generoso desde então. E quanta coisa me ensinou nas muitas outras mesas de julgamento na qual sentamos juntos. E como é um belo companheiro de viagem. Com esse cara eu me sento pra tomar uma cerveja!

Sei que muitos e muitos passaram pela minha trajetória, ainda curta, nesse meio cervejeiro. Estou destacando aqui somente os que me receberam na entrada, os que me fizeram querer ficar e trabalhar. Os que serão exemplos para sempre. A todos que de alguma forma estiveram, e ainda estão, presentes em diferentes momentos também agradeço. Sintam-se abraçados por mim.

É isso! A quem teve paciência de ler este tratado, desejo que consiga fazer o exercício de reconhecer aqueles que o trouxeram até o ponto onde chegou!"

Um Brinde Fabiana! E muito agradecido.

domingo, 13 de janeiro de 2019

Academia Sommelier de Cerveja 2019


Academia mineira, especializada em cervejas, inicia as atividades em 2019

Sobre a tutela de Fabiana Arreguy e Marco Falcone, as inscrições para o curso de Sommelier de Cerveja estão abertas. Entre em contato pelo email  asc@academiasommelierdecerveja.com.br receber todas as informações.

A Academia conta com a Plataforma Albanos de Cerveja, local onde são ministradas as aulas.



sexta-feira, 6 de abril de 2018

Penz Bier Das Haus


Rosária Penz Pacheco: Ela largou a carreira de executiva para desenvolver sua própria receita de cerveja


By RYOT Studio Brasil / C&A

Rosária Penz Pacheco é gaúcha, sommelier, juíza e fabricante de cervejas. Mas ela também é economista, especializada em gestão de sustentabilidade. Em "outra vida", Pacheco foi executiva de contas de grandes empresas em um dos maiores bancos do País.
Em sua "primeira vida", construiu uma carreira no sistema financeiro. Morou por 10 anos na esquina da Oscar Freire com a Rebouças e trabalhava na Avenida Paulista, em São Paulo. Além do MBA, fez um curso de responsabilidade corporativa em Genebra, na Suíça. Viajou o mundo.
Aos 39 anos, Rosária voltou a morar em Porto Alegre. O banco em que trabalhava na época havia sido comprado por outro maior, e a correria atrás de metas fazia cada vez menos sentido. "Eu sabia que precisava mudar de vida, mas não sabia o que fazer", disse, em entrevista ao HuffPost Brasil.
Aos 44 anos, está vivendo de uma maneira que sequer podia imaginar seis anos atrás, quando o sistema digestivo refletia o desconforto com a vida. Rosária não faz grandes planos para o futuro, mas sabe que ele cheira a malte, lúpulo e cevada. Já comprou a sua fábrica de cerveja, mas por enquanto, os equipamentos estão guardados - primeiro, é preciso consolidar o Penz Bier como negócio. E depois, seguir brindando. "Quero ser uma velhinha atrás do balcão".
Foto:CAROLINE BICOCCHI/ESPECIAL PARA O HUFFPOST BRASIL


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Os melhores da cerveja 2016

RobertoFonseca
Os melhores da cerveja de 2016


Enquete de Roberto Fonseca, o Bob, mostra as diversas percepções da cerveja de forma objetiva e aberta

Mais um ano transmitindo as minhas observações para o mundo de BOB!

A enquete do jornalista Roberto Fonseca é mais do que dar pitacos. É uma prestação de serviços quando se quer ter uma análise de percepção do mercado cervejeiros por aqueles que o compreendem, vivenciam e praticam diversos atos dentro do segmento cervejeiro, seja produzindo cervejas, revendendo-as, escrevendo sobre, ministrando aulas, ou simplesmente as degustando.


Criado a quase 10 anos, Roberto Fonseca iniciou sua carreira, dando opiniões e executando visitas que eram formalizadas em seu blog entitulado de "Latinhas do BOB". Desde então, sua prática passou por meios de comunicação importantes, como o jornal O Estadão e a Revista Veja.

