Mostrando postagens com marcador Guaraná. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Guaraná. Mostrar todas as postagens

domingo, 16 de agosto de 2026

Guarapan Refrigerante

 

Alquimia Clandestina e o Trono de Vidro: A Lendária Trajetória do Guarapan nos Balcões de Minas

por Henrique Oliveira

Belo Horizonte– Para quem frequenta as estufas de salgados e tradicionais lanchonetes da Grande BH, o ritual é sagrado: um pastel frito na hora acompanhado de um  refrigerante Guarapan trincando de gelado. Mas o que hoje é consolidado como o maior símbolo do bairrismo líquido de Minas Gerais passou por uma origem rebelde e uma crise de identidade nos bastidores industriais. A história desse clássico — fundado oficialmente no ano de 1940 — é fruto de uma lenda de insubordinação operária que só se emancipou de fato quando conquistou o seu primeiro casco de vidro próprio.

A certidão de nascimento do Guarapan não foi assinada em uma sala de reuniões executivas, mas sim no chão de fábrica da antiga Refrigerantes Minas Gerais (Remil), produtora da Coca-Cola, sob a admnistração do empresário mineiro Luiz Otávio Possas Gonçalves. Reza a lenda urbana que, em 1940, um funcionário anônimo da linha de montagem decidiu, por conta própria e sem qualquer autorização dos superiores, brincar de alquimista.


Aproveitando o maquinário e os insumos da fábrica de bebidas, ele combinou a base do guaraná da empresa com essências concentradas de maçã e outros extratos aromáticos secretos, criando um refri artesanal. O experimento clandestino logo foi descoberto pelo supervisor da planta. Chamado às pressas para a temida sala da gerência, o operário tinha certeza de sua demissão imediata por justa causa. Para a surpresa de todos, o chefe preferiu testar o líquido antes de aplicar a punição. Ao dar o primeiro gole, o supervisor ficou impressionado com o paladar exótico. Em vez do bilhete de demissão, o funcionário recebeu elogios do novo refrigerante e o direcionamento para que a fórmula inédita fosse patenteada e lançada comercialmente naquele mesmo ano.

Apesar do sucesso imediato da receita que misturava o aroma de maçã com um icônico sabor de tutti-frutti, o Guarapan enfrentou um grande desafio logístico inicial. Por ser uma bebida puramente regional e de produção controlada, a Remil não via viabilidade financeira para encomendar lotes exclusivos de garrafas personalizadas junto às vidrarias.

Durante suas primeiras décadas de vida, o Guarapan funcionou como um "hóspede" em cascos alheios. O líquido era envasado em "garrafas genéricas" ou vasilhames emprestados de outras marcas de refrigerantes da empresa. O consumidor de Belo Horizonte precisava caçar a bebida nas geladeiras pelas tampinhas de metal específicas ou por rótulos de papel que se descolavam facilmente na água e no gelo dos balcões. No mercado da época, o produto corria o risco constante de ser visto apenas como uma linha secundária. Com o passar do tempo, o refrigerante ganhou uma garrafa própria para chamar de seu. Virou o companheiro dos salgados tradicionais nas lanchonetes da Capital Belo Horizonte. Coxinhas, pastéis, empadas, quibes são as melhores combinações. Além da garrafa de 290ml, havia também o refrigerante servidos por meio de post-mix, em copos descartáveis.

As tradicionais garrafas de vidro de 290ml e 600ml marcaram épocas até os anos 1990. Hoje, elas são consideradas itens raros de coleção, enquanto a bebida é comercializada principalmente em PET ou latas. Se você vier para Minas Gerais, sobretudo na Capital, não deixe de tomar um refrigerante Guarapan.

Você irá se surpreender.



Fotos do refrigerante antigo: IA. Demais fotos: Internet e rede social Garapan

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Vespasiano tem História

 

Memória Viva: Casa da Cultura lança livreto que resgata os 75 anos de história de Vespasiano

Obra "Espaços e Memórias" refaz os caminhos do antigo Arraial do Capão, destacando os monumentos, os personagens pioneiros e as tradições que moldaram a identidade da cidade.

Da Redação

Em celebração aos 75 anos de emancipação político-administrativa de Vespasiano, a Casa da Cultura Aluízio Barbosa Martins publicou o livreto digital "Espaços e Memórias – Vespasiano Tem História". A obra, disponível na plataforma FlipHTML5, reúne fotografias raras, registros genealógicos e crônicas afetivas que guiam o leitor por um passeio minucioso pelo passado do município, transformando a paisagem urbana em páginas de um livro aberto.

