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quarta-feira, 15 de julho de 2026

Bamba Refri de Fibra

 
Arturo Isola Entra No Mundo dos Refrigerantes Com Proposta Ousada

O empresário italiano Arturo Isola, amplamente conhecido por fundar o premiado gin premium Amázzoni (Lê-se também Pernod Ricard), está liderando uma nova e ambiciosa empreitada. Ele acaba de lançar a Bamba, uma marca inovadora de refrigerantes funcionais e saudáveis projetada para transformar o mercado brasileiro de bebidas.

Apoiam a iniciativa investidores experientes do setor de alimentação e bebidas, com destaque para Edoardo Tonolli, o criador da conceituada rede de sorveterias Bacio di Latte.

A proposta inicial da Bamba é preencher uma lacuna entre o prazer dos refrigerantes tradicionais e os benefícios nutricionais das bebidas funcionais. O portfólio de estreia da marca traz três sabores sofisticados em lata. O primeiro, sabor Guaraná, possui uma versão adaptada para o consumidor moderno, com uma fórmula que traz baixo teor de açúcar se comparada às marcas tradicionais do mercado. O segundo, tradicional sabor Cola, trata-se de uma releitura inovadora do sabor mais famoso do mundo, elaborada de forma totalmente natural a partir de capim-limão e gengibre, sendo 100% livre de cafeína. Por fim, o Açaí, sabor tipicamente brasileiro, focado em entregar propriedades energéticas e antioxidantes de maneira leve e refrescante.

Para furar a bolha das grandes corporações de bebidas, Isola e seu time desenharam uma estratégia mercadológica que mistura marketing analógico "retrô" com tecnologia de ponta:        

 [Marketing Analógico] ── Uso de carros de som, panfletos e aviões com faixa.

 [Processo Seletivo]   ── IA interage e entrevista candidatos a embaixadores.

 [Logística Híbrida]   ── Vendas diretas por e-commerce e PDVs selecionados.

A marca chamou a atenção ao utilizar táticas clássicas de rua para o seu lançamento, como carros de som, anúncios classificados e aviões puxando faixas em praias. A ação de marketing "Contrata-se Bambas" reuniu campanhas de ativação enviaram kits sem rótulo para influenciadores digitais e formadores de opinião no Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte.

O processo seletivo para escolher os embaixadores da marca de refrigerantes é conduzido de forma inovadora por um chatbot de Inteligência Artificial personalizado. A distribuição do produto será híbrida: com vendas diretas pelo e-commerce da empresa e no varejo físico, com o foco inicial que se concentrará na região Sudeste. As latas são posicionadas em canais focados em bem-estar e estilo de vida moderno, como cafeterias, hotéis boutique, universidades e academias de alto padrão.

Afinal, o Que Arturo Isola pretende com isso? Após revolucionar o setor de destilados com o gin Amázzoni, Isola busca atingir objetivos claros com a criação da Bamba: alcançar 1 milhão de unidades vendidas. A meta explícita para o primeiro ano de operação é romper a barreira de 1 milhão de latas comercializadas, no Brasil. Ainda, o empresário busca atrair o público jovem e adulto que gosta de refrigerante, mas que busca reduzir drasticamente o consumo de açúcares, sódio e componentes artificiais nocivos à saúde. 

Por acreditar  que é possível redefinir a categoria, caberá ao empresário provar que o refrigerante não precisa ser o vilão da dieta, criando uma subcategoria viável e lucrativa de "refrigerantes limpos" no ecossistema de bebidas nacional.

 Foto: Valor/Divulgação.


sexta-feira, 15 de maio de 2026

Cajuína São Geraldo

 


O Sabor Sagrado do Nordeste: A Trajetória da Cajuína São Geraldo

O refrigerante regional São Geraldo foi oficialmente fundado em 1976, com a criação da razão social Cajuína São Geraldo Ltda., em Juazeiro do Norte, no Ceará. A marca que comemora seus 50 anos agora em 2026, teve suas origens na década de 1950 sob o comando de José Amâncio de Souza, transformando uma pequena produção de bebidas artesanais no maior fenômeno de fidelidade de consumo da região. Hoje, a bebida é considerada uma verdadeira lovemark nacional, transportando a essência da cultura nordestina para o Brasil.

A Origem e o Fundador: Da Vaselina ao Suco de Caju

Na década de 1950, Juazeiro do Norte abrigava uma pequena fábrica voltada à manipulação de produtos diversos, como perfumaria, vaselina e vinhos alcoólicos à base de frutas locais (como jenipapo e jurubeba). O estabelecimento pertencia ao comerciante Luciano Teófilo de Melo. O rumo do negócio mudou quando José Amâncio de Souza ingressou na firma como funcionário. Demonstrando forte tino comercial e conquistando a confiança do proprietário, José Amâncio adquiriu o empreendimento apenas dois anos depois. O nome "São Geraldo" foi escolhido em homenagem ao santo italiano, fruto da profunda devoção religiosa da mãe do novo proprietário.

A Criação da Fórmula: O Segredo do Fruto

Originalmente, o caju era utilizado na fábrica apenas para dar sabor aos vinhos e licores artesanais. Na década de 1960, José Amâncio identificou o potencial desperdiçado da fruta abundante no Cariri cearense. Ele iniciou testes para desenvolver uma bebida não alcoólica, gasosa erefrescante.Matéria-prima Direta: Diferente dos refrigerantes tradicionais de uva ou laranja que utilizam apenas aromas artificiais, a fórmula da São Geraldo incluiu o suco natural da fruta.

Foram necessários vários anos de ajustes na proporção de açúcar, gaseificação e extrato para chegar ao balanço perfeito: uma bebida doce, encorpada, levemente ácida e com a cor dourada característica da cajuína tradicional. Para expandir a receita e industrializar o processo, o fundador trouxe seus irmãos, Francisco de Souza e Tarcila Sousa, para a sociedade, oficializando a marca em 1976.