Conheça mais:

https://osmelhoresde2016.wordpress.com/2017/01/23/henrique-oliveira/

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Água na Boca Beer Fest




Água na Boca Beer Fest ocorre em Niterói


Os amantes da cerveja que se preparem: o Campo de São Bento será tomado hoje, amanhã e domingo, das 14h às 22h, pela primeira edição do Água na Boca Beer Fest.

Serão oferecidos mais de cem rótulos e mais de 50 variedades de chopes artesanais. O público poderá harmonizar as bebidas com opções gastronômicas espalhadas por food trucks, food bikes e barracas. Por fim, haverá ainda shows com artistas como Baia, Devir e Bella Godiva. O evento, uma parceria da Rota Gourmet com O Globo-Niterói, tem entrada gratuita.

Nove das cervejarias artesanais são do estado do Rio. Entre elas, a Búzios, a Praya, a Mohave, e a Irada!. A única exceção é a Antuérpia, que vem direto de Juiz de Fora, Minas Gerais. Cervejas consagradas no mundo inteiro, como a Goose Island, dos Estados Unidos, e as alemãs Hoegaarden e Franziskaner também marcarão presença.

A quase novata Madá é uma das que estarão presentes no festival. Suas bebidas são comercializadas desde o final de 2015. Criada por três sócios de Botafogo e Copacabana, ela é, como muitas pequeninas, cigana, o que significa que usa a infraestrutura de outras marcas para a fabricação das suas as receitas.

Hoje será oferecido, às 15h, o pernil do chef, do Jay Jay Truck, hambúrguer de pernil no pão de ameixa ou de pimenta chipotle, coberto com queijo branco, bacon e geleia de pimenta. Às 17h, será a vez do arroz de cordeiro do chef Fred Mayer. Amanhã, as pedidas são, às 15h, o Larica Burger, do Larica Gourmet, e a costela bovina do Ossos Foodtruck, às 17h. Para finalizar, no domingo, às 14h30m e às 15h30m, haverá degustação das cervejas Bohemia Bela Rosa, Caã-Yari e Jabutipa, comandada pelo beer sommelier Charleston Agrícola.

Mais informações: www.aguanabocaniteroi.com.br

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/bairros/um-evento-dedicado-paixao-pela-cerveja-19340348#ixzz49D9wklBu   



quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Mercado de Cervejas


Com o copo cheio

Carla Aranha, da  Fotos: Daniela Toviansky / EXAME PME

O consumo de cervejas especiais cresceu 36% nos últimos três anos no Brasil. Conheça quatro empresas emergentes que estão ganhando espaço nesse mercado


São Paulo - O Brasil é o terceiro maior mercado de cervejas do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e da China. No ano passado, 13 bilhões de litros da bebida foram consumidos por aqui — e o setor movimentou cerca de 55 bilhões de reais, quase 60% mais do que em 2009.
Que o brasileiro gosta de uma cervejinha não é nenhuma novidade. O que tem ganhado força nos últimos anos é a presença de cervejas especiais nas prateleiras. Cerveja especial — também conhecida como artesanal ou premium — é a que leva 100% de malte em sua composição. O que a difere da cerveja comum é que não há milho em sua fórmula.
O consumo de cervejas especiais aumentou 36% nos últimos três anos no país, segundo a consultoria britânica Mintel, que faz pesquisas sobre o mercado de bebidas. “Esse é um nicho especialmente atraente para empreendedores da cadeia cervejeira”, afirma Jonny Forsyth, analista global de bebidas da Mintel.
A seguir, conheça a história de quatro empresas emergentes que já estão aproveitando o aumento do interesse dos brasileiros por cervejas especiais.
Cervejas para todos os gostos
A cidade de Rehoboth Beach, no estado americano de Delaware, tem menos de 2.000 habitantes e seu principal ponto turístico é uma praia de areia batida e escura. Em boa parte do ano o clima é frio — e nada de muito emocionante acontece por lá.
Mesmo assim, o empreendedor paulista Humberto Ribeiro, de 31 anos, adora visitar o lugar. Rehoboth Beach é o berço da cervejaria Dogfish Head, um dos xodós dos apreciadores de cervejas especiais.
“A empresa foi fundada há quase 20 anos e, embora tenha crescido bastante, ainda mantém a tradição das bebidas artesanais”, diz Ribeiro. Além da Dogfish Head, Ribeiro gosta de visitar a cervejaria Stone, que fica em Escondido, na Califórnia, quase na divisa com o México.
“Costumo passar horas nos pubs que essas empresas mantêm junto às suas fábricas”, diz ele. “Gosto de apreciar uma boa cerveja enquanto leio sobre a história das marcas.”
Nessas andanças, Ribeiro conheceu boa parte dos fornecedores da Mr. Beer, rede de lojas de cervejas especiais fundada por ele em 2009. Desde o início, a Mr. Beer expande pelo sistema de franquias. Atualmente há 80 unidades, contando as lojas de rua e os quiosques em shopping centers, espalhadas por todas as regiões do país.

