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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Bebidas a menores de 18

Governo autoriza consumo de cerveja e vinho aos 16 anos

Governo autoriza consumo de cerveja e vinho aos 16 anos
legenda da imagemLei vai permitir que cerveja e vinho possam ser consumidos por jovens desde os 16 anos
DR

“Ridículo” é a palavra utilizada pelo hepatologista Fernando Ramalho para classificar o diploma aprovado esta quinta-feira no Conselho de Ministros que proíbe a venda e consumo de bebidas espirituosas a jovens até aos 18 anos, mas mantém nos 16 anos a idade limite para o vinho e a cerveja. O especialista considera que o álcool é todo igual e acusa o Governo que não querer proteger a saúde dos portugueses, mas "patrocinar algumas empresas de bebidas".

O Governo de Portugal, ao aprovar uma lei do álcool que permite que com 16 anos se continue a beber cerveja e vinho, não está a proteger a saúde dos portugueses. Esta é a opinião do responsável da unidade de hepatologia do Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

"Eu sou frontalmente contra isso. É o diploma mais ridículo que já vi. O álcool é todo igual, seja vinho, cerveja ou outra coisa", referiu Fernando Ramalho que indignado lamenta que "os interesses das empresas que vendem álcool se sobreponham ao interesse da saúde dos portugueses".

O Conselho de Ministros aprovou na reunião de hoje um novo diploma que prevê a proibição de venda e consumo de bebidas espirituosas a jovens até aos 18 anos, mas mantém nos 16 anos a idade limite para o consumo de vinho e cerveja.

Fernando Ramalho defende que antes dos 18 anos devia ser proibido o consumo de todas as bebidas alcoólicas, lembrando que é assim que acontece nos "países civilizados". A par desta proibição, advoga uma fiscalização intensa e medidas de educação dirigidas para os mais novos.

Na Europa ainda há países que permitem o consumo de algumas bebidas aos 16 anos, como o Reino Unido e a Bélgica, mas em Espanha, França, Irlanda ou Finlândia já se impõe os 18 anos como limite mínimo de consumo de qualquer bebida alcoólica.

O hepatologista de Santa Maria e professor na Faculdade de Medicina de Lisboa alerta que o álcool "é todo igual", independentemente de ser cerveja, vinho ou vodka, e lastima que haja políticos que "continuam interessados em patrocinar algumas empresas de bebidas", escusando-se a ouvir a opinião "de quem está no terreno".

Fernando Ramalho lembra ainda que o impacto do álcool na saúde dos mais jovens é significativo é que há "situações graves" registadas no país.

Recorde-se que o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Leal da Costa, anunciou diversas vezes que a nova legislação iria aumentar a idade legal para consumo e aquisição de álcool para os 18 anos.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Proibido para menores

Fabricantes ajudam no controle do álcool

A partir deste mês, quem comprar uma cerveja ou qualquer bebida alcoólica nos supermercados da rede Pão de Açúcar deverá ser surpreendido com uma nova regra: provar que é maior de idade. Por meio do código de barras, um sistema no caixa identifica automaticamente a bebida alcoólica. O funcionário pede a cédula de identidade e insere no sistema o RG e a data de nascimento do consumidor. Caso a pessoa seja menor de idade, a compra não será efetuada. O programa teve início em 395 lojas da redes Pão de Açúcar, Extra e Assaí dos Estados de São Paulo e do Paraná, como resultado da parceria com a Ambev para coibir a venda de álcool a menores de 18 anos. Um filme publicitário também será veiculado na televisão para alertar que a bebida deve ser consumida apenas por maiores de idade.

"Nossa campanha é para aqueles que fazem uso inadequado do produto, ou seja, para o menor e para quem bebe sem moderação", afirma Milton Seligman, diretor de relações corporativas da Ambev. Segundo ele, a Ambev não possui o valor obtido com a venda de bebidas para menor de 18 anos, nem quanto deixará de ganhar com a restrição de venda a esse público. "Apenas 12% dos brasileiros bebem de forma irresponsável. Não estamos interessados nesse tipo de lucro", afirma.

Até o fim do ano, o sistema deverá ser instalado em todas as lojas do conjunto espalhadas pelo Brasil. A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) também deve divulgar a prática aos seus 80 mil associados. "A rede varejista será informada dessa iniciativa para ajudar a coibir a venda de álcool ao menor", afirma Sussumu Honda, presidente da Abras.

Bares e restaurantes também são alvos da campanha. No dia 23 de setembro, João Castro Neves, presidente da Ambev, visitará bares do centro de São Paulo para falar sobre consumo responsável.

A Ambev vai ainda premiar estabelecimentos com boas práticas. Um exemplo é o bar do Seu Geraldo, em Heliópolis, que funciona há 17 anos, e nunca vendeu bebida alcoólica para menores. "Meu pai me ensinou que adolescente não pode beber", afirma Geraldo Pereira de Souza, 53 anos. "Bar não é lugar de criança. Os jovens aqui sabem que para eles só vendo refrigerante", continua. Seguindo o modelo do Seu Geraldo, outros bares deverão ser conscientizados sobre a questão. A Ambev conta com parceiros como a ONG Aprendiz, que atua na Vila Madalena, em São Paulo, lugar com grande concentração de bares, e com a ONG Bola pra Frente, no Rio de Janeiro.

Projeto similar para coibir a venda de bebida ao menor de idade foi lançado em 2007 pela Diageo em parceria com o Walmart. Cerca de 600 funcionários foram treinados para usar ferramenta que restringe a venda indevida. A Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe) tem lançado campanhas, feito blitzes e distribuído materiais educativos nos semáforos da capital ou nos bares de universidades paulistanas para disseminar informações sobre o consumo inteligente do álcool. Em parceria com a Prefeitura de São Paulo, a Secretaria Municipal de Transportes, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e o Comando de Policiamento de Trânsito (CPTtran) a Abrabe lançou slogans como "Se beber, não dirija" e "Comemore com sucesso, sem excesso", com o objetivo de diminuir o número de acidentes causados por motoristas que dirigem após consumir bebidas alcoólicas.

Embora não existam dados que comprovem a eficácia de campanhas como essas, "as frases ficaram conhecidas em todo o Brasil ", diz José Augusto Rodrigues Silva, presidente da Abrabe. "Houve uma mudança de hábito. As pessoas passaram a deixar o carro em casa e a frequentar os bares do próprio bairro", diz. Na última semana de setembro, a Abrabe promete lançar o Sem Excesso, um site com conteúdo educativo e informações sobre consumo de álcool consciente para jovens, pais e educadores.


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