O refrigerante São Geraldo conquistou o público inicialmente pelo forte vínculo com a comunidade local. Durante décadas, os próprios moradores da região colhiam os cajus e os transportavam em carroças ou balaios na cabeça até as portas da fábrica, criando uma cadeia produtiva totalmente integrada ao Cariri. A bebida deixou de ser apenas um produto comercial para se transformar em um símbolo de identidade e nostalgia. O consumidor nordestino passou a associar o refrigerante local ao almoço de domingo, às festas juninas e ao sentimento de pertencimento à sua terra natal.

A fábrica da Cajuína São Geraldo modernizou sua distribuição para além das fronteiras do Ceará. A marca oferece a versão do refrigerante tradicional, embalagens em lata personalizadas e a versão Zero Açúcar, desenvolvida após cinco anos de testes sensoriais para manter o mesmo gosto marcante do fruto. Com a introdução de novos canais de distribuição, o refrigerante é exportado espontaneamente por turistas e distribuído formalmente para grandes capitais fora do Nordeste, impulsionado por um público fiel que faz propaganda voluntária da marca.

Parabéns pelos 50 anos de fundação e sucesso pleno em sua jornada.





sexta-feira, 8 de maio de 2026

Pepsi Football Nation

 

Pepsi Football Nation: Como dominar o campo sem ser o dono da bola

Por Redação Ave Cesar Co.

No mundo do marketing esportivo, nem sempre é preciso ser o patrocinador oficial de um torneio para ser o protagonista da conversa. A Pepsi acaba de provar isso com o lançamento da "Pepsi Football Nation", uma plataforma global que escala ninguém menos que David Beckham para liderar uma "revolução" no modo como vivemos o futebol.

Estrelando Beckham ao lado de ícones como Vini Jr., Mohamed Salah e a campeã mundial Alexia Putellas, (faltou Ronaldinho Gaúcho?) a campanha utiliza o humor para celebrar a cultura que pulsa fora das quatro linhas. O conceito central é o "Manual do Torcedor", onde os fãs são convidados a criar as leis de uma nova nação. Entre as "regras" que já viralizaram, destaca-se a Regra nº 1, que decreta: é "Football", não "Soccer". Para garantir que a lei seja cumprida, a marca lançou até uma extensão de navegador que substitui automaticamente o termo americano em qualquer site.

Estratégia de Guerrilha: O Drible na FIFA

A criação da "Pepsi Football Nation" não é apenas um exercício de criatividade, mas uma manobra estratégica de mestre (correndo por fora do campo). Como a fábrica de refrigerantes não detém os direitos de patrocínio da Copa do Mundo FIFA — território ocupado por sua principal rival, a Coca-Cola, a marca aposta no marketing de guerrilha no ambiente do futebol. A estratégia busca dominar a conversa cultural focando no comportamento do torcedor.

Sem poder citar o nome oficial do evento, a Pepsi utiliza o peso de suas celebridades para garantir alcance global, conectando-se à paixão que persiste nos fóruns do Reddit, nas redes sociais e nos rituais de dia de jogo, onde a marca de entretenimento se sente em casa.

Para garantir que a campanha não fique apenas nos comerciais de TV, a Pepsi desenhou uma série de ativações digitais focadas em interatividade e personalização: Customização no Reddit, nesse sentido, a marca criou espaços exclusivos em comunidades de futebol para que os fãs votem e sugiram novas regras para o "Manual", transformando a campanha em um documento vivo.


Filtros de Realidade Aumentada (AR): No Instagram e TikTok, torcedores podem usar filtros interativos para simular o "clima de estádio" em qualquer lugar, compartilhando suas próprias superstições e rituais.

Conteúdo "Behind the Scenes": Através de QR codes nas latas, o público ganha acesso a vídeos exclusivos de Beckham e Salah discutindo suas próprias manias de jogo, humanizando os astros e gerando dados valiosos de consumo. O tom é leve e irreverente, reforçando o posicionamento da Pepsi como uma marca que não apenas assiste ao jogo, mas vive a cultura pop do esporte junto com o fã.

Será que outras marcas farão o mesmo? A Heineken, por exemplo, jogará por fora da linha contra a Budweiser? É algo a se pensar.


quarta-feira, 6 de maio de 2026

Three Cents Soda

Three Cents: A Revolução Grega que Elevou o Nível da Coquetelaria Mundial

Se você frequenta os melhores bares de coquetelaria ou gosta de preparar seus próprios drinks em casa, provavelmente já se deparou com uma garrafa de design retrô e cores vibrantes chamada Three Cents. Mas o que faz dessa marca grega a nova "queridinha" de bartenders ao redor do globo?

Nascida em 2014, a Three Cents não surgiu em uma sala de reuniões corporativa, mas sim atrás do balcão. Quatro bartenders gregos — George Bagos, Dimitris Dafopoulos, George Tsirikos e Vassilis Kalantzis — sentiam falta de mixers que não perdessem a carbonatação rapidamente e que tivessem sabores naturais e autênticos. O resultado foi uma linha de sodas premium que mudou a forma como encaramos bebidas mistas.

O Resgate dos "Três Centavos"

O nome é uma aula de história líquida. Durante a Grande Depressão nos EUA, as famosas soda fountains (refrigerantes) vendiam água com gás pura por dois centavos (Two Cents Plain). Quem podia gastar um pouco mais — exatos três centavos — recebia a água com a adição de um xarope saborizado.

Afinal, por que ela é diferente? Enquanto refrigerantes comuns focam no açúcar, a Three Cents foca na ciência das bolhas. As bebidas são engarrafadas com uma carbonatação muito superior à média, garantindo que o drink permaneça efervescente até o último gole, com ingredientes reais, ou seja, nada de aromas artificiais. Na Pink Grapefruit Soda, por exemplo, você sente o óleo essencial da casca da toranja fresca, isso com zero conservantes, de forma a traduzir em um produto limpo, feito para respeitar o destilado com o qual será misturado.