Quem entra numa Mr. Beer encontra 400 marcas diferentes de cerveja. Cem delas não são vendidas em nenhuma outra loja brasileira. É que dois anos atrás, Ribeiro se tornou sócio da importadora Casa da Cerveja, o que garantiu alguns contratos de exclusividade com marcas estrangeiras. Há também uma linha de acessórios para presente, como abridores, copos especiais para cerveja e baldinhos para manter a bebida gelada.
Em 2013, a Mr. Beer alcançou receitas de 36 milhões de reais, mais do que o dobro de 2012. Em média, as lojas que já existiam em 2012 faturaram 20% mais em 2013. “Estamos crescendo em número de lojas e em faturamento por unidade”, afirma Ribeiro.
Uma pesquisa da consultoria britânica Mintel, realizada em abril deste ano, confirma o interesse por cervejas como as que são vendidas na Mr. Beer. Um quarto dos brasileiros que compram cerveja pelo menos uma vez por mês prefere bebidas com sabor mais encorpado do que o das marcas de maior presença nas prateleiras do supermercado.
Entre os mais jovens a aceitação é ainda maior. Quase 35% dos consumidores até 24 anos preferem cervejas mais fortes. “Parte dessa geração formou seu paladar numa época em que as cervejas artesanais já não eram uma novidade reservada apenas a quem viajava para o exterior com frequência”, diz Jonny Forsyth, analista da consultoria Mintel.
“Os jovens consumidores e a classe média emergente devem impulsionar o avanço do mercado brasileiro de cervejas especiais nos próximos anos.”
A Mr. Beer está se adaptando para receber cada vez mais clientes curiosos em conhecer as cervejas especiais. Em suas lojas, Ribeiro está tentando dar à bebida um ar de sofisticação similar ao que as adegas atribuem ao consumo de vinho. Recentemente, espaços gourmet foram inaugurados em duas lojas de rua em São Paulo. Lá são oferecidos petiscos e comidas que combinam com cerveja.
A rede de padarias paulista Benjamin Abrahão foi a responsável pela elaboração do cardápio, que conta com opções salgadas, como linguiças artesanais e pães recheados com queijo emental, e doces, como cheesecake de amora. “O objetivo é fazer os clientes descobrirem um novo jeito de apreciar a cerveja”, diz Ribeiro.
“Nossa intenção é que eles provem as combinações e comprem as bebidas que mais gostaram para consumir em casa.” Tem funcionado. Em média, os clientes permanecem quatro vezes mais numa loja gourmet do que numa unidade tradicional da Mr. Beer. “Os clientes que frequentam os espaços gourmet gastam até 30% mais do que quem visita uma loja comum”, diz Ribeiro.
Avanço com o pequeno varejo
O administrador Marcelo Carneiro da Rocha, de 54 anos, é uma das figuras mais conhecidas de Ribeirão Preto, cidade do interior paulista onde vive desde a mocidade. Todos os anos, Rocha organiza um animado bloco de Carnaval que percorre as ruas do centro. O bloco, que se chama O Berro, só toca marchinhas carnavalescas como A Turma do Funil, Cachaça Não É Água e Chiquita Bacana.

