A Segunda Onda da Saudabilidade: Como a Coca-Cola está
Colocando Fibra no Refrigerante
O mercado de alimentos e bebidas está testemunhando uma
transformação sísmica em suas prioridades. Se nos últimos anos vivemos o auge
da "onda das proteínas" — com tudo recebendo um reforço proteico —, o
foco agora mudou de direção. A segunda onda da saudabilidade pertence
oficialmente às fibras, e a maior gigante de bebidas do mundo acabou de validar
essa tendência.
Da Indulgência à Funcionalidade: O Novo Perfil de Consumo
Por décadas, o corredor de refrigerantes foi visto como o
oposto da vida saudável. Primeiro, o mercado respondeu a isso com as versões
Diet e Zero, focadas exclusivamente na subtração (menos açúcar, menos
calorias).
Agora, a demanda mudou para a adição funcional. O consumidor
atual não quer apenas evitar o que faz mal; ele exige que o produto entregue um
benefício ativo. A inclusão da fibra solúvel de milho permite que o cliente
mantenha a experiência de sabor que já ama, mas agora com uma "credencial
de saúde digestiva".
A estratégia da Coca-Cola mostra maturidade de mercado. Em
2025, a companhia já havia flertado com o segmento ao lançar a Simply Pop, uma
marca nova e isolada. O verdadeiro divisor de águas atual é levar essa mesma
tecnologia para os rótulos de maior reconhecimento mundial. O consumidor recebe
o benefício dentro de um produto em que ele já confia cegamente.
Contudo, o movimento esbarra em um desafio técnico de
altíssimo nível. Estabilizar 6 gramas de fibra solúvel dentro de uma matriz
gasosa e carbonatada, sem açúcar, é uma verdadeira obra de engenharia de alimentos. A fibra altera a viscosidade, a percepção de doçura e a estabilidade
do líquido. Garantir que os adoçantes de alta intensidade convivam com a fibra
sem gerar notas residuais (o famoso "sabor estranho") e mantendo o
gosto icônico é um feito impressionante no refrigerante.
Embora o piloto esteja restrito ao nordeste americano, o
setor inteiro já se posicionou em estado de alerta. Quando um transatlântico
como a Coca-Cola muda de rota, ela arrasta toda a cadeia de suprimentos
consigo.
Este teste é a maior oportunidade da década para os
fornecedores de ingredientes funcionais. A fibra prebiótica está deixando as
lojas de suplementos naturais e batendo na porta do maior e mais competitivo
corredor de bebidas do planeta. A mensagem para a indústria é clara: quem não inovar ou se preparar para formular com foco em saúde intestinal ficará para trás na
prateleira.
O Gosto da Saudade: A Fascinante História do Refrigerante
Crush e Seu Legado no Brasil
Observar o apresentador Ratinho surpreso ao pegar em uma garrafa do Refrigerante Crush, para mim foi motivo de alegria, pois me trouxe um momento de nostalgia. Ao ver seus comentários em sua rede social, resolvi escrever esse breve artigo, transmitindo sua satisfação ao lembrar seus tempos de criança.
Se você viveu a infância ou a juventude no Brasil entre as
décadas de 1960 e 1980, certamente se lembra da sensação de segurar uma garrafa
de vidro pesada, canelada, e dar uma leve chacoalhada antes de abri-la. Esse
ritual pertencia aos consumidores do Crush, um dos refrigerantes mais icônicos
do século XX. Embora tenha desaparecido das gôndolas brasileiras, o Crush deixou uma marca profunda na memória afetiva do país. Conheça a trajetória
completa dessa bebida, desde sua criação nos Estados Unidos até o sumiço dos
supermercados nacionais.
A jornada do Crush começou 1906 por JM Thompson em Chicago, nos Estado Unidos. Em 1911, na cidade de Los
Angeles, Califórnia, a fórmula original foi aprimorada o químico de
bebidas e extratos Neil C. Ward. A receita inovava ao utilizar o óleo extraído
diretamente da casca da laranja para conferir o sabor e o aroma característicos, adicionando o suco da própria fruta anos depois, em 1921. O refrigerante ganhou escala comercial em 1916, quando Ward uniu forças com o
empresário Clayton J. Howell para fundar a Orange Crush Company. O sucesso foi
imediato e o refrigerante rapidamente cruzou fronteiras.
A Chegada ao Brasil e o Modelo de Franquias
O refrigerante desembarcou em solo brasileiro na década de
1930. Para se expandir pelo território nacional, a detentora internacional dos
direitos — que mais tarde passou a ser a multinacional Cadbury Schweppes —
adotou um modelo de negócios baseado em franquias e licenciamentos regionais. A
matriz fornecia o extrato concentrado da bebida, enquanto indústrias de refrigerantes regionais brasileiras ficavam encarregadas do engarrafamento e da distribuição regional.
Entre as fábricas mais famosas que operaram a marca no Brasil, destacam-se a
Indústria de Refrigerantes Pakera (no Rio de Janeiro), a Indústria de
Refrigerantes Golé (em Uberaba, Minas Gerais) e a Refrigerantes Zago (que
produziu a bebida em Uberlândia entre 1969 e 1976).
