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terça-feira, 3 de março de 2026

Mulheres em cervejarias e cervejas

 Foto editada de grupo de pessoas posando para foto

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.

 A presença feminina no setor de cervejas

por Henrique Oliveira*

Após escrever o livro Brasil Beer - O Guia de Cervejas Brasileiras, decidi que era hora descrever um segundo livro, dessa vez voltado às cervejarias de Minas Gerais. O trabalho de pesquisa, que durou aproximadamente 8 anos, demonstrou claramente que famílias empresárias no final do Século XIX e início do Século XX dedicavam integralmente aos seus negócios, face a limitação de recursos, a existência de pouco profissionais especializados e o bairrismo, ainda que velado. Dessa forma, os pais passavam o ofício para os filhos, incluindo os segredos de produção ou "segredos de família", o que incluía fórmulas, ingredientes e receitas, que eram guardados a sete chaves.

Imigrantes e brasileiros, tinham como foco atender o cliente com cortesia e atenção. Mesmo com empregados inicialmente capacitados, o olhar do dono sobressaía em toda operação. Era perceptível o zelo e a união de pai com os filhos e entre irmãos. Essa proximidade era comumente refletida em placas publicitárias, nos rótulos de garrafas e na razão social das cervejarias, com os dizeres: “Carlo Fornaciari & Filhos”; “Gino & Irmão”, “Irmãos Menecucci”, entre outros. O que se observava, era um retrato nítido de que tradição e legado caminharam juntos, buscando perpetuar a presença da família empresária no seu setor de atuação.

Por incrível que pareça, as diversas entrevistas que fiz para o livro mineiro de cervejas, com descendentes de produtores e industriários teve como destaque, as mulheres. Por um fato muito simples: a expectativa de vida das mulheres é maior do que a dos homens. Nesse sentido, a maioria dos descendentes, acima dos 70 anos eram, predominantemente, do sexo feminino. Ao entrevistá-las, percebia que as histórias estavam rasas ou fragmentadas, porque o patriarca da família conversava mais com os filhos homens do que as filhas, em termos de negócios. Muitas filhas foram tolhidas de participar das atividades da empresa, seja em reuniões, na liderança ou na decisão de negócios, ou ainda assumir alguma função dentro das instalações. 

Ao longo da jornada, a presença da mulher em cervejarias, se fundamentou com as Viúvas. Ser viúva naquela época era quase que um "título de nobreza", pois a sociedade interpretava que aquela era a esposa do “tal notório empresário” e que essa era digna de respeito e admiração, pois assumia as rédeas do negócio, logo após a morte do cônjuge. Destaca-se por exemplo do famoso champagne Veuve Clicquot. O aclamado espumante da "Viúva do senhor Clicquot". Cita-se a Madame Bollinger, do champagne de mesmo nome ou ainda, a Viúva Kremer de Castro, da Imparcial Fábrica de Cervejas de Juiz de Fora, que assumiu o negócio, após a morte do esposo, Augusto Kremer. (Irmão de Henrique Kremer, da Cia. Cervejaria Bohemia, de Petrópolis.)


Acredito que as viúvas empreendedoras possam ter aberto um caminho para as mulheres entrarem definitivamente no ambiente cervejeiro, no Brasil. Ao longo do tempo, as cervejarias foram agraciadas com a presença de profissionais de destaque. Menciona-se Cilene Saorin, a saudosa Kátia Jorge, Marina Pascholatti, Regina Nuruki, Fernanda Ueno, Kathia Zanatta, Amanda Reitenbach, Patrícia Mercês, Gabriela Montandon, Fabiana Arreguy, as meninas da Confraria Feminina de Cervejas (Ludmilla Fonttainha, Clarissa Mendes, Lígia de Matos, Watylla Vargas, Viviane Bastos, Juliana Pimenta e Jaqueline Oliveira EMS), Graziela Sarreiro, Ingrid Paulsen, Luisane Vieira, Stela Patrocínio, Fabiana Bontempo, Ana Paula Lebbos, Ustane Serafina Pedras, Cindra Gomes, Úrsula Schumacher Schroeder e tantas outras notoriedades do setor.

Procurando incrementar essa evolução e gerar um pouco de consciência sobre o trabalho, levo comigo minhas descendentes à convivência do universo cervejeiro, mesmo sabendo que sua geração está prestes a não se interessar por bebidas alcóolicas, haja vista que essa já não possui sequer o hábito de beber refrigerantes (o que é salutar). A sua geração é havida aos chás, aos isotônicos, aos sucos e a água. Ao introduzi-las naquele ambiente, o que importa é entender que todo trabalho é duro, digno e, quando feito com seriedade e dedicação, o resultado positivo virá naturalmente. Isso é buscar a satisfação profissional.

Dito isso, acredito que a presença delas fazem toda a diferença no setor de bebidas, seja destilado ou fermentado, o que inclui a cerveja. O capricho no desenvolvimento de produtos naturalmente aumenta, como as nuances de cor, aromas, tato e sabores. Há uma dose generosa de empreendimento, criatividade e inovação, tornando o setor de cervejas e bebidas cada vez melhor. No mês da mulher, que será comemorado no dia 08 de março, o brinde é destinado à elas! Vida longa e sucesso pleno, mulheres cervejeiras.

Cheers! Saúde!