“Faço questão de sair dançando em cima do caminhão de som junto com meus amigos”, diz ele. Passada a Quarta-Feira de Cinzas, Rocha não sossega. Pelo menos uma vez por mês, num sábado à noite, ele monta um bar dentro de um dos cinemas mais tradicionais de Ribeirão Preto, o Caium, construído nos anos 60 e recentemente restaurado.
Na ocasião, serve aos espectadores algumas cervejas de sabores diferentes, como rapadura e café. As bebidas são prata da casa — a fabricação é da Colorado, cervejaria fundada por Rocha em 1995 e que se tornou um símbolo da cidade.
No ano passado, a Colorado faturou 13 milhões de reais, 60% mais do que em 2012. Sua expansão é a prova de que a demanda por cerveja especial está aumentando — e que há um novo mercado ganhando forma no Brasil. Entre 2011 e 2013, enquanto a Colorado dobrou de tamanho, a produção de cervejas artesanais cresceu 15% no país — um acréscimo de 50 milhões de litros.
No mesmo período, a fatia ocupada pelas bebidas artesanais na produção total de cerveja pulou de 3,5% para 4%. “É um acréscimo importante, sobretudo porque a produção total não cresceu nesse período”, afirma Jonny Forsyth, analista da Mintel.
Em 2014, a Colorado deverá alcançar receitas de 16 milhões de reais. A empresa chegou até aqui graças a uma série de mudanças que ocorreram com mais intensidade nos últimos dois anos. Na metade dos anos 90, quando produzir cerveja artesanal ainda era um capricho, a Colorado era só um passatempo de Rocha.
Era ele mesmo quem testava as fórmulas num panelão comum no fogão de sua casa. “Eu também comprava as garrafas e era o responsável por convencer os varejistas locais a vender a bebida”, diz Rocha. Por muitos anos, a empresa cresceu conforme o fôlego de seu dono.
Não é mais assim. Desde 2012, a Colorado passou por uma reestruturação em suas áreas mais estratégicas. Executivos e mestres cervejeiros com experiência em grandes empresas de bebida foram contratados para profissionalizar o negócio. O primeiro choque aconteceu na produção, que ganhou novos parâmetros de controle de qualidade.
Em geral, as pequenas cervejarias têm dificuldade em manter a padronização da bebida, cuja produção requer um acompanhamento constante de certas condições físicas — como a temperatura dos tanques em que a cerveja é feita — e um controle rígido das condições de armazenamento dos ingredientes. Rocha investiu num novo sistema de refrigeração para os tanques e criou normas mais rigorosas para testar amostras de insumos como malte e lúpulo.
As novidades permitiram à empresa aumentar sua produção em 60% em dois anos — hoje, a fábrica produz cerca de 120.000 litros de cerveja por mês. As perdas por falta de controle de qualidade praticamente acabaram. “Antes das mudanças, cerca de 20% do produto acabava indo para o ralo antes mesmo de sair da fábrica”, diz Rocha.
Faz parte dos planos da empresa transferir a produção para um galpão com o dobro do tamanho do atual, que mede 1.200 metros quadrados. A meta é expandir a produção em 40% até 2016. “Estamos com objetivos bem agressivos de expansão porque a demanda está em alta”, afirma Rocha.
Parte dessa procura tem se concentrado em empórios, mercadinhos de bairro, adegas e lojas gourmet. O número de estabelecimentos do pequeno varejo aumentou 3% nos últimos dois anos, de acordo com a Nielsen — entre 2011 e 2013, quase 14.000 lojas desse tipo foram abertas no Brasil.
“O pequeno varejo é uma das áreas mais promissoras para o crescimento de produtos especiais, como a cerveja artesanal”, diz Giovana Fisher, diretora da consultoria Kantar Worldpanel. “É lá que os fabricantes conseguem negociar as melhores margens de lucro.” De acordo com prognósticos da Mintel, o setor cervejeiro em geral deverá expandir 54% até 2019.
“As cervejas artesanais devem ganhar cada vez mais importância”, diz Forsyth. “Clientes que se habituam a consumir bebidas premium podem até diminuir a frequência de compra em momentos de aperto, mas dificilmente deixam de consumir os produtos mais sofisticados.”