No mercado brasileiro, o Crush Laranja era visto por muitos
como o melhor refri de sua categoria, superando os concorrentes diretos em
intensidade. O público o idolatrava por sua cor laranja-avermelhada muito
vibrante, textura marcante e um sabor cítrico mais encorpado e doce do que o da
Fanta. Embora a laranja fosse o carro-chefe absoluto, a marca explorou outras
frentes como o sabor Uva que foi lançado no mercado nacional na década de 1970
para competir no segmento de frutas escuras. O sabor Caju, uma versão
regionalizada e limitada chamada Crush Cajuína chegou a ser lançada no Nordeste brasileiro em 2011, fruto de uma parceria com a Norsa (franqueada Coca-Cola).
No exterior, a linha se estendeu por sabores como limão
(Lemon e Lime), cereja, pêssego, morango e abacaxi.
"Mexa, Mexa!": A Identidade nos Comerciais e no
Vidro
Diferente da concorrente Grapette, que imortalizou o jingle
"Quem pede Grapette, repete", o Crush apostava em destacar a
qualidade de sua fórmula. Na década de 1970, o slogan mais marcante das
campanhas de TV e impressas foi: "Crush: Mexa, Mexa!". O anúncio era
um aviso funcional: o consumidor precisava agitar levemente a garrafa antes de
abrir para misturar o legítimo extrato e os gomos da fruta que se acumulavam no
fundo do casco.
A identidade visual também era um espetáculo à parte,
bebendo diretamente da fonte do movimento Art Déco das décadas de 1920 e 1930.
As primeiras garrafas produzidas no Brasil pela Cisper eram de cor âmbar
(escura), mudando para o vidro incolor em 1963. Ambas traziam linhas
geométricas verticais e horizontais rígidas e simétricas moldadas em alto
relevo no próprio vidro. A logomarca apresentava uma caligrafia marcante, com
letras grossas, arredondadas e levemente inclinadas, inicialmente aplicadas em
serigrafia pintada e, depois, texturizadas no próprio vidro.
Por que o Crush Desapareceu do Brasil? Eis a pergunta de um
milhão de dólares. O declínio e o consequente sumiço do Crush das gôndolas
brasileiras ocorreram ao longo da década de 1990, motivados por dois grandes
fatores de mercado. Houve o fim dos Contratos de Franquia. A Cadbury Schweppes
optou por descontinuar e não renovar as licenças de engarrafamento com as
fábricas regionais independentes (como Pakera e Golé), fragmentando a
distribuição. Adicionalmente, os direitos da marca Crush foram adquiridos pela
The Coca-Cola Company em diversos mercados internacionais na virada dos anos
1980 para os 1990. Como a Coca-Cola já tinha a Fanta Laranja consolidada como
sua principal força no segmento, a empresa optou por retirar o Crush de
circulação no Brasil para evitar a concorrência interna (canibalização de
vendas) e focar os investimentos em um único produto.
Apesar da ausência no Brasil, o Crush está longe de estar
extinto. Ele continua sendo comercializado com enorme força em países como os Estados Unidos (onde os direitos pertencem à Keurig Dr. Pepper e a distribuição
é feita pela PepsiCo), além de Canadá, México, Reino Unido e diversas nações da
América Latina. Em solo brasileiro, ao Soft Drink restou aos entusiastas recorrer a lojas
físicas e virtuais especializadas em produtos importados para garantir uma lata
da bebida.
Relembrar o Crush é fazer uma viagem no tempo direto para os
anos 60, 70 e 80, uma época em que os dias pareciam passar mais devagar. O
estalo inconfundível da tampinha de metal sendo removida pelo abridor era o
prenúncio de uma felicidade simples, sinônimo de festas de aniversário no
quintal, almoços de domingo com a família reunida e tardes quentes jogando
conversa fora na calçada. Segurar aquela garrafa pesada de vidro canelado, dar
uma leve mexida para misturar o gominho da fruta e sentir o primeiro gole
gelado e efervescente do refrigerante era a tradução perfeita da infância. O Crush pode ter
deixado as prateleiras dos nossos supermercados, mas o seu sabor cítrico e
inconfundível permanece para sempre guardado no paladar da nossa memória.
Alquimia Clandestina e o Trono de Vidro: A Lendária
Trajetória do Guarapan nos Balcões de Minas
por Henrique Oliveira
Belo Horizonte– Para quem frequenta as estufas de salgados
e tradicionais lanchonetes da Grande BH, o ritual é sagrado: um pastel frito na
hora acompanhado de um refrigerante Guarapan trincando de gelado. Mas o que hoje é
consolidado como o maior símbolo do bairrismo líquido de Minas Gerais passou
por uma origem rebelde e uma crise de identidade nos bastidores industriais. A
história desse clássico — fundado oficialmente no ano de 1940 — é fruto de uma
lenda de insubordinação operária que só se emancipou de fato quando conquistou
o seu primeiro casco de vidro próprio.