O Fenômeno da Paloma


Se hoje a Paloma (tequila, limão e soda de grapefruit) é um dos drinks mais pedidos do mundo, muito se deve à Three Cents. Sua Pink Grapefruit Soda foi eleita por especialistas como o mixer definitivo para este clássico, equilibrando o amargor cítrico com a doçura exata. Além dela, a marca oferece joias como a Aegean Tonic (com toques de pepino e ervas do Mediterrâneo) e a Ginger Beer, que traz o picante natural do gengibre fermentado, ideal para um Moscow Mule de respeito.


Veredito Ave Cesar: para nós, que valorizamos a excelência em cada gole — seja na cerveja ou nos destilados — a chegada e consolidação da Three Cents prova que os detalhes fazem toda a diferença e movem tendências. Se o objetivo é um drink com frescor intenso e sabor de verdade, o investimento nesses "três centavos" vale cada gota. Imagino esse refrigerante com os insumos especiais da Monin. Devem ficar excelentes e curiosos de se tormar. Atualmente a marca pertence a Coca-Cola.

Cheers!

Foto: Coca-Cola (https://ch.coca-colahellenic.com/en/media/news-and-stories/brands-and-products/2024-the-year-of-three-cents#carousel-76aa62c246-item-939fcfd88f-tabpanel)


segunda-feira, 2 de março de 2026

Coca-Cola Triple Z

 

CocaCola Triple Z: a nova aposta “três vezes zero” da marca

A CocaCola iniciou 2026 apresentando ao mercado europeu sua mais nova inovação em refrigerantes: a CocaCola Triple Z, uma versão que combina zero açúcar, zero cafeína e zero calorias, ampliando a linha de produtos ultraleves da marca. A proposta do refrigerante é oferecer uma alternativa ainda mais alinhada às tendências de consumo focadas em saúde, bem-estar e atenção aos rótulos características que têm guiado as escolhas de muitos consumidores nos últimos anos.

O refrigerante Triple Z mantém a busca pelo sabor clássico, mas com uma formulação que elimina tanto o açúcar quanto a cafeína, diferenciando-se das versões Zero e Zero Açúcar  já conhecidas. A retirada da cafeína, em especial, atende a quem evita estimulantes por questões de sono, sensibilidade ou recomendações médicas.

Visualmente, a bebida aposta em um design minimalista (lembrou o YoYo Russell da marca), seguindo a estética premium que a CocaCola vem adotando em lançamentos especiais. Ela começou a circular em mercados selecionados da Europa, e sua expansão global dependerá da aceitação do público nesses mercados iniciais estratégia comum da companhia em testes regionais. Até o momento, não há previsão oficial para chegada ao Brasil, embora o interesse dos consumidores sugira potencial futura expansão.

Em síntese, o refrigerante CocaCola Triple Z representa o esforço contínuo da marca em se adaptar às novas demandas do mercado, oferecendo uma opção com o mínimo impacto calórico possível, sem abrir mão do ritual de consumo que acompanha o refrigerante há décadas. É uma resposta clara ao movimento global por produtos mais leves, funcionais e adequados a rotinas contemporâneas.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Gelopar

 WhiteCast entrevista um acelerador da Gelopar

Conhece as geladeiras e cervejeiras da Gelopar? O apelido "Gelopar" faz referência à marca de equipamentos de refrigeração (Gelopar Refrigeração Paranaense), que é uma das principais fabricantes do segmento no Brasil, fundada por Gerci Volpato em 1972.


O empresário Paulo Alves de Oliveira, mais conhecido como Paulinho Gelopar é uma lenda viva do setor de refrigeração. Referência, Paulinho compartilhou a sua trajetória no mercado, iniciando com a venda de balanças Filizola. Desde os desafios do início até a consolidação de seu nome e sua marca, contribuiu diretamente para o crescimento de milhares de empreendedores do segmento de bebidas, por meio da Vitoryan Equipamentos.

Veja que bacana o vídeo. Vale a pena assistir.


terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Refrigerante Mate Couro

 Pode ser uma imagem de texto que diz "Onde tudo começou... FABRICA MateCuro Couro AVENIDA DO CONTORNO AVENIDADOCONTORN010655 10655• አለሎቅ Mate Couro"

Mate Couro: o refrigerante da Capital de Minas

Não existe festinhas de aniversário ou até comemorações da firma, sem o refrigerante Mate-Couro. A bebida é orgulho dos mineiros, sobretudo aqueles que moram na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Na minha juventude, os refrigerantes eram envasados em uma garrafa verde, KS (King Size), em 290 ml e tamanho família em 1 litro. As garrafas anteriores eram transparentes, com um design próprio e modernista para a época.

O refrigerante Mate Couro é um verdadeiro ícone da cultura e do sabor mineiro, com uma história que remonta a meados do século XX. Sua trajetória é marcada pela tradição, pelo desenvolvimento da indústria de bebidas no estado de Minas Gerais e por parcerias estratégicas com gigantes do setor. Sua marca evoluiu ao longo dos anos, seguindo como outros refrigerantes mineiros que ainda atuam no mercado, como o Mineirinho, o Guaranita e o Guaraná Artemis.


Logotipo

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A história do Mate Couro começa em 12 de setembro de 1947, na antiga sede da Coca-Cola, na Avenida do Contorno 10.731 (depois 10.655), no Barro Preto, em Belo Horizonte, Minas Gerais. A região do Barro Preto se tratava de uma pequena área industrial com fabrica têxtil, confecções e outras fábricas de bebidas se encontravam lá, como a fábrica de Bebidas Paraguay. A ideia de criar uma bebida com um sabor original e diferente das existentes no mercado surgiu da iniciativa de seis amigos mineiros, entre eles um farmacêutico. O objetivo era desenvolver um refrigerante saboroso a partir de extratos vegetais.

O nome "Mate Couro" é derivado dos seus ingredientes principais: a erva-mate e a folha de chapéu-de-couro, com a adição de semente de guaraná, resultando em um sabor inconfundível que rapidamente conquistou os consumidores.

Os Fundadores e a Trajetória Empresarial

Embora o início tenha sido com um grupo de seis amigos, o controle da Mate Couro S/A passou, ao longo das décadas, por diferentes gestões familiares que impulsionaram seu crescimento.

