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segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Beer Poking

Fogo e Gelo no Copo: Como o "Beer Poking" transforma a cerveja artesanal usando metal em brasa

Por Henrique Oliveira

O som sibilante do maçarico corta o ambiente enquanto uma barra de metal começa a brilhar em um tom vermelho vivo. O cenário evoca uma antiga oficina de ferreiro, mas o destino final desse ferro incandescente não é uma bigorna, e sim um copo de cerveja artesanal bem gelada. O ritual, conhecido historicamente como Bierstacheln e popularizado globalmente como Beer Poking, está transformando a experiência sensorial de entusiastas da bebida, unindo física, química e tradição em um espetáculo visual impressionante.

O Choque Térmico que Altera o Sabor

O que é o Beer Poking? À primeira vista, mergulhar metal em brasa na cerveja pode parecer uma heresia culinária. No entanto, o efeito químico dura apenas de três a quatro segundos e altera drasticamente a estrutura da bebida.

Ao tocar o líquido gelado, o calor extremo do ferro carameliza instantaneamente os açúcares residuais do malte que não foram transformados em álcool durante a fermentação. Esse processo dispara a famosa Reação de Maillard — o mesmo princípio científico que dá a cor dourada e o sabor característico à crosta do pão e aos bifes grelhados. O resultado é uma inversão térmica perfeita: o topo do copo é coroado por uma espuma densa, aveludada e levemente morna, com notas aromáticas pronunciadas de marshmallow tostado, toffee e chocolate. Abaixo dessa camada cremosa, o líquido da cerveja permanece completamente gelado. Além disso, o choque térmico expele parte do gás carbônico, reduzindo o amargor percebido e deixando o gole incrivelmente macio.

Das Forjas Medievais aos Bares Modernos

Embora pareça uma invenção da era do Instagram, o Bierstacheln é uma tradição secular nascida na Alemanha medieval. Nos invernos rigorosos da Europa Central, a cerveja armazenada em tavernas ou ao relento frequentemente atingia temperaturas congelantes, tornando o consumo desagradável. Para resolver o problema sem arruinar a bebida, os ferreiros locais pegavam pequenas hastes de metal aquecidas diretamente nas forjas e as mergulhavam rapidamente nos canecos medievais para quebrar o gelo e ativar os aromas maltados.

Séculos depois, o hábito cruzou o oceano e ganhou força em regiões de clima extremo na América do Norte. Nos Estados Unidos, a histórica August Schell Brewing Company, em Minnesota, promove há mais de 35 anos as "Hot Poker Nights", onde centenas de pessoas enfrentam filas na neve para terem suas cervejas de inverno ativadas pelo metal quente. O mesmo fenômeno ocorre em Chicago na Dovetail Brewing e no pátio congelante da canadense Dominion City Brewing Co., onde o ritual virou sinônimo de celebração comunitária no frio.

Mesmo em um país de clima predominantemente tropical, o mercado brasileiro de cervejas artesanais descobriu no Beer Poking uma excelente ferramenta de ativação e entretenimento para os meses de inverno. Como o processo exige cervejas encorpadas e alcoólicas para funcionar corretamente — como as dos estilos Bock, Doppelbock, Stout e Porter —, o ritual virou uma atração exclusiva de lotes sazonais.

Em Pomerode (SC), cidade que respira cultura germânica, o Armazém Schornstein adota a prática de forma pontual em seus eventos de inverno, utilizando a premiada Schornstein Bock para surpreender os clientes. Já em Belo Horizonte (MG), no Mercado Novo, a Cervejaria Jairo’s reproduz o ritual em sua pequena loja de cervejas em sua cerveja Bock.

Para os sommeliers, o Beer Poking não é apenas um truque visual para redes sociais, mas sim uma demonstração de como a temperatura e a técnica podem ressignificar completamente o paladar de uma receita clássica. Em um mercado que busca constantemente inovação, o segredo da próxima grande experiência cervejeira pode estar, ironicamente, guardado no fundo de uma fogueira medieval.

quarta-feira, 29 de maio de 2024

Qual é a melhor Bock do Brasil?