A certidão de nascimento do Guarapan não foi assinada em uma
sala de reuniões executivas, mas sim no chão de fábrica da antiga Refrigerantes
Minas Gerais (Remil), produtora da Coca-Cola, sob a admnistração do empresário mineiro Luiz Otávio Possas Gonçalves. Reza a lenda urbana que, em 1940, um funcionário anônimo
da linha de montagem decidiu, por conta própria e sem qualquer autorização dos
superiores, brincar de alquimista.
Aproveitando o maquinário e os insumos da fábrica de bebidas, ele
combinou a base do guaraná da empresa com essências concentradas de maçã e
outros extratos aromáticos secretos, criando um refri artesanal. O experimento clandestino logo foi
descoberto pelo supervisor da planta. Chamado às pressas para a temida sala da
gerência, o operário tinha certeza de sua demissão imediata por justa causa. Para
a surpresa de todos, o chefe preferiu testar o líquido antes de aplicar a
punição. Ao dar o primeiro gole, o supervisor ficou impressionado com o paladar
exótico. Em vez do bilhete de demissão, o funcionário recebeu elogios do novo refrigerante e o
direcionamento para que a fórmula inédita fosse patenteada e lançada
comercialmente naquele mesmo ano.
Apesar do sucesso imediato da receita que misturava o aroma de maçã com um icônico sabor de tutti-frutti, o Guarapan enfrentou um grande
desafio logístico inicial. Por ser uma bebida puramente regional e de produção
controlada, a Remil não via viabilidade financeira para encomendar lotes
exclusivos de garrafas personalizadas junto às vidrarias.
Durante suas primeiras décadas de vida, o Guarapan funcionou
como um "hóspede" em cascos alheios. O líquido era envasado em
"garrafas genéricas" ou vasilhames emprestados de outras marcas de refrigerantes da
empresa. O consumidor de Belo Horizonte precisava caçar a bebida nas geladeiras
pelas tampinhas de metal específicas ou por rótulos de papel que se descolavam
facilmente na água e no gelo dos balcões. No mercado da época, o produto corria
o risco constante de ser visto apenas como uma linha secundária. Com o passar
do tempo, o refrigerante ganhou uma garrafa própria para chamar de seu. Virou o
companheiro dos salgados tradicionais nas lanchonetes da Capital Belo Horizonte.
Coxinhas, pastéis, empadas, quibes são as melhores combinações. Além da garrafa
de 290ml, havia também o refrigerante servidos por meio de post-mix, em copos
descartáveis.
As tradicionais garrafas de vidro de 290ml e 600ml marcaram
épocas até os anos 1990. Hoje, elas são consideradas itens raros de coleção,
enquanto a bebida é comercializada principalmente em PET ou latas. Se você vier para Minas Gerais, sobretudo na Capital, não deixe de tomar um refrigerante Guarapan.
Você irá se surpreender.
Fotos do refrigerante antigo: IA. Demais fotos: Internet e rede social Garapan
Arturo Isola Entra No Mundo dos Refrigerantes Com Proposta Ousada
O empresário italiano Arturo Isola, amplamente conhecido por
fundar o premiado gin premium Amázzoni (Lê-se também Pernod Ricard), está liderando uma nova e ambiciosa
empreitada. Ele acaba de lançar a Bamba, uma marca inovadora de refrigerantes funcionais e saudáveis projetada para transformar o mercado brasileiro de
bebidas.
Apoiam a iniciativa investidores experientes do setor de
alimentação e bebidas, com destaque para Edoardo Tonolli, o criador da
conceituada rede de sorveterias Bacio di Latte.
A proposta inicial da Bamba é preencher uma lacuna entre o
prazer dos refrigerantes tradicionais e os benefícios nutricionais das bebidas funcionais. O portfólio de estreia da marca traz três sabores sofisticados em
lata. O primeiro, sabor Guaraná, possui uma versão adaptada para o consumidor
moderno, com uma fórmula que traz baixo teor de açúcar se comparada às marcas
tradicionais do mercado. O segundo, tradicional sabor Cola, trata-se de uma
releitura inovadora do sabor mais famoso do mundo, elaborada de forma
totalmente natural a partir de capim-limão e gengibre, sendo 100% livre de cafeína. Por fim, o Açaí, sabor tipicamente brasileiro, focado em entregar
propriedades energéticas e antioxidantes de maneira leve e refrescante.
Para furar a bolha das grandes corporações de bebidas, Isola
e seu time desenharam uma estratégia mercadológica que mistura marketing
analógico "retrô" com tecnologia de ponta:
[Marketing Analógico] ──► Uso de carros de som,
panfletos e aviões com faixa.
[Processo Seletivo]──►
IA interage e entrevista candidatos a embaixadores.
[Logística Híbrida]──►
Vendas diretas por e-commerce e PDVs selecionados.
A marca chamou a atenção ao utilizar táticas clássicas de
rua para o seu lançamento, como carros de som, anúncios classificados e aviões
puxando faixas em praias. A ação de marketing "Contrata-se Bambas"
reuniu campanhas de ativação enviaram kits sem rótulo para influenciadores
digitais e formadores de opinião no Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte.
