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terça-feira, 18 de agosto de 2026

ACervA Mineira Cervejas Extremas

 

Flávio Andrade Produz Workchopp Online Sobre Cervejas Extremas

Depois do sucesso em sua aula presencial na Casa Olec, em Belo Horizonte, ACerviano mineiro e cervejeiro Flávio Andrade, em parceria com a ACervA Mineira, fará um Workshop on line para o produtores caseiros de cervejas, os Homebrewers, bem como entusiastas que queiram saber um pouco mais sobre a produção de cervejas extremas, aquelas carregadas de aromas, tato e paladar, ou seja, uma revolução cervejeira na prática.

O Workchopp "Produzindo Cervejas Extremas", como é chamado, é gratuito. As inscrições estão no Instagram da Associação (https://www.instagram.com/acervamg/). 

Aproveite, hoje, às 19:30hs.



quinta-feira, 7 de maio de 2026

Como fazer cerveja caseira

 

Reportagem 2000: Como fazer cerveja em casa

Em 2007, José Augusto Silveira, um jovem cervejeiro caseiro, membro da ACervA Mineira, dava uma entrevista para a Revista Sexy, em um artigo escrito pela Jornalista Patrícia Lapertosa. Nessa matéria, citada na coluna "Manual" teve a manchete: "Cerveja: Faça Você Mesmo".

Sem segredos, José Augusto apresentou passos simples, porém que carecem de cuidados para praticar o Homebrewing, ou seja fazer a sua cerveja favorita de forma artesanal. Essa nota de registro em nosso blog Ave Cesar Co, completamos, hoje, o universo de 2000 artigos, reportagens e matérias sobre o que tanto gostamos e apreciamos: o mundo da cerveja e das bebidas espirituosas em geral, o que inclui o café brasileiro, a nossa autêntica cachaça, os vinhos tradicionais e as novas repaginações de outros destilados que estão em voga no país, como o Gin, o Rum, o Whisky e a Tequila. Há também os líquidos não alcoólicos, os considerados mais saudáveis e até os exóticos.

O blog Ave Cesar Co., ao longo dos seus 15 anos, tem criado uma fonte orgânica de informação atual e de pesquisa. É comum observarmos leituras de matérias antigas sendo relidas, com uma frequência muito acima das expectativas. Para o blog, isso significa geração e transmissão de valor, além de perpetuidade histórica, o que faz do site uma referência na busca de dados nas três linhas do tempo: Passado, Presente e Futuro, esse moldado por meio de matérias que invocam tendências, previsões, além de artigos atemporais. É também fonte que une trabalho, nostalgia, prazer e entretenimento, pois citamos notas de mercado, oportunidades de emprego, eventos regionais e globais, filmes & arte, fatos e acontecimentos que marcaram época, análises e estudos, sempre com dados fidedignos, fotos e vídeos interessantes, sejam de autoria própria ou de terceiros profissionais, divulgados com ética, integridade e lisura.

Nesse sentido, agradeço a você, leitor, que mantêm esse humilde meio de comunicação ativo, ao qual acompanho diariamente a sua evolução. São mais de 1,8 milhão de views registrados, vindos de diversas partes do mundo. Uma média de 3 mil visualizações diárias em um simples blog. Sem a audiência de vocês, não haveria propósito para seguirmos em frente. 

Muito obrigado! 

Aproveito e peço, gentilmente que nos siga, basta clicar no botão do blog em "Seguidores". Isso irá nos ajudar e muito. Em breve, estudaremos uma forma de irmos para outras platadformas, como o Instagram e o Youtube.

Bom, a seguir, deixo o registro das páginas da Revista Sexy para seu conhecimento, pesquisa e aprimoramento na fabricação de sua primeira ou próxima cerveja. 

(Aliás, a receita do José levou 4,5kg de malte pilsen, 20 litros de água, 500g de malte torrado, 50 g de lúpulo, 1 sachê de levedura S-04). Boa leitura.




Um brinde! Vamos em frente!








terça-feira, 10 de março de 2026

Homebrew por Kelvin Azevedo

 Kelvin colunista

“De homebrew para homebrew — Onde você compra insumo? Qual loja? Onde fica? Cadê?!”

Por Kelvin Azevedo de Figueiredo

Publicado na Revista da Cerveja (10/03/2026)

 O artigo de Kelvin Azevedo parte de uma inquietação comum entre os cervejeiros caseiros: a dificuldade de encontrar, de maneira clara e organizada, onde comprar insumos e equipamentos. Ele apresenta uma reflexão sobre a jornada quase investigativa que muitos homebrewers precisam fazer para localizar maltes, lúpulos, leveduras, peças de conexões, utensílios e outros itens considerados básicos para a produção artesanal.

Kelvin usa sua experiência como mestre cervejeiro profissional, homebrewer desde 2010 e figura ativa na ACervA Brasil para contextualizar o problema. Ele argumenta que, apesar do crescimento do mercado cervejeiro no país, a dispersão das informações ainda afeta tanto iniciantes quanto veteranos. As lojas existem — físicas e online — mas nem sempre são facilmente descobertas, divulgadas ou organizadas de forma acessível ao público.


O autor também chama a atenção para um aspecto cultural: a forte dependência da comunidade homebrewer como fonte primária de informação. A troca de dicas entre colegas, grupos de WhatsApp, fóruns e encontros presenciais substitui, muitas vezes, um sistema de referência estruturado. O texto destaca que o setor poderia se beneficiar enormemente de maior visibilidade, mapeamento e padronização da comunicação entre fornecedores e consumidores.

Com tom leve e bem-humorado — característica comum dos textos de bastidores da cultura cervejeira — Kelvin aponta não apenas a frustração do homebrewer, mas também a paixão que move quem decide produzir sua própria cerveja. A “caça aos insumos” vira quase um rito de passagem, reforçando a criatividade e a resiliência do cervejeiro artesanal brasileiro.

No fim, o artigo funciona tanto como um desabafo quanto como um convite: para as lojas, que melhorem a clareza, disponibilidade e comunicação sobre seus produtos; para os cervejeiros, que continuem fortalecendo a rede colaborativa; e para o setor como um todo, que amadureça e evolua em organização, acesso e suporte à comunidade.

Fonte e saiba mais: De homebrewer para homebrewer — Onde você compra insumo? Qual loja? Onde fica? Cadê?! - Revista da Cerveja 

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Brassagem coletiva FICC 2016

Brassagem coletiva reúne diversos cervejeiros do estado de Minas

Aconteceu na terça feira, a brassagem coletiva com diversos produtores de cervejas do Festival Internacional de Cultura e Cerveja na Verace Cervejaria, no Jardim Canadá.