A Kaiser Bock se foi. Cadê a melhor cerveja Bock do Brasil?

Saiba mais essa história no vídeo a seguir. Estamos procurando a melhor Bock do Brasil. Saiba qual foi a Bock que experimentei. 

Onde está? Diga-me nos comentários!


Um brinde!

#pelosatelite #bock #cervejabock #cervejadeinverno #bockbier


domingo, 19 de maio de 2024

Cerveja Bock

 Qual é a melhor Bock do Brasil?

Com a chegada do outono as pesquisas em torno da Kaiser Bock triplicam no nosso blog cervejeiro. Seja por saudade, seja por vontade de tomar uma cerveja do estilo. Em Belo Horizonte, fui à diversos supermercados e não encontrei exemplares, tampouco cervejas on tap, o famoso chope. Tomei uma Therezópolis Rubine Bock. Nesse sentido, eu pergunto: onde está a melhor Bock do Brasil?  

As cervejas Bock surgiram em Einbeck, no norte da Alemanha, no século 13 (há controvérsias.) A cidade era especializada em produzir cervejas Ale escuras, feitas com cevada e trigo, que eram exportadas para Munique e para a família real da Bavária. Por volta de 1500, o Duque Wilhelm V da Bavária decidiu que começaria a fabricar sua própria cerveja, usando como inspiração a Ale de Einbeck. O objetivo do Duque era recuperar o mercado que a região havia perdido para os comerciantes do norte.

Anos depois, o sucessor do Duque, Maximilian, contratou Elias Pichler, cervejeiro de Einbeck, para deixar a cerveja da região mais parecida com a original. Pichler produziu a cerveja seguindo as tradições de Munique, assim a Einbeck se transformou em uma Strong Lager, ficando conhecida como Bockbier. A primeira fabricação da cerveja, como conhecemos hoje, foi em 1614. As Bock são bebidas de baixa fermentação, que apresentam nos aromas e sabores intensas notas de caramelo e toffee, além do tostado de casca de pão. Em geral, a cerveja Bock possui um amargor sutil, mas que pode chegar a ser moderado, e isso significa que ela é pouco lupulada. O BJCP divide o estilo Bock em algumas categorias, a destacar:

Bock Tradicional - Aroma forte de malte, muitas vezes com quantidades moderadas de melanoidinas ricas e/ou notas tostadas. Praticamente sem aroma de lúpulo. Um pouco de álcool pode ser perceptível.

Dunkels Bock - Uma cerveja lager alemã escura, forte e maltada que enfatiza as qualidades ricas em malte e um tanto tostadas dos maltes continentais sem ser doce no final.

Maibock/Helles Bock - Aroma de malte moderado a forte, muitas vezes com qualidade levemente tostada e baixo teor de melanoidinas. Aroma de lúpulo nobre moderadamente baixo a nenhum, muitas vezes com qualidade picante.

Helles Bock - cerveja lager relativamente pálida, forte e maltada, com um final bem atenuado que melhora a drinkability.

Weizenbock - Uma ale com base em trigo forte, maltada e frutada, combinando os melhores sabores do malte e fermento em uma Weissbier (clara ou escura) com um rico sabor maltado, intenso, com o corpo de uma Dunkles Bock ou Doppelbock.

Doppelbock - Uma lager alemã forte, rica e muito maltada que pode ter duas variantes, cerveja claras ou escuras. As versões mais escuras são mais complexas, com sabores de malte mais pronunciados enquanto as versões mais claras têm um pouco mais de lúpulo e secura.

Coloque o seu comentário. Nos diga qual é a sua bock preferida. Um brinde!

sábado, 12 de julho de 2014

Kaiser Bock 2014


Volta Kaiser Bock!