Idealizado por uma equipe técnica liderada pela diretora Márcia Fonseca Lisboa Kayser e pela museóloga Aline Melo da Silva, sob a chancela da Secretaria de Cultura, Turismo e Lazer, o projeto nasceu originalmente nas redes sociais. O objetivo principal é combater o esquecimento e fortalecer o sentimento de pertencimento da comunidade. "A memória é construída coletivamente", destaca a equipe na introdução, reforçando a necessidade de rememorar em uma época de rápidas transformações.

A narrativa histórica do livreto recua até as origens rurais da região, destacando a antiga Fazenda de Maçaricos. O imponente sobrado colonial de três andares, pintado de azul e branco, testemunhou o nascimento de famílias tradicionais da política e cultura locais, mas acabou demolido em 1960. Outro marco essencial do início da urbanização é a Igreja de Santo Antônio de Pádua, erguida no final do século XVIII em terras doadas pelo português Bernardo de Souza Vianna, cujo entorno deu vida ao tradicional bairro Bernardo de Souza. O grande salto econômico e populacional da cidade, no entanto, veio sobre trilhos. A inauguração da Estação Ferroviária da Estrada de Ferro Central do Brasil, em dezembro de 1894, conectou o antigo Arraial do Capão ao resto do país. A importância da ferrovia foi tão expressiva que, em 1915, o arraial foi elevado a distrito com o nome de Vespasiano, uma homenagem direta ao Coronel Vespasiano Gonçalves de Albuquerque, então diretor da ferrovia.

O salto industrial e a pesquisa histórica

A industrialização de Vespasiano ganhou um capítulo de destaque no livreto graças ao resgate histórico da inovadora Companhia Alterosa de Cervejas, cuja trajetória de sucesso e pioneirismo no mercado de bebidas nacional — como o lançamento do primeiro guaraná em embalagem "tamanho família" de um litro — foi minuciosamente documentada. Para reconstruir essa saga econômica com precisão, a equipe da Casa da Cultura utilizou como uma de suas principais referências bibliográficas o Blog Ave Cesar Co., que serviu de alicerce para resgatar os passos do fundador Hermógenes Ladeira e a posterior venda da fábrica para a Cia Cervejaria Antarctica na década de 1980.

A obra também resgata a efervescência cultural dos antigos cinemas, relembrando as noites de gala no Cine Rex (fundado em 1948 por Ubaldo de Oliveira Lima) e no Cine Oásis. O livreto ainda joga luz sobre o patrimônio ambiental da cidade, contando a história do Parque Ecológico Municipal Oswaldo Magalhães Carvalho, no bairro Caieiras. Antigamente conhecido apenas como "A Nascente" ou "Mina d'água", o terreno particular era rigorosamente preservado por seu proprietário.

Ao cruzar dados históricos com memórias afetivas, "Espaços e Memórias" cumpre com louvor o seu papel. Mais do que um registro burocrático de datas, o livreto da Casa da Cultura devolve aos cidadãos de Vespasiano o orgulho de sua própria trajetória, provando que o futuro da cidade se constrói respeitando as pegadas deixadas no passado.

Fonte: https://fliphtml5.com/ybcks/pruk/Espa%C3%A7os_e_Mem%C3%B3rias_-_Vespasiano_75_anos/#google_vignette 



segunda-feira, 6 de abril de 2026

Guaraná Pon Chic

 

Pon Chic: um sabor que virou identidade de Divinópolis

Semana passada estive na cidade de Divinópolis há, aproximadamente, 120 quilômetros de Belo Horizonte. Nessas rápidas viagens na Região Metropolitana não deixo de comprar bebidas locais que merecem ser reconhecidas e divulgadas. Uma dessas bebidas que comprei é o famoso Guaraná Pon Chic. Como não me lembro de o ter degustado, resolvi trazê-lo para casa.

O Refrigerante Pon Chic é mais do que uma bebida tradicional: tornou-se um dos símbolos afetivos e culturais de Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais. A história da marca se confunde com o espírito empreendedor da cidade e com a memória de gerações que cresceram saboreando seu clássico guaraná.

A origem do Pon Chic remonta ao fim da década de 1940, quando o empreendedor José Lopes Ferreira fundou, no bairro Niterói, a Distribuidora de Bebidas Naná. Inicialmente, a empresa produzia bebidas alcoólicas tradicionais, como cachaça, jurubeba e quentão, além do então chamado Guaraná Divinópolis, que rapidamente se destacou pela aceitação popular. Com o crescimento da produção e da demanda, tornou-se evidente a necessidade de criar uma identidade própria para o refrigerante mineiro, separando-o dos demais produtos da distribuidora.