A VERACE é uma fábrica de encantar os olhos. Apresenta tecnologia de ponta seus sócios estão focados no negócio. Os anfitriões apresentaram todo complexo produtivo, e nos deixou à vontade. Entre os cervejeiros estavam Alfredo Figueiredo da VM/Krug (que no outro dia fez uma pequena produção cervejeira), Marco Falcone,da Falke Bier, e Gustavo Simoni da Koala Sun Brew.

A fabricação em conjunta foi comandada pelo cervejeiro da casa, Túlio Souza, com a supervisão do mestre cervejeiro Evandro Zanini. A cerveja produzida foi uma Saison, com acerola e limão capeta.

No segundo dia, a brassagem deu lugar à avaliação do concurso homebrew, que ocorreu à portas fechadas. O ganhador do concurso fará uma brassagem na sede da Cervejaria Verace.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Websérie cerveja feita em casa Eisenbahn

Websérie ensina a produzir cerveja caseira

O seriado é uma plataforma de apoio ao concurso Mestre Cervejeiro Eisenbahn, que elege as melhores cervejas produzidas por cervejeiros caseiros

Websérie da Brasil Kirin ensina a produzir cerveja caseira
O investimento das marcas em conteúdos para a Internet continua em alta. A Eisenbahn, marca de cervejas especiais da Brasil Kirin, lançou a websérie “Cerveja Feita em Casa”. O seriado é uma plataforma de apoio ao concurso Mestre Cervejeiro Eisenbahn, que elege as melhores cervejas produzidas por cervejeiros caseiros.
Ele traz a participação de conhecedores de cerveja, sustentando um dos objetivos do Concurso que é levar conhecimento para os apaixonados pela bebida. A websérie está no canal da marca no YouTube, com oito episódios com duração média de dez minutos.
Cada um deles apresenta o processo de fabricação da cerveja de ponta a ponta, desde os ingredientes até os equipamentos necessários para se produzir cerveja em casa.
A apresentação fica por conta de Juliano Mendes, consultor da Eisenbahn, Gerhard Beutling, mestre-cervejeiro da marca e Daniel Presser, cervejeiro caseiro associado à ACERVA –SC (Associação dos Cervejeiros Artesanais de Santa Catarina).

domingo, 26 de maio de 2013

Cerveja Artesanal em Curitiba

Em um bar de Curitiba, clientes podem fazer e tomar a própria cerveja

Processo de produção não é complexo, mas exige tempo e dedicação. Micro cervejarias aumentam produção e acumulam prêmios em concursos.

por Fernando Castro Do G1 PR
 
Seja em uma micro cervejaria, ou mesmo em uma cozinha, o processo de produção da cerveja artesanal é uma espécie de rito religioso para os cervejeiros. É o momento em que o produtor irá definir o tipo, os aromas, o amargor, a graduação alcoólica, a textura, enfim, a alma da cerveja. Em Curitiba, o aumento no número de interessados em produzir a própria cerveja levou à criação de iniciativas pioneiras no Brasil, como uma cervejaria-escola e um bar onde o cliente faz a própria cerveja.

Desde a abertura, em dezembro de 2011, o bar Hop’n Roll estima já ter produzido mais de 400 receitas de cerveja na pequena cervejaria montada nos fundos do bar. De acordo com Dênis Galvão, um dos sócios do estabelecimento, a ideia já havia surgido em 2007, mas ele e os três irmãos entenderam que mercado ainda não comportava uma iniciativa deste tipo. “Esse formato de a pessoa fazer a própria cerveja surgiu nos Estados Unidos, na época da Lei Seca, e se popularizou, mas aqui no Brasil ainda não existia essa cultura cervejeira”, lembra.

Clientes escolhem rótulos e recebem a cerveja engarrafada (Foto: Fernando Castro/G1)
 
Com o passar dos anos, veio a popularização da cerveja artesanal e a possibilidade de colocar a iniciativa em prática. “Foi então que pensamos: vamos montar um bar na frente, e fazer uma cervejaria atrás, mas a cervejaria a gente constrói nesse formato onde a pessoa pode fazer a própria cerveja. Aí então o cara vai ao bar, vai conhecer uma cerveja especial, porque até então o mercado era muito pequeno, e depois a gente traz o pessoal para cá para produzir”, conta. A ideia funcionou, e atualmente o bar está em processo de estudos para abertura de franquias em São Paulo e Santa Catarina.
 
 
Para o sócio, o diferencial do negócio está justamente no aspecto lúdico da produção. Em quatro horas de trabalho, os grupos de até cinco amigos recebem orientação dos funcionários do bar e podem usar os equipamentos para a bebida escolhida, que após um mês de fermentação será engarrafada pelos próprios clientes, com a logomarca desejada. O serviço custa R$ 450, mais R$ 2,50 por garrafa com rótulo, e o bar estima que cada leva renda cerca de 60 garrafas de 600ml. O público que procura o bar é variado, e entre as receitas foram produzidas cervejas para casamentos, despedidas de solteiro, chás de panela, nascimento de filhos e aniversários.
Clientes enviam a imagem e o bar providencia o engarrafamento (Foto: Fernando Castro/G1)“Você vai fazer um churrasco e apresenta a tua cerveja, com o teu rótulo, para os teus amigos, pô, você é o cara mais macho do churrasco, pode dizer: sou dono da minha cerveja, eu fiz a minha cerveja”, brinca Dênis.  Das produções feitas no Hop’n Roll, já saíram cervejas vencedoras de concursos e até mesmo testes de grandes cervejarias. “Em outros locais você não tem a capacidade de inovar que nós temos aqui. Praticamente todos os dias nós produzimos uma cerveja diferente”, diz.

Sucuri Stout
O G1 acompanhou a jornada de quatro amigos programadores de informática que utilizaram o serviço do Hop’n Roll para produzir uma cerveja coletiva - a Sucuri Stout. Capitaneados por Ramiro da Luz, eles tiveram o auxílio do mestre cervejeiro Alberto Basso para acertar os ingredientes e colocar a mão no malte, no lúpulo, e cozinhar a terceira cerveja do grupo, denominado “Free Brewers”. “Nós nos conhecemos através de uma linguagem de programação chamada Python, e por isso decidimos dar nomes de cobras para as nossas cervejas. Antes da Sucuri, já fizemos a Anaconda e a Coral”, contou Ramiro.
Do computador à panela, processo é supervisionado por funcionários do bar (Foto: Fernando Castro/G1)
Do computador à panela, processo é supervisionado por funcionários do bar (Foto: Fernando Castro G1)

O processo começou às 18h30, quando Ramiro e o amigo Wiliam começaram a pesagem dos maltes que foram selecionados. Após a medição, os ingredientes foram moídos e levados para a panela, onde cozinharam por duas horas. Neste período, entre cervejas e petiscos, os aprendizes se revezavam para mexer a mistura de tempos em tempos e adicionar outros ingredientes, como o lúpulo e outros maltes mais torrados, como o de café e o de chocolate.

