
Cerveja sem álcool: uma ofensa ao seu paladar ou uma opção
realmente viável?
por Brunno Kono | iG São Paulo
Elas ficam ao lado das companheiras alcoólicas, mas, ao
mesmo tempo, parecem deslocadas na seção. Em quatro supermercados visitados
pelo iG, em São Paulo, poucos consumidores tiravam das prateleiras as
características latinhas brancas – com exceção de uma ou outra marca – das
cervejas sem álcool, embora algumas não sejam, literalmente, sem álcool.
Segundo o Artigo 66 do Decreto de n° 2.314, de setembro de
1997, cervejas com menos de 0,5% de graduação alcoólica são consideradas sem
álcool e, caso não sejam 0,0%, não há a obrigação do teor ser informado no
rótulo – a informação geralmente fica reservada à parte de trás da lata ou da
garrafa. Olhe com atenção uma Kronenbier e verá que seu teor é de 0,3%.
Com 0,0% ou 0,5%, a cerveja sem álcool não atrai olhares de
admiração. A convite da nossa reportagem, Paulo Almeida, dono do Empório do
Alto de Pinheiros, na zona oeste da capital paulista, e André Cancegliero, da
Cervejaria Urbana, sentaram para experimentar oito marcas da categoria – veja
os comentários da degustação mais abaixo –, e quem passava por ali para
cumprimentar Paulo, afinal, ele é o dono do bar, estranhava ver marcas não
alcoólicas na mesa.
“Muita gente tem a imagem de que a cerveja sem álcool não
tem graça, tem gosto ruim, mas o sabor está cada vez mais próximo de uma
normal, cada vez mais próximo da expectativa do consumidor. Tem referências
claras de sabor, quando você consegue chegar mais próximo do sabor, você
consegue desmistificar todos esses mitos”, diz Luciano Horn, com 20 anos de
experiência no ramo de bebidas e mestre cervejeiro que trabalhou na criação da
Brahma 0,0%, lançada no ano passado.
Segundo a empresa, a Brahma 0,0%, a segunda do tipo
desenvolvida por eles – a primeira foi a Líber, em 2004 – é resultado de três
anos de pesquisa, 84 produções diferentes, mais de 100 protótipos e 12 mil
garrafas envasadas para avaliação.
O equipamento utilizado no processo, vindo da Alemanha,
existe em poucos países, como Espanha, Egito, Bélgica, China e Líbano, de
acordo com Natália José, gerente de inovações da Ambev.
Fonte:
http://www.tribunadabahia.com.br/2014/01/10/cerveja-sem-alcool-uma-ofensa-ao-seu-paladar-ou-uma-opcao-realmente-viavel
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