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sábado, 15 de novembro de 2025

Cervejaria Hofbauer

 

Cerveja da igreja nossa Senhora da Glória, de Juiz de Fora, recebe prêmio internacional na categoria German-Style Leitchtes Weizen.

Bendita hora que eu encontrei com  Cristiam Nazareno, dono da marca de cervejas Profana, em Juiz de Fora, quem me apresentou a Cervejaria Hofbauer da Igreja Nossa Senhora da Glória há, aproximadamente, 10 anos atrás, onde naquela época o Irmão Flávio Campos havia retornado a produção artesanal de cervejas utilizando um conjunto de máquinas originais, como faziam ou ainda fazem os monges trapistas, beneditinos e os redentoristas.

Esse maquinário, vindo da Europa e instalado no porão da igreja, os irmãos holandeses, da Ordem Redentorista, fabricavam cervejas para consumo próprio dos padres e de alguns convivas, onde, após um culto ou encontro ecumênico, a cerveja era distribuída para deleite dos presentes com as bençãos de Jesus Cristo.


Os anos se passaram e a produção de cervejas, mesmo que modesta, continuou dentro do porão da igreja, mantendo a tradição secular na produção dessa bebida naquele ambiente religioso . Não duvido que Cristiam Nazareno tem incentivado o Irmão Taylor Bertoli a enviar amostras da sua Weiss Bier para concorrer no Brazilian International Beer Awards, realizado semana passadas em Alagoinhas, no estado da Bahia.

Por meio de um grupo seleto de jurados selecionados ao redor do mundo, a cerveja German Weiss, da Cervejaria Hofbauer, foi condecorada com medalha de ouro, recebendo a nota 97 em 100. 

Entendo que o feito é motivo de orgulho para Juiz de Fora e um ato de coragem dos padres, que sem medo de sofrer represálias, produziram, desde 1894, uma bebida tradicionalmente fabricada nos mesmos moldes do passado. Acreditaram e optaram por mostrar que a tradição da cultura cervejeira, apreciada de forma moderada, é sempre bem-vinda e abençoada. (Se até o papa tem cerveja, porque não?)

Espero ainda tomar novamente uma amostra dessa cerveja, quando retornar a Juiz de Fora, visitando o seu circuito gastronômico

Agendamento

Aqueles que desejam conhecer a cervejaria Hofbauer deverão ir até a paróquia de Nossa Senhora da Glória, em Juiz de Fora, na Avenida dos Andradas, 855. Sugiro que liguem antes para agendar visita pelo telefone (32) 3215 1831 ou pelo email gloria@paroquiadagloria.org.br

Um brinde e Amém!

Cerveja Hofbauer Weissbier

Uma cerveja amarela claro turva com boa formação e retenção de espuma branca e cremosa. Destaca-se o aroma frutado, presença de notas de cravo, frutas maduras com a presença de cítrico. Na boca tem corpo médio baixo e baixo amargor. No sabor predominam características da fermentação em harmonia com os maltes de cevada e trigo. Finalização levemente cítrica.

 ABV: 5,3% | IBU: 10 | EBC: 8

Cervejaria - Hofbauer - Nº da Emenda 43020021; cervejahofbauer@gmail.com



terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Cerveja Benta

Padre produz cerveja artesanal em convento de Juiz de Fora, MG

A cerveja Hofbauer é uma homenagem a São Maria Hofbauer, santo austríaco da Congregação do Santíssimo Redentor.

Os fiéis talvez nem imaginem, mas no porão da Igreja de Nossa Senhora da Glória, na cidade mineira de Juiz de Fora, funciona sabe o quê? Uma fábrica de cerveja artesanal. E o melhor: cerveja abençoada.
A cerveja é a produzida pelo padre Flavio. Hofbauer: a cerveja do convento. Uma homenagem a São Maria Hofbauer, santo austríaco da Congregação do Santíssimo Redentor. Parece inédito, mas a cena já foi muito comum antigamente.
“Ela compunha o almoço no cotidiano da comunidade. A Igreja nunca viu como uma incoerência o consumo da cerveja com a convivência comunitária, com a fé”, conta o padre Flávio Leonardo Campos.
Se já é curioso um padre fazer cerveja tem mais um detalhe que também chama a atenção: o local onde a cerveja é feita. A cervejaria fica dentro de um convento, construído por religiosos holandeses da Congregação Redentorista no fim do século XIX.
“É a primeira vez que eu vejo falar que tem cerveja na igreja. Eu não sabia”, diz o aposentado Afonso Oliveira.
“Não estou sabendo disso, não”, admite a dona de casa Maria Helena Castro.
“Nós temos a nossa novena. Cervejaria nós não temos não”, afirma a aposentada Maria Ferreira.
Pouca gente conhece porque a produção é pequena, feita duas vezes ao ano para o consumo dos padres.
“Os irmãos holandeses passaram para os irmãos brasileiros e ela parou com o irmão Geraldo em 1994. Então, de 1994 a 2009, houve um espaço em que ninguém aprendeu, ninguém produziu. E recolocar em funcionamento a cervejaria foi ter um pouquinho de paciência para entender como funcionava, ter um equipamento que, mesmo outros que produzem hoje, desconhecem o funcionamento”, conta o padre Flávio.
Na Idade Média, a cerveja era fabricada por religiosos em mosteiros e conventos. “É uma forma bem antiga de produção”, esclarece o padre.
Antiga e 100% manual. O padre tem que fazer força para bombear a cerveja e para engarrafar também. Para retomar a produção, ele contou com a receita original e com a ajuda de cervejeiros da cidade.
“O primeiro grande desafio foi desvendar um processo de produção em um equipamento de 120 anos e que, apesar de toda essa defasagem tecnológica e temporal, é um equipamento extremamente eficiente. Tem uma herança cultural muito grande, não só para Juiz de Fora, Minas Gerais, como para o Brasil todo. Nós não temos notícia de outra produção dessa operando hoje fora da Europa”, diz o cervejeiro Cristiam Rocha.
O Ritual Romano é o livro que reúne os livros da Igreja Católica. Nele tem uma bênção dedicada à cerveja. Confira no vídeo acima.
“Do que vale você ter um patrimônio histórico como esse e ele ser parado, morto? Então, ele está aqui para produzir cerveja”, define o padre Flávio.
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