Na década de 1960, em um momento de expansão e modernização, o refrigerante guaraná recebeu um novo nome. Inspirado na bebida “ponche”, símbolo de sofisticação da época, e no adjetivo “chique”, surgiu o Pon Chic — uma combinação que traduzia elegância, modernidade e ambição de crescimento.

Em 1968, José Lopes transferiu a fábrica para o bairro Interlagos, onde foi oficialmente inaugurada a Empresa Refrigerantes Pon Chic, consolidando a marca como um empreendimento genuinamente divinopolitano.

Ao longo das décadas, o Pon Chic diversificou sua linha de produtos, passando a oferecer, além do tradicional guaraná, sabores como laranja, abacaxi, uva e cola, (como o refrigerante Mate Couro) mantendo forte presença no comércio local e regional.

A marca também se destacou por seu vínculo com a comunidade, apoiando eventos populares, festas religiosas e ações sociais. José Lopes Ferreira ficou conhecido não apenas como empresário, mas como liderança comunitária, profundamente envolvida com o desenvolvimento do bairro Interlagos e da cidade como um todo.

Atualmente, o Pon Chic permanece em operação em Divinópolis, sob gestão familiar, com produção moderna e automatizada. A empresa atende um raio aproximado de 140 quilômetros, mantendo cerca de 14 funcionários e uma capacidade produtiva que ultrapassa 100 mil litros por mês.

Mesmo com avanços tecnológicos, a marca preserva características que reforçam sua identidade tradicional, como o uso de açúcar de cana em vez de adoçantes artificiais — um diferencial frequentemente destacado por seus gestores. Além disso, o refrigerante Pon Chic segue ativo na vida cultural da cidade, promovendo ações como carreatas natalinas, eventos simbólicos e iniciativas ambientais, reafirmando seu papel como patrimônio imaterial de Divinópolis.


Pon Chic: fabricado e engarrafado por Taty Indústria e Comércio de Bebidas Ltda. Avenida Antônio Fonseca Filho, 887, Galpão A, Bairro Interlagos, Divinópolis/MG. Telefone (37)3222-0559.

Fonte dos Rótulos: Pon Chic (Facebook).

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Refrigerantes Zero

Uma imagem contendo no interior, mesa, comida, metal

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.

Refrigerantes “zero” estão associados a maior risco de gordura no fígado, aponta estudo

Uma pesquisa realizada com mais de 123 mil participantes revelou que o consumo de refrigerantes em versões diet ou “zero” pode aumentar significativamente o risco de desenvolver doença hepática gordurosa — mais até do que as bebidas adoçadas com açúcar.

O estudo, conduzido ao longo de aproximadamente 10 anos com dados do UK Biobank, acompanhou pessoas sem histórico de doenças hepáticas. Os pesquisadores analisaram o consumo de dois tipos de bebidas: aquelas adoçadas com açúcar e as adoçadas artificialmente.

Os resultados foram contundentes: indivíduos que consumiam mais de 250 gramas de adoçantes artificiais por dia — o equivalente a uma lata de refrigerante — apresentaram um risco 60% maior de desenvolver doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica. Essa condição pode evoluir para quadros graves, como cirrose e câncer de fígado.

Já entre os consumidores de bebidas açucaradas, o aumento no risco foi de cerca de 50%. Ao longo do estudo, 1.178 participantes desenvolveram a doença e 108 morreram por causas relacionadas ao fígado.

Um dado que chamou atenção foi que apenas as bebidas diet mostraram associação com mortes por doenças hepáticas, surpreendendo os pesquisadores. As análises também indicaram que ambos os tipos de bebida contribuíram para o acúmulo de gordura no fígado.

Simulações realizadas pelos cientistas mostraram que substituir refrigerantes por água reduziu o risco de desenvolver a doença hepática em 12,8% no caso das bebidas açucaradas e em 15,2% no caso das versões diet. No entanto, trocar uma pela outra não apresentou nenhum benefício significativo.

 Os autores do estudo destacam que os adoçantes artificiais podem afetar mecanismos metabólicos e alterar o equilíbrio da microbiota intestinal, o que ajuda a explicar seus potenciais efeitos nocivos, mesmo na ausência de açúcar.

“Esses achados desafiam a percepção de que as versões ‘sem açúcar’ são automaticamente mais seguras. É necessário cautela e mais estudos para compreender os efeitos metabólicos dos adoçantes artificiais”, concluem os pesquisadores. O mercado deve ficar atento aos estudos.