Como é que pode a nossa Heineken, novata na administração Kaiser mencionar que esse ano passaremos o inverno, seco, ou seja, sem molharmos a boca com uma das mais belas cervejas fabricadas 100% malte em larga escala por um período curto de tempo? Pois é estamos falando da Kaiser Bock

Sempre apresentada pelo saudoso Baixinho da Kaiser, José Valien, sou fã dessa belezura, que possui notas tostadas e defumadas incríveis, conforme mencionei em anos anteriores (http://cervejaavecesar.blogspot.com.br/2013/07/kaiser-bock.html). 

No ano de 2012, coloquei um filme do YouTube com um comercial bacana sobre a Kaiser Bock. (http://cervejaavecesar.blogspot.com.br/2012/06/kaiser-bock.html)  Meu amigo, cervejeiro, escritor e blogueiro Maurício Beltramelli quem deu essa nota, e deixou claro o seguinte: VOLTA KAISER BOCK!

#voltakaiserbock!



#pelosatelite #avecesarco #kaiserbock #kaiser #bock #baixinhodakaiser

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Palavra de Cervejeiro

Bock com Sabor e História
Por Rodrigo Ferraz*

Durante o inverno, as cervejas mais encorpadas e com teor alcoólico mais acentuado são boas opções de bebidas para harmonização. A do estilo Bock é uma das que se destacam dentro desse grupo, mas antes de falar especificamente dela é preciso reconhecer os méritos de quem deu os primeiros passos na introdução de diferentes tipos de cerveja num país caracterizado por consumir somente pilsen.

Muito antes de termos a produção e a importação de cervejas variadas e artesanais, o empresário mineiro Luiz Otávio Possas Gonçalves trouxe, em 1993 (11 anos depois de fundar a Kaiser), a primeira cerveja do tipo Bock para o Brasil, com o "Baixinho da Kaiser" como garoto propaganda. Hoje com 69 anos, Luiz Otávio, mais conhecido como Tuca, já criou, além da Kaiser, uma marca de água de coco, uma de cachaça, e recentemente, passou também a produzir insetos para alimentar as aves que mantêm no Vale Verde Alambique e Parque Ecológico, em Betim. Sem dúvida, um empresário visionário, de sucesso e que contribuiu de forma expressiva para o mercado cervejeiro nacional.

Com um teor alcoólico maior e seu forte sabor de malte, a bock é também mais escura e encorpada do que a pilsen. É uma ótima opção de acompanhamento para pratos com carne vermelha, salmão, massas com molhos picantes , além de queijos e doces, provando que a combinação entre o clima frio de julho e uma boa cerveja, além de possível, pode ser bastante interessante.

A bock surgiu na cidade alemã de Einbeck, mas há explicações diferentes para a sua origem. Uma delas diz que, em troca do pagamento de impostos, os cidadãos comuns foram autorizados a produzir a bebida, diferentemente do que ocorria em outras cidades onde só os monges controlavam a produção. A cerveja ganhou fama, começou a ser exportada e, para não prejudicar a sua qualidade durante as viagens, passou a incorporar mais álcool. O nome teria surgido da própria cidade. Einbeck, mas com os sons do dialeto local virou “Oanbock”, logo reduzido para bock.

Outra versão da história diz que a produção começou com os próprios monges, que faziam uma bebida mais forte para suportar os longos períodos de jejum. Como na Europa a época do frio coincide com os meses regidos pelo signo de capricórnio, o bode foi adotado como símbolo da cerveja. Além disso, bock, em alemão, significa “bode”.

Fato é que atualmente esse tipo de cerveja é apreciado e reconhecido mundialmente. Embora o teor alcoólico médio fique entre os 6% e %7, pode chegar até 13% de álcool. Há, ainda, tipos mais claros e com sabores diferenciados. Na Alemanha, principalmente, podem-se encontrar essas variações com mais facilidade.

Então, aproveite o inverno e um brinde à nossa bock!

(*) Rodrigo Ferraz é empresário, proprietário do Haus Muchen, de Belo Horizonte. Esse entende bem de cervejas!
Fonte: Estado de Minas, domingo, 10.07.2011, página 4.
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