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sábado, 10 de outubro de 2026

Coca-Cola Prebiotic

 

A Segunda Onda da Saudabilidade: Como a Coca-Cola está Colocando Fibra no Refrigerante

O mercado de alimentos e bebidas está testemunhando uma transformação sísmica em suas prioridades. Se nos últimos anos vivemos o auge da "onda das proteínas" — com tudo recebendo um reforço proteico —, o foco agora mudou de direção. A segunda onda da saudabilidade pertence oficialmente às fibras, e a maior gigante de bebidas do mundo acabou de validar essa tendência.

Ao anunciar a inserção de 6 gramas de fibra prebiótica em marcas do calibre de Coca-Cola e Sprite, a The Coca-Cola Company não está apenas lançando um produto: está encurtando radicalmente a distância entre a tendência nichada de saúde intestinal e o consumo de massa.

Da Indulgência à Funcionalidade: O Novo Perfil de Consumo

Por décadas, o corredor de refrigerantes foi visto como o oposto da vida saudável. Primeiro, o mercado respondeu a isso com as versões Diet e Zero, focadas exclusivamente na subtração (menos açúcar, menos calorias).

Agora, a demanda mudou para a adição funcional. O consumidor atual não quer apenas evitar o que faz mal; ele exige que o produto entregue um benefício ativo. A inclusão da fibra solúvel de milho permite que o cliente mantenha a experiência de sabor que já ama, mas agora com uma "credencial de saúde digestiva".

A estratégia da Coca-Cola mostra maturidade de mercado. Em 2025, a companhia já havia flertado com o segmento ao lançar a Simply Pop, uma marca nova e isolada. O verdadeiro divisor de águas atual é levar essa mesma tecnologia para os rótulos de maior reconhecimento mundial. O consumidor recebe o benefício dentro de um produto em que ele já confia cegamente.

Contudo, o movimento esbarra em um desafio técnico de altíssimo nível. Estabilizar 6 gramas de fibra solúvel dentro de uma matriz gasosa e carbonatada, sem açúcar, é uma verdadeira obra de engenharia de alimentos. A fibra altera a viscosidade, a percepção de doçura e a estabilidade do líquido. Garantir que os adoçantes de alta intensidade convivam com a fibra sem gerar notas residuais (o famoso "sabor estranho") e mantendo o gosto icônico é um feito impressionante no refrigerante.

Embora o piloto esteja restrito ao nordeste americano, o setor inteiro já se posicionou em estado de alerta. Quando um transatlântico como a Coca-Cola muda de rota, ela arrasta toda a cadeia de suprimentos consigo.

Este teste é a maior oportunidade da década para os fornecedores de ingredientes funcionais. A fibra prebiótica está deixando as lojas de suplementos naturais e batendo na porta do maior e mais competitivo corredor de bebidas do planeta. A mensagem para a indústria é clara: quem não inovar ou se preparar para formular com foco em saúde intestinal ficará para trás na prateleira.

sábado, 22 de agosto de 2026

Crush Refrigerante

 

O Gosto da Saudade: A Fascinante História do Refrigerante Crush e Seu Legado no Brasil

Observar o apresentador Ratinho surpreso ao pegar em uma garrafa do Refrigerante Crush, para mim foi motivo de alegria, pois me trouxe um momento de nostalgia. Ao ver seus comentários em sua rede social, resolvi escrever esse breve artigo, transmitindo sua satisfação ao lembrar seus tempos de criança.

Se você viveu a infância ou a juventude no Brasil entre as décadas de 1960 e 1980, certamente se lembra da sensação de segurar uma garrafa de vidro pesada, canelada, e dar uma leve chacoalhada antes de abri-la. Esse ritual pertencia aos consumidores do Crush, um dos refrigerantes mais icônicos do século XX. Embora tenha desaparecido das gôndolas brasileiras, o Crush deixou uma marca profunda na memória afetiva do país. Conheça a trajetória completa dessa bebida, desde sua criação nos Estados Unidos até o sumiço dos supermercados nacionais.

A jornada do Crush começou 1906 por JM Thompson em Chicago, nos Estado Unidos. Em 1911, na cidade de Los Angeles, Califórnia, a fórmula original foi aprimorada o químico de bebidas e extratos Neil C. Ward. A receita inovava ao utilizar o óleo extraído diretamente da casca da laranja para conferir o sabor e o aroma característicos, adicionando o suco da própria fruta anos depois, em 1921. O refrigerante ganhou escala comercial em 1916, quando Ward uniu forças com o empresário Clayton J. Howell para fundar a Orange Crush Company. O sucesso foi imediato e o refrigerante rapidamente cruzou fronteiras.

A Chegada ao Brasil e o Modelo de Franquias

O refrigerante desembarcou em solo brasileiro na década de 1930. Para se expandir pelo território nacional, a detentora internacional dos direitos — que mais tarde passou a ser a multinacional Cadbury Schweppes — adotou um modelo de negócios baseado em franquias e licenciamentos regionais. A matriz fornecia o extrato concentrado da bebida, enquanto indústrias de refrigerantes regionais brasileiras ficavam encarregadas do engarrafamento e da distribuição regional. Entre as fábricas mais famosas que operaram a marca no Brasil, destacam-se a Indústria de Refrigerantes Pakera (no Rio de Janeiro), a Indústria de Refrigerantes Golé (em Uberaba, Minas Gerais) e a Refrigerantes Zago (que produziu a bebida em Uberlândia entre 1969 e 1976).