Fonte: Refrigerantes "zero" aumentam risco de gordura no fígado, diz estudo

Diet and sugary drinks raise risk of common liver disease by up to 60%, study finds | CNN


segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Hermógenes Ladeira




O Engraxate e outras crônicas

Hermonegenes Ladeira lança, no dia 26, no Espaço V, livro com textos publicados na Viver Brasil

Como se estivesse diante de um passado palpável, o cronista Hermógenes Ladeira estende o olhar sobre a sacada de seu apartamento, em uma rua ainda tranquila da Savassi. Tem muita história para contar esse cearense de 77 anos, que chegou a Belo Horizonte aos 6, em plena Segunda Guerra, para viver com a família em um quarto da pensão da avó, na esquina entre a rua Espírito Santo e a avenida Augusto de Lima. Do primeiro emprego como engraxador de sapatos – lembrança adolescente que dá título ao livro O Engraxate e outras crônicas do Viver, que será lançado no dia 26 de agosto, no Espaço V, da VB Comunicação –, Hermógenes fez de tudo um pouco: formou-se em direito pela PUC Minas, trabalhou na sucursal mineira do icônico diário Última Hora, dirigido por Samuel Wainer, fundou e dirigiu a Companhia Alterosa de Cervejas, em Vespasiano, e, num golpe de mestre, vendeu a fábrica para a Antarctica, da qual foi um dos cabeças nas praças de Minas, Rio e São Paulo.
Casado com Diva Ladeira há 49 anos, o saudosista Hermógenes desfia, desde março de 2011, sua prosa aos leitores da Viver Brasil, em artigo assinado que passou a ocupar o nobre espaço da última página há exatamente um ano. “Recebi o convite do Paulo Cesar de Oliveira, o PCO, em uma viagem a Lisboa. Do hotel mesmo, escrevi 3 crônicas. Confesso que me surpreendi com o resultado, pois, desde a saída do Última Hora, só havia escrito por questões de circunstância”, conta. A própria passagem pelo jornalismo, aliás, foi circunstancial. Vindo de um emprego na Publicidade Danilo Valle, Hermógenes entrou para o jornal aos 19 anos, como redator de página de automobilismo – função que, 2 anos depois, foi ocupada pelo próprio PCO, que acabava de chegar a Belo Horizonte, vindo de Montes Claros, onde passou sua infância.
Mas Hermógenes descobriu a vocação mais marcante em outros departamentos do jornal. Primeiro, com apenas 21 anos, atuou como gerente regional de publicidade. Com o golpe militar de 1964, o governo fechou o Última Hora, ligado a Jango e ao Getulismo. “Um ano depois, o jornalista Dauro Mendes, ex-integrante do diário, me convidou a participar de sua reabertura em Minas. Aceitei e passei a atuar como diretor comercial.”
A grande virada veio em 1967. Aos 30 anos, Hermógenes trocou o cargo em um jornal de prestígio pela aventura da fundação da fábrica Companhia Alterosa de Cervejas – que, de início, não tinha nada de cervejaria, vale ressaltar. “O investimento necessário era de 10 milhões de dólares, mas os idealizadores da empresa não tinham nada, apenas a ideia, que, por pouco, não se transformou em um desastre lamentável. Hoje, ao me lembrar desses acontecimentos, sinto um frio na espinha”, relata Hermógenes, em um daqueles momentos em que o olhar se volta para o vívido retrato daqueles dias.