O processo seletivo para escolher os embaixadores da marca de refrigerantes é
conduzido de forma inovadora por um chatbot de Inteligência Artificial
personalizado. A distribuição do produto será híbrida: com vendas diretas pelo
e-commerce da empresa e no varejo físico, com o foco inicial que se concentrará
na região Sudeste. As latas são posicionadas em canais focados em bem-estar e
estilo de vida moderno, como cafeterias, hotéis boutique, universidades e
academias de alto padrão.
Afinal, o Que Arturo Isola pretende com isso? Após
revolucionar o setor de destilados com o gin Amázzoni, Isola busca atingir
objetivos claros com a criação da Bamba: alcançar 1 milhão de unidades vendidas.
A meta explícita para o primeiro ano de operação é romper a barreira de 1
milhão de latas comercializadas, no Brasil. Ainda, o empresário busca atrair o
público jovem e adulto que gosta de refrigerante, mas que busca reduzir
drasticamente o consumo de açúcares, sódio e componentes artificiais nocivos à
saúde.
Por acreditar que é possível redefinir
a categoria, caberá ao empresário provar que o refrigerante não precisa ser o vilão da dieta,
criando uma subcategoria viável e lucrativa de "refrigerantes limpos"
no ecossistema de bebidas nacional.
O Dia em que o Vermelho Cedeu Espaço ao Azul: Os Bastidores
da Embalagem Mais Rara do Mundo no Festival de Parintins
Por Redação Ave Cesar Co.
Imagine uma marca global, avaliada em bilhões de dólares,
abrir mão de sua identidade visual mais sagrada — o vermelho icônico — para
adotar a cor de seu principal concorrente histórico. Parece um suicídio de
marketing, certo? Mas no coração da Amazônia, essa foi a maior jogada de mestre
da história do branding brasileiro. Para tanto, o blog da Ave Cesar Co.
mergulha no fascinante case da Coca-Cola Azul, uma exclusividade mundial
nascida no Brasil para reverenciar o Festival Folclórico de Parintins.
Para entender a mudança da lata, é preciso compreender a
magnitude do Festival de Parintins, que acontece anualmente no final de junho
na Ilha Tupinambarana, no Amazonas. Esta festa é o pilar mais importante da
identidade e do turismo cultural amazonense. A cidade se divide de forma
absoluta entre dois blocos folclóricos, Boi Garantido: Representado pela cor
vermelha e pelo coração e Boi Caprichoso: Representado pela cor azul e pela
estrela.
Essa rivalidade ultrapassa os limites do bumbódromo. Ela
dita a pintura das casas, a decoração das ruas e até os hábitos de consumo. Um
torcedor roxo do Caprichoso simplesmente se recusa a vestir, usar ou consumir
qualquer coisa que carregue a cor do rival.
Nesse sentido, surgiu um desafio de marketing, pois havia um
boicote silencioso. A Coca-Cola tornou-se patrocinadora oficial do festival, em
1995. No entanto, a equipe de marketing logo se deparou com um obstáculo
cultural sem precedentes. Metade da população da ilha — a torcida do Boi
Caprichoso — evitava comprar o refrigerante por causa da icônica lata vermelha,
associada instantaneamente ao rival Garantido. Em vez de tentar forçar a barra
com o padrão global, a marca entendeu que precisava respeitar o solo sagrado da
cultura amazonense. Se Parintins não mudaria pela Coca-Cola, a Coca-Cola
mudaria por Parintins.
A partir dessa concepção foi realizada a criação do Design
Azul, quebrando literalmente as regras globais da marca. Mudar a cor da embalagem do tradicional refrigerante com diretrizes globais tão rígidas exigiu meses de negociações e
aprovações complexas junto à matriz da companhia em Atlanta, nos Estados
Unidos. O argumento dos executivos brasileiros foi certeiro: não se tratava de
mudar a identidade da marca, mas de abraçar uma manifestação cultural única. A
solução visual foi cirúrgica e genial: o vermelho sumiu: A tradicional lata de
alumínio recebeu um banho de azul royal intenso. A tipografia foi mantida: o
famoso logotipo escrito em cursivo continuou intocado, mantendo o
reconhecimento imediato da marca. As embalagens comemorativas passaram a
estampar as artes oficiais do Caprichoso e do Garantido lado a lado.
A estratégia funcionou perfeitamente. O design azul quebrou
a barreira do consumo e transformou a lata em um item de colecionador altamente
cobiçado, em todo o país.
O que torna essa história ainda mais fascinante é o seu
caráter de exclusividade absoluta. O Brasil é o único lugar do planeta Terra
onde a Coca-Cola altera oficialmente a cor de sua embalagem por motivos
culturais e regionais. A "Coca-Cola Azul" não é vendida em
supermercados comuns ao redor do país. Ela é produzida em lotes estritamente
limitados e comercializada apenas no estado do Amazonas durante o período do
festival. Quem visita Parintins nessa época testemunha os bares e barracas
exibindo orgulhosamente as latas azuis e vermelhas dividindo as prateleiras em
perfeita harmonia comercial. Outras empresas entram nessa mesma estratégia a Azul Linhas Aéreas mescla a sua marca com cor vermelha, o Bradesco mescla na cor azul. (O Guaraná Tuchaua, regional, produzido também pela Coca, se transformou nas cores das agremiações.)