No mercado brasileiro, o Crush Laranja era visto por muitos como o melhor refri de sua categoria, superando os concorrentes diretos em intensidade. O público o idolatrava por sua cor laranja-avermelhada muito vibrante, textura marcante e um sabor cítrico mais encorpado e doce do que o da Fanta. Embora a laranja fosse o carro-chefe absoluto, a marca explorou outras frentes como o sabor Uva que foi lançado no mercado nacional na década de 1970 para competir no segmento de frutas escuras. O sabor Caju, uma versão regionalizada e limitada chamada Crush Cajuína chegou a ser lançada no Nordeste brasileiro em 2011, fruto de uma parceria com a Norsa (franqueada Coca-Cola).

No exterior, a linha se estendeu por sabores como limão (Lemon e Lime), cereja, pêssego, morango e abacaxi.

"Mexa, Mexa!": A Identidade nos Comerciais e no Vidro

Diferente da concorrente Grapette, que imortalizou o jingle "Quem pede Grapette, repete", o Crush apostava em destacar a qualidade de sua fórmula. Na década de 1970, o slogan mais marcante das campanhas de TV e impressas foi: "Crush: Mexa, Mexa!". O anúncio era um aviso funcional: o consumidor precisava agitar levemente a garrafa antes de abrir para misturar o legítimo extrato e os gomos da fruta que se acumulavam no fundo do casco.

A identidade visual também era um espetáculo à parte, bebendo diretamente da fonte do movimento Art Déco das décadas de 1920 e 1930. As primeiras garrafas produzidas no Brasil pela Cisper eram de cor âmbar (escura), mudando para o vidro incolor em 1963. Ambas traziam linhas geométricas verticais e horizontais rígidas e simétricas moldadas em alto relevo no próprio vidro. A logomarca apresentava uma caligrafia marcante, com letras grossas, arredondadas e levemente inclinadas, inicialmente aplicadas em serigrafia pintada e, depois, texturizadas no próprio vidro.

Por que o Crush Desapareceu do Brasil? Eis a pergunta de um milhão de dólares. O declínio e o consequente sumiço do Crush das gôndolas brasileiras ocorreram ao longo da década de 1990, motivados por dois grandes fatores de mercado. Houve o fim dos Contratos de Franquia. A Cadbury Schweppes optou por descontinuar e não renovar as licenças de engarrafamento com as fábricas regionais independentes (como Pakera e Golé), fragmentando a distribuição. Adicionalmente, os direitos da marca Crush foram adquiridos pela The Coca-Cola Company em diversos mercados internacionais na virada dos anos 1980 para os 1990. Como a Coca-Cola já tinha a Fanta Laranja consolidada como sua principal força no segmento, a empresa optou por retirar o Crush de circulação no Brasil para evitar a concorrência interna (canibalização de vendas) e focar os investimentos em um único produto.

Apesar da ausência no Brasil, o Crush está longe de estar extinto. Ele continua sendo comercializado com enorme força em países como os Estados Unidos (onde os direitos pertencem à Keurig Dr. Pepper e a distribuição é feita pela PepsiCo), além de Canadá, México, Reino Unido e diversas nações da América Latina. Em solo brasileiro, ao Soft Drink restou aos entusiastas recorrer a lojas físicas e virtuais especializadas em produtos importados para garantir uma lata da bebida.

Relembrar o Crush é fazer uma viagem no tempo direto para os anos 60, 70 e 80, uma época em que os dias pareciam passar mais devagar. O estalo inconfundível da tampinha de metal sendo removida pelo abridor era o prenúncio de uma felicidade simples, sinônimo de festas de aniversário no quintal, almoços de domingo com a família reunida e tardes quentes jogando conversa fora na calçada. Segurar aquela garrafa pesada de vidro canelado, dar uma leve mexida para misturar o gominho da fruta e sentir o primeiro gole gelado e efervescente do refrigerante era a tradução perfeita da infância. O Crush pode ter deixado as prateleiras dos nossos supermercados, mas o seu sabor cítrico e inconfundível permanece para sempre guardado no paladar da nossa memória.



A Evolução da Marca.


Foto: Rede Sociais/ (IA)/Facebook do Ratinho
Fontes: https://www.propagandashistoricas.com.br/2019/01/propaganda-refrigerante-crush.html
https://logos-world.net/crush-logo/
Saiba mais sobre o Crush de hoje em: https://www.crushsoda.com/


domingo, 16 de agosto de 2026

Guarapan Refrigerante

 

Alquimia Clandestina e o Trono de Vidro: A Lendária Trajetória do Guarapan nos Balcões de Minas

por Henrique Oliveira

Belo Horizonte– Para quem frequenta as estufas de salgados e tradicionais lanchonetes da Grande BH, o ritual é sagrado: um pastel frito na hora acompanhado de um  refrigerante Guarapan trincando de gelado. Mas o que hoje é consolidado como o maior símbolo do bairrismo líquido de Minas Gerais passou por uma origem rebelde e uma crise de identidade nos bastidores industriais. A história desse clássico — fundado oficialmente no ano de 1940 — é fruto de uma lenda de insubordinação operária que só se emancipou de fato quando conquistou o seu primeiro casco de vidro próprio.