A dica do malte chocolate, aliás, foi dada por Alberto, que é cervejeiro autodidata e já teve uma cerveja premiada em um concurso de bebidas locais. Ele explica que o malte é produzido a partir da cevada, cujo amido é transformado em açúcar por enzimas através do processo de malteação. “Na hora em que o fermento consome esses açúcares, transforma em álcool e gás carbônico”, detalha.
 
Na cerveja escolhida pelos “Free Brewers”, a combinação de maltes será a responsável pela cor escura, e também pelos aromas características do tipo Stout. “Nesta cerveja, o lúpulo não aparece, ele fica ali só para dar um amargor na cerveja. No malte nós usamos o chocolate belga e a cevada torrada, além do pilsen brasileiro básico”, diz Alberto.

Depois da panela, a cerveja passa ainda por um filtro, por resfriamento, até que é armazenada em um recipiente plástico na qual irá fermentar por dez dias. Os últimos passos antes do engarrafamento são a maturação, feita em câmara fria com temperatura de zero grau, e a aplicação de gás carbônico para acrescentar gás ao líquido.

Wiliam, Ramiro, Dogdano e Osvaldo fazem parte dos 'Free Brewers' (Foto: Fernando Castro/G1)

Cervejaria-escola
Iniciativa também pioneira é a da cervejaria Bodebrown, que ao constatar o aumento do público interessado em aprender sobre o tema e produzir a própria cerveja, inaugurou a primeira escola brasileira sobre o assunto. “O processo não é complexo, existem detalhes para se atentar e conseguir um resultado com alto nível de qualidade, mas não quer dizer que seja difícil – apenas trabalhoso”, classifica um dos professores da escola, André Junqueira.

O curso é ministrado em dois dias, em etapas diferentes. “A primeira delas fala sobre as matérias-primas, como funcionam e como se complementam. Já no segundo dia nós começamos falando do equipamento, e a partir daí produzimos uma leva de 20 litros de um estilo escolhido pela classe”, explica Junqueira. Os mesmos insumos utilizados para a produção assistida são dados para os alunos tentarem a primeira experiência em casa, com os próprios equipamentos.

A escola também dispõe de uma vasta biblioteca com livros sobre o assunto, que são disponibilizados para o estudo necessário. Para Junqueira, um dos principais focos do curso é fazer com que o aluno não fique apenas nas receitas prontas, mas que entenda o processo e passe a fazer as próprias tentativas. “É uma ciência que envolve muitas disciplinas – você pode passar anos estudando em detalhes todos os aspectos do processo, mas pode levar como hobby. A parte principal de tudo que a gente faz é abrir portas para a criatividade dos alunos”, conclui.

Foi após um curso de produção que o engenheiro Edi Wilson começou a fabricar, na cozinha de casa, as variadas versões da "Sangrenta" - sua própria cerveja artesanal. Em 2010, a oferta de equipamentos para fabricação caseira ainda era restrita a poucos locais de venda, o que não impediu o recém-cervejeiro a acertar a mão logo na primeira tentativa. "Depois que você acerta a primeira, não dá mais para parar", confessa.

Após três anos de produções, Edi Wilson estima que já tenha gasto cerca de R$ 3 mil em equipamentos, mas diz que o investimento básico para os iniciantes sai, em média por cerca de R$ 1 mil. No período, ele apostou em diversos tipos de cervejas, mas foi com uma India Pale Ale (IPA) que ele obteve medalha de prata em um concurso estadual. Para o concurso do Encontro Nacional das Associações dos Cervejeiros Artesanais (Acervas), que será realizado entre os dias 30 de maio e 1º de junho, em Curitiba, ele preparou uma leva de cerveja tipo Porter, e outra Amber Ale.

A reportagem acompanhou o processo de engarrafamento das duas cervejas, que o cervejeiro também faz na própria cozinha. Como mora sozinho, a preocupação com a sujeira que o processo manual demanda é secundário nas preocupações de Edi Wilson. "Essa é um reclamação frequente dos cervejeiros caseiros, que as mulheres reclamam da bagunça que faz", brinca.
Apesar do sucesso das produções artesanais, Edi não pensa em transformar o hobby em profissão. Ele aponta a burocracia como um dos principais entraves para os caseiros se profissionalizarem, já que a venda da bebida feita em casa é proibida, e o registro do Ministério da Agricultura só é possível para quem possui uma fábrica. Entre as soluções encontradas pelos pequenos produtores está a pareceria com as cervejarias, como a feita pela cervejaria curitbana DUM com a cervejaria mineira Wäls, para o lançamento da também premiada cerveja Petroleum. "Eu não penso em vender, gosto de levar para churrascos, de chamar os amigos para tomar comigo", finaliza.
 
O cervejeiro engarrafou dois tipos de cerveja para o Concurso Nacional (Foto: Fernando Castro/G1)
Crescimento do mercado e premiações
O envolvimento cada vez maior do público e a proliferação de produtores têm rendido frutos para quem decidiu viver da cerveja. Em 2013, expectativa da Associação das Micro cervejarias do Paraná (Procerva) é de que as empresas do setor aumentem em 70% a capacidade produtiva, em relação à produção de 2012. O levantamento foi feito com base nas estimativas de dez das 19 micro cervejarias constituídas no estado.

O otimismo dos produtores é baseado na possibilidade de redução da alíquota do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para as micro cervejarias, por parte do Governo Estadual. Atualmente, estes empreendedores, que podem produzir no máximo 200 mil litros por mês, pagam a mesma alíquota que as grandes cervejarias – 29%. “Eles se defendem bem melhor do que a gente, e recebem muitos benefícios. Se esse imposto cair para 12%, vai ampliar a capacidade produtiva, que hoje está ociosa”, aposta o presidente da Procerva, Ronaldo Flor.

De acordo com a Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa), o Governo Estadual realiza estudos em fase de conclusão sobre de que maneira a redução do ICMS pode ser feita. Ainda não é possível falar em números, mas a intenção é equalizar com o imposto pago em estados vizinhos, como Santa Catarina e Rio Grande do Sul – os 12% propostos pela Procerva. Esse incentivo pode colocar no mercado muitos cervejeiros que fabricam em suas casas. Muitos deles têm intenção de se profissionalizar, mas a cadeia é muito cara e eles não conseguem" diz Ronaldo Flor, presidente da Procerva.