Aqui fica um aprendizado para as Marcas. Para os apaixonados
por cultura pop, gastronomia e mercado de bebidas o que inclui refrigerantes, o case da Coca-Cola em
Parintins deixa uma lição valiosa: o respeito à cultura local pode vencer a
rigidez corporativa, sem perder o seu legado e herança da marca. Ao abrir mão
do vermelho, a marca ganhou o coração, o respeito e a fidelidade de todo o povo
amazonense.
E você, já teve a oportunidade de ver ou colecionar uma
dessas latas azuis? Se você gerência uma marca, como adaptaria seu produto para
dialogar com o público regional? Se você curtiu esse mergulho nos bastidores do
marketing de bebidas, compartilhe este post nas suas redes e continue
acompanhando o Blog Ave Cesar Co. para mais histórias surpreendentes.
O Sabor Sagrado do Nordeste: A Trajetória da Cajuína São
Geraldo
O refrigerante regional São Geraldo foi oficialmente fundado em 1976, com a criação da razão social Cajuína São Geraldo Ltda., em Juazeiro do Norte,
no Ceará. A marca que comemora seus 50 anos agora em 2026, teve suas origens na década de 1950 sob o comando
de José Amâncio de Souza, transformando uma pequena produção de bebidas
artesanais no maior fenômeno de fidelidade de consumo da região. Hoje, a bebida
é considerada uma verdadeira lovemark nacional, transportando a essência da
cultura nordestina para o Brasil.
A Origem e o Fundador: Da Vaselina ao Suco de Caju
Na década de 1950, Juazeiro do Norte abrigava uma pequena
fábrica voltada à manipulação de produtos diversos, como perfumaria, vaselina e
vinhos alcoólicos à base de frutas locais (como jenipapo e jurubeba). O
estabelecimento pertencia ao comerciante Luciano Teófilo de Melo. O rumo do
negócio mudou quando José Amâncio de Souza ingressou na firma como funcionário.
Demonstrando forte tino comercial e conquistando a confiança do proprietário,
José Amâncio adquiriu o empreendimento apenas dois anos depois. O nome
"São Geraldo" foi escolhido em homenagem ao santo italiano, fruto da
profunda devoção religiosa da mãe do novo proprietário.
A Criação da Fórmula: O Segredo do Fruto
Originalmente, o caju era utilizado na fábrica apenas para
dar sabor aos vinhos e licores artesanais. Na década de 1960, José Amâncio
identificou o potencial desperdiçado da fruta abundante no Cariri cearense. Ele
iniciou testes para desenvolver uma bebida não alcoólica, gasosa erefrescante.Matéria-prima Direta: Diferente dos refrigerantes tradicionais de
uva ou laranja que utilizam apenas aromas artificiais, a fórmula da São Geraldo
incluiu o suco natural da fruta.
Foram necessários vários anos de ajustes na proporção de
açúcar, gaseificação e extrato para chegar ao balanço perfeito: uma bebida
doce, encorpada, levemente ácida e com a cor dourada característica da cajuína
tradicional. Para expandir a receita e industrializar o processo, o fundador
trouxe seus irmãos, Francisco de Souza e Tarcila Sousa, para a sociedade,
oficializando a marca em 1976.
O refrigerante São Geraldo conquistou o público inicialmente pelo forte
vínculo com a comunidade local. Durante décadas, os próprios moradores da
região colhiam os cajus e os transportavam em carroças ou balaios na cabeça até
as portas da fábrica, criando uma cadeia produtiva totalmente integrada ao
Cariri. A bebida deixou de ser apenas um produto comercial para se transformar
em um símbolo de identidade e nostalgia. O consumidor nordestino passou a
associar o refrigerante local ao almoço de domingo, às festas juninas e ao sentimento
de pertencimento à sua terra natal.
A fábrica da Cajuína São Geraldo modernizou sua distribuição
para além das fronteiras do Ceará. A marca oferece a versão do refrigerante tradicional,
embalagens em lata personalizadas e a versão Zero Açúcar, desenvolvida após
cinco anos de testes sensoriais para manter o mesmo gosto marcante do fruto. Com
a introdução de novos canais de distribuição, o refrigerante é exportado
espontaneamente por turistas e distribuído formalmente para grandes capitais
fora do Nordeste, impulsionado por um público fiel que faz propaganda
voluntária da marca.
Parabéns pelos 50 anos de fundação e sucesso pleno em sua jornada.
Three Cents: A Revolução Grega que Elevou o Nível da
Coquetelaria Mundial
Se você frequenta os melhores bares de coquetelaria ou gosta
de preparar seus próprios drinks em casa, provavelmente já se deparou com uma
garrafa de design retrô e cores vibrantes chamada Three Cents. Mas o que faz
dessa marca grega a nova "queridinha" de bartenders ao redor do
globo?
Nascida em 2014, a Three Cents não surgiu em uma sala de
reuniões corporativa, mas sim atrás do balcão. Quatro bartenders gregos —
George Bagos, Dimitris Dafopoulos, George Tsirikos e Vassilis Kalantzis —
sentiam falta de mixers que não perdessem a carbonatação rapidamente e que
tivessem sabores naturais e autênticos. O resultado foi uma linha de sodas premium que mudou a forma como encaramos bebidas mistas.