A certidão de nascimento do Guarapan não foi assinada em uma sala de reuniões executivas, mas sim no chão de fábrica da antiga Refrigerantes Minas Gerais (Remil), produtora da Coca-Cola, sob a admnistração do empresário mineiro Luiz Otávio Possas Gonçalves. Reza a lenda urbana que, em 1940, um funcionário anônimo da linha de montagem decidiu, por conta própria e sem qualquer autorização dos superiores, brincar de alquimista.


Aproveitando o maquinário e os insumos da fábrica de bebidas, ele combinou a base do guaraná da empresa com essências concentradas de maçã e outros extratos aromáticos secretos, criando um refri artesanal. O experimento clandestino logo foi descoberto pelo supervisor da planta. Chamado às pressas para a temida sala da gerência, o operário tinha certeza de sua demissão imediata por justa causa. Para a surpresa de todos, o chefe preferiu testar o líquido antes de aplicar a punição. Ao dar o primeiro gole, o supervisor ficou impressionado com o paladar exótico. Em vez do bilhete de demissão, o funcionário recebeu elogios do novo refrigerante e o direcionamento para que a fórmula inédita fosse patenteada e lançada comercialmente naquele mesmo ano.

Apesar do sucesso imediato da receita que misturava o aroma de maçã com um icônico sabor de tutti-frutti, o Guarapan enfrentou um grande desafio logístico inicial. Por ser uma bebida puramente regional e de produção controlada, a Remil não via viabilidade financeira para encomendar lotes exclusivos de garrafas personalizadas junto às vidrarias.

Durante suas primeiras décadas de vida, o Guarapan funcionou como um "hóspede" em cascos alheios. O líquido era envasado em "garrafas genéricas" ou vasilhames emprestados de outras marcas de refrigerantes da empresa. O consumidor de Belo Horizonte precisava caçar a bebida nas geladeiras pelas tampinhas de metal específicas ou por rótulos de papel que se descolavam facilmente na água e no gelo dos balcões. No mercado da época, o produto corria o risco constante de ser visto apenas como uma linha secundária. Com o passar do tempo, o refrigerante ganhou uma garrafa própria para chamar de seu. Virou o companheiro dos salgados tradicionais nas lanchonetes da Capital Belo Horizonte. Coxinhas, pastéis, empadas, quibes são as melhores combinações. Além da garrafa de 290ml, havia também o refrigerante servidos por meio de post-mix, em copos descartáveis.

As tradicionais garrafas de vidro de 290ml e 600ml marcaram épocas até os anos 1990. Hoje, elas são consideradas itens raros de coleção, enquanto a bebida é comercializada principalmente em PET ou latas. Se você vier para Minas Gerais, sobretudo na Capital, não deixe de tomar um refrigerante Guarapan.

Você irá se surpreender.



Fotos do refrigerante antigo: IA. Demais fotos: Internet e rede social Garapan

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Bamba Refri de Fibra

 
Arturo Isola Entra No Mundo dos Refrigerantes Com Proposta Ousada

O empresário italiano Arturo Isola, amplamente conhecido por fundar o premiado gin premium Amázzoni (Lê-se também Pernod Ricard), está liderando uma nova e ambiciosa empreitada. Ele acaba de lançar a Bamba, uma marca inovadora de refrigerantes funcionais e saudáveis projetada para transformar o mercado brasileiro de bebidas.

Apoiam a iniciativa investidores experientes do setor de alimentação e bebidas, com destaque para Edoardo Tonolli, o criador da conceituada rede de sorveterias Bacio di Latte.

A proposta inicial da Bamba é preencher uma lacuna entre o prazer dos refrigerantes tradicionais e os benefícios nutricionais das bebidas funcionais. O portfólio de estreia da marca traz três sabores sofisticados em lata. O primeiro, sabor Guaraná, possui uma versão adaptada para o consumidor moderno, com uma fórmula que traz baixo teor de açúcar se comparada às marcas tradicionais do mercado. O segundo, tradicional sabor Cola, trata-se de uma releitura inovadora do sabor mais famoso do mundo, elaborada de forma totalmente natural a partir de capim-limão e gengibre, sendo 100% livre de cafeína. Por fim, o Açaí, sabor tipicamente brasileiro, focado em entregar propriedades energéticas e antioxidantes de maneira leve e refrescante.

Para furar a bolha das grandes corporações de bebidas, Isola e seu time desenharam uma estratégia mercadológica que mistura marketing analógico "retrô" com tecnologia de ponta:        

 [Marketing Analógico] ──► Uso de carros de som, panfletos e aviões com faixa.

 [Processo Seletivo]   ──► IA interage e entrevista candidatos a embaixadores.

 [Logística Híbrida]   ──► Vendas diretas por e-commerce e PDVs selecionados.

A marca chamou a atenção ao utilizar táticas clássicas de rua para o seu lançamento, como carros de som, anúncios classificados e aviões puxando faixas em praias. A ação de marketing "Contrata-se Bambas" reuniu campanhas de ativação enviaram kits sem rótulo para influenciadores digitais e formadores de opinião no Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte.