As pequenas cervejarias do Paraná ainda estão longe do patamar máximo de produção estabelecido. Já com a perspectiva de crescimento, a produção da bebida especial deve chegar a 200 mil litros no ano, somando todas as empresas. “Esse incentivo pode colocar no mercado muitos cervejeiros que fabricam em suas casas. Muitos deles têm intenção de se profissionalizar, mas a cadeia é muito cara e eles não conseguem”, afirma Ronaldo, que é dono da micro cervejaria Gauden Bier.

Se este cenário se configurar, a participação do Paraná no mercado das cervejas especiais pode atingir patamar ainda mais expressivo. Atualmente, o estado possui 8% das 230 micro cervejarias registradas no Ministério da Agricultura, e perde apenas para São Paulo e Rio de Janeiro no número de rótulos locais – que chegam a 10% do mercado. Para Ronaldo, a regionalização da produção é importante para o fortalecimento da cultura cervejeira. “Isso aconteceu em vários países do mundo – assim como o alimento, a cerveja especial é de vizinhança. É importante você ser forte na sua região, porque quanto mais próximo do consumidor, melhor e mais fresco é o produto, além de garantir características da região no sabor”. E as cervejarias locais têm levado á sério o fortalecimento.

No I Concurso Brasileiro de Cerveja, realizado em março em Blumenau (SC), o Paraná foi o segundo estado a faturar mais prêmios. Com 45 cervejas inscritas, contra 67 de São Paulo, o estado teve 26 cervejas premiadas, garantindo o segundo lugar, apenas sete prêmio atrás do estado vizinho. Além disso, a Bodebrown foi eleita a cervejaria brasileira do ano, após garantir cinco medalhas de ouro, duas de prata e quatro de bronze.

Fonte: http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2013/05/em-bar-de-curitiba-clientes-podem-fazer-e-tomar-propria-cerveja.html

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Cerveja feita em casa

Cerveja feita em casa

Marina Fuentes, especial para o iG São Paulo |

Recentemente, a cervejaria Petrópolis divulgou, junto com o lançamento de um novo rótulo, uma pesquisa sobre o crescimento das cervejas especiais no Brasil: 20% contra 4% do mercado das cervejas comuns. O interesse pelos produtos artesanais e de microcervejarias, que oferecem mais personalidade e tipos da bebida, cria um outro foco de atenção que corre em paralelo, o das cervejas caseiras.

Sem pesquisas e números oficiais para endossar, o aumento dos chamados ‘homebrewers’ é notado pela movimentação dentro do universo cervejeiro. Em sites, redes sociais, confrarias e associações, é sensível o interesse cada vez maior do consumidor da cerveja premium de experimentar a sua própria produção ou degustar a de outros cervejeiros amadores.

Bom termômetro, a criação de uma associação voltada à cultura da cerveja caseira confirma o crescimento do nicho. A iniciativa partiu de uma comunidade da rede social Orkut, que foi ganhando mais adeptos e tornou-se oficial. A primeira a ser fundada, no Rio de Janeiro, cunhou a sigla ACervA (Associação de Cervejeiros Artesanais). Logo, São Paulo e outros sete estados seguiram o exemplo e aderiram ao nome. Cada ACervA funciona de maneira autônoma, algumas cobram mensalidade, outras não e cada uma tem seu estatuto. Mas o objetivo e as ações de todas são semelhantes: realizar cursos, promover encontros, produções coletivas e degustações.

“Começamos a abrir alguns encontros também para aqueles que ainda não produzem cerveja caseira, mas têm interesse no assunto. É uma forma de as pessoas conhecerem essa atividade”, conta Philip Zanello, um dos diretores da ACervA Paulista.

O engenheiro Jaime Pereira Filho, proprietário do bar paulistano Píer 1327, localizado na Vila Mariana, está espantado com o brusco aumento da procura pelo curso de cerveja caseira que ministra no bar há pouco mais de dois anos. “É um curso rápido, que ensina todo o processo em duas aulas. Eu costumava ter uma turma por mês, agora é diário e há uma fila de espera de três meses para os interessados”, comenta. Um desses alunos foi o fotografo Leo Feltran, que registrou a sua produção caseira para ilustrar essa matéria.

Ainda que tenha ares de novidade, a produção das cervejas no quintal de casa é algo muito antigo, vem dos mosteiros seculares que já fabricavam a bebida bem antes de serem criadas as primeiras grandes cervejarias. Na Idade Media, cabia aos padres e às mulheres este preparo, que era parte da dieta cotidiana de proletários e burgueses.

Hobby levado a sério

Quem é “convertido” ao universo da cerveja caseira leva a diversão a sério. Se produzir uma cerveja básica é questão de saber seguir a receita (veja o infográfico acima), criar bebidas com características peculiares e estabelecer algum padrão torna-se um grande desafio. Para quem quer seguir a lei de pureza alemã, que só permite o uso dos ingredientes básicos na composição (água, malte de cevada, lúpulo e fermento), é possível variar o resultado de acordo com o tipo de malte e lúpulo usado, além das quantidades utilizadas, que vão definir um sabor mais adocicado ou mais amargo, mais tostado ou mais frutado, entre outras características sensoriais.

Para quem quer dar um passo além, vale adicionar quase tudo à mistura, de anis à rapadura. “Um dos diretores da ACervA Paulista criou uma cerveja com funghi seco e achei que ficou bem interessante. Recentemente eu fiz uma com chocolate que em cada tiragem recebia um outro componente para combinar: extrato de coco, amêndoas ou framboesa”, diz Zanello ao lembrar de rótulos inventivos. Tanta criatividade precisa ser deixada de lado nos concursos que começaram a fazer parte do calendário cervejeiro, onde só alguns estilos podem concorrer. A restrição facilita o trabalho dos jurados de comparar produtos semelhantes.

Um desses campeonatos ocorreu em julho, promovido pela ACervA Paulista e pela microcervejaria Bamberg, de Votorantim, interior de São Paulo. Na ocasião, 31 cervejeiros caseiros do estado competiram com suas receitas, restritas ao estilo inglês conhecido como ESB. Um juri de treze experts deu as notas que sagraram Guilherme Alberici Di Santi campeão. O prêmio? Ter sua cerveja produzida pela Bamberg durante um ano.