O Resgate dos "Três Centavos"
O nome é uma aula de história líquida. Durante a Grande
Depressão nos EUA, as famosas soda fountains (refrigerantes) vendiam água com gás pura por dois
centavos (Two Cents Plain). Quem podia gastar um pouco mais — exatos três
centavos — recebia a água com a adição de um xarope saborizado.
Afinal, por que ela é diferente? Enquanto refrigerantes comuns focam
no açúcar, a Three Cents foca na ciência das bolhas. As bebidas são
engarrafadas com uma carbonatação muito superior à média, garantindo que o
drink permaneça efervescente até o último gole, com ingredientes reais, ou
seja, nada de aromas artificiais. Na Pink Grapefruit Soda, por exemplo, você
sente o óleo essencial da casca da toranja fresca, isso com zero conservantes,
de forma a traduzir em um produto limpo, feito para respeitar o destilado com o
qual será misturado.
O Fenômeno da Paloma
Se hoje a Paloma (tequila, limão e soda de grapefruit) é um
dos drinks mais pedidos do mundo, muito se deve à Three Cents. Sua Pink
Grapefruit Soda foi eleita por especialistas como o mixer definitivo para este
clássico, equilibrando o amargor cítrico com a doçura exata. Além dela, a marca
oferece joias como a Aegean Tonic (com toques de pepino e ervas do
Mediterrâneo) e a Ginger Beer, que traz o picante natural do gengibre
fermentado, ideal para um Moscow Mule de respeito.
Veredito Ave Cesar: para nós, que valorizamos a excelência
em cada gole — seja na cerveja ou nos destilados — a chegada e consolidação da
Three Cents prova que os detalhes fazem toda a diferença e movem tendências. Se o objetivo é um
drink com frescor intenso e sabor de verdade, o investimento nesses "três
centavos" vale cada gota. Imagino esse refrigerante com os insumos especiais da
Monin. Devem ficar excelentes e curiosos de se tormar. Atualmente a marca pertence a Coca-Cola.
Coca‑Cola Triple Z: a nova aposta “três vezes zero” da marca
A Coca‑Cola iniciou 2026 apresentando ao
mercado europeu sua mais nova inovação em refrigerantes: a Coca‑Cola
Triple Z, uma versão que combina zero açúcar, zero cafeína e zero
calorias, ampliando a linha de produtos ultraleves da marca. A proposta do refrigeranteé oferecer uma alternativa ainda mais alinhada às tendências de consumo focadas em saúde, bem-estar e atenção aos rótulos — características
que têm guiado as escolhas de muitos consumidores
nos últimos anos.
O refrigerante Triple Z mantém a busca pelo sabor clássico, mas com uma
formulação que elimina tanto o açúcar quanto a cafeína, diferenciando-se das
versões Zero e Zero Açúcar já conhecidas. A retirada da cafeína, em especial,
atende a quem evita estimulantes por questões de sono, sensibilidade ou
recomendações médicas.
Visualmente, a bebida aposta em um design minimalista (lembrou o YoYo Russell da marca),
seguindo a estética premium que a Coca‑Cola vem adotando em lançamentos especiais. Ela começou a
circular em mercados selecionados da Europa, e sua expansão global dependerá da aceitação do público nesses mercados iniciais — estratégia comum da companhia em testes
regionais. Até o momento, não há previsão oficial para chegada ao Brasil,
embora o interesse dos consumidores sugira potencial futura expansão.
Em síntese, o refrigerante Coca‑Cola Triple Z representa o esforço contínuo da marca em se adaptar às novas demandas do mercado, oferecendo uma opção com o mínimo impacto calórico possível, sem abrir mão do ritual de consumo que acompanha o refrigerante há décadas. É uma
resposta clara ao movimento global por produtos mais leves, funcionais e
adequados a rotinas contemporâneas.
Chuveirão Sprite: A Revolução da Refrescância Chegou
Em um país onde o calor não dá trégua, a busca por formas
criativas de se refrescar faz parte do dia a dia. Pensando nisso, a Coca-Cola lançou
o chuveirão do refrigerante Sprite, uma experiência inovadora inspirada na sensação marcante da
bebida, que envolve, entre outros itens, a refrescância.
A estratégia de marketing do Chuveirão Sprite busca capturar o espírito da marca —
descomplicado, divertido e refrescante. Com sua estrutura moderna e fluxo
potente de água gelada, ele transforma o ambiente em um ponto de encontro para
quem quer dar uma pausa no calor e sentir aquele choque térmico delicioso,
quase como abrir uma lata trincando e sentir a primeira borrifada cítrica no
ar.
Semelhantemente ao chuveirão chopeira da Schin, o Chuveirão
Sprite não é apenas um chuveiro: é um momento. Em formato de um grande post-mix, a máquina de refrigerante, leva a pessoa à um convite para respirar fundo,
relaxar e deixar a refrescância tomar conta. Ele traduz, em forma de
experiência física, tudo aquilo que Sprite deseja representar.