O processo seletivo para escolher os embaixadores da marca de refrigerantes é conduzido de forma inovadora por um chatbot de Inteligência Artificial personalizado. A distribuição do produto será híbrida: com vendas diretas pelo e-commerce da empresa e no varejo físico, com o foco inicial que se concentrará na região Sudeste. As latas são posicionadas em canais focados em bem-estar e estilo de vida moderno, como cafeterias, hotéis boutique, universidades e academias de alto padrão.

Afinal, o Que Arturo Isola pretende com isso? Após revolucionar o setor de destilados com o gin Amázzoni, Isola busca atingir objetivos claros com a criação da Bamba: alcançar 1 milhão de unidades vendidas. A meta explícita para o primeiro ano de operação é romper a barreira de 1 milhão de latas comercializadas, no Brasil. Ainda, o empresário busca atrair o público jovem e adulto que gosta de refrigerante, mas que busca reduzir drasticamente o consumo de açúcares, sódio e componentes artificiais nocivos à saúde. 

Por acreditar  que é possível redefinir a categoria, caberá ao empresário provar que o refrigerante não precisa ser o vilão da dieta, criando uma subcategoria viável e lucrativa de "refrigerantes limpos" no ecossistema de bebidas nacional.

 Foto: Valor/Divulgação.


terça-feira, 30 de junho de 2026

Coca-Cola Blue

 


O Dia em que o Vermelho Cedeu Espaço ao Azul: Os Bastidores da Embalagem Mais Rara do Mundo no Festival de Parintins

Por Redação Ave Cesar Co.

Imagine uma marca global, avaliada em bilhões de dólares, abrir mão de sua identidade visual mais sagrada — o vermelho icônico — para adotar a cor de seu principal concorrente histórico. Parece um suicídio de marketing, certo? Mas no coração da Amazônia, essa foi a maior jogada de mestre da história do branding brasileiro. Para tanto, o blog da Ave Cesar Co. mergulha no fascinante case da Coca-Cola Azul, uma exclusividade mundial nascida no Brasil para reverenciar o Festival Folclórico de Parintins.

Para entender a mudança da lata, é preciso compreender a magnitude do Festival de Parintins, que acontece anualmente no final de junho na Ilha Tupinambarana, no Amazonas. Esta festa é o pilar mais importante da identidade e do turismo cultural amazonense. A cidade se divide de forma absoluta entre dois blocos folclóricos, Boi Garantido: Representado pela cor vermelha e pelo coração e Boi Caprichoso: Representado pela cor azul e pela estrela.


Essa rivalidade ultrapassa os limites do bumbódromo. Ela dita a pintura das casas, a decoração das ruas e até os hábitos de consumo. Um torcedor roxo do Caprichoso simplesmente se recusa a vestir, usar ou consumir qualquer coisa que carregue a cor do rival.

Nesse sentido, surgiu um desafio de marketing, pois havia um boicote silencioso. A Coca-Cola tornou-se patrocinadora oficial do festival, em 1995. No entanto, a equipe de marketing logo se deparou com um obstáculo cultural sem precedentes. Metade da população da ilha — a torcida do Boi Caprichoso — evitava comprar o refrigerante por causa da icônica lata vermelha, associada instantaneamente ao rival Garantido. Em vez de tentar forçar a barra com o padrão global, a marca entendeu que precisava respeitar o solo sagrado da cultura amazonense. Se Parintins não mudaria pela Coca-Cola, a Coca-Cola mudaria por Parintins.

A partir dessa concepção foi realizada a criação do Design Azul, quebrando literalmente as regras globais da marca. Mudar a cor da embalagem do tradicional refrigerante com diretrizes globais tão rígidas exigiu meses de negociações e aprovações complexas junto à matriz da companhia em Atlanta, nos Estados Unidos. O argumento dos executivos brasileiros foi certeiro: não se tratava de mudar a identidade da marca, mas de abraçar uma manifestação cultural única. A solução visual foi cirúrgica e genial: o vermelho sumiu: A tradicional lata de alumínio recebeu um banho de azul royal intenso. A tipografia foi mantida: o famoso logotipo escrito em cursivo continuou intocado, mantendo o reconhecimento imediato da marca. As embalagens comemorativas passaram a estampar as artes oficiais do Caprichoso e do Garantido lado a lado. 

A estratégia funcionou perfeitamente. O design azul quebrou a barreira do consumo e transformou a lata em um item de colecionador altamente cobiçado, em todo o país.

O que torna essa história ainda mais fascinante é o seu caráter de exclusividade absoluta. O Brasil é o único lugar do planeta Terra onde a Coca-Cola altera oficialmente a cor de sua embalagem por motivos culturais e regionais. A "Coca-Cola Azul" não é vendida em supermercados comuns ao redor do país. Ela é produzida em lotes estritamente limitados e comercializada apenas no estado do Amazonas durante o período do festival. Quem visita Parintins nessa época testemunha os bares e barracas exibindo orgulhosamente as latas azuis e vermelhas dividindo as prateleiras em perfeita harmonia comercial. Outras empresas entram nessa mesma estratégia a Azul Linhas Aéreas mescla a sua marca com cor vermelha, o Bradesco mescla na cor azul. (O Guaraná Tuchaua, regional, produzido também pela Coca, se transformou nas cores das agremiações.)


Aqui fica um aprendizado para as Marcas. Para os apaixonados por cultura pop, gastronomia e mercado de bebidas o que inclui refrigerantes, o case da Coca-Cola em Parintins deixa uma lição valiosa: o respeito à cultura local pode vencer a rigidez corporativa, sem perder o seu legado e herança da marca. Ao abrir mão do vermelho, a marca ganhou o coração, o respeito e a fidelidade de todo o povo amazonense.