Antes da cerveja, o grupo lançou, em 1970, dois refrigerantes,: o Mineirinho, feito de chapéu-de-couro, e o refrigerante Guaraná Alterosa. Produto fluminense, apesar do nome, o Mineirinho não pegou por aqui. Já o Guaraná Alterosa... “Chegamos a vender mais que o Guaraná Antarctica”, lembra o cronista. Quando, em 1972, a etapa cervejeira finalmente foi inaugurada, Hermógenes implantou modelos de negócio pioneiros no Brasil, como engradados de plástico, garrafas descartáveis produzidas na França, embalagens six pack, refrigerante de 1 litro, bem como a padronização dos caminhões de entrega e geladeiras nos bares. “Grandes fabricantes como Antarctica e Brahma não esperavam que a Alterosa vingasse e tivesse tantas inovações. Mas não inventamos nada. Apenas trouxemos o que já era aplicado em outros mercados do mundo.” O investimento se refletiu na produção: de 15 milhões de litros de cerveja produzidos em 1972, a companhia passou a 45 milhões em 1977.
Faturamento triplicado, sucesso depois de muita batalha... O que fazer com o negócio? Vender. O embrião de fusões de grandes empresas já começava a dar as caras naquela época, em que um dos marcos foi a compra da Skol pela Brahma, em abril de 1980. A Antarctica deu sequência ao processo, adquirindo a fábrica da Alterosa, em Vespasiano, em julho do mesmo ano, por 165 milhões de cruzeiros, em negociação que já durava mais de 2 anos. “Apesar de todos os esforços, éramos um grupo pequeno.
Não aguentaríamos a competição por muito tempo e iríamos quebrar”, explica. Com o negócio formalizado e a posse da cervejaria, Hermógenes não saiu de cena. Ao contrário: em 1981, a assembleia geral do grupo Antarctica o elegeu como presidente da empresa em Minas, tornando-o responsável por toda a área comercial e financeira. Uma das primeiras providências da gestão foi agregar ao grupo a Companhia Itacolomy de Cervejas, de Pirapora, no Norte de Minas. “Também apresentei à Antarctica um projeto ambicioso de reformulação de imagem, investimento em publicidade e reforma do centro de distribuição. A proposta era dobrar a participação no mercado mineiro, que, na época, era de 26%”, relata o empreendedor. Com as medidas tomadas, o resultado foi superior às metas: em 1983, a cervejaria fechou o balanço anual com 62% no market share de Minas. “Só na fábrica de Vespasiano, eram 100 milhões de litros produzidos ao ano”, contabiliza.
A partir de números tão expressivos, a Antarctica apostou em Hermógenes para repetir o feito no Rio, na fábrica de Jacarepaguá. É claro que ele topou o desafio e, para lá, se mudou, em 1992. Nos bares fluminenses, a Brahma era a líder absoluta havia mais de 100 anos. O objetivo era quebrar esse hegemonia. “No espaço de 5 anos, a produção passou de 150 milhões para 450 milhões de litros.” O segredo da multiplicação de cervejas, diz Hermógenes, não foi investimento na qualidade do produto, que já era indiscutível há muito tempo. “Por trás de tudo, havia estratégias de marketing muito bem definidas, como o investimento em merchandising, ações de venda e padronização da apresentação e da distribuição do produto.”
O último capítulo de Hermógenes na Antarctica foi em São Paulo, a partir de 1997, na sede da empresa. “Era onde estavam consolidados todos os erros que entendia que deveria corrigir.” Por lá, porém, as coisas não aconteceram como o previsto: esbarrou na burocracia, excesso de cobranças e problemas de relacionamento. Ainda assim, ele conduziu a campanha São Paulo, capital da Antarctica, em parceria com a agência DM9, de Nizan Guanaes, um dos marcos publicitários da cidade. A Antarctica estava a um passo de se transformar na líder da praça, mas os rumores da fusão que daria origem à AmBev, em julho de 1999, já se anunciavam. Hermógenes se antecipou e se desligou do cargo de diretor comercial 3 meses antes.
De volta a BH, ele se sentiu novamente em casa. Por aqui, reencontrou a tal mineiridade vista por ele pela primeira vez na década de 1940, quando a família chegou à cidade em busca de melhores condições de vida. O olhar que resgata o passado volta, então, ao tempo em que brincava de bola de gude e jogava pelada com os amigos dos bairros Cruzeiro, Carlos Prates e Barroca, residências para as quais a família foi se mudando de acordo com a conveniência. Inquieto, não fica parado por muito tempo: faz uso de sua formação como advogado e gestor e passa a trabalhar com precatórios. Abre sua própria empresa, a PGP, com sede no Rio e escritório no Barro Preto. Passa os anos na ponte-aérea, até que problemas de coluna o forçam a ficar de cama por 6 meses. “Atualmente, tenho trabalhado graças ao computador e ao telefone.”
É de seu apartamento que saem as crônicas que o leitor da Viver Brasil aprecia quinzenalmente, um retrato do mosaico de culturas e influências desse homem. “Hoje, sei que alcancei o que pretendia justamente pela pluralidade de competências. Cada uma delas, a seu tempo, me trouxe algo a mais na formação da personalidade e da minha contribuição para um mundo melhor.”
Meus grifos do Blog Ave Cesar Co.: 
Tive a oportunidade em entrevista e estar com Hemórgenes Ladeira, que me contou boa parte de sua história o que muito me honrou. Ele nos deixou em agosto de 2022.
Nota do blog: Sr. Hemórgenes Ladeira nos deixou em Setembro de 2022.
Real Time Web Analytics