PackShot retrô Mate Couro | Blog do Fred Vianna – Fotógrafo em bh –

Duas figuras ligadas à história da empresa são Arthur Eduardo Savassi Biagioni e Rodrigo Savassi Biagioni, que esteve associado aos Refrigerantes Mate Couro, ajudando a consolidar a marca no mercado mineiro. (A família Savassi teve uma padaria de mesmo nome, que logo se transformou no Bairro Savassi, em uma região nobre da Capital mineira.) 

Atualmente, a gestão da marca é frequentemente associada à família Savassi, que tem sido responsável por manter a tradição do refrigerante e expandir a linha de produtos, garantindo que o clássico sabor de 1947 permaneça firme no mercado.

Crescimento e Parcerias Estratégicas

Com a consolidação da marca no mercado, a empresa Mate Couro S/A buscou expandir sua atuação e credibilidade através de importantes parcerias no cenário nacional e internacional. Entre os anos de 1955 e 1979 a empresa assinou um contrato de franquia com a Pepsico, passando a produzir e distribuir, além do seu refrigerante tradicional, as bebidas Pepsi-Cola e o refrigerante Mirinda.

Durante essa jornada a fábrica teve que expandir as suas operações. Para tanto, em 1972, o crescimento contínuo do negócio exigiu um novo investimento: a construção da atual fábrica da empresa, em uma área de 52 mil metros quadrados, na Rua Nínive, 640, no bairro São Salvador (também conhecido por bairro Glória). Há uma entrada pela Rua Jerusalém. A empresa é cercada por uma área bastante arborizoda.

De 1979 a 2003, a credibilidade da empresa possibilitou a assinatura de um contrato de franquia com a Companhia Antarctica Paulista. Nesse período, além do Mate Couro, a empresa engarrafou a linha completa de refrigerantes Antarctica. Lembro-me claramente de escutar que o famoso Guaraná Antarctica era feito na sede do Mate Couro, o que para os mineiros demonstravam uma certa “imponência” e orgulho de que a empresa fabricava bons produtos.

Na década de 1990, a Mate Couro introduziu a garrafa PET em seu processo de engarrafamento, adaptando-se às tendências do setor. Nos mesmos moldes de parceria, com outras empresas do setor, a Mate Couro efetuou, em 2008 a inclusão da produção e distribuição da RC Cola (Royal Crown Cola) para o mercado mineiro. A Royal é uma marca clássica de refrigerante de cola, criada nos EUA em 1905 por Claud A. Hatcher.

 O Mate Couro Hoje: Um Clássico de Minas

A Mate Couro S/A continua sediada em Belo Horizonte e dedica grande parte de sua produção ao mercado de Minas Gerais, mantendo-se como uma das mais tradicionais indústrias de bebidas não alcoólicas do estado. Além do seu refrigerante carro-chefe, a empresa diversificou sua linha de produtos, oferecendo outros sabores de refrigerantes, incluindo refrigerante zero, e a água mineral Mate Couro.

O refrigerante perdura como um símbolo de Minas Gerais, um sabor que resistiu ao tempo e às mudanças de mercado, graças à sua fórmula original e à dedicação das famílias que conduziram seu legado. Atualmente, a fábrica está com seus 75 anos, mantendo a sua tradição e juventude.

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segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Kombucha

 

 Kombucha: o novo refrigerante do futuro?

Nos últimos anos, a kombucha deixou de ser um nicho restrito a consumidores “naturebas” para se firmar como uma bebida mainstream e funcional, (seria um refrigerante?) — especialmente entre Millennials e a Geração Z. O mercado brasileiro tem se destacado por seu crescimento acelerado: Veja os dados a seguir:

  • Expansão de até 923% na produção nacional entre 2019 e 2025, com 249 fabricantes registrados no MAPA até setembro de 2025;
  • Aumento de cerca de 900% na demanda nos últimos anos, com o setor avaliado em US $ 100 milhões em 2024 e projeção de alcançar US$ 182 milhões até 2030, com CAGR de ~10,6%;
  • Em 2025, o mercado global já atingia US $ 3,25 bilhões, sendo que o Brasil representa cerca de 2,3% — a América Latina começa a se consolidar como força significativa;
  • Hoje, cerca de 270 marcas atuam no país, com presença firme em supermercados, e-commerce e lojas de produtos naturais.

Esse boom se deve à mudança de perfil dos consumidores brasileiros, cada vez mais exigentes com saúde e bem-estar, buscando bebidas funcionais que ofereçam sabor, praticidade e apelo sustentável. Embalagens modernas como latas e Tetra Pak, além de regulamentações mais claras (IN nº 41/2019 do MAPA), aceleraram a profissionalização do setor a partir de 2023.

A kombucha, originalmente associada a chás fermentados probióticos, tem se reinventado com versões artesanais e industrializadas — ganhando espaço em supermercados, bares e academias. Essa transição reforça o seu poder de se tornar a “refrigerante saudável” do futuro — leve, saborosa e funcional. 

Conheci o Kombucha, por meio de José Felipe Pedras Carneiro, um dos fundadores da K-Happy. Ele foi pioneiro em trazer a bebida ao mercado mineiro, por meio de experiências que ele e sua família tiveram com essa bebida, nos Estados Unidos. Atualmente, fabricam sabores incríveis em versões com ou sem álcool.

Abaixo algumas fábricas e produtos encontrados em Minas Gerais, que vem participando ativamente da expansão deste mercado:



  O que é o Kombucha

Trata-se de um chá adoçado fermentado com uma cultura simbiótica de bactérias e leveduras (SCOBY), originário da Manchúria, na China, por volta de 220 a.C.

Benefícios nutricionais

Produz ácidos orgânicos (lático, acético, glucurônico, málico), vitaminas (especialmente B e C), enzimas, probióticos (Lactobacillus, Bifidobacterium) e polifenóis. 