E você, já teve a oportunidade de ver ou colecionar uma dessas latas azuis? Se você gerência uma marca, como adaptaria seu produto para dialogar com o público regional? Se você curtiu esse mergulho nos bastidores do marketing de bebidas, compartilhe este post nas suas redes e continue acompanhando o Blog Ave Cesar Co. para mais histórias surpreendentes.

Imagem: Aceleraí. Publicitários Criativos/Divulgação.

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Cajuína São Geraldo

 


O Sabor Sagrado do Nordeste: A Trajetória da Cajuína São Geraldo

O refrigerante regional São Geraldo foi oficialmente fundado em 1976, com a criação da razão social Cajuína São Geraldo Ltda., em Juazeiro do Norte, no Ceará. A marca que comemora seus 50 anos agora em 2026, teve suas origens na década de 1950 sob o comando de José Amâncio de Souza, transformando uma pequena produção de bebidas artesanais no maior fenômeno de fidelidade de consumo da região. Hoje, a bebida é considerada uma verdadeira lovemark nacional, transportando a essência da cultura nordestina para o Brasil.

A Origem e o Fundador: Da Vaselina ao Suco de Caju

Na década de 1950, Juazeiro do Norte abrigava uma pequena fábrica voltada à manipulação de produtos diversos, como perfumaria, vaselina e vinhos alcoólicos à base de frutas locais (como jenipapo e jurubeba). O estabelecimento pertencia ao comerciante Luciano Teófilo de Melo. O rumo do negócio mudou quando José Amâncio de Souza ingressou na firma como funcionário. Demonstrando forte tino comercial e conquistando a confiança do proprietário, José Amâncio adquiriu o empreendimento apenas dois anos depois. O nome "São Geraldo" foi escolhido em homenagem ao santo italiano, fruto da profunda devoção religiosa da mãe do novo proprietário.

A Criação da Fórmula: O Segredo do Fruto

Originalmente, o caju era utilizado na fábrica apenas para dar sabor aos vinhos e licores artesanais. Na década de 1960, José Amâncio identificou o potencial desperdiçado da fruta abundante no Cariri cearense. Ele iniciou testes para desenvolver uma bebida não alcoólica, gasosa erefrescante.Matéria-prima Direta: Diferente dos refrigerantes tradicionais de uva ou laranja que utilizam apenas aromas artificiais, a fórmula da São Geraldo incluiu o suco natural da fruta.

Foram necessários vários anos de ajustes na proporção de açúcar, gaseificação e extrato para chegar ao balanço perfeito: uma bebida doce, encorpada, levemente ácida e com a cor dourada característica da cajuína tradicional. Para expandir a receita e industrializar o processo, o fundador trouxe seus irmãos, Francisco de Souza e Tarcila Sousa, para a sociedade, oficializando a marca em 1976.


O refrigerante São Geraldo conquistou o público inicialmente pelo forte vínculo com a comunidade local. Durante décadas, os próprios moradores da região colhiam os cajus e os transportavam em carroças ou balaios na cabeça até as portas da fábrica, criando uma cadeia produtiva totalmente integrada ao Cariri. A bebida deixou de ser apenas um produto comercial para se transformar em um símbolo de identidade e nostalgia. O consumidor nordestino passou a associar o refrigerante local ao almoço de domingo, às festas juninas e ao sentimento de pertencimento à sua terra natal.

A fábrica da Cajuína São Geraldo modernizou sua distribuição para além das fronteiras do Ceará. A marca oferece a versão do refrigerante tradicional, embalagens em lata personalizadas e a versão Zero Açúcar, desenvolvida após cinco anos de testes sensoriais para manter o mesmo gosto marcante do fruto. Com a introdução de novos canais de distribuição, o refrigerante é exportado espontaneamente por turistas e distribuído formalmente para grandes capitais fora do Nordeste, impulsionado por um público fiel que faz propaganda voluntária da marca.

Parabéns pelos 50 anos de fundação e sucesso pleno em sua jornada.





quarta-feira, 6 de maio de 2026

Three Cents Soda

Three Cents: A Revolução Grega que Elevou o Nível da Coquetelaria Mundial

Se você frequenta os melhores bares de coquetelaria ou gosta de preparar seus próprios drinks em casa, provavelmente já se deparou com uma garrafa de design retrô e cores vibrantes chamada Three Cents. Mas o que faz dessa marca grega a nova "queridinha" de bartenders ao redor do globo?

Nascida em 2014, a Three Cents não surgiu em uma sala de reuniões corporativa, mas sim atrás do balcão. Quatro bartenders gregos — George Bagos, Dimitris Dafopoulos, George Tsirikos e Vassilis Kalantzis — sentiam falta de mixers que não perdessem a carbonatação rapidamente e que tivessem sabores naturais e autênticos. O resultado foi uma linha de sodas premium que mudou a forma como encaramos bebidas mistas.

O Resgate dos "Três Centavos"

O nome é uma aula de história líquida. Durante a Grande Depressão nos EUA, as famosas soda fountains (refrigerantes) vendiam água com gás pura por dois centavos (Two Cents Plain). Quem podia gastar um pouco mais — exatos três centavos — recebia a água com a adição de um xarope saborizado.

