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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Schincariol

Minoritários concordam em negociar com a Kirin
 A Jadangil, sócia minoritária da Schincariol, segunda maior cervejaria do país, aceitou ir para a mesa de negociações com a Kirin. Segundo apurou o Valor, representantes dos primos José Augusto, Daniela e Gilberto Schincariol Júnior, donos da Jadangil, estão em conversas com os japoneses que compraram em agosto a Aleadri, dona de 50,45% da empresa. A Kirin foi impedida de assumir a Schincariol por conta de liminar obtida na Justiça pela Jadangil.

A Kirin está pronta, inclusive, a pagar pelas ações dos minoritários algo semelhante ao que desembolsou pela Aleadri, empresa dos irmãos Alexandre e Adriano Schincariol: R$ 3,95 bilhões. Proporcionalmente, o valor da Jadangil seria de R$ 3,88 bilhões. A negociação independe do resultado do julgamento da liminar, marcado para o dia 11, em São Paulo.
"Eles [acionistas da Jadangil] não estavam dispostos a vender mas, se for para negociar, não vão aceitar nada menos do que foi pago aos primos", diz uma fonte próxima à Jadangil. Quando foi a Itu (SP), sede da fabricante, fechar a compra da Aleadri, dos irmãos Adriano e Alexandre Schincariol, a Kirin cogitou pagar R$ 2 bilhões pela Jadangil, mas os primos se recusaram a conversar.
Na compra das ações de minoritários, em que não há prêmio de controle, o valor costuma ser pelo menos 20% inferior ao que é pago aos controladores, segundo especialistas. "Ninguém paga ao minoritário o mesmo que desembolsou ao controlador, se já tem a capacidade de tomar decisões por conta própria na companhia", diz um advogado. Se assumisse a Schincariol, a Kirin levaria os assuntos estratégicos para votar em assembleia, mas poderia decidir sozinha, segundo o estatuto da empresa.
A iniciativa mostra o quanto a Kirin, quinta maior fabricante mundial de cervejas, está ansiosa em assumir seu lugar na Schincariol e impedir que a companhia sofra com a briga societária. Segundo dados da Nielsen divulgados por empresas do setor, a participação em volume das marcas da Schincariol no mercado de cervejas era de 11,1% em abril. Em agosto, caiu para 10,3%. Nesse período, a Ambev, principal concorrente, subiu de 68,8% para 69,8% e, a Heineken, de 8,3% para 8,5%. A Petrópolis, rival mais próxima da Schincariol, saiu de 10,4% para 10,1%.
Foi em abril que Adriano Schincariol, presidente da companhia, avisou o primo Gilberto do valor que desejava pela Aleadri, entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões. Gilberto ficou de arranjar o dinheiro, enquanto Adriano abriu a empresa para que potenciais compradoras, como a Heineken, a Kirin e a SABMiller, fizessem "due dilligence".

"Um conflito societário sempre depõe contra a companhia", diz o advogado Eduardo Boccuzzi, especialista em fusões e aquisições. Nesses casos, diz, é plausível que o comprador pague um valor maior ao minoritário para se ver livre do problema. "Já acompanhei o caso de minoritário em uma fabricante de artefatos de borracha que conseguiu negociar sua parte por 90% do que foi pago ao controlador".

Mesmo porque, um minoritário pode até bater o pé, mas sabe que dificilmente vai acompanhar os aportes de capital de uma multinacional. "A luta é inglória", ressalta. "No primeiro aporte bilionário que o controlador fizer e não for acompanhado pelo minoritário, a participação dele é diluída."
Fonte: Valor Econômico 03.10.2011

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Nova Schin

Aleadri tem primeira vitória no caso Schin

Por Daniele Madureira | De São Paulo
Sérgio Castro/AE/Sérgio Castro/AE



Alvo da disputa entre primos, a Schincariol é vice-líder em cervejas do país

A vitória foi modesta, mas relevante por ser a primeira em uma sucessão de perdas. Na terça-feira, a Aleadri, controladora da Schincariol, obteve na Justiça a primeira decisão positiva no imbróglio sobre a sua venda à japonesa Kirin. Por três votos a zero, a Câmara Empresarial do Tribunal de Justiça de São Paulo negou o pedido da Jadangil, minoritária na Schincariol, que solicitava a apreensão dos livros da Aleadri, o aumento do valor da multa imposto à controladora e o fim do segredo de Justiça sobre o caso.


O próximo passo da Câmara Empresarial será julgar a liminar concedida pela 1ª Vara Cível da Comarca de Itu, que no início do mês passado suspendeu os efeitos da venda da Aleadri para a Kirin. O negócio, de R$ 3,95 bilhões, já foi concretizado, mas os japoneses estão impedidos de tomar posse da Schincariol. A Aleadri é dona de 50,45% da empresa, enquanto a Jadangil tem outros 49,55%.

Ainda não está confirmada a data para o julgamento da liminar, que deve acontecer no dia 27 de setembro ou 11 de outubro. Se a liminar for cassada, os japoneses podem assumir a Schincariol. Caso contrário, terão que recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), o que tornaria a decisão bem mais demorada. Na ação, a Aleadri, dos irmãos Alexandre e Adriano Schincariol, é representada pelo escritório Mattos Filho e, a Kirin, pelo TozziniFreire. A Jadangil - dos irmãos José Augusto, Daniela e Gilberto Schincariol, primos de Adriano e Alexandre - é defendida pelo Teixeira Martins Advogados.

A Jadangil pediu a apreensão dos livros da Aleadri para ter controle sobre eventuais mudanças no comando dessa holding. Segundo apurou o Valor, a Aleadri se tornou uma empresa de sociedade anônima (SA) às vésperas de fechar o acordo com a Kirin. Se continuasse como uma empresa limitada, a Aleadri teria que arquivar na Junta Comercial do Estado de São Paulo qualquer mudança no seu contrato social. Como uma SA, ela não tem essa obrigatoriedade. Dessa forma, as ações da Aleadri - que já foram transferidas à Kirin - podem ser transmitidas a um terceiro, no caso de os japoneses desistirem do negócio.

No recurso à Câmara Empresarial, a Jadangil também pedia o aumento da multa imposto à Aleadri, em caso de descumprimento da liminar concedida em 4 de agosto pela juíza Juliana Bicudo da 1ª Vara Cível da Comarca de Itu. À época, a juíza estipulou R$ 100 mil para cada ato de descumprimento. A Jadangil queria elevar esse valor, assim como tornar o processo público. Hoje, como corre em segredo de Justiça, nenhuma das partes pode comentar o caso. Mas os pedidos foram negados pela Câmara.

Na semana passada, o escritório Teixeira Martins Advogados entrou com ação principal na 1ª Vara Cível de Itu. A ação, que justifica o pedido de liminar, pede a nulidade da venda da Aleadri à Kirin, pelo desrespeito ao estatuto da Schincariol. Segundo apurou o Valor, a ação pede ainda que seja feita uma avaliação do valor da Schincariol, para que os minoritários possam decidir se querem ou não fazer uma proposta para compra da Aleadri. De acordo com especialistas, uma perícia judicial para definir o valor da empresa demoraria, no mínimo, um ano.


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