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terça-feira, 23 de junho de 2026

Sucessão em Cervejarias

 

Do Café à Cerveja: O Brasileiro que Vai Comandar o Império Global da Heineken

A indústria global de bebidas acaba de testemunhar uma movimentação histórica. O conselho de supervisão da Heineken anunciou por unanimidade a nomeação do executivo brasileiro Rafael Oliveira, de 51 anos, como seu novo CEO global e presidente do conselho de administração. Com um contrato inicial de quatro anos, Oliveira quebra uma tradição de quase nove décadas da companhia controlada pela família De Carvalho-Heineken, que historicamente priorizava a sucessão interna. A chegada de um líder externo sinaliza uma busca urgente por fôlego novo. O mercado exige respostas rápidas diante de profundas transformações nos hábitos de consumo no setor de bebidas alcoólicas.

Nascido no Brasil, Rafael Oliveira consolidou uma carreira de altíssimo prestígio internacional, transitando com maestria entre o mercado financeiro e gigantes globais de bens de consumo em massa. Suas bases profissionais revelam uma sólida formação técnica combinada com uma agressiva bagagem em reestruturação de negócios. Graduou-se em Economia pela PUC-SP e obteve seu MBA Internacional pela prestigiada University of Chicago, dando seus primeiros passos como analista de equity research (pesquisa de ações) no Brasil, atuando no Banco Icatu e no Banco BBA-Creditanstalt. Trabalhou por 10 anos no Goldman Sachs Group entrando para a Wall Street e o no topo do mercado financeiro. Atuou como diretor executivo da divisão de títulos no Reino Unido e liderou a unidade de mercados emergentes em Hong Kong.

Os anos seguinte, o futuro CEO líder, migrou para a economia real na The Kraft Heinz Company, onde permaneceu por uma década. Alcançou o cargo de Presidente de Mercados Internacionais, gerenciando um portfólio de mais de US$ 7 bilhões em quatro continentes.

Em novembro de 2024, assumiu o posto de CEO da holandesa JDE Peet's (dona de marcas icônicas de cafés no Brasil como o Café Pilão e L'OR). Em apenas 17 meses de gestão, Oliveira redefiniu as estratégias da empresa, fazendo as ações saltarem 61% em 2025. Recentemente, estava cotado para liderar a fusão bilionária da recém-criada Global Coffee Co. antes de aceitar o convite da Heineken.

Sua chegada vem com grande expectativa. Apesar de manter com solidez o posto de segunda maior cervejaria do mundo (atrás apenas da Anheuser-Busch InBev), a Heineken enfrenta um cenário macroeconômico severamente desafiador.

O setor cervejeiro global lida com a retração da demanda provocada pelo aumento do custo de vida, restrições orçamentárias das famílias e novas tendências de comportamento. As gerações mais jovens têm reduzido o consumo de álcool ou migrado para alternativas mais saudáveis. Além disso, a popularização de novos medicamentos para emagrecer surge como um fator de atenção para o volume de vendas da categoria, fatores amplamente divulgados no Canal Ave Cesar Co.

A Heineken fechou o ano anterior com um desempenho resiliente, registrando crescimento orgânico de receita e expansão de margens de lucro, impulsionada pelo forte desempenho de seu portfólio Premium (como a Heineken original, Heineken 0.0% e a Heineken Silver). Contudo, a recuperação dos volumes de venda totais pós-pandemia ainda caminha de forma mais lenta do que a de concorrentes diretas como a AB InBev e a Carlsberg.


Para assegurar o retorno aos investidores e simplificar sua estrutura de custos, a companhia está implementando a estratégia deprodutividade EverGreen 2030. Este plano prevê economias anuais robustas de até € 500 milhões, mas exige medidas duras, incluindo a consolidação de cervejarias na Europa e o corte planejado de 5.000 a 6.000 postos de trabalho (cerca de 7% de sua força global).

Se a Europa e as Américas enfrentam consumo estagnado, o otimismo da companhia reside em mercados emergentes dotados de populações jovens e renda em ascensão, como o Vietnã, a Índia e a África do Sul. Vale ressaltar que o Brasil continua figurando de forma vital como o maior mercado global para a marca Heineken no planeta. 

Foto: Divulgação. fonte: https://investnews.com.br/negocios/rafael-oliveira-novo-ceo-heineken/

terça-feira, 8 de setembro de 2020

Sucessão em Cervejarias

 


O fim de uma era: pressionada, AB Inbev prepara troca de Carlos Brito

Executivo deve sair em 2021 e empresa procura talentos fora de casa, estilo que contrasta com a cultura de gestão de pessoas da companhia

de Lucas Amorin e Thiago Lavado (Exame)

A cervejaria Anheuser-Busch InBev, fabricante de marcas como Budweiser e Stella Artois, está se programando para substituir o presidente-executivo da empresa, Carlos Brito, segundo fontes ouvidas pelo jornal britânico Financial Times. Brito foi responsável pelo crescimento global da empresa, que liderou nos últimos 16 anos, com uma política intensa de aquisições.

Brito é um dos símbolos da cultura AB InBev, companhia dona da Ambev: formado na casa e muito agressivo. Apesar disso, segundo as fontes do FT, a empresa estaria procurando por substitutos de fora da cervejaria, uma mudança dos padrões para uma companhia que se orgulha de formar executivos e profissionais internamente.

O movimento de substituição do CEO deve indicar mudanças mais significativas na empresa, que não pode mais se dedicar apenas à eficiência, e busca se conectar aos novos padrões de consumo, acelerados pela pandemia de covid-19. Globalmente, a empresa busca, de um lado, quer ampliar a participação de marcas premium em suas vendas e, de outro, lançar produtos que caim no gosto dos jovens — como a Bud Light Seltzer, lançada recentemente.

A AB Inbev estaria trabalhando com firmas de recrutamento para uma possível substituição e o próprio Brito estaria envolto no processo, trabalhando junto ao conselho de administração e planejando anunciar uma saída em 2021.

Saiba mais na íntegra em: https://exame.com/negocios/o-fim-de-uma-era-pressionada-ab-inbev-prepara-troca-de-carlos-brito/ 

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