Afinal, por que ela é diferente? Enquanto refrigerantes comuns focam no açúcar, a Three Cents foca na ciência das bolhas. As bebidas são engarrafadas com uma carbonatação muito superior à média, garantindo que o drink permaneça efervescente até o último gole, com ingredientes reais, ou seja, nada de aromas artificiais. Na Pink Grapefruit Soda, por exemplo, você sente o óleo essencial da casca da toranja fresca, isso com zero conservantes, de forma a traduzir em um produto limpo, feito para respeitar o destilado com o qual será misturado.

O Fenômeno da Paloma


Se hoje a Paloma (tequila, limão e soda de grapefruit) é um dos drinks mais pedidos do mundo, muito se deve à Three Cents. Sua Pink Grapefruit Soda foi eleita por especialistas como o mixer definitivo para este clássico, equilibrando o amargor cítrico com a doçura exata. Além dela, a marca oferece joias como a Aegean Tonic (com toques de pepino e ervas do Mediterrâneo) e a Ginger Beer, que traz o picante natural do gengibre fermentado, ideal para um Moscow Mule de respeito.


Veredito Ave Cesar: para nós, que valorizamos a excelência em cada gole — seja na cerveja ou nos destilados — a chegada e consolidação da Three Cents prova que os detalhes fazem toda a diferença e movem tendências. Se o objetivo é um drink com frescor intenso e sabor de verdade, o investimento nesses "três centavos" vale cada gota. Imagino esse refrigerante com os insumos especiais da Monin. Devem ficar excelentes e curiosos de se tormar. Atualmente a marca pertence a Coca-Cola.

Cheers!

Foto: Coca-Cola (https://ch.coca-colahellenic.com/en/media/news-and-stories/brands-and-products/2024-the-year-of-three-cents#carousel-76aa62c246-item-939fcfd88f-tabpanel)


segunda-feira, 2 de março de 2026

Coca-Cola Triple Z

 

Coca‑Cola Triple Z: a nova aposta “três vezes zero” da marca

A Coca‑Cola iniciou 2026 apresentando ao mercado europeu sua mais nova inovação em refrigerantes: a Coca‑Cola Triple Z, uma versão que combina zero açúcar, zero cafeína e zero calorias, ampliando a linha de produtos ultraleves da marca. A proposta do refrigerante é oferecer uma alternativa ainda mais alinhada às tendências de consumo focadas em saúde, bem-estar e atenção aos rótulos — características que têm guiado as escolhas de muitos consumidores nos últimos anos.

O refrigerante Triple Z mantém a busca pelo sabor clássico, mas com uma formulação que elimina tanto o açúcar quanto a cafeína, diferenciando-se das versões Zero e Zero Açúcar  já conhecidas. A retirada da cafeína, em especial, atende a quem evita estimulantes por questões de sono, sensibilidade ou recomendações médicas.

Visualmente, a bebida aposta em um design minimalista (lembrou o YoYo Russell da marca), seguindo a estética premium que a Coca‑Cola vem adotando em lançamentos especiais. Ela começou a circular em mercados selecionados da Europa, e sua expansão global dependerá da aceitação do público nesses mercados iniciais — estratégia comum da companhia em testes regionais. Até o momento, não há previsão oficial para chegada ao Brasil, embora o interesse dos consumidores sugira potencial futura expansão.

Em síntese, o refrigerante Coca‑Cola Triple Z representa o esforço contínuo da marca em se adaptar às novas demandas do mercado, oferecendo uma opção com o mínimo impacto calórico possível, sem abrir mão do ritual de consumo que acompanha o refrigerante há décadas. É uma resposta clara ao movimento global por produtos mais leves, funcionais e adequados a rotinas contemporâneas.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Chuveirão Sprite

 

Chuveirão Sprite: A Revolução da Refrescância Chegou

Em um país onde o calor não dá trégua, a busca por formas criativas de se refrescar faz parte do dia a dia. Pensando nisso, a Coca-Cola lançou o chuveirão do refrigerante Sprite, uma experiência inovadora inspirada na sensação marcante da bebida, que envolve, entre outros itens, a refrescância.

A estratégia de marketing do Chuveirão Sprite busca capturar o espírito da marca — descomplicado, divertido e refrescante. Com sua estrutura moderna e fluxo potente de água gelada, ele transforma o ambiente em um ponto de encontro para quem quer dar uma pausa no calor e sentir aquele choque térmico delicioso, quase como abrir uma lata trincando e sentir a primeira borrifada cítrica no ar.

Semelhantemente ao chuveirão chopeira da Schin, o Chuveirão Sprite não é apenas um chuveiro: é um momento. Em formato de um grande post-mix, a máquina de refrigerante, leva a pessoa à um convite para respirar fundo, relaxar e deixar a refrescância tomar conta. Ele traduz, em forma de experiência física, tudo aquilo que Sprite deseja representar.

Seja para marcar presença em ações e campanhas de marketing de verão, engajar jovens ou criar ativações memoráveis, o Chuveirão Sprite é a prova de que inovar também pode ser sinônimo de divertir.

Para saber onde há um chuveirão disponível nesse verão, o usuário deverá entrar no Instagram da marca (@sprite_br), e cadastre-se. Haverá um aplicativo que irá apresentar a localização de um equipamento mais perto de você. 