Estudos sugerem efeitos antioxidantes, hepatoprotetores, antimicrobianos, anticâncer, anticolesterolêmicos, antidiabéticos e gastroprotetores. Pode auxiliar na imunidade, equilíbrio da microbiota, desintoxicação hepática e proteção contra radicais livres. Nota-se, porém, que grande parte das evidências vem de estudos em animais e in vitro.


Conheça mais sobre a história do José Felipe, da LowKa, sobre investir no mercado de Kombuchas.




Foto: site Lowka.

sábado, 15 de novembro de 2025

Refrigerante Mineirinho

 


Guaraná Mineirinho: A História do Sabor de Ubá que se transformou em uma lenda

Ubá recebeu diversos imigrantes no final século XIX, sobretudo famílias italianas para trabalhar na lavoura. Entre os pioneiros que iniciaram como agricultores e se tornaram empresários de destaque, está a família Fusaro. Luigi (Luiz) Fusaro, nascido em 1843 em Treviso, Veneto, desembarcou em Ubá em 1888, acompanhado da esposa Maria Piziolo Fusaro (1848) e dos sete filhos: Ângela, Sebastiano, Antonio, Ângelo, Giusepina, Giuseppe e Antonia.

Luigi começou como meeiro em fazendas de café. Com esforço e economia, acumulou recursos e migrou para a cidade, onde abriu uma padaria. O negócio prosperou e, logo, foi ampliado com um armazém de mantimentos. Em 1901, Luigi passou a administração ao filho Antônio, nascido em 1873 e casado com Maria Aspasia Cavaliere Fusaro, originária de Torre Orsaia, Campania.

Em 1907, já ostentando o título de Major — prática comum na época —, Antônio associou-se a Joseph Codo e transformou o armazém em uma empresa de atacado e varejo: Sociedade Antônio Fusaro & Cia. O empreendimento cresceu rapidamente, tornando-se o maior estabelecimento comercial de Ubá. Localizado ao lado da Praça Guido Marlièr, ocupava todo um quarteirão da Rua XV de Novembro, entre a Rua São José e a Avenida Cristiano Roças, com frente também para esta última.

A empresa vendia produtos de quase todos os gêneros e expandiu suas atividades para a indústria: fábrica de massas de nome Macarrão Santa Isabel, confecção de roupas, posto de gasolina e até uma casa bancária, que impulsionou o comércio e a indústria locais. Paralelamente, surgiram outras iniciativas: moinhos, torrefação de café, beneficiamento de cereais e uma fábrica de bebidas, que além de produzir aguardentes, Anis, Genebra, Xaropes e refrescos, continha a famosa Cervejaria Econômica. Esse conjunto de empreendimentos marcou uma era de prosperidade e inovação para Ubá.

Texto

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Na década de 1940, o químico Eugenio Auvray, foi o responsável em desenvolver a fórmula de um refrigerante sob a tutela da firma Antônio Fusaro & Cia. Criado com um toque único de chapéu-de-couro — uma erva tipicamente brasileira —, ele rapidamente conquistou os paladares locais, com o nome de Mineiro, que popularmente ficou conhecido por Mineirinho. (Há um segundo refrigerante em Ubá, de nome Abacatinho.) 


Em 1946, a empresa mudou-se para o Ponto Cem Réis, em Niterói, no Estado do Rio de Janeiro. A Sociedade de Refrigerantes Fusaro funcionava à Rua Padre Augusto Lamego, 70, no Bairro São Lourenço. Em 1949, a Empresa alterou a sua Razão social, passando a ser reconhecido como Sociedade Industrial de Refrigerantes Flexa.

Na década de 1970, o empresário Hermógenes Ladeira tentou colocar o refrigerante na capital de Minas Gerais, por meio da Cia. Alterosa de Cervejas, porém sem sucesso. Seu refrigerante, o Guaraná Alterosa firmou-se, com uma embalagem de 1 litro, na cor ambar, silkada, sendo considerada o primeiro refrigerante "família" do Brasil.

Em 1978, devido à grande sensação do produto no mercado Fluminense, tornou-se necessária a expansão da fábrica. O parque industrial foi transferido para uma área de 24000 m², em São Gonçalo, a rua Clóvis Beviláqua, 285, Em Santa Catarina. Atualmente é dominada indústria de bebidas Flexa Limitada.

Dentro do mercado de bebidas mais especificamente de refrescos, o Mineirinho foi um dos primeiros refrigerantes vendidos em embalagem PET, em 1989 — antes mesmo da Coca-Cola, que só adotou o modelo em 1991. E, apesar das propriedades medicinais da erva, a marca nunca se vendeu como remédio: é refrigerante, puro e simples, sem sódio e feito de forma tradicional.

Em 2024, os refrigerantes da marca Mineirinho, apareceram em Belo Horizonte, mais precisamente na rede de supermercados Villefort, em garrafas pet e em latas, nas versões tradicional e refrigerantes zero. Espero que venha outras marcas lendárias de refrescos gasosos de Minas para BH, o Guaranita, o Artemis, o Mate Couro e o saudoso Gato Preto.

Texto, Carta

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Fontes: Cédula propaganda do Brasil - Antonio Fusaro e Cia - Bebam Mineirinho - Bebida Ideal - Com valor de 200 no reverso

Página Inicial | Mineirinho

Cervisia Filia: A História das Antigas Cervejarias: Antonio Fusaro & Cia / Cervejaria Econômica

Fotos: Redes Sociais.



segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Refrigerantes Zero

Uma imagem contendo no interior, mesa, comida, metal

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Refrigerantes “zero” estão associados a maior risco de gordura no fígado, aponta estudo

Uma pesquisa realizada com mais de 123 mil participantes revelou que o consumo de refrigerantes em versões diet ou “zero” pode aumentar significativamente o risco de desenvolver doença hepática gordurosa — mais até do que as bebidas adoçadas com açúcar.

O estudo, conduzido ao longo de aproximadamente 10 anos com dados do UK Biobank, acompanhou pessoas sem histórico de doenças hepáticas. Os pesquisadores analisaram o consumo de dois tipos de bebidas: aquelas adoçadas com açúcar e as adoçadas artificialmente.