A Eisenbahn é outra que homenageia a produção caseira: pelo terceiro ano, o melhor mestre cervejeiro amador, segundo competição organizada pela microcervejaria, ganha uma linha especial produzida na fábrica. Em 2010, o rótulo São Sebá, uma Belgian Dubbel criada pelo paranaense Sandro Singer, chega ao mercado em novembro em uma série limitada de 3.000 garrafas.

Para além da diversão, o sucesso obtido com um rótulo caseiro pode significar uma mudança do hobby para uma possível profissão. O designer gaúcho Maurício Gonçalves vive exatamente essa situação. Ele e o irmão Lúcio começaram a produzir cerveja caseira por diversão no ano passado, mas a bebida foi fazendo sucesso com amigos, ganhou rótulo e caiu no boca a boca dos cervejeiros.

Hoje, o rótulo Goyoaga Euskal Garagardo (nome basco em homenagem às origens da família), uma pilsen sem clarificantes e não pasteurizada, é produzida de duas a cinco vezes por semana e vendida em bares da Cidade Baixa, região boêmia de Porto Alegre. “Já fornecemos até para um evento de lançamento de livro em junho deste ano, quando foram consumidos 60 litros”, conta Mauricio orgulhoso.

Para começar

Quem quer se aventurar pelo mundo das cervejas caseiras deve ter algum conhecimento e estrutura. O mais indicado é acompanhar o trabalho de algum conhecido que faça a cerveja para ver se a atividade realmente lhe atrai – é preciso lembrar que produzir cerveja caseira requer tempo, dedicação e investimento. Não se trata só de beber. Em seguida, um curso rápido dá a base necessária que só o tempo – leia-se erros e acertos – vão aprimorar a técnica de “mestre cervejeiro”.

Mas, para produzir sua própria cerveja é preciso montar uma nanocervejaria em casa. Jaime Pereira diz que o kit básico tem custo aproximado de 500 reais e ocupa o mesmo espaço que um botijão de gás. O “maquinário” consiste de duas panelas grandes de alumínio, uma balança, uma colher grande de polipropileno, um termômetro culinário, uma peneira, um fermentador (um balde hermeticamente fechado com saída de válvula e uma torneira para engarrafar), mangueiras de transferência, um densimetro, um dispositivo para fechar garrafas e um moedor de cereais.

Montada a “fábrica”, é preciso buscar os insumos, não tão fáceis de serem encontrados em todo o Brasil. “Não há lojas que vendam malte e lúpulo em São Paulo, por exemplo. Mas há fornecedores do Rio Grande do Sul que distribuem os produtos via internet”, sugere Jaime. O estado é onde a cultura da cerveja caseira se nota mais presente, certamente pela influência da comunidade alemã na região.

A dificuldade de encontrar malte, fermento e lúpulo não significa o custo alto do produto. “Gasta-se cerca de 50 reais em matéria prima para produzir 20 litros de cerveja caseira”, estima Jaime. Além de divertida, a produção é a forma de consumir uma cerveja não-pasteurizada, que permanece em transformação“. Os microorganismos ficam vivos na garrafa e continuam em ação. A cerveja fica maturando e vai mudar de características a cada semana que ficar armazenada”, conta Jaime.

Receita básica da cerveja caseira
Fonte: Jaime Pereira Filho. Fone: (11) 2597-7231
Ingredientes
- 35 litros de água mineral de boa procedência
- 6 quilos de malte claro e escuro
- 20 gramas de lúpulo
- 11,5 gramas de fermento

Fotos: Leo Feltran
Fonte: http://comida.ig.com.br/bebidas/cerveja+feita+em+casa/n1237809088064.html

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Legislação sobre cervejas

PROJETO DE LEI Nº , DE 2013
(Do Sr. Rogério Peninha Mendonça)
Dispõe sobre a produção de cerveja artesanal.

O Congresso Nacional decreta:

Art. 1º Poderá ser designado estabelecimento produtor de cerveja artesanal aquele localizado em área urbana cuja produção máxima anual não ultrapasse trinta mil litros.

Art. 2º O estabelecimento produtor de cerveja artesanal e seus produtos deverão ser registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), conforme disposto na Lei nº 8.918, de 14 de julho de 1994, e em seus regulamentos.

§1º O registro de que trata o
caput deste artigo e sua renovação ficarão condicionados ao cumprimento das exigências higiênicosanitárias e de qualidade, assim como à comprovação periódica do estabelecido no art. 1º.
§ 2º Para fins do que trata este artigo, o MAPA deverá simplificar os procedimentos e adequar suas exigências às finalidades e dimensões que caracterizam a produção artesanal, nos termos desta Lei.

§ 3º A inspeção e a fiscalização da produção da cerveja artesanal devem ter natureza prioritariamente orientadora, observando-se o critério de dupla visita para lavratura de autos de infração.

Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

JUSTIFICAÇÃO
Historiadores e arqueólogos dizem que a criação da cerveja foi provavelmente um acidente. Sua origem está ligada ao descobrimento da fermentação, há cerca de 10.000 anos. A primeira poção alcóolica foi criada na China, por volta do ano 8.000 A.C. e aperfeiçoada posteriormente pelos sumérios, que encontraram no trigo e na cevada os mesmos prazeres que chegam hoje estupidamente gelados em nossa mesa.

O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de cerveja (13 bilhões de litros/ano) e o quarto maior consumidor em volume (atrás de EUA, China e Alemanha), com consumo per capita de 57 litros anuais. Nesse
universo, as cervejas artesanais, a partir dos diversos estilos e aromas, conquistam cada vez mais admiradores no País. De acordo com as diversas entidades representativas desse segmento cervejeiro, a ausência de normas e regulamentos para a produção e a comercialização da cerveja artesanal é o principal entrave para a
difusão da produção e o crescimento do segmento.

A Lei nº 8.918, de 14 de julho de 1994, estabelece o regramento geral para a padronização, classificação, registro, inspeção, produção e fiscalização de bebidas em todo o território nacional. Em seu art. 11, está determinado
que “o Poder Executivo fixará em regulamento, além de outras providências, as disposições específicas referentes à classificação, padronização, rotulagem, análise de produtos, matérias-primas, inspeção e fiscalização de equipamentos, instalações e condições higiênico-sanitárias dos estabelecimentos industriais, artesanais e caseiros, assim como a inspeção da produção e a fiscalização do comércio de que trata esta lei”.

Em 1997, publicou-se o Decreto nº 2.314, de 4 de setembro, visando a regulamentar a referida Lei (o Decreto foi várias vezes modificado e finalmente revogado pelo
Decreto nº 6.871, de 4 de junho de 2009, que está em vigor). Entretanto, as normas regulamentares relativas às bebidas caseiras e artesanais, em geral, e às cervejarias artesanais, em particular, não constam dos decretos regulamentadores.