Bom verão!


Fotos: Divulgação/Instragram Sprite


terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Refrigerante Mate Couro

 Pode ser uma imagem de texto que diz "Onde tudo começou... FABRICA MateCuro Couro AVENIDA DO CONTORNO AVENIDADOCONTORN010655 10655• አለሎቅ Mate Couro"

Mate Couro: o refrigerante da Capital de Minas

Não existe festinhas de aniversário ou até comemorações da firma, sem o refrigerante Mate-Couro. A bebida é orgulho dos mineiros, sobretudo aqueles que moram na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Na minha juventude, os refrigerantes eram envasados em uma garrafa verde, KS (King Size), em 290 ml e tamanho família em 1 litro. As garrafas anteriores eram transparentes, com um design próprio e modernista para a época.

O refrigerante Mate Couro é um verdadeiro ícone da cultura e do sabor mineiro, com uma história que remonta a meados do século XX. Sua trajetória é marcada pela tradição, pelo desenvolvimento da indústria de bebidas no estado de Minas Gerais e por parcerias estratégicas com gigantes do setor. Sua marca evoluiu ao longo dos anos, seguindo como outros refrigerantes mineiros que ainda atuam no mercado, como o Mineirinho, o Guaranita e o Guaraná Artemis.


Logotipo

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.


A história do Mate Couro começa em 12 de setembro de 1947, na antiga sede da Coca-Cola, na Avenida do Contorno 10.731 (depois 10.655), no Barro Preto, em Belo Horizonte, Minas Gerais. A região do Barro Preto se tratava de uma pequena área industrial com fabrica têxtil, confecções e outras fábricas de bebidas se encontravam lá, como a fábrica de Bebidas Paraguay. A ideia de criar uma bebida com um sabor original e diferente das existentes no mercado surgiu da iniciativa de seis amigos mineiros, entre eles um farmacêutico. O objetivo era desenvolver um refrigerante saboroso a partir de extratos vegetais.

O nome "Mate Couro" é derivado dos seus ingredientes principais: a erva-mate e a folha de chapéu-de-couro, com a adição de semente de guaraná, resultando em um sabor inconfundível que rapidamente conquistou os consumidores.

Os Fundadores e a Trajetória Empresarial

Embora o início tenha sido com um grupo de seis amigos, o controle da Mate Couro S/A passou, ao longo das décadas, por diferentes gestões familiares que impulsionaram seu crescimento.

PackShot retrô Mate Couro | Blog do Fred Vianna – Fotógrafo em bh –

Duas figuras ligadas à história da empresa são Arthur Eduardo Savassi Biagioni e Rodrigo Savassi Biagioni, que esteve associado aos Refrigerantes Mate Couro, ajudando a consolidar a marca no mercado mineiro. (A família Savassi teve uma padaria de mesmo nome, que logo se transformou no Bairro Savassi, em uma região nobre da Capital mineira.) 

Atualmente, a gestão da marca é frequentemente associada à família Savassi, que tem sido responsável por manter a tradição do refrigerante e expandir a linha de produtos, garantindo que o clássico sabor de 1947 permaneça firme no mercado.

Crescimento e Parcerias Estratégicas

Com a consolidação da marca no mercado, a empresa Mate Couro S/A buscou expandir sua atuação e credibilidade através de importantes parcerias no cenário nacional e internacional. Entre os anos de 1955 e 1979 a empresa assinou um contrato de franquia com a Pepsico, passando a produzir e distribuir, além do seu refrigerante tradicional, as bebidas Pepsi-Cola e o refrigerante Mirinda.

Durante essa jornada a fábrica teve que expandir as suas operações. Para tanto, em 1972, o crescimento contínuo do negócio exigiu um novo investimento: a construção da atual fábrica da empresa, em uma área de 52 mil metros quadrados, na Rua Nínive, 640, no bairro São Salvador (também conhecido por bairro Glória). Há uma entrada pela Rua Jerusalém. A empresa é cercada por uma área bastante arborizoda.

De 1979 a 2003, a credibilidade da empresa possibilitou a assinatura de um contrato de franquia com a Companhia Antarctica Paulista. Nesse período, além do Mate Couro, a empresa engarrafou a linha completa de refrigerantes Antarctica. Lembro-me claramente de escutar que o famoso Guaraná Antarctica era feito na sede do Mate Couro, o que para os mineiros demonstravam uma certa “imponência” e orgulho de que a empresa fabricava bons produtos.

Na década de 1990, a Mate Couro introduziu a garrafa PET em seu processo de engarrafamento, adaptando-se às tendências do setor. Nos mesmos moldes de parceria, com outras empresas do setor, a Mate Couro efetuou, em 2008 a inclusão da produção e distribuição da RC Cola (Royal Crown Cola) para o mercado mineiro. A Royal é uma marca clássica de refrigerante de cola, criada nos EUA em 1905 por Claud A. Hatcher.

 O Mate Couro Hoje: Um Clássico de Minas

A Mate Couro S/A continua sediada em Belo Horizonte e dedica grande parte de sua produção ao mercado de Minas Gerais, mantendo-se como uma das mais tradicionais indústrias de bebidas não alcoólicas do estado. Além do seu refrigerante carro-chefe, a empresa diversificou sua linha de produtos, oferecendo outros sabores de refrigerantes, incluindo refrigerante zero, e a água mineral Mate Couro.