(*) - Henrique Oliveira, é Executivo de Estratégia, Governança, Riscos e Compliance e escritor de livros e artigos sobre bebidas e cervejas.

segunda-feira, 17 de março de 2025

Guerra Comercial de Champanhe

 


Com o sabre no pescoço: Crise em Champanhe, na França: na terra de Dom Pérignon, Veuve Clicquot e Moët & Chandon só se fala na taxação de 200% de Trump

Importações de champanhe francesa nos EUA chegam quase a US$ 1 bilhão por ano

Por The New York Times — Épernay, França

Os produtores de champanhe na França vendem quase US$ 1 bilhão para os EUA todos os anos, mas, na sexta-feira, em Épernay, a capital mundial do espumante, o único número na boca de todos era 200.

Foi mais um capítulo da guerra comercial iniciada por Trump, depois que a União Europeia (UE) contra-atacou a elevação de tarifas sobre aço e alumínio com suas próprias tarifas sobre produtos dos EUA.

A ameaça de uma tarifa de três dígitos caiu como um raio em Épernay, assustando trabalhadores, produtores e as lojas da Avenue de Champagne, o boulevard central da cidade.

— Uma tarifa de 200% tem o objetivo de garantir que nenhum Champagne seja enviado para os EUA — disse Calvin Boucher, gerente da Michel Gonet, uma casa que está há 225 anos na avenida.

Com 20% a 30% das 200 mil garrafas que produz anualmente exportadas para comerciantes e restaurantes americanos, a empresa teria seu negócio “esmagado”, afirmou Boucher. O preço de um champanhe de US$ 125 mais que triplicaria da noite para o dia.

Dom Pérignon, Veuve Clicquot e Moët & Chandon respondem por um terço das vendas

As maiores casas — incluindo Dom Pérignon, Veuve Clicquot e Moët & Chandon, pertencentes ao conglomerado de luxo LVMH Moët Hennessy Louis Vuitton — dominam a produção, as exportações e representam um terço das vendas totais.

 Nathalie Doucet, presidente da Besserat de Bellefon, uma casa de champanhe que exporta 10% de sua produção premium para os EUA, disse que a guerra comercial a deixava ansiosa: — Estamos esperando para ver o que acontece, mas não são boas notícias — disse Nathalie, cuja casa usa um processo trabalhoso de baixa pressão, que confere uma acidez nítida e uma efervescência fina ao champanhe.

Consumo em queda

A produção de champanhe já havia enfrentado um ano difícil, com o clima ruim reduzindo a colheita. O consumo vem diminuindo, à medida que os jovens têm mudado seus hábitos, passando a preferir coquetéis e cervejas artesanais. As vendas de champanhe caíram desde a pandemia, com uma queda de 9% no ano passado.

 Ao mesmo tempo, disse Nathalie, a Europa estava lidando com as guerras na Ucrânia e na Faixa de Gaza. E agora, a guerra comercial com os EUA, um dos tradicionais aliados da França, sobre questões que não têm nada a ver com o champanhe. — Parece uma punição deliberada — disse Cyril Depart, proprietário da loja de vinhos Salvatori, logo após a Avenue de Champagne, que oferece uma ampla variedade de champanhes artesanais. Sua esposa foi gerente de exportação de uma das grandes casas de champanhe e já estava calculando os possíveis impactos.

Impacto em negócios nos EUA

O dano de uma guerra comercial se espalharia muito além das casas de champanhe, atingindo importadores e distribuidores americanos e colocando em risco diversos pequenos negócios.

Michael Reiss, presidente da Vineyard Road, um pequeno distribuidor de Framingham, Massachusetts, que importa champanhe e vinhos da Europa e os distribui no Nordeste dos EUA, disse que pequenos negócios como o dele, incluindo restaurantes e lojas de varejo, seriam “muito prejudicados”.

O ambiente comercial imprevisível poderia forçar as empresas a cancelar investimentos planejados, acrescentou ele. Além disso, as tarifas aplicadas no início da cadeia de suprimentos podem se multiplicar, já que cada empresa que manipula o produto aumenta seu preço de acordo, disse Reiss:

— Então, até mesmo uma tarifa de 25% pode facilmente levar a um aumento de preços de 40% a 60%.

Uma tarifa de 200% “eliminaria a possibilidade de as pessoas comprarem coisas que trazem alegria para suas vidas,” acrescentou.

Ministro chama guerra comercial de 'idiota'

De volta a Épernay, caso as vendas caiam, os produtores de vinho precisarão de menos trabalhadores nos campos, e haverá menos trabalho para operadores de tratores, fabricantes de rolhas e fabricantes de garrafas.

Na sexta-feira, o ministro das Relações Exteriores da França, Eric Lombard, chamou a guerra comercial de “idiota” e disse que viajará para Washington em breve.

— Precisamos conversar com os americanos para diminuir a tensão — disse ele à televisão francesa.

As maiores casas de champanhe da França permaneceram em silêncio, recusando-se a comentar enquanto esperavam ver como a ameaça de Trump se desenrolaria — e se representantes dos governos europeus conseguiriam fazê-lo recuar.

Fonte e mais informações: https://oglobo.globo.com/economia/negocios/noticia/2025/03/16/crise-em-champanhe-na-franca-na-terra-de-dom-perignon-veuve-clicquot-e-moet-and-chandon-so-se-fala-na-taxacao-de-200percent-de-trump.ghtml

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