Os objetivos deste Projeto de Lei são o de caracterizar o estabelecimento produtor de cerveja artesanal por meio da limitação de sua produção em trinta mil litros por ano e de autorizar seu registro no Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento, desde que o mesmo cumpra as exigências higiênico-sanitárias e de qualidade estabelecidas pelo órgão registrador. Ademais, determina que os requisitos para o registro sejam
adequados às finalidades e dimensões do empreendimento e os processos relacionados ao registro, simplificados. Finalmente, assevera que a inspeção e fiscalização da produção de cerveja artesanal tenha natureza prioritariamente orientadora.

Dessa feita, solicito aos nobres pares o apoiamento a esta proposição que, tenho a convicção, será de grande importância para crescimento deste segmento econômico no Brasil.

Sala das Sessões, em de de 2013.
Deputado Rogério Peninha Mendonça

Fonte: http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra%3bjsessionid=B5384ED199AB10F7DF63264DD7BDA90D.node2?codteor=1067570&filename=PL+5191/2013

quarta-feira, 27 de março de 2013

Cevada Mineira

Instituto apoia qualificação de produtores em Catas Altas (MG)

CEVADA MINEIRA

 Projeto promove capacitação de produtores de cerveja artesanal

O Instituto CENIBRA firmou parceria para qualificação e especialização de produtores de cerveja artesanal em Catas Altas. A iniciativa é realizada pela Terra Mineira, em parceria com a iniciativa privada e administração municipal. Neste segundo ano do Projeto Pólo Serra do caraça de Cervejas Artesanais, serão contemplados com o curso de capacitação moradores de Santa Bárbara e Catas Altas.

Dentre os assuntos que compõem o conteúdo programático estão: Moagem, Brassagem, Clarificação, Fervura, Resfriamento, Fermentação, Maturação e Envase. O projeto prevê ainda a montagem da 1ª Oficina de fabricação de cervejas artesanais da região. Após o curso, que será realizado nos dias 16 e 17/3 (Teoria e prática) e 6/4 (engarrafamento), será promovida a 2ª Beer Fest, evento para apresentação e comercialização das cervejas produzidas na região da Serra do Caraça, que será realizado 20/4, em Catas Altas.

Nascente
Em busca de contribuir com o desenvolvimento econômico da região do Caraça, a partir do aprimoramento da produção artesanal e diversificação de produtos, foi realizado um estudo de vocação econômico-cultural e viabilidade de negócios. Diante do manancial significativo, com água de qualidade ideal para produção de cerveja artesanal, foi criado então o Projeto Pólo Serra do caraça de Cervejas Artesanais. A partir da capacitação e especialização de produtores, o projeto busca gerar trabalho e renda, estruturar uma micro-cervejaria, promover integração do mercado de cerveja artesanais e estimular o turismo na região.

Destacando-se no cenário mundial, as cervejas artesanais, a partir dos diversos estilos e aromas, conquistam cada vez mais admiradores e escreve um novo capítulo na identidade cultural. Minas Gerais é o maior produtor artesanal de cervejas (nano-cervejarias), com cerca de 200 mil litros mensais. De acordo com o Sindicato das Indústrias de Cervejas e Bebidas de Minas Gerais, no segmento de microcervejarias Minas é o terceiro maior pólo do país, com 400 mil litros/mês, atrás apenas do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Estima-se que o Estado de Minas Gerais possua 8 microcervejarias registradas e mais de 200 produtores de cerveja artesanal (a Associação dos Cervejeiros Artesanais de Minas Gerais – Acerva – registra 100 sócios).

“A geração de trabalho e renda de forma sustentada é um desafio para todos. Iniciativas como esta são alternativas viáveis diante da crescente demanda do mercado por renovação de negócios e diversificação de produtos sem perder a identidade cultural das comunidades”, afirma a Coordenadora de Comunicação Corporativa e Relações Institucionais, Leida Hermsdorff Horst Gomes, responsável pelo Instituto CENIBRA.


quarta-feira, 20 de março de 2013

Cerveja Caseira no Brasil


Ao Ministério da Agricultura, Pecuária  e Abastecimento 
Secretaria de Defesa Agropecuária: 
Assunto: Resposta à Consulta Pública referente à Portaria nº 34, de 28 de fevereiro de 2013.

Prezados Senhores,

Por esta levamos ao vosso conhecimento, o fruto das discussões do grupo “Regulamentação da Cerveja Caseira no Brasil”, sitio <http://groups.google.com/group/regulamentacao-cerveja-caseira>, o qual atualmente possui 276 membros espalhados por todo o Pais - da região Norte a região Sul, e integrantes de fóruns e grupos regionais, bem como associações. Nosso grupo cresceu 27% desde a resposta a Consulta Publica referente a Portaria 142/2012, demonstrando o crescente interesse da comunidade cervejeira caseira sobre o assunto.

Da mesma forma que vimos com grande satisfação a submissão a Consulta Publica a “Portaria SDA/MAPA 142/2012”, mantemos nossas posições em relação a “Portaria SDA/MAPA 34/2013”, publicada no DOU pagina 21, Seção 1 do dia 28 de Fevereiro de2013. 

As Consultas Publicas são parte de um importante processo de dialogo com a sociedade e que deve ser parabenizado, pois ajuda a construir e consolidar a cultura democrática em nosso Pais. O setor de cervejas especiais está em crescimento e e muito oportuna esta Consulta Publica neste momento impar, equivalente em importância para a cultura cervejeira no Brasil, quando da vinda das primeiras cervejas com a Família Real e seu estabelecimento neste País.

Embora o mercado de cervejas especiais venha aumentando e haja na redação da Portaria no. 34/2013 uma evolução em conceitual, em nossa opinião, o texto conforme apresentado ainda mantem entraves, que podem impedir o franco desenvolvimento de uma cultura cervejeira genuinamente Brasileira, a despeito da grande biodiversidade de nosso Pais e do empreendedorismo e criatividade de nossos cidadãos.