O refrigerante perdura como um símbolo de Minas Gerais, um sabor que resistiu ao tempo e às mudanças de mercado, graças à sua fórmula original e à dedicação das famílias que conduziram seu legado. Atualmente, a fábrica está com seus 75 anos, mantendo a sua tradição e juventude.

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sábado, 15 de novembro de 2025

Refrigerante Mineirinho

 


Guaraná Mineirinho: A História do Sabor de Ubá que se transformou em uma lenda

Ubá recebeu diversos imigrantes no final século XIX, sobretudo famílias italianas para trabalhar na lavoura. Entre os pioneiros que iniciaram como agricultores e se tornaram empresários de destaque, está a família Fusaro. Luigi (Luiz) Fusaro, nascido em 1843 em Treviso, Veneto, desembarcou em Ubá em 1888, acompanhado da esposa Maria Piziolo Fusaro (1848) e dos sete filhos: Ângela, Sebastiano, Antonio, Ângelo, Giusepina, Giuseppe e Antonia.

Luigi começou como meeiro em fazendas de café. Com esforço e economia, acumulou recursos e migrou para a cidade, onde abriu uma padaria. O negócio prosperou e, logo, foi ampliado com um armazém de mantimentos. Em 1901, Luigi passou a administração ao filho Antônio, nascido em 1873 e casado com Maria Aspasia Cavaliere Fusaro, originária de Torre Orsaia, Campania.

Em 1907, já ostentando o título de Major — prática comum na época —, Antônio associou-se a Joseph Codo e transformou o armazém em uma empresa de atacado e varejo: Sociedade Antônio Fusaro & Cia. O empreendimento cresceu rapidamente, tornando-se o maior estabelecimento comercial de Ubá. Localizado ao lado da Praça Guido Marlièr, ocupava todo um quarteirão da Rua XV de Novembro, entre a Rua São José e a Avenida Cristiano Roças, com frente também para esta última.

A empresa vendia produtos de quase todos os gêneros e expandiu suas atividades para a indústria: fábrica de massas de nome Macarrão Santa Isabel, confecção de roupas, posto de gasolina e até uma casa bancária, que impulsionou o comércio e a indústria locais. Paralelamente, surgiram outras iniciativas: moinhos, torrefação de café, beneficiamento de cereais e uma fábrica de bebidas, que além de produzir aguardentes, Anis, Genebra, Xaropes e refrescos, continha a famosa Cervejaria Econômica. Esse conjunto de empreendimentos marcou uma era de prosperidade e inovação para Ubá.

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Na década de 1940, o químico Eugenio Auvray, foi o responsável em desenvolver a fórmula de um refrigerante sob a tutela da firma Antônio Fusaro & Cia. Criado com um toque único de chapéu-de-couro — uma erva tipicamente brasileira —, ele rapidamente conquistou os paladares locais, com o nome de Mineiro, que popularmente ficou conhecido por Mineirinho. (Há um segundo refrigerante em Ubá, de nome Abacatinho.) 


Em 1946, a empresa mudou-se para o Ponto Cem Réis, em Niterói, no Estado do Rio de Janeiro. A Sociedade de Refrigerantes Fusaro funcionava à Rua Padre Augusto Lamego, 70, no Bairro São Lourenço. Em 1949, a Empresa alterou a sua Razão social, passando a ser reconhecido como Sociedade Industrial de Refrigerantes Flexa.

Na década de 1970, o empresário Hermógenes Ladeira tentou colocar o refrigerante na capital de Minas Gerais, por meio da Cia. Alterosa de Cervejas, porém sem sucesso. Seu refrigerante, o Guaraná Alterosa firmou-se, com uma embalagem de 1 litro, na cor ambar, silkada, sendo considerada o primeiro refrigerante "família" do Brasil.

Em 1978, devido à grande sensação do produto no mercado Fluminense, tornou-se necessária a expansão da fábrica. O parque industrial foi transferido para uma área de 24000 m², em São Gonçalo, a rua Clóvis Beviláqua, 285, Em Santa Catarina. Atualmente é dominada indústria de bebidas Flexa Limitada.

Dentro do mercado de bebidas mais especificamente de refrescos, o Mineirinho foi um dos primeiros refrigerantes vendidos em embalagem PET, em 1989 — antes mesmo da Coca-Cola, que só adotou o modelo em 1991. E, apesar das propriedades medicinais da erva, a marca nunca se vendeu como remédio: é refrigerante, puro e simples, sem sódio e feito de forma tradicional.

Em 2024, os refrigerantes da marca Mineirinho, apareceram em Belo Horizonte, mais precisamente na rede de supermercados Villefort, em garrafas pet e em latas, nas versões tradicional e refrigerantes zero. Espero que venha outras marcas lendárias de refrescos gasosos de Minas para BH, o Guaranita, o Artemis, o Mate Couro e o saudoso Gato Preto.

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Fontes: Cédula propaganda do Brasil - Antonio Fusaro e Cia - Bebam Mineirinho - Bebida Ideal - Com valor de 200 no reverso

Página Inicial | Mineirinho

Cervisia Filia: A História das Antigas Cervejarias: Antonio Fusaro & Cia / Cervejaria Econômica

Fotos: Redes Sociais.



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