Os resultados foram contundentes: indivíduos que consumiam mais de 250 gramas de adoçantes artificiais por dia — o equivalente a uma lata de refrigerante — apresentaram um risco 60% maior de desenvolver doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica. Essa condição pode evoluir para quadros graves, como cirrose e câncer de fígado.

Já entre os consumidores de bebidas açucaradas, o aumento no risco foi de cerca de 50%. Ao longo do estudo, 1.178 participantes desenvolveram a doença e 108 morreram por causas relacionadas ao fígado.

Um dado que chamou atenção foi que apenas as bebidas diet mostraram associação com mortes por doenças hepáticas, surpreendendo os pesquisadores. As análises também indicaram que ambos os tipos de bebida contribuíram para o acúmulo de gordura no fígado.

Simulações realizadas pelos cientistas mostraram que substituir refrigerantes por água reduziu o risco de desenvolver a doença hepática em 12,8% no caso das bebidas açucaradas e em 15,2% no caso das versões diet. No entanto, trocar uma pela outra não apresentou nenhum benefício significativo.

 Os autores do estudo destacam que os adoçantes artificiais podem afetar mecanismos metabólicos e alterar o equilíbrio da microbiota intestinal, o que ajuda a explicar seus potenciais efeitos nocivos, mesmo na ausência de açúcar.

“Esses achados desafiam a percepção de que as versões ‘sem açúcar’ são automaticamente mais seguras. É necessário cautela e mais estudos para compreender os efeitos metabólicos dos adoçantes artificiais”, concluem os pesquisadores. O mercado deve ficar atento aos estudos.

Fonte: Refrigerantes "zero" aumentam risco de gordura no fígado, diz estudo

Diet and sugary drinks raise risk of common liver disease by up to 60%, study finds | CNN


sábado, 19 de julho de 2025

Mercado de Bebidas 2025

O Futuro das Bebidas pós 2025, segundo os CEOs do Setor

por Alexander Puutio, da Forbes Agro

Crescimento, reposicionamento e disputas por espaço indicam uma reconfiguração profunda do mercado global

Você pode levar um homem até a água, mas não pode obrigá-lo a bebê-la, a menos que ela tenha a marca certa, os nutrientes ativos adequados, nootrópicos e, claro, que seja sem glúten, ao que tudo indica.

A indústria de bebidas passou por uma verdadeira revolução na última década, deixando de ser um espaço dominado por gigantes tradicionais como Coca-Cola e Pepsi para se tornar um setor onde novos entrantes estão redesenhando o que os consumidores esperam em termos de sabor e refrescância.

Antes, bastava adicionar essência industrial de cereja a uma bebida ou criar uma versão de pepino gelado para o público japonês para isso ser considerado inovação. Com o passar dos anos, no entanto, cada novo SKU parecia menos uma inovação transformadora de categoria e mais uma obrigação ou artifício de marketing para manter a atenção dos consumidores presa na única esteira disponível no mercado. Hoje, o cenário não poderia ser mais diferente.

Marcas como Liquid Death, Olipop e Poppi trouxeram cor às prateleiras e provaram que os consumidores estão dispostos a experimentar algo diferente das variações tradicionais do refrigerante, criando marcas bilionárias nesse processo. O resultado é um corredor de bebidas quase irreconhecível em comparação com uma década atrás.

Marcas consolidadas agora disputam espaço nas gôndolas com bebidas funcionais, alternativas ao álcool e formulações voltadas ao bem-estar — categorias que não existiam há poucos anos e outras para as quais sequer temos um nome atualmente.

Por que as bebidas não alcoólicas estão dominando as tendências de 2025

Durante anos, o segmento não alcoólico foi visto como secundário — quando não como um incômodo completo — para os bartenders ao redor do mundo.

 Se você não bebia álcool, suas opções no bar se limitavam a água, refrigerante ou algo ainda mais sem graça — uma versão inferior do “produto real”, aquele que tinha coragem de vir com um sinal de porcentagem no rótulo.

 Isso mudou. E mudou muito. Sejam cervejas artesanais sem álcool ou águas gaseificadas com lúpulo, a categoria não apenas chegou como também prospera de forma que muitos não teriam previsto há uma década — época em que ainda debatíamos se as cervejas light iriam ou não vingar.

Jordan Bass, CEO e cofundador da HOPWTR, acompanhou essa evolução de perto e teve papel ativo no crescimento da categoria até o patamar atual. Sua empresa vende água com gás infusionada com lúpulo que reproduz a refrescância da cerveja, mas sem o álcool. “80% dos consumidores querem funcionalidade em suas bebidas do dia a dia, e um número crescente quer o sabor sem se sentir pesado”, explica Bass.

Ele certamente não está errado sobre a direção do mercado. Segundo a Grand View Research, o setor deve crescer a uma taxa composta de 7,4% ao ano até 2030 — perto dos 9,3% projetados para as bebidas alcoólicas.

Tendências das gerações A e Z, como o movimento “sober curious” (curioso pela sobriedade), estão transformando o antigo “Janeiro seco” dos mais velhos em um estilo de vida — com alguns defendendo que estamos próximos de um ponto de virada que levará as bebidas alcoólicas ao mesmo destino do tabaco.

A visão de Bass pode ser influenciada por sua experiência direta, mas o fato de a empresa ter crescido com taxas de três dígitos nos últimos anos indica algo mais profundo. “Isso não é uma moda passageira. As pessoas querem variedade, e querem bebidas que façam algo por elas”, afirma Bass. A ascensão das bebidas não alcoólicas se deve a diversos fatores que ocorrem simultaneamente.

Embora os consumidores mais jovens estejam bebendo menos álcool, ainda valorizam as experiências sociais que as bebidas tradicionais proporcionam. O ritual de segurar um copo, os sabores complexos e a sensação de ocasião continuam essenciais — mesmo sem o álcool. A marca Liquid Death soube capitalizar isso com maestria em seu branding e posicionamento.