A empresa inglesa Mintel, uma das empresas de pesquisa mais respeitadas no mundo e especializada em inteligência de consumo e produto, divulgou em 2012 o resultado de uma pesquisa sobre o mercado de cervejas no Brasil. O setor de Cervejas Premium no Brasil obteve impressionantes 18% de crescimento em 2011, mesmo período em que houve queda de 2% no volume de produção das cervejas mainstream. No sitio da Mintel, o analista Lucas Marangoni diz: “O mercado brasileiro de cerveja apresenta um paradoxo.  Por um lado, pode ser considerado bastante desenvolvido com uma das maiores taxas de consumo anual per capita da America Latina (67 litros) e índices de frequência e penetração próximos a de culturas fortes no consumo de cerveja, como o Reino Unido e EUA (com taxas de consumo anual per capita (de 65 e 75 litros, respectivamente). Por outro lado, em termos de diversidade de produtos, inovação e complexidade da categoria, o mercado brasileiro ainda pode ser considerado incipiente.” Ainda, conforme reportagem televisiva veiculada no Jornal da Globo em 26 de dezembro de 2012, o aumento no consumo de cervejas premium ou especiais de janeiro a setembro de 2012 foi de 17%, frente a um aumento de 2,6% no mercado total. 

O Grupo Pão de Açúcar divulgou, no primeiro balanço das vendas do Natal 2012, um crescimento de 104% nas vendas de cervejas especiais. Ou seja, o interesse do brasileiro em relação a cervejas especiais vem claramente aumentando nos últimos anos em um ritmo muito mais acelerado do que o próprio mercado geral do setor. Portanto, o desenvolvimento do mercado em termos de maturidade - com mais variedade, apresentando produtos mais diversificados, mais marcas, mais estilos, produtos realmente diferenciados (em oposição ao "mais do mesmo", que hoje se mostra em decadência, mas ainda aparece nas gondolas de supermercado) - é essencial. É interessante também salientar que, para a balança comercial, os produtos nacionais premium não dominam as prateleiras. O que se vê são muitas cervejas importadas ocupando o espaço - sejam elas alemãs, holandesas, checas, americanas e ate mesmo de países com pouca tradição cervejeira, como Japão e Espanha. Facilitar o acesso a produtos nacionais premium de forma competitiva ao consumidor brasileiro teria, sem dúvida, um impacto positivo, nao somente para o consumidor e produtor, mas sim para o mercado brasileiro de cervejas como um todo. Entendemos que já existem alguns produtores próprios no Brasil capazes de contribuir para isso: nano, micro e pequenas cervejarias, bem, como as cervejarias caseiras - que hoje atuam de modo informal (não confundir com os cervejeiros caseiros que produzem cerveja como hobby, para consumo próprio.)

Nesse documento, trataremos exclusivamente das propostas para a regulamentação das Cervejas Caseiras, que é o foco do nosso grupo de discussões.

1. A Cerveja Caseira e os Produtos Diferenciados ("Especiais" ou "Premium") 

Quem acompanha os grupos de cervejeiros caseiros pode notar que o objetivo principal destes produtores caseiros e a busca pela perfeição e inovação. Minimizar ou eliminar defeitos nas cervejas (diacetil, sulfeto de dimetila, acetaldeido), reproduzir e reinterpretar estilos de cervejas e buscar novos sabores através de inovações de processos ou uso de vegetais locais são parte corriqueira de seu dia-a-dia. Inclusive evitar aditivos químicos, que alterem o paladar, aroma e sanidade do produto elaborado, garantindo uma melhor percepção orgânica das cervejas. As maiores inovações, entretanto, não chegam a beneficiar o mercado consumidor, visto que a venda de cerveja caseira atualmente não é permitida. Em alguns países, como o Reino Unido e Nova Zelândia, a venda da produção de cerveja caseira é permitida desde que com a obtenção de uma licença - e entendemos que em nosso Pais, adotar tal pratica também seria interessante.

Nos últimos anos, assistimos um grande crescimento no segmento Premium, no setor de cervejas no Brasil. O aumento do poder aquisitivo do brasileiro, aliado as facilidades encontradas pelos importadores tiveram papel fundamental no desenvolvimento deste mercado ate o momento. Com a inexorável expansão deste mercado (que, segundo a Mintel, movimentou cerca de R$ 5,29 bilhões em 2011) e o decorrente aumento das importações de bebidas industrializadas, vislumbramos a real necessidade de desenvolvermos a nano, micro e pequena indústria nacional de cerveja, notoriamente no ramo Premium. Entretanto, com os recentes aumentos de impostos aplicados ao setor, os investimentos em cervejarias com foco no mercado de cervejas especiais torna-se menos atrativo que em outras áreas. Sendo assim, entendemos que seria de grande contribuição, como também salutar, acreditar na Cervejaria Caseira como forma de suprir, em parte, esta demanda e preparar espaço para no futuro virarem microcervejarias, que tão bem podem reposicionar nossa indústria cervejeira e leva-la a um maior reconhecimento internacional em termos de qualidade e diversidade. Além disso, esta medida estimularia toda uma cadeia produtiva - desde os estudos e produção de grãos, lúpulos, maltes e adjuntos ate o comercio varejista de matérias-primas e das próprias cervejas - o que, evidentemente, geraria mais empregos e ampliaria a arrecadação de impostos.

2. Propostas para a Regulamentação da Cerveja Caseira

Nas discussões ocorridas no grupo, três principais assuntos surgiram: a livre permissão para produção de cerveja caseira para consumo próprio, a flexibilização das exigências para o registro de estabelecimento e produto e a definição de limites para a produção de cerveja caseira para fins comerciais.

2.1. Livre Permissão para produção da Cerveja Caseira para consumo próprio

Entendemos que a própria diversidade cultural de nosso Pais, formada em sua grande parte por imigrantes, e um fator crucial para que seja finalmente explicitada em nossa Legislação a permissão para a produção de também da Cerveja Caseira para consumo próprio. Vemos como desnecessária qualquer fiscalização ou necessidade de registro no MAPA para tal atividade, cabendo ao município enquadrar de acordo com seu zoneamento e/ou plano de uso do solo.

2.1.1. Concursos, Festivais e Afins

Defendemos que seja permitida a organização de eventos para divulgação da cultura cervejeira - como concursos, festivais e afins - e que a entidade organizadora destes eventos contrate um Responsável Técnico e notifique o MAPA com antecedência, encaminhando uma lista de cervejeiros produtores participantes. A cobrança de ingressos para tais eventos poderia custear a contratação do Responsável Técnico, bem como a estrutura necessária para que o evento transcorra com segurança.

2.2.Flexibilização de exigências para o Registro de Estabelecimento e Produto.

Entendemos que a comercialização de Cerveja Caseira deveria ser permitida e facilitada, desde que não haja comprometimento da qualidade e segurança do produto e consumidores. Do ponto de vista técnico, a parte da qualidade e segurança poderia ser facilmente controlada através de analise sensorial. Como a produção é limitada a pequenos lotes, o risco do ponto de vista de saúde publica e ínfimo. Sendo assim, o que propomos seria uma flexibilização nas exigências para o registro de estabelecimento e produto, com a inclusão no Anexo I da Portaria no. 34/2013 do seguinte paragrafo:

"3. Registro de Estabelecimento Artesanal ou Estabelecimento Caseiro
a. Solicitação de registro de estabelecimento (Anexo IV);
b. Comprovante de inscrição no Cadastro de Pessoa Física ou Cadastro
Nacional de Pessoas Jurídicas no simples nacional;
c. Manual de Boas Práticas."