Seja para marcar presença em ações e campanhas de marketing de verão, engajar jovens
ou criar ativações memoráveis, o Chuveirão Sprite é a prova de que inovar
também pode ser sinônimo de divertir.
Para saber onde há um
chuveirão disponível nesse verão, o usuário deverá entrar no Instagram da marca (@sprite_br), e cadastre-se. Haverá um aplicativo que irá apresentar a localização de um
equipamento mais perto de você.
Não existe festinhas de aniversário ou até comemorações da
firma, sem o refrigerante Mate-Couro. A bebida é orgulho dos mineiros,
sobretudo aqueles que moram na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Na minha juventude, os refrigerantes eram envasados em uma garrafa verde, KS (King Size), em 290 ml e
tamanho família em 1 litro. As garrafas anteriores eram transparentes, com um
design próprio e modernista para a época.
O refrigerante Mate Couro é um verdadeiro ícone da cultura e
do sabor mineiro, com uma história que remonta a meados do século XX. Sua
trajetória é marcada pela tradição, pelo desenvolvimento da indústria de
bebidas no estado de Minas Gerais e por parcerias estratégicas com gigantes do
setor. Sua marca evoluiu ao longo dos anos, seguindo como outros refrigerantes mineiros que ainda atuam no mercado, como o Mineirinho, o Guaranita e o Guaraná Artemis.
A história do Mate Couro começa em 12 de setembro de 1947,
na antiga sede da Coca-Cola, na Avenida do Contorno 10.731 (depois 10.655), no
Barro Preto, em Belo Horizonte, Minas Gerais. A região do Barro Preto se tratava de uma pequena área industrial com fabrica têxtil, confecções e outras fábricas de bebidas se encontravam lá, como a fábrica de Bebidas Paraguay. A ideia de criar uma bebida com
um sabor original e diferente das existentes no mercado surgiu da iniciativa de
seis amigos mineiros, entre eles um farmacêutico. O objetivo era desenvolver um
refrigerante saboroso a partir de extratos vegetais.
O nome "Mate Couro" é derivado dos seus
ingredientes principais: a erva-mate e a folha de chapéu-de-couro, com a adição
de semente de guaraná, resultando em um sabor inconfundível que rapidamente
conquistou os consumidores.
Os Fundadores e a Trajetória Empresarial
Embora o início tenha sido com um grupo de seis amigos, o
controle da Mate Couro S/A passou, ao longo das décadas, por diferentes gestões
familiares que impulsionaram seu crescimento.
Duas figuras ligadas à história da
empresa são Arthur Eduardo Savassi Biagioni e Rodrigo Savassi Biagioni, que
esteve associado aos Refrigerantes Mate Couro, ajudando a consolidar a marca no
mercado mineiro. (A família Savassi teve uma padaria de mesmo nome, que logo se transformou no Bairro Savassi, em uma região nobre da Capital mineira.)
Atualmente, a gestão da marca é frequentemente associada à
família Savassi, que tem sido responsável por manter a tradição do refrigerante
e expandir a linha de produtos, garantindo que o clássico sabor de 1947
permaneça firme no mercado.
Crescimento e Parcerias Estratégicas
Com a consolidação da marca no mercado, a empresa Mate Couro
S/A buscou expandir sua atuação e credibilidade através de importantes
parcerias no cenário nacional e internacional. Entre os anos de 1955 e 1979 a
empresa assinou um contrato de franquia com a Pepsico, passando a produzir e
distribuir, além do seu refrigerante tradicional, as bebidas Pepsi-Cola e o refrigerante
Mirinda.
Durante essa jornada a fábrica teve que expandir as suas operações.
Para tanto, em 1972, o crescimento contínuo do negócio exigiu um novo
investimento: a construção da atual fábrica da empresa, em uma área de 52 mil
metros quadrados, na Rua Nínive, 640, no bairro São Salvador (também conhecido
por bairro Glória). Há uma entrada pela Rua Jerusalém. A empresa é cercada por
uma área bastante arborizoda.
De 1979 a 2003, a credibilidade da empresa possibilitou a
assinatura de um contrato de franquia com a Companhia Antarctica Paulista.
Nesse período, além do Mate Couro, a empresa engarrafou a linha completa de
refrigerantes Antarctica. Lembro-me claramente de escutar que o famoso Guaraná
Antarctica era feito na sede do Mate Couro, o que para os mineiros demonstravam
uma certa “imponência” e orgulho de que a empresa fabricava bons produtos.
Na década de 1990, a Mate Couro introduziu a garrafa PET em
seu processo de engarrafamento, adaptando-se às tendências do setor. Nos mesmos
moldes de parceria, com outras empresas do setor, a Mate Couro efetuou, em 2008
a inclusão da produção e distribuição da RC Cola (Royal Crown Cola) para o
mercado mineiro. A Royal é uma marca clássica de refrigerante de cola, criada
nos EUA em 1905 por Claud A. Hatcher.