Ao mesmo tempo, tendências de bem-estar continuam impulsionando os consumidores em direção a produtos com benefícios funcionais, como adaptógenos, eletrólitos, botânicos e nootrópicos voltados à cognição, saúde intestinal e outros objetivos.

A demanda não é apenas por substitutos aos refrigerantes tradicionais, mas por algo completamente diferente — algo melhor. Os consumidores estão buscando bebidas que promovam foco, relaxamento e bem-estar geral, sem abrir mão do clima e da sofisticação típicos das bebidas alcoólicas.

 “Não estamos vendo as pessoas apenas trocarem cerveja ou coquetéis por alternativas genéricas”, diz Bass. “Elas estão buscando bebidas que se encaixem no seu estilo de vida — seja para relaxar depois de um longo dia, melhorar a hidratação ou oferecer energia sem o efeito rebote.”

Essa mudança criou uma nova categoria de bebidas não alcoólicas, que inclui desde águas gaseificadas com lúpulo até destilados artesanais sem álcool. Também estão surgindo lojas especializadas em bebidas não alcoólicas, como a Minus Moonshine no bairro de Williamsburg, em Nova York.

A força com que essas tendências se impuseram obrigou as marcas tradicionais de bebidas alcoólicas a reverem suas estratégias — muitas já lançam versões sem álcool de cervejas, vinhos e coquetéis para acompanhar as novas preferências. O desafio, nesse cenário, é se destacar em um mercado cada vez mais saturado para as marcas consolidadas e para as que estão começando agora.

“O mercado de bebidas é extremamente competitivo”, diz Bass. “Você não compra espaço na prateleira, você conquista. Todos os dias, é preciso provar que você merece estar ali”, destacando a importância de performance e posicionamento. Bass acredita que o segmento não alcoólico pode representar entre 10% e 20% do mercado total de cerveja num futuro próximo. Seja nos próximos cinco anos ou um pouco mais adiante, a tendência é clara: o movimento da moderação está longe de desacelerar. E com isso vem uma mudança fundamental na forma como as pessoas se relacionam com as bebidas.

O futuro do vinho: inovação, vendas diretas e novos desafios

O crescimento rápido das bebidas não alcoólicas não significa que as categorias tradicionais de álcool estejam desaparecendo. O vinho, em particular, continua sendo uma força cultural e econômica, mas enfrenta desafios específicos — que vão de tarifas à queda na demanda.

Especialistas estimam que o mercado de vinhos teve queda de até 5% em volume em 2024, após um recuo de 3% em 2023. Há expectativa de estabilização, mas a pressão para que o setor se adapte e inove nunca foi tão intensa.

Roger Nabedian, ex-vice-presidente executivo e gerente-geral da E&J Gallo Winery, dedicou décadas à inovação no setor. Atualmente no conselho da DRINKS — fornecedora de soluções de e-commerce para produtores e varejistas de bebidas alcoólicas —, ele vê a indústria evoluindo conforme os comportamentos do consumidor mudam.

“Muita gente diz que é disruptiva, mas poucos realmente são”, afirma Nabedian. Um dos fatores que mais estão transformando o setor vinícola é a distribuição. Modelos de venda direta ao consumidor (DTC) estão ganhando força, especialmente com a perda de relevância dos canais de varejo tradicionais.

O modelo de distribuição em três camadas nos EUA — separando produtores, distribuidores e varejistas — é tradicional, mas apresenta obstáculos, sobretudo para pequenas vinícolas que querem ampliar o alcance. As regulamentações estaduais impõem barreiras, tornando o processo caro e burocrático.

Mesmo que haja demanda, nem sempre é claro como fazer o produto chegar ao cliente. “Se você não tem uma estratégia omnichannel, vai ser atropelado por quem tem”, afirma Zac Brandenberg, CEO da DRINKS.

Inovações tecnológicas também estão modernizando a viticultura. O uso de inteligência artificial (IA), por exemplo, tem possibilitado técnicas de agricultura de precisão que aumentam a eficiência e a sustentabilidade. Tratores autônomos com IA mapeiam vinhedos, processam dados e ajudam na tomada de decisões — reduzindo o consumo de combustível e o impacto ambiental. A tecnologia também está mudando a forma como o vinho é comercializado.

Empresas como a DRINKS usam IA para otimizar o modelo DTC, conectando consumidores a rótulos compatíveis com seus perfis e garantindo conformidade com regulamentações estaduais.

“A IA está ajudando as vinícolas a se tornarem mais inteligentes na forma de se comunicar com seus clientes”, diz Nabedian. “Estamos vendo mais personalização, preços dinâmicos e soluções automatizadas de compliance que eliminam as incertezas de vender em múltiplos estados.” Outro desafio importante é conquistar os consumidores mais jovens, que são menos fiéis às marcas que as gerações anteriores. É aí que os dados fazem a diferença.

“Dados estão revolucionando como conectamos pessoas aos vinhos que vão gostar. Dados são o novo sommelier”, diz Brandenberg. “Se você não os usa para entender seu cliente — o que ele quer, como compra, quais faixas de preço prefere — já está atrasado.”

E há ainda pressões externas. Novas tarifas sobre vinhos europeus, implementadas durante o governo Trump, trouxeram incertezas para importadores. Além disso, a ascensão da cannabis e de medicamentos para perda de peso com GLP-1 estão alterando os hábitos de consumo, com parte do público reduzindo a ingestão de álcool. 

Apesar (ou por causa) desses desafios, a inovação no setor do vinho está viva. Mais vinícolas estão testando viticultura sustentável, blends com menor teor alcoólico e formatos alternativos de embalagem, buscando atrair o consumidor moderno. O setor não está desaparecendo, ele está evoluindo em tempo real.

A ascensão das bebidas funcionais e da busca por saúde em 2025

Se há uma tendência que marcou a indústria de bebidas na última década, foi a de consumidores preocupados com saúde exigindo produtos melhores, às vezes, totalmente diferentes. Isso é especialmente visível no mercado de nootrópicos e bebidas funcionais, onde empresas como a Brez estão liderando uma nova onda de bebidas que estimulam a cognição.