No caso, o Manual de Boas Praticas, dever-se-ia incluir: procedimentos de estocagem de matérias-primas, insumos, produtos acabados, procedimentos de limpeza e conservação do local de produção e equipamentos, e principalmente o olhar e compromisso ao destino dos resíduos gerados na produção da cerveja, para resguardar o meio ambiente, como também a saúde publica, precavendo-se contra vetores e no controle de zoonoses, sendo assim e explicito e necessário:

● o registro de lote e sua rastreabilidade,
● o registro de analista e dos resultados das analises sensoriais de cada lote
previamente a sua comercialização.

As analises sensoriais, que podem ser realizadas pelo próprio cervejeiro caseiro ou outro profissional treinado (como sommelier de cervejas ou técnico em Alimentos, por exemplo), permitem a detecção de contaminações químicas e microbiológicas; consideramos como parte fundamental na questão da segurança do produto e consumidores.

2.2.Limites para a produção de Cerveja Caseira para fins comerciais.

Fizemos um levantamento de vários dados da legislação vigente, consulta a legislação internacional, valores de consumo de água e energia para a produção em cervejarias caseiras. Levando-se em conta o consumo de agua na relação agua/cerveja, chega-se ao valor entre 4 e 6 litros de agua para cada 1 litro de cerveja produzida, observando-se inclusive a limpeza dos utensílios e do local. Já em relação aos rejeitos (resíduos sólidos), estes ficam na ordem media de 0,6 kg de bagaço do malte e trub (resto de lúpulo fervido) para cada 01 (um) litro de cerveja produzida. Essas quantidades variam conforme o estilo de cerveja produzido, contudo e confirmada em literatura de instituições como a da CETESB e em medições empíricas. Observando-se criteriosa e responsavelmente estas quantidades e relações rejeitos sólidos e efluentes líquidos (bagaço, malte, trub, e aguas servidas)/produto, entendemos que seria razoável um limite de produção caseira entre 750 e 73.000 litros anuais, para um regime diferenciado conforme proposto no item 2.2. Isso permitiria a normatização e regularização de milhares de negócios familiares, com o conhecimento do MAPA. 

Conclusão

Gostaríamos de concluir mais uma vez ressaltando a importância do cervejeiro caseiro para a inovação e diversificação do setor de cervejas especiais. Defendemos a flexibilização do registro de estabelecimento para os cervejeiros caseiros, bem como a permissão de produção de cerveja caseira para consumo próprio isenta de registro e o livre transito destes produtos para participação em concursos, festivais e eventos afins. Com relação ao destino de resíduos, defendemos que todo rejeito gerado na produção de cerveja para comercialização deve ter seu destino declarado e se possível cadastrado. Entendemos que previamente a comercialização da cerveja caseira, dever-se-á efetuar analises sensoriais para fins de controle de qualidade. Quanto aos limites de fabricação para enquadramento como cerveja caseira, defendemos um teto de 73.000 litros anuais para bares, pubs e restaurantes e limites menores conforme a infraestrutura do produtor e sua capacidade de adequação as legislações ambientais e sanitárias existentes.

Portanto, longe de nos posicionarmos a favor da venda indiscriminada de cerveja caseira, desejamos sim viabilizar a produção e comercialização responsável de produtos e, talvez o mais importante, com qualidade. Esperamos ter contribuído para uma melhor regulamentação do setor e colocamo-nos a disposição para futuros esclarecimentos e discussões.

Cordialmente,
Edson Katekawa
Eduardo Formenti Engler
Saulo Campolina Franca

Moderadores do Grupo de Discussão "Regulamentação da Cerveja Caseira no Brasil" e demais membros do Grupo de Discussão "Regulamentação da Cerveja Caseira no Brasil"

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

ACervA Catarinense em foco

Participe do I Concurso Fotográfico Cervejeiros em Foco

A ACervA Catarinense, entidade criada com intuito de fomentar o desenvolvimento da cultura cervejeira, sobretudo da cerveja caseira, produzida de forma artesanal, tanto em Santa Catarina, bem como em todo o território nacional, lança o seu I Concurso Fotográfico, com o tema “Cervejeiros em Foco”.
O concurso faz parte das atividades alusivas ao aniversário da Associação, que neste ano, completará 5 anos de fundação, em 17 de maio, e pretende apresentar o movimento da cerveja caseira de forma criativa e abrangente. A intenção é cativar as pessoas, sobretudo aqueles que ainda não conhecem o movimento ou que não imaginam a possibilidade de se produzir uma boa cerveja em casa, e que trata-se de um hobby praticado por pessoas apaixonadas por cervejas especiais, de alta qualidade, e por todo o universo cultural que a envolve, colaborando entre si para a formação e consolidação de um movimento autêntico, justo e inovador.

Foram definidas três categorias para esta edição:
a) insumos: abrange todos os ingredientes possíveis de serem utilizados na produção de cerveja;
b) processos: nesta categoria, todas as etapas do processo de produção de cerveja podem ser enquadradas;
c) cerveja: a cerveja pronta propriamente dita.

O concurso é especialmente voltado à participação dos sócios da ACervA Catarinense, valorizando àqueles que acreditam e participam desta organização, e cada participante poderá inscrever até 2 (duas) fotografias em cada uma das três categorias, ou seja, poderá participar com um total de 6 (seis) fotografias. Todos os trabalhos devem ser inéditos, e portanto, não podem ter sido publicados em qualquer veículo de comunicação ou premiados em outros concursos.
Para saber mais detalhes, visite a página do I Concurso Fotográfico Cervejeiros em Foco no site da ACervA Catarinense.

O resultado do concurso será divulgado durante o Festival Brasileiro da Cerveja de Blumenau (SC) e as fotografias finalistas de cada categoria serão expostas em um espaço exclusivo, para apreciação de todos os visitantes do evento. Além de valorizar as obras e os seus autores, a exposição pretende apresentar um mosaico atual do movimento da cerveja caseira em Santa Catarina e contribuir de sobremaneira para a divulgação da cultura cervejeira no país!

Por: Rubens Deeke Fonte: http://acervacatarinense.com.br/eventos/eventos-2013/concurso-fotografico-2013/
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