Para aproveitar esse momento, a Colorado reforçou sua identidade. A marca foi redesenhada para destacar as garrafas na prateleira de empórios e lojas especializadas. Os rótulos trazem um nome para cada tipo de cerveja — a Vixnu, que tem notas de maracujá, é uma homenagem a um deus hindu, e a Appia, que quer dizer abelha em latim, traz mel em sua composição. Todas as garrafas são estampadas com a imagem do urso que se tornou a mascote da empresa.
A nova linguagem ajudou a fortalecer a marca enquanto a distribuição foi expandida. Hoje as cervejas da empresa estão em mais de 8.000 pontos de venda — o dobro de 2012. O resultado foi alcançado graças a um esforço para padronizar os preços no atacado. “Até dois anos atrás, não havia uma política de precificação clara e muitos distribuidores praticavam margens diferentes”, diz Rocha.
“Isso fazia com que o preço de um mesmo produto variasse conforme o lugar.” Depois que os valores foram tabelados, a Colorado passou a dar prêmios como incentivo para quem se esforça para vender mais.
O mais cobiçado é uma viagem para Montreal, no Canadá, onde todos os anos acontece uma importante feira do setor cervejeiro. “Depois da viagem, eles voltam bem mais animados e vendem mais”, diz Rocha.
Fábrica de sommeliers
Heitor Silva Beer Sommelier
O paulista Estácio Rodrigues, de 36 anos, não faz cara feia para provar nenhum tipo de cerveja — mesmo as que não parecem muito saborosas. “Já provei cerveja que leva suco de pêssego, de uva e com aroma de rosas”, diz ele. “Algumas são ótimas, mas outras, intragáveis.” São ossos do ofício.
Rodrigues precisa experimentar todas as invenções dos alunos do Instituto da Cerveja, escola que ele fundou em São Paulo para formar sommeliers e mestres cervejeiros.
Os clientes são pessoas interessadas em fazer cerveja em casa, donos de microcervejarias artesanais em fase de expansão, funcionários de bares e restaurantes e profissionais que trabalham em grandes indústrias de bebidas. Neste ano, a empresa deverá faturar 1,1 milhão de reais — 30% mais do que em 2013.
Um desses alunos é o engenheiro Renato Bazzo, de 30 anos, sócio da microcervejaria Dama Bier, de Piracicaba, no interior de São Paulo. Desde 2012, quando participou das primeiras aulas, Bazzo lançou sete novos sabores da Dama Bier, que hoje possui dez rótulos em seu portfólio.
“No curso aprendi não só a criar novas receitas como também a entender as necessidades do mercado e a identificar tendências de consumo”, diz Baz­zo. Além de São Paulo, há aulas em Curitiba e Blumenau, em Santa Catarina.
“Fizemos uma parceria com a Associação Brasileira de Sommeliers e damos os cursos nas sedes dessas cidades”, diz Rodrigues. “Já formamos mais de 1.000 profissionais.”
O Instituto da Cerveja nasceu em 2011, quando Rodrigues se juntou ao químico Alfredo Ferreira, de 38 anos, e à engenheira de alimentos Katia Zanatta, de 32. Todos largaram o emprego na Brasil Kirin, antigo Grupo Schincariol, para aproveitar a formação de um nicho que naquela época começava a ganhar importância na indústria nacional.
Segundo o Grupo Mintel, no ano em que os sócios fundaram o Instituto da Cerveja, as linhas especiais ganharam quase 1 ponto percentual de participação nas vendas totais da bebida no Brasil. Antes de fundar a empresa, Rodrigues passou um ano viajando pela Itália para estudar o mercado de cervejas artesanais.
“Lá aprendi a fabricar minha própria cerveja e a harmonizá-la com diversos tipos de comida”, diz Rodrigues. “Percebi que aquilo poderia se tornar um negócio de futuro no Brasil.”
Enquanto trabalhavam na Brasil Kirin, Rodrigues, Ferreira e Katia viram de perto como as cervejas artesanais começaram a interessar às grandes empresas do setor. A própria Brasil Kirin é um exemplo disso. Entre 2007 e 2008, a empresa comprou três marcas de cerveja premium — a carioca Devassa, a paulista Baden Baden, de Campos do Jordão, e a catarinense Eisenbahn, de Blumenau.