Aaron Nosbisch, CEO da BRĒZ, observou uma mudança significativa nas preferências dos consumidores em direção a alternativas alcoólicas mais saudáveis — que entregam efeitos reais sem as consequências negativas do álcool tradicional. Ele enfatiza que uma marca genuína precisa destacar os benefícios concretos para a vida do consumidor. No caso da BRĒZ, isso significa mostrar que é possível “sentir-se incrível hoje sem se sentir mal amanhã”.

Nosbisch também destaca a importância do posicionamento positivo da marca. Segundo ele, não basta ser “anti” alguma coisa — como apenas ser “sem álcool”. É preciso comunicar o que o produto oferece de valor, focando no que ele é, e não no que não é. E o que ele é, segundo Nosbisch, é simples: bebidas funcionais que ampliam experiências sociais sem os efeitos colaterais do álcool.

A acessibilidade também é um fator-chave nessa transformação. Antes restritas a lojas de produtos naturais, essas bebidas agora aparecem em supermercados e até postos de gasolina. Com a expansão da distribuição, a categoria está pronta para crescer ainda mais, oferecendo acesso fácil a essas inovações.

À medida que o setor avança, uma coisa fica clara: as alternativas alcoólicas “melhores para você” estão se tornando o novo padrão. Se 2025 vai ser definido por algo no mundo das bebidas, será pela escolha. A escolha do consumidor e as opções que estarão disponíveis para ele. As escolhas dos produtores em se adaptar a um mercado que não espera por ninguém — e só tem empatia por quem entende o que o consumidor quer.

O velho duopólio dos refrigerantes não está mais no comando. E todos os segmentos da indústria estão evoluindo a passos largos, do não alcoólico ao funcional, passando pelos tradicionais.

Saiba mais em: https://forbes.com.br/escolhas-do-editor/2025/07/o-futuro-das-bebidas-pos-2025-segundo-os-ceos-do-setor/ 

quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

Refrigerantes Artemis

Refrigerantes Artemis: uma marca de refrescos tradicional e mineira

Nesse mês me estabeleci em um hotel na cidade de Brasilândia de Minas e me deparei com um refrigerante regional de nome Artemis, Voltei à memória de onde me lembrava daquele nome que não me era estranho. Descobri que havia escrito sobre esse refresco em meu segundo livro "Cervejarias Mineiras: Da Imigração ao Copo". Fiquei muito feliz ao experimentá-lo, e por isso partilho um trecho de meu livro que conta a sua história.

"Oportunamente, localizei uma outra empresa que me chamou a atenção. Tratava-se de uma fábrica de bebidas, chamada Refrigerantes Artemis, que pertenceu à firma Santiago e Cia. Ltda. e tinha como sócios Carlos Santiago Amparo, José Santiago, Adão Joaquim de Souza e Gerson Gomes Carneiro. A firma produzia refrescos diversos como a famosa Laranjinha, a soda gasosa e o guaraná, num galpão situado na Rua Silva Guerra, número 252, no centro da cidade. O nome da indústria foi uma homenagem ao Hotel Artemis, da cidade de São Paulo. Este hotel foi uma residência temporária dos irmãos Santiago.

Tive a oportunidade de conversar com um dos filhos do fundador Carlos Santiago, Antônio Carlos. Toninho, como gosta de ser chamado, me contou que os irmãos Santiago produziam refrigerantes de nome Baby, desde 1955, na Fábrica de Bebidas Araxaense, na cidade de Araxá, na Rua Manoel Francisco, 144. Com a construção da cidade de Brasília por JK, na década de 1950, os irmãos decidiram se mudar para Patos de Minas por entenderem que ali seria uma rota estratégica e mais próxima da nova Capital. Seguindo aquela intuição, em 1959, os irmãos Santiago abriram uma nova indústria genuinamente de alma Patense.

Apesar de produzirem unicamente refrigerantes, o tino comercial no segmento de bebidas se destacava no mercado. Os empresários tinham o dom. Em virtude disso, a empresa passou a vender cervejas, por meio de uma representação comercial de uma linha de produtos da Companhia CervejariaAntarctica, de Ribeirão Preto. Para tanto, foi criada a Antarctica Santiago Cia. Ltda..

O sucesso da empreitada foi surpreendente. O movimento operacional cresceu de forma a escalonar ao ponto da Antarctica Santiago ter se tornado a terceira maior arrecadadora de impostos do município de Patos, no mês de novembro de 1977.

O negócio estava realmente indo de vento em popa. Entretanto, na década de 1980, um fato curioso aconteceu. Antônio Carlos me confidenciou que, quando a Cia. Antarctica comprou a fábrica da família Bessone, na cidade de Pirapora, em 1973, parte da demanda que sobrecarregava a unidade fabril de Ribeirão Preto foi transferida para a unidade de Pirapora. Consequência disso, as cervejas Pilsen ofertadas pela Companhia Antarctica em Patos de Minas, tinham como origem a cidade do Velho Chico. Devido ao fato de as águas de Pirapora, do Rio São Francisco, serem diferentes das águas de Ribeirão Preto, a clientela percebeu uma certa diferença no sabor da cerveja. Naturalmente, a reclamação dos fregueses repercutiu na distribuidora dos Santiago e foi espalhada por toda a cidade. Foi um rebuliço geral!

Com muito denodo, foco e trabalho, a Artemis funciona até os dias de hoje e suas operações focadas na fabricação de refrigerantes estão a todo vapor. Quem sabe a família Santiago não se anima a produzir a sua própria cerveja num futuro próximo?"


Sobre o nome: Ártemis é uma deusa da mitologia grega, associada à caça, à vida selvagem, à castidade, à vegetação e ao parto. Era também a protetora das mulheres, das crianças e dos nascimentos.

Ártemis era filha de Zeus e Leto, e irmã gêmea de Apolo. Era uma das divindades mais populares da Grécia Antiga. Na mitologia romana, Ártemis é conhecida como Diana.





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