O Mate Couro Hoje: Um Clássico de Minas
A Mate Couro S/A continua sediada em Belo Horizonte e dedica
grande parte de sua produção ao mercado de Minas Gerais, mantendo-se como uma
das mais tradicionais indústrias de bebidas não alcoólicas do estado. Além do
seu refrigerante carro-chefe, a empresa diversificou sua linha de produtos,
oferecendo outros sabores de refrigerantes, incluindo refrigerante zero, e a água mineral Mate Couro.
O refrigerante perdura como um símbolo de Minas Gerais, um
sabor que resistiu ao tempo e às mudanças de mercado, graças à sua fórmula
original e à dedicação das famílias que conduziram seu legado. Atualmente, a fábrica está com seus 75 anos, mantendo a sua
tradição e juventude.
Guaraná Mineirinho: A História do Sabor de Ubá que se transformou em uma lenda
Ubá recebeu diversos imigrantes no final século XIX, sobretudo
famílias italianas para trabalhar na lavoura. Entre os pioneiros que iniciaram como agricultores e se
tornaram empresários de destaque, está a família Fusaro. Luigi (Luiz) Fusaro,
nascido em 1843 em Treviso, Veneto, desembarcou em Ubá em 1888, acompanhado da
esposa Maria Piziolo Fusaro (1848) e dos sete filhos: Ângela, Sebastiano,
Antonio, Ângelo, Giusepina, Giuseppe e Antonia.
Luigi começou como meeiro em fazendas de café. Com esforço e
economia, acumulou recursos e migrou para a cidade, onde abriu uma padaria. O
negócio prosperou e, logo, foi ampliado com um armazém de mantimentos. Em 1901,
Luigi passou a administração ao filho Antônio, nascido em 1873 e casado com
Maria Aspasia Cavaliere Fusaro, originária de Torre Orsaia, Campania.
Em 1907, já ostentando o título de Major — prática comum na
época —, Antônio associou-se a Joseph Codo e transformou o armazém em uma
empresa de atacado e varejo: Sociedade Antônio Fusaro & Cia. O
empreendimento cresceu rapidamente, tornando-se o maior estabelecimento
comercial de Ubá. Localizado ao lado da Praça Guido Marlièr, ocupava todo um
quarteirão da Rua XV de Novembro, entre a Rua São José e a Avenida Cristiano
Roças, com frente também para esta última.
A empresa vendia produtos de quase todos os gêneros e
expandiu suas atividades para a indústria: fábrica de massas de nome Macarrão
Santa Isabel, confecção de roupas, posto de gasolina e até uma casa bancária,
que impulsionou o comércio e a indústria locais. Paralelamente, surgiram outras
iniciativas: moinhos, torrefação de café, beneficiamento de cereais e uma
fábrica de bebidas, que além de produzir aguardentes, Anis, Genebra, Xaropes e
refrescos, continha a famosa Cervejaria Econômica. Esse conjunto de
empreendimentos marcou uma era de prosperidade e inovação para Ubá.
Na década de 1940, o químico Eugenio Auvray, foi o responsável
em desenvolver a fórmula de um refrigerante sob a tutela da firma Antônio
Fusaro & Cia. Criado com um toque único de chapéu-de-couro — uma erva
tipicamente brasileira —, ele rapidamente conquistou os paladares locais, com o
nome de Mineiro, que popularmente ficou conhecido por Mineirinho. (Há um segundo refrigerante em Ubá, de nome Abacatinho.)
Em 1946, a
empresa mudou-se para o Ponto Cem Réis, em Niterói, no Estado do Rio de Janeiro.
A Sociedade de Refrigerantes Fusaro funcionava à Rua Padre Augusto Lamego, 70,
no Bairro São Lourenço. Em 1949, a Empresa alterou a sua Razão social, passando
a ser reconhecido como Sociedade Industrial de Refrigerantes Flexa.
Na década de 1970, o empresário Hermógenes Ladeira tentou colocar o refrigerante na capital de Minas Gerais, por meio da Cia. Alterosa de Cervejas, porém sem sucesso. Seu refrigerante, o Guaraná Alterosa firmou-se, com uma embalagem de 1 litro, na cor ambar, silkada, sendo considerada o primeiro refrigerante "família" do Brasil.
Em 1978, devido à grande sensação do produto no mercado
Fluminense, tornou-se necessária a expansão da fábrica. O parque industrial foi
transferido para uma área de 24000 m², em São Gonçalo, a rua Clóvis Beviláqua,
285, Em Santa Catarina. Atualmente é dominada indústria de bebidas Flexa Limitada.
Dentro do mercado de bebidas mais especificamente de refrescos, o Mineirinho foi um dos primeiros refrigerantes vendidos em
embalagem PET, em 1989 — antes mesmo da Coca-Cola, que só adotou o modelo em
1991. E, apesar das propriedades medicinais da erva, a marca nunca se vendeu
como remédio: é refrigerante, puro e simples, sem sódio e feito de forma
tradicional.
Em 2024, os refrigerantes da marca Mineirinho, apareceram em Belo Horizonte, mais precisamente na rede de supermercados Villefort, em garrafas pet e em latas, nas versões tradicional e refrigerantes zero. Espero que venha outras marcas lendárias de refrescos gasosos de Minas para BH, o Guaranita, o Artemis, o Mate Couro e o saudoso Gato Preto.