“Foi um movimento estratégico para atender um consumidor que estava começando a experimentar cervejas especiais”, diz Marcelo Trez, diretor de produtos alcoólicos da Brasil Kirin. “As vendas dessa categoria têm crescido mais de 10% ao ano em nossa empresa, o que não é nada mau.”
As grandes indústrias do setor têm procurado o Instituto da Cerveja para criar novas linhas do produto. A escola já recebeu funcionários de cervejarias como Brasil Kirin, Heineken e Grupo Petrópolis.
“As grandes empresas têm nos procurado para tentar entender as características desse nicho de mercado”, diz Rodrigues. “A tendência é que as linhas especiais passem a fazer parte dos planos de expansão de quem até hoje só cresceu com cerveja comum.”
Bebidas à moda caseira
Pelo menos uma vez por mês, o administrador Thiago Rocha, de 30 anos, reúne três ou quatro amigos para uma cervejada de sábado. A programação é um tanto diferente. Eles montam uma pequena tenda na avenida Barão de Itapura, uma das vias mais movimentadas de Campinas, e começam a produzir a própria bebida.
Quem passa pelo local pode sentir o cheiro da cerveja saindo dos panelões que parecem ter saído de um conto sobre alquimistas. Os mais curiosos ganham um copinho com uma amostra da cerveja produzida no mês anterior, já fermentada e engarrafada.
“Somos apaixonados por uma cervejinha e fazemos isso para mostrar para as pessoas como é possível fazer uma bebida com um toque pessoal”, diz Rocha. “Queremos espalhar a cultura cervejeira pela nossa região.” Rocha compra os ingredientes para seus experimentos na Lamas Brew Shop, criada em 2011 para vender insumos e utensílios para quem quer fazer cerveja caseira.
Numa das três lojas, mantidas em Campinas, Belo Horizonte e São Paulo, é possível encontrar ingredientes como malte, lúpulo, fermento e utensílios como panelas de inox, termômetros e borrifadores de álcool. A empresa também mantém uma loja virtual. Em 2013, o faturamento foi de 2,5 milhões de reais, mais do que o dobro do ano anterior.
A Lamas Brew Shop foi fundada pelo economista Alessandro Morais, de 39 anos, e por outros dois sócios — os físicos David Figueira, de 34 anos, e Elso Rigon, de 35. Os três se conheceram quando estudavam na Unicamp e organizavam churrascos regados a cervejas que eles mesmos fabricavam. “Era difícil encontrar ingredientes em pequenas quantidades”, diz Morais. “Vimos nessa dificuldade a oportunidade ideal para criar nossa própria empresa.”
Hoje, a Lamas Brew Shop vende insumos para quem quer testar receitas de cerveja em embalagens de até 100 gramas. No começo, foi difícil acertar o fluxo de caixa para comprar grandes cargas de insumos e vendê-los em pequenas quantidades. “A maior parte dos ingredientes vem de fora e é preciso comprar um contêiner de 20 toneladas de uma só vez”, diz Morais.
Ele e seus sócios investiram 180 mil reais para adaptar um galpão às condições de armazenamento das cargas de lúpulo e malte e para financiar o capital de giro necessário para iniciar a operação. “Hoje conseguimos girar nosso estoque em três meses, o que nos permite ter um bom controle das finanças”, diz ele.
No ano que vem, a Lamas Brew Shop deverá abrir pelo menos mais duas lojas físicas, no Rio de Janeiro e em Vitória. Demanda não falta, já que o hábito de fazer cerveja na panela e no fogão de casa para consumo próprio vem se disseminando entre os brasileiros nos últimos anos.
Só no primeiro semestre deste ano, a Associação de Cervejeiros Artesanais Paulistas, uma das mais ativas do país, dobrou o número de filiados em relação ao ano passado. “Devemos chegar a 400 associados até o fim do ano”, diz João Ricardo Zugliani, presidente da entidade. “Nunca tivemos tanta procura como agora.”

Fonte: PME
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